quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Alagoas 24 Horas

12 de agosto de 2009
Aposentado alagoano vive com dois corações
O escriturário alagoano aposentado Gilberto Ramalho Xavier, 62, tem agora dois corações. Ele recebeu o segundo na madrugada de ontem (11), em transplante realizado pelo cirurgião-cardíaco José Wanderley Neto e sua equipe, na Santa Casa de Misericórdia de Maceió.
Gilberto Xavier, que é casado e pai de dois filhos, sofria de miocardiopatia isquêmica, adquirida em consequência de um enfarte do miocárdio, e estava na fila de transplante há mais de um ano – período bem superior à média, que é de seis meses.
A técnica utilizada, de implantação de um segundo coração, é cientificamente chamada de heterotópica e foi, segundo José Wanderley Neto, a única opção para salvar o paciente. É que o coração doado, que pertencia a uma mulher de menor estatura e peso, sozinho não cumpriria sua função de bombear o sangue.
Por ser menor, o coração doado não tinha indicação de ser transplantado no sr. Gilberto Xavier na forma convencional e iria para outro paciente na fila de transplante em Sergipe. Por isso optamos pelo transplante heterotópico, em que implantamos o coração doado para trabalhar junto com o coração remanescente, que, mesmo com problema, vai ajudar a consolidar o bombeamento do sangue – disse José Wanderley Neto.
Segundo ele, o quadro de saúde do transplantado é bom. “Ele está tendo evolução dentro do esperado”, disse. A previsão de alta é para entre duas a três semanas.
Este foi o quinto transplante cardíaco heterotópico realizado em Alagoas – o primeiro foi em setembro de 1999 - e consolida nacionalmente o domínio da técnica pelo cirurgião José Wanderley Neto e sua equipe. A literatura médica registra apenas 15 transplantes do gênero no país.
Sobrevivente
O aposentado Gilberto Xavier foi o candidato que mais sobreviveu na fila de transplante cardíaco em Alagoas. Foram exatos 16 meses. A média é de seis meses, em razão de que na quase totalidade dos casos são pacientes em condições muito desfavoráveis e as doações não são em quantidade suficiente, além de que muitas vezes quando ocorrem o órgão não é compatível.
Seu drama começou no final de 2007, quando sofreu um enfarte do miocárdio que destruiu parte do coração. Em casos assim, a área lesionada passa a se dilatar, tornando o coração pesado e lento para cumprir sua função.
Em janeiro de 2008 passou por uma cirurgia cardíaca para revascularização do miocárdio, com a colocação de duas pontes de safena e ressecção (retirada) de parte do coração, para dar condições de bombear normalmente o sangue.
Apesar desses esforços – disse José Wanderley Neto – a operação não foi suficiente para lhe dar uma boa condição de vida. A área afetada do coração voltou a se dilatar e contribuir para destruir as áreas ainda sadias. A indicação então era de transplante.
Mas a cirurgia foi de grande importância, pois restabeleceu o fluxo sanguíneo na região cardíaca e contribuiu para dar condições mínimas de funcionamento do coração até o aparecimento de um doador.
Na esperança de que o prazo da doação pudesse ser abreviado, Gilberto Xavier viajou a São Paulo e se inscreveu na fila de candidatos a transplante cardíaco do Instituto do Coração (Incor). Semanas após, reavaliou a decisão: concluiu que suas chances seriam maiores em Alagoas e retornou, cadastrando-se na Central de Transplante em abril.
Enquanto a doação não vinha, o aposentado se internou múltiplas vezes com insuficiência cardíaca no Instituto de Doenças do Coração da Santa Casa, num quadro de crescente agravamento.
A doação
O coração tão esperado por Gilberto Xavier chegou na noite de segunda-feira (10). Pertencia a uma mulher de 51 anos de idade, natural do município de Jacaré dos Homens, que morreu no Hospital do Açúcar em consequência de um aneurisma cerebral. A doação foi autorizada por sua família.
De imediato a equipe da Central de Transplantes do Estado mobilizou o cirurgião-cardíaco José Wanderley Neto e sua equipe e, após os testes que confirmaram compatibilidade entre doadora e receptor, os procedimentos de transplante foram iniciados.
O coração foi retirado da paciente, com morte cerebral declarada horas antes, e levado até a Santa Casa para o transplante, que começou às 3h e acabou às 8h de terça-feira.
Fonte: Assessoria
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Jornal Agora

Rio Grande, 12 de Agosto de 2009, Quarta-Feira.
Projeto de lei prevê ampliar informações aos doadores de órgãos

A afixação de cartazes, faixas ou qualquer outro meio de divulgação que informe sobre a doação de órgãos e tecidos em estabelecimentos de saúde pode passar a ser obrigatória, com a aprovação de um projeto de lei de autoria do deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS).

O PL 5686/2009 foi protocolado pelo parlamentar gaúcho, no dia 5 de agosto, e tem o objetivo de informar e incentivar a população a fazer as doação de órgãos, medula óssea, córneas, pele, sangue e outros tecidos.

O projeto estabelece que os referidos instrumentos informem que uma doação de órgãos pode salvar até sete vidas, possuam exemplos de pessoas que receberam órgãos e seus respectivos benefícios, os procedimentos para o cadastro dos doadores, telefone da Central de Transplantes do Estado onde estiver localizado o estabelecimento e locais de coleta.

Para o caso específico de doação de medula óssea, o material deve alertar que, para cadastrar-se como doador, basta doar 10 ml de sangue no hemocentro. Também deve informar sobre o armazenamento de dados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), exemplos de pessoas beneficiadas e o telefone do hemocentro mais próximo.
Beto Albuquerque destaca que a intenção é informar pessoas com potencial para serem doadores e lembra que as despesas para a implantação da lei poderão ser custeadas pela iniciativa privada. “O objetivo deste projeto é fornecer as informações necessárias para o incentivo à doação de órgãos e tecidos dentro dos próprios estabelecimentos de saúde, tanto públicos como privados. Campanhas de esclarecimento são uma necessidade para o aumento do número de doadores, a fim de que o sofrimento das pessoas que fazem parte de uma lista de espera por doação possa ser minimizado”, conclui o parlamentar.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

REDE NOTÍCIA

Com surto de hepatite A em regiões de Goiás, especialista recomenda vacinação das crianças
10 agosto, 2009 por
A vacina contra Hepatite A é indicada para todas as idades a partir de 1 ano de vida. Mesmo após o contato com o vírus, chance de acerto é de 80%. Para diminuir índice de prevalência da doença, especialista diz que são necessárias medidas para melhorar as condições sanitárias básicas, além de campanhas educativas.
O surto de Hepatite A em algumas regiões de Goiás próximas ao Distrito Federal, como na cidade de Luziânia, poderia ser controlado no curto prazo com a vacinação universal das crianças da região. Essa é a opinião da médica Mônica Álvares da Silva, especialista em pediatria, imunologia e alergia, diretora da SBIm/DF (Associação Brasileira de Imunizações – Regional Distrito Federal) e diretora médica da Clínica de Vacinas Imunocentro.
“Para o recente surto de Hepatite A no entorno do Distrito Federal, o ideal é que se faça a vacinação universal da população daquelas regiões. A vacina, apesar de não fazer parte do calendário de rotina de toda a população brasileira, é padronizada pelo Ministério da Saúde para situações de alto risco, como é o caso de Luziânia”, explica a especialista.
A vacina contra Hepatite A é indicada para pessoas com mais de um ano de vida. “É segura e efetiva e confere proteção de longa duração. Além disso, após a vacinação, existe rápida produção de altos títulos de anticorpos protetores, permitindo o controle de surtos da doença”.
O Distrito Federal, por sua vez, conta atualmente com diversos “bolsões de Hepatite A”, como na região de Estrutural, Arapuã, Planaltina, Santa Maria, Riacho Fundo, entre outras áreas. A explicação para isso é a convivência lado-a-lado de regiões de alta e baixa endemicidades. Muitas pessoas, por exemplo, trabalham nas regiões de baixa endemicidade e residem naquelas de alta endemicidade, levando a doença para dentro das casas de famílias, escolas, restaurantes e lanchonetes.
Para a diretora médica do Imunocentro, o fato de a população estar vulnerável à Hepatite A contribui para que pessoas em idades mais avançadas da vida acabem contraindo a doença e desenvolvendo-a de forma grave, com maior índice de complicações. “Isto nos mostra a grande importância de se indicar a vacina a toda a população susceptível, sendo ideal a vacinação universal das crianças brasileiras”. A especialista faz outro alerta: caso a pessoa não tenha se vacinado e tenha contato com o vírus, deve receber a vacina o mais precocemente possível, pois ainda é possível conseguir a proteção contra o vírus.
A experiência clínica de diversos casos no mundo, e que fazem parte da literatura médica, mostra a vantagem em se vacinar uma pessoa mesmo após ter tido contato com o vírus. “Trata-se de uma doença que possui um longo período de incubação (pode chegar a 50 dias). Como a resposta na produção de anticorpos induzida pela vacina é muito rápida, muitas vezes há tempo hábil destes anticorpos impedirem que a doença venha a se manifestar. No entanto, há casos em que a pessoa acaba desenvolvendo a doença, mesmo após a vacinação”.
De acordo com o novo Manual do Ministério da Saúde, a vacina deve ser aplicada até oito dias após o contato com o vírus, com uma chance de acerto de 80%. A vacina contra Hepatite A é indicada para pessoas de todas as faixas etárias, a partir de 1 ano de idade, desde que não tenham desenvolvido a doença. São necessárias duas doses, com um intervalo mínimo de seis meses entre elas, não havendo necessidade de reforço posterior. Ocasionalmente, podem ocorrer reações adversas, geralmente de leve intensidade e transitórias. A vacina é contra-indicada para pessoas com histórico de reação anafilática grave a algum componente da vacina.
Doenças X Infraestrutura
A Hepatite A é uma doença que tem relação direta com o poder aquisitivo da população e com as condições sanitárias básicas e de higiene. Não à toa a prevalência de Hepatite A em uma região é utilizada, de forma indireta, como parâmetro para definição de índice de desenvolvimento sócio-econômico da população. No longo prazo, explica a doutora, o controle da doença pode ser conseguido com medidas para a melhoria das condições de infraestrutura, como fornecimento de água potável, tratamento de esgoto e coleta de lixo, além de campanhas educativas sobre medidas básicas de higiene, como lavar as mãos após o uso do banheiro, por exemplo.
Desinformação é um agravante
A Hepatite A é uma doença que atinge um órgão de extrema importância para o nosso organismo, sendo caracterizada pela inflamação do fígado. Apesar de poder manifestar-se de forma benigna, é uma doença que tem uma duração prolongada, com uma média de 30 a 60 dias de sintomas, podendo durar bem mais. É também uma doença que pode ter complicações graves, evoluindo de forma fatal.
A falta de informação sobre a gravidade da Hepatite A, e de suas complicações, é a principal razão para a disseminação da doença. “Uma grande parte da população brasileira desconhece a existência da vacina contra Hepatite A. E, após contraírem a doença, queixa-se de nunca ter sido orientada por seus médicos a receber a vacina”, afirma a Mônica Álvares da Silva.
Segundo Lucia Bricks, diretora médica da Sanofi Pasteur, divisão de vacinas da Sanofi Aventis, a Hepatite A é responsável por até 40% dos casos de transplante de fígado em crianças menores de 15 anos no sul do País e, mesmo entre as famílias de alta renda, ainda existe muita desinformação sobre os riscos da doença e benefícios da vacinação. “A experiência de países onde a vacina foi introduzida no calendário de rotina mostrou que em menos de dois anos, existe beneficio não apenas para as crianças vacinadas, mas para toda a comunidade”, conta Lucia Bricks.
Para ela, a maior preocupação dos profissionais da área da Saúde em relação à Hepatite A é controlar a doença e mudar o quadro que hoje existe de elevada prevalência na população. “É preciso uma série de ações em diversas frentes, desde a melhoria das condições sanitárias básicas da população, até a promoção de campanhas educativas de amplo alcance na mídia, nas escolas, restaurantes e lanchonetes, órgãos públicos e empresas privadas. A melhor medida é sempre a prevenção da doença. No caso da Hepatite A, é preciso adotar a vacinação universal da criança brasileira, conforme orientação da OMS para países com realidade semelhante à nossa”.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

REDE NOTÍCIA

Célula-tronco reduz mortalidade em vítima de infarto
10 agosto, 2009 por
Um grupo pioneiro de pesquisadores da Universidade de Düsseldorf, na Alemanha, realizou um estudo pioneiro sobre transplante de células-tronco após infarto, que acompanhou os pacientes por um período extenso. O trabalho, publicado no “Journal of the American College of Cardiology”, mostrou uma melhora na função cardíaca e a diminuição da mortalidade a longo prazo.
Todos os 124 pacientes haviam sofrido um infarto e foram submetidos a angioplastia (implantação de stents para desobstruir vasos). Os voluntários puderam escolher se queriam ou não receber também um transplante de células da medula óssea. Metade dos pacientes não quis passar pelo tratamento e foram considerados o grupo controle.
O transplante, feito com células do próprio paciente, foi realizado sete dias após o infarto, em média. Os resultados após cinco anos mostram que a função cardíaca melhorou de 51,6% para 56,9% nos que receberam as células. Nos demais pacientes, ao contrário, a função caiu para 46,9%. No grupo transplantado, houve apenas uma morte, contra sete entre os demais pacientes.
De acordo com o pediatra Carlos Alexandre Ayoub, do Centro de Criogenia Brasil, a formação de neovasos por meio das aplicações de células-tronco já está comprovada em muitas pesquisas. “A cada dia surgem novas técnicas e aplicações para as células-tronco. Por isso a importância das pesquisas científicas realizadas em diversos países, inclusive o Brasil”, afirma Ayoub.
Segundo os pesquisadores alemães, também foi possível notar que a melhora na qualidade de vida dos voluntários que receberam as células se manteve durante os cinco anos do estudo. Atualmente, mais de 300 doenças estão em fase final de testes.
No futuro espera-se reconstituir órgãos inteiros com células-tronco, não dependendo mais de transplante. “É por isso que cada vez mais casais buscam coletar e armazenar as células-tronco do cordão umbilical de seus bebês”, explica o médico Carlos Ayoub.
Centro de Criogenia Brasil

TRIBUNA DO INTERIOR

Osmar Dias 09/08/09
Redação

Uma lei pela vida

A doação de órgãos e tecidos é um ato solidário que salva a vida de muitos brasileiros. A campanha lançada no ano passado pelo Ministério da Saúde, intitulada “Tempo é Vida”, aliada à solidariedade do povo brasileiro, refletiram no aumento do número de doadores da ordem de 20% do ano passado para cá, mas a fila à espera por transplantes no Brasil ainda chega perto de 70 mil pessoas.

A estimativa da Associação Brasileira de Transplantes (ABTO) é a de que só será possível equilibrar a demanda daqui a 10 anos e a necessidade é a de duplicar o número de transplantes nesse período.
Para fazer valer a solidariedade de quem doa e salvar a vida de muitos que estão na fila por transplantes foi que apresentei no Senado Federal projeto de lei que moderniza a legislação de transplantes de órgãos no Brasil. Minha proposta é a de tornar obrigatório para hospitais com mais de 80 leitos, ou que disponham de unidades de emergência ou de tratamento intensivo, a manter uma Comissão de Captação e Doação de Órgãos.
Isso é necessário porque muitas vezes não faltam doadores, mas equipes médicas especializadas para fazer a coleta dos órgãos e tecidos para dar agilidade aos transplantes e salvar mais pessoas.
Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) o maior problema reside no sistema de captação e distribuição de órgãos e, principalmente, na estrutura precária e falta de organização dos hospitais brasileiros. A ABTO aponta que o índice de óbitos na fila de espera por transplantes é de 40%. Os órgãos que lideram a busca por doações são os rins, depois córnea e fígado.
O Projeto de Lei (PLS 347/07) que apresentei estabelece que a comissão deve ser composta por profissionais do quadro da instituição e ter por finalidade identificar possíveis doadores de órgãos, tecidos ou partes do corpo para fins de transplante ou tratamento entre os pacientes internados, fazer contato com seus familiares com o objetivo de obter autorização para doação, manter os meios de comunicação permanente com as centrais de notificação, captação e distribuição de órgãos da unidade federada em que se localizam e outros definidos pela autoridade sanitária.
Defendo a modernização da lei de transplantes para salvar vidas. É uma questão de saúde pública que pode trazer a felicidade de volta a muitas famílias que hoje correm contra o tempo esperando a oportunidade de viver.
Osmar Dias é líder do PDT no Senado Federal

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Nova forma de biópsia
Tecnologia de ponta Método criado pela USP usa laser para checagem de fígado para transplante ganha o mundo

DANIELLE CASTRO
A biópsia ótica, método desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto para agilizar a checagem de fígados para transplante, deve se tornar procedimento padrão no Hospital das Clínicas da cidade a partir do ano que vem.
O trabalho pioneiro de checagem de órgão sem cortes (feito com a ajuda de um laser) tem chamado a atenção da comunidade científica no exterior e ganhou destaque na revista Liver International, uma das mais importantes da área.
Duas etapas do estudo já foram aceitas pela publicação, sendo que as revelações dos testes em animais saem na edição de agosto. Além disso, os convites para divulgar a tecnologia têm aumentado: só neste ano o trabalho foi apresentado nos EUA e na Espanha, sendo que ainda neste semestre será levado à China.
O pesquisador e gastrocirurgião Gustavo Ribeiro de Oliveira, que iniciou o projeto do laser em 2002, disse que a proposta era descobrir uma tecnologia que viabilizasse um laudo objetivo sobre a quantidade de gordura no fígado do doador. "A gordura é um a critério decisivo para um transplante, pois o excesso pode inviabilizar o órgão. Hoje, essa avaliação é feita no 'olho', contando com a experiência do cirurgião, mas isso pode ter erro", disse Oliveira.
O resultado é dado a partir da reação do contato da luz do laser com o tecido do fígado e foi inspirado nos diagnósticos de câncer de pele e cáries, que também usam essa tecnologia. O custo para implantação do laser é baixo, de acordo com o gastrocirurgião, e tem como vantagem o resultado em tempo real, que evita a perda de órgãos durante a espera por uma biópsia tradicional.
O cirurgião e doutorando Rodrigo Borges Correa, que tem conduzido desde 2005 os testes em humanos, disse que ao longo do estudo o equipamento também evoluiu, permitindo mais facilidade de instalação e transporte. "Hoje levamos só o nootebook e, além da gordura, identificamos com o laser se o órgão teve algum sofrimento por doença ou falta de oxigênio, o que influencia na qualidade e no sucesso da doação", disse Corrêa.
Parceria entre RP e São Carlos
O laser usado pelo Grupo Integrado de Transplante de Fígado do HC de Ribeirão Preto foi desenvolvido por meio de uma parceria como o Instituto de Física da USP de São Carlos. A previsão é de que futuramente o feixe de luz possa ser usado para atestar a qualidade de qualquer tecido candidato a transplante. O teste em humanos foi feito com 40 pacientes e os resultados da biópsia ótica teve 70% de equivalência com os dados obtidos por exames físico (observação) e cirúrgico (biópsia tradicional).
A avaliação é feita em três momentos: dentro do corpo do doador, logo após o transporte e no corpo do receptor. Os resultados serão qualificados na próxima semana e defendidos em janeiro pelo cirurgião Rodrigo Correa. Só em 2009, o HC de Ribeirão Preto realizou 23 transplantes de fígado. A fila de espera desse órgão é de 120 pacientes ordenados conforme a gravidade do caso. (DC)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

DIARIO DO NORDESTE

DIARIO DO NORDESTE
PROPORCIONAL À POPULAÇÃO
Ceará é o 1º em transplante de coração no Brasil


No primeiro semestre de 2009, o Ceará registrou 2,6 doadores por milhão de pessoas, superando São Paulo.
O Ceará está dando exemplo em doação de órgãos e realização de transplantes no Brasil.
No primeiro semestre deste ano, o Estado se destaca como o que mais efetivou transplantes de coração proporcionalmente à população e como terceiro em números absolutos de cirurgias do tipo.
Dos procedimentos em geral, a quantidade de transplantes realizados aumentou 20,6% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Na prática, o número de operações passou de 310 para 374 de um ano para o outro.
Os dados são da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Nacionalmente, o Estado é o que mais doa. No primeiros seis meses de 2009, o Ceará registrou 2,6 doadores por milhão de pessoas. São Paulo e Paraná ficaram com índice de 2,5.
Em número absolutos, as posições se invertem. São Paulo fica à frente, com 53 transplantes de coração realizados; Paraná com 13 e Ceará com 11. Os dados são de janeiro a julho. Até ontem, o Estado contava com 13 cirurgias.No primeiro trimestre deste ano, a média nacional de doadores era de oito por um milhão de pessoas. No mesmo período, o Ceará apresentava índice maior, de 10,1, na mesma proporção. No ranking nacional, o Estado ocupava a 8ª posição entre os estados.
Contabilizando-se o semestre, porém, houve melhora significativa, pois o Ceará passou para a 4ª posição, com 11,7 doadores por milhão de habitantes. A meta para 2011 é atingir o índice 12, como informa a assistente social da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) do Estado, Rosângela Gaspar Cavalcante.“Se conseguirmos manter esse ritmo, antes do fim do ano poderemos chegar ainda mais perto da meta”, vislumbra. O índice de 11,7 coloca o Ceará atrás apenas de São Paulo, Santa Catarina e Acre, sendo que esse último se destaca devido à população pequena.O fato de o Ceará ter passado à frente de estados como Rio Grande do Sul e Paraná revela um avanço no setor e mostra características próprias do cearense. “Nossa população é muito solidária, está atendendo bem ao apelo de salvar vidas. O trabalho dos profissionais nos hospitais de referência do Estado é de dedicação total”, enfatiza.Para incrementar o serviço, são feitas capacitações.
No ano passado, houve dois cursos de formação de coordenadores educacionais de transplante.
Hospital de Messejana
O resultado da pesquisa da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos não foi surpresa para o coordenador da Unidade de Transplantes Cardíacos e Insuficiência Cardíaca do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, cardiologista João David de Souza.Ele atribui essas conquistas ao trabalho realizado nos últimos 12 anos no Estado para incentivar a doação de órgãos e coloca o hospital entre os três maiores do Brasil em termos de transplantes cardíacos.No caso específico do Hospital de Messejana, no primeiro semestre deste ano foram realizados 11 transplantes do coração. “Ontem, fizemos mais quatro, totalizando 15 transplantes este ano”.
Marta Bruno e Suelem Caminha Repórteres

terça-feira, 21 de julho de 2009

Doação de órgãos em São Paulo aumentou 63% no 1º semestre
20/07 - 11:27 , atualizada às 12:47 20/07 - Agência Estado

Um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo revelou que as doações de órgãos cresceram 63,7% nos primeiros seis meses do ano.
Segundo o balanço, foram registradas pela Central de Transplantes 352 doações no primeiro semestre de 2009, contra 215 no mesmo período do ano passado
.
O número de transplantes também cresceu, 54,3% no primeiro semestre em comparação com os seis meses iniciais do ano passado, informou a pasta.O aumento das doações, de acordo com a secretaria, é fruto de aprimoramento na captação e da implantação de projeto de coordenadores internos de transplantes em 31 hospitais estaduais.
Neste ano, de janeiro a junho, houve no Estado 55 cirurgias de coração, 60 de pâncreas, 560 de rim, 295 de fígado e 13 de pulmão. Já no primeiro semestre de 2008 foram contabilizados 36 transplantes de coração, 47 de pâncreas, 344 de rim, 189 de fígado e 13 de pulmão.

sábado, 18 de julho de 2009

Sexta-feira, 17 de julho de 2009
Ministério da Saúde capacitará profissionais
O Ministério da Saúde e o Hospital Sírio-Libanês fecharam parceria que possibilitará o desenvolvimento dos Centros de Transplantes de Órgãos em 16 estados do Brasil onde o número deste tipo de cirurgias ainda é baixa. O curso da Rede Nacional de Transplantes (RENTRANS) capacitará cerca de 40 profissionais de saúde até o próximo ano em temas que vão desde a captação de órgãos, passando pela distribuição, até a realização efetiva dos procedimentos.
Com a iniciativa, o governo contribuirá para facilitar o acesso de pacientes aos transplantes em áreas onde essa cobertura ainda é frágil, o que reforça a assistência nos níveis mais altos de complexidade. A abertura do curso foi realizada nesta segunda-feira (13), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Nessa primeira turma, sete médicos de seis estados (veja quadro abaixo) farão o estágio presencial em São Paulo num período que vai de dois meses a um ano, no Hospital do Rim, na Central de Transplantes da Secretaria Estadual de Saúde, na Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Santa Casa de São Paulo e no próprio Hospital Sírio-Libanês, dependendo da modalidade de treinamento. Quando retornarem aos seus estados, eles atuarão numa área cujos serviços de saúde atendem cerca de 60 milhões de pessoas. O investimento no curso será de R$ 3,5 milhões até o próximo ano.
REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES – O curso busca diminuir as desigualdades regionais por meio da transferência de conhecimento e tecnologia para os estados mais distantes do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Para a coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde, Rosana Nothen, cursos como esse contribuem para a promoção do nivelamento entre as regiões e reduzem a perda de oportunidades de doação e transplante. “Alguns órgãos estão condicionados ao tempo possível de preservação e, muitas vezes, não resistem ao transporte para lugares distantes. Assim, havendo doador, se o estado não puder realizar o procedimento, o órgão se perde”, disse Rosana.
O Secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, explicou que as desigualdades na oferta de serviços têm relação com o desenvolvimento econômico de cada região. Assim, reforçou ele, além de levar o conhecimento para esses estados, o desafio é multiplicá-lo junto aos demais profissionais de saúde para aperfeiçoar a rede. “Começamos com 40 alunos, mas o projeto não para aqui. Há um longo caminho pela frente. Vamos criar uma massa crítica dentro dos hospitais e centrais de transplantes e transferir tecnologia para a realização dos procedimentos”, destacou Beltrame.
O superintendente de Estratégia Corporativa do Hospital Sírio-Libanês e responsável pela área de transplante de fígado infantil do curso do Projeto RENTRANS, Paulo Chapchap, afirmou que os projetos filantrópicos do HSL envolvem 1,3 mil colaboradores em seu corpo docente. Segundo ele, muitos trabalham sem remuneração, o que aumenta a capacidade de multiplicação do conhecimento por todo o Brasil. “Apenas uma parcela pequena da população tem acesso a serviços de excelência. Treinando profissionais, o nosso desafio é que os serviços de saúde de qualidade sejam acessados por muito mais pessoas”, disse Chapchap.
Segundo dados do Ministério da Saúde, dos 18.989 transplantes realizados em todo o país, apenas 16,4% foram nos estados participantes do curso – Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Distrito Federal. Juntos, esses estados fizeram apenas 3.126 cirurgias em 2008. Esse número é menor do que a soma dos procedimentos realizados em Minas Gerais e no Paraná.
CAPTAÇÃO ATIVA
– Coordenador do curso, o professor aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Silvano Raia, observou que, além de ensinar as técnicas, a iniciativa formará coordenadores intra-hospitalares de transplante que serão responsáveis pela captação de órgãos nos seus respectivos estados. A exemplo do modelo já testado na Espanha, esses profissionais aprenderão a identificar pacientes com quadro clínico sugestivo de morte cerebral e mantê-lo em boas condições de internação.
Caso a morte seja diagnosticada, esse plantonista saberá como sensibilizar a família e, obtendo autorização, avisar a família e encaminhar o processo para a Central de Transplantes. “É uma nova especialidade que demanda conhecimento sobre aspectos legais e sobre como notificar as secretarias de saúde, entre outros. É um projeto inovador que transferirá um acervo técnico e cultural para o desenvolvimento desses estados”, afirmou Raia. “Não basta ter um transplantador se não houver alguém que saiba abordar a família”, reforçou Beltrame.
Na avaliação do diretor do Hospital do Rim, José Medina, a capacitação é um passo para melhorar o atendimento em todo o país. “A demanda por transplantes está crescendo muito no Brasil. Por isso, precisamos formar cada vez mais pessoas”, analisou Medina. Além do estágio presencial, a capacitação inclui outras duas ações dirigidas: manutenção e atualização das futuras equipes de transplantes. A previsão é que a manutenção seja realizada por meio de uma remuneração adicional, a ser definida, para as comissões intra-hospitalares, que trabalharão na captação de órgãos.
A atualização, por sua vez, será realizada por meio de uma rede de telecomunicações entre os estados participantes. Os profissionais participarão de discussões de casos semanalmente por meio de teleconferência. Para a estruturação dessa rede, a RENTRANS buscará parcerias com instituições privadas.
Fonte: Rede Notícia - www.redenoticia.com.br.

quinta-feira, 16 de julho de 2009


salvador 15.07.2009 - 15h26
Centro de Biotecnologia vai ser inaugurado em hospital particular
Redação CORREIO
Será inaugurado nesta sexta-feira (17), no Hospital São Rafael, em Salvador, o Centro de Biotecnologia. Dez milhões de dólares, o equivalente a trinta milhões de reais, foram investidos na compra de equipamentos e na construção da nova unidade que levou mais de um ano para ficar pronta.
Cerca de 30 profissionais vão atuar, entre médicos, biólogos, farmacêuticos, bioquímicos e veterinários. O desafio da equipe é colaborar com as pesquisas que envolvem o uso de células-tronco no tratamento de problemas como doença de Chagas, Acidente Vascular Cerebral, epilepsia e cirrose.
Além das pesquisas, o Centro vai fornecer células-tronco para os hospitais Espanhol e Santa Izabel, em Salvador, e para outros estados que já desenvolvem esse procedimento.
Hoje o método usado é o embrionário, que consiste na retirada de células-tronco da medula óssea, da placenta e do cordão umbilical. Essas células são isoladas em laboratório e introduzida no órgão afetado pela doença. Como tem a capacidade de se dividir e se transformar em outras células, elas conseguem recuperar a área atingida, representando uma nova esperança para os pacientes.
Na Bahia, as pesquisas com células-tronco começaram em 2001. Em 2002, os primeiros pacientes com doença de Chagas iniciaram o tratamento. Hoje, entre 100 e 200 pessoas estão sendo submetidas à terapia celular no estado.
‘Agora a gente está terminando um projeto a nível nacional em doença de Chagas de terapia que envolve 16 centros diferentes. Outra coisa que a Bahia é pioneira é no tratamento de doenças crônicas no fígado... de cirrose hepática, pacientes que estavam na fila de transplante... não que vá resolver essa doença crônica, mas pelo menos para aumentar a sobrevida desse paciente, para permanecerem mais tempo na lista e terem chance de receber um órgão para transplante’, explica o coordenador do Centro de Biotecnologia Renato Ribeiro.
(com informações da TV Bahia)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Médicos de seis estados começam curso em São Paulo sobre transplante de órgãos
Flávia Albuquerque Agencia Brasil
Sete médicos de seis estados do país começaram hoje (13) a participar de um curso realizado pela Rede Nacional de Transplantes (Rentrans), do Ministério da Saúde, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, que tem o objetivo de capacitar 40 profissionais sobre captação de órgãos, distribuição, cirurgias e outros temas relacionados com a área.
Com o curso, o ministério pretende reduzir as desigualdades regionais transferindo conhecimento e tecnologia para os estados mais distantes de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Os alunos farão estágios, que variam de dois meses a um ano, no Hospital do Rim, na Central de Transplantes da Secretaria Estadual de Saúde, na Organização de Procura de Órgãos da Santa Casa de São Paulo e no Hospital Sírio-Libanês.
Segundo o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, apesar de o número de transplantes ter crescido 15% ao ano no país, entretanto a distribuição dos transplantes no país é desigual, com estados com números altos e outros que fazem poucos transplantes.
Muitos desses estados fazem apenas transplantes intervivos e a ideia é fazer também transplantes com doadores cadáver. Queremos levar os transplantes para mais próximo das pessoas especialmente nesses estados, disse Beltrame.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, dos 18.989 transplantes realizados no país, 16,4% ocorreram nos 16 estados participantes do curso (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Distrito Federal).
Em 2008, esses estados, juntos, realizaram 3.126 cirurgias, enquanto Minas Gerais e Paraná, juntos, fizeram 3.622 transplantes, e São Paulo 8.694.
Beltrame destacou que o baixo número de transplantes nessas regiões acontece porque o processo é complicado e essas localidades não têm a cultura do transplante.
O que estamos fazendo com esse projeto é levar a cultura do transplante para esses locais usando tecnologias de informação, treinamento, acompanhamento e tentar habilitar todas as fases do processo, desde a identificação do doador até o transplante e a distribuição das centrais.
O curso será ministrado em São Paulo, porque o estado tem uma rede mais estruturada do que os outros estados.
Isso está vinculado a questões históricas, não só para o transplante, mas para toda área de serviços de saúde. Segundo ele, a fila do transplante em São Paulo é grande porque há uma quantidade de serviços e equipes muito grande também.
O problema não é a fila, é o tempo de espera dos pacientes. Com o trabalho que temos desenvolvido no Sistema Nacional de Transplantes, a ideia é reduzir ao máximo o tempo que essas pessoas têm que esperar. Para isso, precisamos aumentar a captação de órgãos e criar uma infraestrutura melhor para obter esses órgãos, disse Beltrame.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

bahia 12.07.2009 - 15h54
Hospital São Rafael inicia pesquisa com células-tronco adultas
Mariana Rios Redação CORREIO

Fazer o coração do ente voltara bater sadio ou que um paraplégico levante e ande. O que parece milagre está em experimentação na Bahia. Credenciado ao Ministério da Saúde (MS), será inaugurado na sexta-feira o primeiro centro do Norte-Nordeste para estudos de células-tronco, cuja chancela segue um sistema de garantia de qualidade.

As células-tronco são conhecidas pelo grande potencial de multiplicação e pela capacidade de se diferenciar em qualquer outra célula - tanto do coração como do fígado, por exemplo.

Entre os destaques do centro está a estrutura para cultura de célula, que vai permitir que os pesquisadores “cultivem” as amostras. Antes, o transplante das células-tronco-colhidas, por exemplo, da médula óssea - tinha que ser feito imediatamente no órgão lesionado. “Agora, temos tecnologia que permite cultivar as células- tronco emelhorar a capacidade dessa célula, tornando a terapia mais eficaz”, explicou a coordenadora do centro baiano de biotecnologia e terapia celular, Milena Soares, pontuando que, além de terapiacelular, o centro possui estrutura para desenvolvimento de medicamentos.

Segundo Soares, já foram iniciados estudos em cães e gatos com lesões na médula que, após o tratamento, tiveram ganho de movimento. “Para ampliarmos os estudos para pacientes paraplégicos, dependemos dessa estrutura do centro, ou seja, adequada para a cultura das células- troncos”.
Os pesquisadores baianos não trabalham com células-tronco embrionárias - que, como diz o próprio nome, são retiradas de embriões humanos. 'Apostamos no potencial terapêutico da célula-tronco adulta. Dos oito centros de terapia celular que estão sendo estruturados pelo Ministério da Saúde, dois serão dedicados à célula-tronco embrionária, em São Paulo e no Rio de Janeiro”, afirmou Soares.

O centro baiano vai funcionar no Hospital São Rafael, no bairro de Pau da Lima.

Tempo

Em geral, as células- tronco adultas são retiradas da medula óssea do próprio paciente - o que anula o risco de rejeição. Elas são capazes de originar alguns tecidos e ajudam na recuperação delesões. Mas,para aplicarem humanos a cura guardada no próprio organismo, serão necessários anos de pesquisa e desenvolvimento.“São várias etapas para concluir um estudo e o resultado varia de doença para doença. Fica difícil precisar quando acontecerá a aplicação do tratamento para fins terapêuticos” explicou Soares.

Mesmo sem prazo, o anúncio deixa esperançosos pacientes e especialistas. “A terapia celular traz esperança para qualquer doente. Éumaárea estratégica,que pode beneficiar do paciente dependente da insulina ao doente de Chagas”, reforça o diretor da Fiocruz Bahia, Mitermayer Galvão.
A Fiocruz desenvolve desde 2001 pesquisas em terapia celular no Hospital Santa Isabel. O ideal, segundo os pesquisadores, seria utilizar as células dos próprios pacientes para a recuperação de um órgão lesado, sem a necessidade de transplante. Mas já seria um benefício retardar lesões e ganhar tempo para a espera por um transplante, por exemplo.
Para a presidente da Associação de Pacientes Transplantados da Bahia, Márcia Chaves, mais núcleos e centros de pesquisa envolvidos aumentam as chances de descobrir um tratamento menos invasivo. “Assistimos a uma nova evolução após os transplantes: a busca pela cura através de nossas próprias células”. Para a construção do centro, foram investidos R$4,5milhões. Juntos,governo do estado e Fiocruz aplicaram R$5 milhões - outros R$3 milhões são aguardados como aporte do Ministério da Saúde.(Notícia publicada na edição de 12/07/2009 do CORREIO)

terça-feira, 7 de julho de 2009

6/7/2009 19h40

Projeto
Doação de órgãos pode tornar-se matéria escolar

O deputado Bispo Gê Tenuta (DEM-SP) apresentou o Projeto de Lei 5054/09, que inclui no currículo dos ensinos fundamental e médio uma disciplina complementar relativa à doação de órgãos e tecidos.
O autor argumenta que a falta de informação e de conscientização da população sobre os transplantes é a principal causa, no Brasil, do longo tempo de espera dos pacientes por uma doação de órgãos ou tecido humano.
Difusão de transplantes"A inclusão da disciplina vai difundir os transplantes a toda uma geração de meninos e meninas, que no futuro serão os agentes modificadores da sociedade brasileira", prevê Bispo Gê Tenuta.Na avaliação do parlamentar, a disciplina vai também "trazer à tona a importância de doar solidariedade, respeitando a ética profissional, a ciência e a moral da doação".Tramitação Sujeito à apreciação conclusiva, o projeto foi distribuído às comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Reportagem - Luiz Claudio PinheiroEdição - Newton Araújo(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')Agência CâmaraTel. (61) 3216.1851/3216.1852Fax. (61) 3216.1856E-mail:agencia@camara.gov.br



quarta-feira, 24 de junho de 2009

BA está entre estados que menos doam órgãos

18/06/2009 - 22h49m
*Da Redação, com informações do BATV
redacao@portalibahia.com.br
Quatro mil pessoas na Bahia esperam na fila por um transplante de órgão. O número de doadores no estado está entre os menores do país. Mas a solidariedade de duas famílias acabou beneficiando catorze pessoas e permitiu que fosse realizado nesta quinta-feira (18), o primeiro transplante duplo de rim e fígado da Bahia.
A morte de Elisaldo, aos 47 anos, pegou a família de surpresa. Mas apesar da dor, a mulher e o filho mais velho do motorista decidiram doar os órgãos de Elisaldo, que morreu por complicações decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). "Um pouquinho dele eu sei que vai estar vivo em outra pessoa", declara a dona de casa Cássia Viana.
Foram retirados os rins, as córneas, o fígado e as válvulas do coração de Elisaldo. A família de uma senhora de 56 anos, que morreu nesta semana, também autorizou a doação dos órgãos da paciente. Ela doou rins e fígado e possibilitou a realização do primeiro transplante duplo da Bahia.
De acordo com a Central de Transplantes da Secretaria Estadual da Saúde, só com essas duas doações, feitas nesta semana, catorze pessoas que estão na fila do transplante podem ser beneficiadas.
"Não só a população, mas muitos profissionais de saúde ainda não entendem esse processo de doação de transplantes", declara Eraldo Moura, coordenador do Sistema de Transplantes. Em 2008, foram realizadas 363 cirurgias desse tipo. Neste ano, 152 transplantes foram feitos até agora.






sexta-feira, 19 de junho de 2009

Cidades
18/06/2009 às 18:38

Transplante duplo de órgãos é realizado pela primeira vez na Bahia

A TARDE On Line

Um transplante duplo de órgãos foi realizado nesta quarta-feira, 17, pela primeira vez na Bahia, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, 18, pela Secretaria da Saúde do Estado da o Estado (Sesab). Uma equipe médica do Hospital Português transplantou rim e fígado em uma paciente de 44 anos, do sexo feminino. De acordo com o boletim médico, o quadro da operada evolui bem.
O transplante só foi possível com a autorização da doação de múltiplos órgãos, feita pelas famílias de dois pacientes que tiveram morte encefálica no Hospital Santa Izabel. Segundo Eraldo Moura, coordenador do Sistema Estadual de Transplantes (Coset), neste ano já foram feitas 23 doações de múltiplos órgãos no estado.



sexta-feira, 12 de junho de 2009

Opinião

Transplante de órgãos: O viver depois da morte!
12.Jun.2009 *Antonio Jajáh Nogueira

Meus amigos você já pensou na possibilidade de seus olhos continuarem vendo depois que você morrer?
Você já pensou na possibilidade de seu coração continuar batendo depois que você morrer?
E de seus rins, seus pulmões, seu fígado continuarem funcionando?

O desejo zerogésimo do ser humano é ser eterno, é não morrer! Mas isso é impossível!
Mas é possível que alguns de seus órgãos continuem vivos mesmo depois que você morrer.
Basta que eles sejam doados para alguém que ainda não morreu.

Estou falando do TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS E TECIDOS.

Você sabe tudo sobre essa questão? Não?
Então vou transcrever algumas perguntas e respostas que o Conselho Federal de Medicina (CFM) oferece em seu site:

O que é transplante?
Transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão ou tecido de uma pessoa doente (RECEPTOR) por outro órgão normal de um DOADOR, em geral morto. Existem, também, transplantes entre pessoas vivas, no caso de órgãos duplos.

Transplante é cura?
Não. É um tratamento que pode prolongar a vida com melhor qualidade. O transplantado exige cuidados médicos constantes e usa uma série de medicamentos pelo resto da vida. É uma forma de substituir um problema de saúde incontrolável por outro sob o qual se tem controle.

Quando os médicos indicam um transplante?
Os transplantes apenas são indicados quando todas as outras terapias foram consideradas ou excluídas. Nesses casos, em geral, os transplantes constituem-se na única alternativa de sobrevivência e/ou de melhoria da qualidade de vida.

O que é doação de órgãos e tecidos?
A doação de órgãos é um ato pelo qual manifestamos a vontade de que, a partir do momento de nossa morte, uma ou mais partes do nosso corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

Quem pode ser doador?
Todos nós podemos ser doadores de órgãos, desde que não sejamos portadores de doenças transmissíveis - AIDS, por exemplo -, de infecções graves e de câncer generalizado. Também pessoas sem identidade ou menores de 21 anos sem a autorização dos responsáveis não podem ser doadores.


"Hoje, só não é doador de órgãos quem não quer. Mas quem não quer ajudar a salvar a vida de alguém que precisa de uma doação? Caso seja você, não precisa se sentir constrangido. Se um dia você precisar receber um coração, milhares de brasileiros vão estar dispostos a lhe doar um que seja bom. Faça também como eles. Não deixe de ser doador de órgãos". (De uma peça publicitária da Ampla Comunicação)

Só é possível doar após a morte?
É possível também a doação entre vivos (parentes próximos), no caso de órgãos duplos (rim, por exemplo). No caso do fígado e do pulmão, também é possível o transplante entre vivos. Neste caso, apenas partes dos órgãos dos doadores são transplantadas para os receptores.

Quais (e quantas) são as partes do corpo que podem ser doadas para transplante?
Mais freqüente: 2 rins, 2 pulmões, coração e fígado, 2 córneas, 2 válvulas cardíacas ou 10 partes. Menos freqüente: rim e pâncreas juntos. Fora do Brasil, também são utilizados o estômago e o intestino. Sem contar pele e ossos e até mesmo uma parte completa (mão).

Quando podemos doar?
A doação de órgãos, como rim, parte do fígado e da medula óssea pode ser feita em vida. Mas, em geral, nos tornamos doadores quando ocorre a MORTE ENCEFÁLICA. Tipicamente, são pessoas que sofreram um acidente que provocou um dano na cabeça (acidente com carro, moto, quedas, etc.).

O que é morte encefálica?
Morte encefálica é a morte da pessoa, causada por uma lesão do encéfalo após traumatismo craniano, tumor ou derrame. É a interrupção irreversível das atividades cerebrais. Como o cérebro comanda as atividades do corpo, quando morre, os demais órgãos e tecidos também morrem.

Eu quero ser doador(a). Que devo fazer?
A atitude mais importante é dizer para a família e para os amigos que somos doadores, pois, pela legislação atual, todos nós somos doadores, desde que a família autorize a retirada dos órgãos. Por isso, é muito importante que os amigos e os familiares saibam da sua opção de doar. Use um símbolo (um selo de doador, por exemplo) que indique claramente esta opção em seu documento de identidade.

Meu amigo você sabe responder quantas pessoas podem se beneficiar com o transplante de uma córnea?
Se você responder UMA, você é míope. Sua visão é muito curta. Imagine uma família que tem uma pessoa cega e que esta pessoa passe enxergar... toda a família se beneficia, todos os amigos, toda a sociedade. Trata-se de alguém que não trabalhava e que, agora enxergando, tem a possibilidade de voltar a produzir socialmente, economicamente, familiarmente. Transfira esse raciocínio para as outras possibilidades de transplantes: do coração, do fígado, dos rins, etc.
A sociedade inteira se beneficia quando alguém recupera sua capacidade de viver melhor e de ser útil e produtivo.
Depois de tudo isso, quero encerrar com uma pergunta muito pessoal: Sabendo de tudo o que sabe agora, vai permitir que seus olhos apodreçam? Que seu coração apodreça? Que seus rins, seus pulmões, seu fígado apodreçam? Vai permitir que seus órgãos apodreçam se podem viver em outras pessoas e fazer com que outros vivam. Pense nisso e aja logo.

O autor é médico em Dourados – Mato Grosso do Sul – O Estado do Pantanal
www.jajah.med.br / jajah@jajah.med.br

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Saúde




Tratamento com células-tronco em debate
terça-feira, 9 junho, 2009 19:36

VIII Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca

Evento acontece de 11 a 13 de junho de 2009 com alguns dos principais especialistas do Brasil e do Mundo

Promovido pelo Grupo de Estudos em Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o VIII Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca terá uma programação embasada no papel decisivo do cirurgião no manejo da IC para o sucesso da terapêutica. Dr. Gilberto Barbosa, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), uma das entidades apoiadoras, adianta pontos importantes dos debates científicos:

“Preparamos palestras que abordem os dispositivos mecânicos implantáveis que auxiliam no funcionamento do coração, além da correção cirúrgica dos distúrbios das válvulas cardíacas, da revascularização miocárdica, da terapia com células-tronco e do transplante cardíaco que, aliás, é o único método curativo da IC”, ressalta.

TERAPIA CELULAR

No Brasil, são registrados 240 mil novos casos de insuficiência cardíaca por ano. Metade dos pacientes morre em um período de cinco anos. A fase final do tratamento da IC é o transplante, sendo que em 2008, foram realizados apenas 200 procedimentos em todo o território nacional.

A terapia celular, chamada cardiomioplastia celular, é uma nova alternativa para regenerar as lesões cardíacas. Ainda em fase experimental, cerca de 500 pacientes receberam o tratamento, mediante aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e da própria instituição hospitalar.

Em 2008, os Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia formaram a Rede Nacional de Terapia Celular, com o objetivo de fortalecer as pesquisas na área, uma vez que o Brasil detém o maior estudo do mundo em células-tronco. Serão oito laboratórios especializados nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

“É importante ações nesse sentido para criar novas perspectivas ao paciente que sofre desta grave doença, com um tratamento que poderá aliviar os sintomas e melhorar a sua qualidade de vida”, afirma dr. Paulo Brofman, professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, responsável pelo Núcleo de Cardiomioplastia Celular da PUCPR.

SUPORTE CIRCULATÓRIO MECANICO

Existem três importantes indicações para a utilização dos dispositivos mecânicos em pacientes com insuficiência cardíaca grave.

1. Ponte para recuperação, aplicada em portadores de cardiopatia com potencial de recuperação, como em alguns casos de infarto agudo do miocárdio e miocardite viral aguda. O uso de um DVA permite um repouso ao músculo e a recuperação do coração. Em algumas semanas ou meses, com o órgão recuperado, é possível retirar o aparelho e evitar o transplante cardíaco.

2. Ponte para transplante cardíaco: para pacientes em lista de espera para transplante e que apresentam grave descompensação cardíaca, com alto risco de morte em sete dias. O implante deste dispositivo ajuda o receptor a esperar pela doação de um órgão compatível.

3. Terapia de destino: para aqueles pacientes com cardiopatia grave, porém sem indicação de transplante. Nesses casos, o implante de um dispositivo age como tratamento definitivo.

“Recentemente, incluímos na Diretriz Brasileira de Transplante Cardíaco, a ser divulgada no segundo semestre de 2009, que todo centro transplantador precisa contar com um profissional qualificado no implante destes dispositivos. É uma forma de voltar o olhar do Ministério da Saúde para indicar o suporte circulatório mecânico no rol de procedimentos do SUS, uma alternativa viável que aumenta as chances dos pacientes graves”, comenta dr. Juan Alberto Mejia, coordenador cirúrgico da Unidade de Transplante e Insuficiência Cardíaca do Hospital de Messejana, Fortaleza

MULTIDISCIPLINARIDADE

“Todas as especialidades envolvidas no Congresso atuam, de alguma forma, com a insuficiência cardíaca. Como a IC é a maior causa de internação por doença cardiovascular em todo o mundo, uma vez que se trata da fase final de todas as patologias cardíacas, e muitas vezes é tratada por estes profissionais, é preciso enfatizar a abordagem multidisciplinar”, explica o dr. Felix José Alvarez Ramires, presidente do VIII Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca.

O VIII Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca é voltado aos profissionais que atuam nas áreas de insuficiência cardíaca, cardiologia geral, terapia intensiva, cirurgia cardíaca e clínica médica, além de toda a equipe multiprofissional envolvida no atendimento a portadores de IC. Mais informações e inscrições em http://congresso.cardiol.br/geic/viii/.

Realização
Grupo de Estudos em Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia

Apoio
Associação de Medicina Intensiva Brasileira - AMIB
Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas - SOBRAC
Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular - SBCCV
Sociedade Brasileira de Clínica Médica - SBCM

VIII Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca
Data: De 11 a 13 de junho de 2009
Local: Sheraton São Paulo WTC Hotel
Endereço: Av. das Nações Unidas, 12.559, Brooklin
Informações e inscrições: (51) 3061-2957 / cardiologia@abev.com.br
http://congresso.cardiol.br/geic/viii

Acontece Comunicação e Notícias

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O POVOonline
Referência
Vocação para a medicina humanizada

Cerca de 500 transplantes renais no currículo e a defesa incondicional de uma medicina mais humanizada. Por essas vertentes passou a conversa com o médico nefrologista Henry Campos, vice-reitor da UFC. Ele diz que a responsabilidade hoje é maior do que quando iniciou a carreira

Luiz Henrique Campos
da Redação

[08 Junho 01h09min 2009]

No ambiente familiar, o convívio constante com publicações de todos os matizes ideológicos, e o contato com a intelectualidade cearense da época ajudaram a moldar seu perfil cultural. Filho de pai jornalista e mãe formada em Direito, o atual vice-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Henry de Holanda Campos, poderia muito bem ter seguido carreira voltada a uma dessas profissões. Afinal, experiências e exemplos não lhe faltaram.

A bagagem adquirida, no entanto, lhe encaminhou a outra direção. Não que os ensinamentos humanísticos tenham sido deixados de lado. Ao contrário. Henry Campos escolheu a medicina, justamente, diz ele, por achar que o ofício pudesse lhe proporcionar o máximo em termos de retorno às pessoas do que recebeu de ensinamento ainda na infância e da adolescência.

Já médico, decidiu voltar seu ofício a área de transplantes renais, quando o processo ainda era embrionário no País. Atualmente, Henry é um dos profissionais mais respeitados do Brasil nessa especialidade e um militante na questão das políticas públicas de saúde. Foi secretário e presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e, durante sua gestão na presidência, construiu junto com o Ministério da Saúde toda a política nacional de transplantes que está vigente.

Entusiasta de modelos de saúde pública como o francês, o inglês e o espanhol, Henry não se acanha em dizer que a política nacional de transplante adotada no Brasil trata-se do maior sistema público de transplante do mundo.

Aliando a prática da medicina e a militância na saúde, Henry Campos também tem sua vocação direcionada a universidade, onde já ocupou cargos como os de diretor da Faculdade de Medicina e pró-reitor de Extensão. E foi nessas funções que passou a pensar nos últimos anos sobre o processo de formação dos médicos. Preocupação que o fez, em 2002, a passar um período de estudos nos Estados Unidos e rever conceitos.

O POVO - Quero começar falando da sua decisão de exercer a medicina. O senhor é filho de um jornalista que viveu a época romântica da profissão e de uma funcionária pública. O que lhe chamou a atenção para o exercício desse ofício?
Henry Campos - Meu pai tinha um respeito grande pelos médicos. Sou de uma geração em que tínhamos médicos de família. O médico era uma pessoa ouvida não somente nas questões de saúde, mas nas de família como um todo. Era um amigo da família, um conselheiro, era ouvido sobre tudo. Uma coisa que me marcava, é que como tínhamos muitos amigos médicos, lembro de um próximo, doutor Henrique de Almeida. Quando chegava lá em casa, se abria um sabonete novo para ele lavar as mãos. Então, meu pai sempre reconheceu a importância do que o médico pode fazer pelas pessoas. E isso nos marcou, tanto que os três filhos mais velhos somos médicos. Acho que por ele todos teriam sido médicos.

OP - Seu pai chegou a expressar isso diretamente?
Henry Campos - Sim, uma coisa que ele tinha orgulho era disso. Mas o referencial mesmo era o social. Tanto que eu nunca fiz medicina privada. Desde que comecei minha carreira faço medicina essencialmente em instituições públicas. Porque entendo que o grande valor da medicina é você poder estar acessível, ou disponível para qualquer pessoa independente de ela poder pagar ou não. Isso é uma coisa presente na minha vida, na defesa intransigente que eu faço do Sistema Único de Saúde (SUS), que é único no mundo. O Brasil foi na contramão da história. Enquanto os países emergentes estavam privatizando, o País tomou uma decisão extremamente acertada.

OP - O senhor hoje fala dessa medicina voltada ao humano, mas em que momento isso se apresentou como uma opção de vida?
Henry Campos - Fui aluno do Colégio Militar, onde tínhamos os melhores professores, e conclui meu secundário nos Estados Unidos. Ali, pude ter uma visão de mundo, uma abertura, a capacidade de se abrir. Nossa casa sempre foi aberta para estrangeiros. Quase todos meus irmãos fizeram programas de estudo fora. E a família do meu pai sempre teve vocação pública. Faziam política em Pacatuba, mas era diferente, para servir, ninguém fez fortuna. Já no ginásio eu tinha minha definição profissional.

OP - A política e o jornalismo nunca lhe interessaram?
Henry Campos - O jornalismo nos seduziu todo mundo lá em casa. Talvez os últimos menos, mas todos tivemos uma veia literária. Meu irmão mais velho, por exemplo, tinha um jornal que ele fazia a mão e distribuía para a família. Mas não era uma coisa que meu pai estimulava porque ele dizia que a vida de jornalista é muito dura. Você precisava ter muita determinação e não tinha o devido reconhecimento. Os tempos eram outros também, né? Acho que era uma coisa mais idealista, romântica. Mas lembro da minha infância nos jornais. Cheguei a ir muito aos jornais. Lembro do cheiro do chumbo, das linotipias, do O POVO ali na Senador Pompeu, do Correio do Ceará, Unitário, Diários Associados.

OP - Ia por vontade própria ou era levado pelo pai?
Henry Campos - De alguma maneira nós mesmos buscávamos, porque a nossa convivência sempre foi com jornalistas, com intelectuais. Nossa casa era um local onde se lia tudo. Inclusive minha mãe, que depois de sete filhos voltou a estudar.

OP - Na época do regime militar o senhor estudava no Colégio Militar? Como foi essa convivência?
Henry Campos - Mexeu muito com a minha cabeça, porque havia um conflito. Ao mesmo tempo em que eu estava em colégio, que era bom, onde tínhamos os melhores professores, era duro conviver com aqueles conceitos em que pessoas contrárias ao regime eram difamadas. Tivemos amigos presos, meu pai chegou em certo momento a ser denunciado. Tínhamos muitos livros em casa e criamos um lugar em que aqueles livros tiveram que ser escondidos. Tive um tio preso, Raimundo Diógenes, pessoa honesta. Nós éramos militares pela doutrina, educação. Isso me chocava. Depois eu fui para o Estados Unidos.

OP - E como foi nos EUA?
Henry Campos - Bom, pois sempre gostei de estudar. E isso me deu a chance de falar línguas fluentemente. Mudou minha visão do mundo.

OP - E o choque cultural em relação ao Brasil?
Henry Campos - Reforcei a minha percepção de que o Brasil é um grande País. E que muitas coisas que funcionavam bem lá, tinha certeza de que algum dia eu veria funcionar bem aqui. Eu nunca deixei de reconhecer também coisas positivas em nossa sociedade. Tenho certeza de que nunca teria feito a opção de me fixar nos Estados Unidos.

OP - Por que diante de uma situação mais vantajosa decidiu voltar?
Henry Campos - Acho que havia muito coisa a ser feita aqui. A contribuição que eu posso dar aqui é bem maior. Na primeira vez que fui para a França, estava seduzido e cheguei a ficar balançado a ficar lá. Mas tinha compromisso com a universidade. Estava produzindo muito em termos de pesquisa, estava em um hospital que era considerado o berço da minha especialidade. Nos EUA, não.

OP - Sua carreira sempre foi dedicada à medicina, mas sempre voltada para a academia...
Henry Campos - É. No segundo ano do curso de medicina nós criamos um projeto. Chamava-se Pacatuba. Ali já trabalhávamos na lógica do saúde da família. Visitávamos os domicílios, cadastrávamos com todos os dados sociais e atendíamos a família. Essa ideia foi minha e de alguns colegas de turma e, durante todo o nosso curso, todos os sábados mantínhamos essas visitas, de acordo com o período em que o aluno estava cursando. Cada equipe dentro do conhecimento que já havia adquirido. E tínhamos sempre um professor acompanhando e se responsabilizando por isso. Por que Pacatuba? Porque a prefeitura se dispôs a nos ajudar. Meu tio era prefeito e se colocou a disposição para nos apoiar. Primeiro dava autorização para usarmos os postos de saúde, que nós mobiliamos inteiramente com doações de beliches usados em uns jogos universitários. A prefeitura dava o lanche, a universidade, o ônibus e nos saíamos toda manhã cedo. Agora esse projeto sempre teve uma desvinculação política. Tanto que, na eleição seguinte, a oposição ganhou e o projeto foi mantido. A nossa turma toda, até se formar, manteve o compromisso com esse projeto. E foi uma coisa extremamente importante para nós. Em menos de dois anos a mortalidade infantil tinha baixado para zero. Agora, havia um envolvimento. E todo esse atendimento era feito com a perspectiva de uma visão integral, não assistencialista. Esse trabalho nasceu no antigo Departamento de Medicina Preventiva. São essas coisas que fazem com que a vocação da gente vá se afirmando.

OP - Não seria também natural que essa vocação se voltasse mais para a medicina preventiva? Como foi que surgiu o interesse pela nefrologia?
Henry Campos - Acho que o meu lado de investigador, de pesquisador, de lidar com dados mais concretos, com possibilidades maiores de intervenções... a nefrologia é muito instigante, provocativa. O rim é um órgão que mexe com tudo. E era uma época, ainda é, em que se tratava de uma especialidade de ponta, ainda mais com você vislumbrando a possibilidade do transplante, que é uma modalidade de tratamento diferente. Entra a questão ética, humana. E também o desafio da imunologia, da rejeição. Então você une tudo isso....

OP - O retorno para a França também reforçaram a perspectiva desse desafio?
Henry Campos - Acho que sim. Na França encontrei exatamente o ambiente que considero ideal para o médico trabalhar. Tudo que há de melhor para o paciente, ou seja, sem se preocupar com o que ele ganha, o que ele faz. É você chegar em casa, botar a cabeça no travesseiro e saber que fez tudo que poderia fazer nas melhores condições, independente de qualquer coisa. Isso reforçou profundamente a minha crença nessa prática. Foi um momento importante para mim de afirmação de uma medicina socializada. E tenho uma gratidão a universidade por ter me dado a oportunidade de ter podido ampliar esses conhecimentos.

OP - Esse retorno da França também não se deu em uma perspectiva de um desafio a ser encarado no Brasil? O senhor também pensou nisso?
Henry Campos - Pensei, claro. Na minha ida a França ganhei o apoio do professor Jean Dausseut, ganhador de um prêmio Nobel, que me ajudou a montar o nosso laboratório de imunologia de transplante. Posteriormente fizemos um intercâmbio grande. E ainda tinha uma coisa que é marcante para mim que era a necessidade de construirmos no Brasil um sistema de transplante. De transplante público, ético. Porque isso até os anos 90 praticamente não existia. Éramos um País que se falava, e era verdade, de que quem tinha dinheiro se beneficiava rapidamente com um transplante. Não estou dizendo que havia desvios. Mas não havia um sistema que desse acesso a isso. Éramos uma rede de médicos que lutava por isso. De ter um sistema transparente, de lutar pela doação de órgãos. Criamos aqui nesta universidade a primeira campanha de doação de órgãos do Brasil, oficialmente, quando era reitor o professor Hélio Leite, chamada “Quem ama, doa”. E temos defendido essa bandeira até hoje com grandes avanços. Somos atualmente (o Brasil) o maior sistema público de transplante do mundo. O nosso SUS paga hoje mais de 90% do custo dos transplantes e garante toda a medicação.

OP - Quando foi o primeiro transplante que o senhor realizou e qual foi a sensação?
Henry Campos - Foi em março de 1976, no meu primeiro ano de residência na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, no Hospital Pedro Ernesto. Para mim foi uma coisa mágica. Primeiro ver o processo de escolha do doador. Observar que uma coisa dessa atinge toda uma família. Como uma pessoa jovem, de repente, tem que se submeter a um processo de diálise, extremamente penoso. A vida muda totalmente. E aí a perspectiva de ter uma qualidade de vida melhor, de reabilitação, é o transplante. O transplante é uma coisa especial. O profissional de transplante não tem hora. Quando você utiliza o doador cadáver, por exemplo, a etapa de definir a morte cerebral, contatar a família, é um processo que consome tantas horas, tanta energia... Mas ao mesmo tempo, o próprio ato da doação é uma coisa extraordinária. Hoje até que o médico não se envolve tanto com isso. Mas antes tinha que fazer. E não é uma aproximação fácil, mesmo com o tempo em que se foi assimilando mais essa questão da morte encefálica.

OP - Depois de quase 500 transplantes, a sensação que o senhor tem é muito diferente?
Henry Campos - Acho que é diferente porque a responsabilidade é maior. O primeiro transplante tinha o mesmo encantamento, a mesma magia, mas não havia a noção tão presente da responsabilidade. Porque você põe na balança, benefícios, riscos. Nem tudo é perfeito. A gente trabalha em condições que são sempre limitadas, por uma razão ou outra. Infelizmente, ainda não é aquele sistema de saúde que a gente possa ter 100% a garantia de que estamos prontos para oferecer naquele percurso que o paciente vai ter o que há de melhor. Pode faltar remédios, pode faltar um acesso a alguma coisa. Você se interroga muito, é uma grande responsabilidade que você assume.

OP - A questão técnica não se basta. É isso que o senhor quer dizer?
Henry Campos - A questão técnica é superada. É uma coisa estabelecida, mas que você sabe que enobrece, transforma a vida das pessoas.

OP - Vou entrar em um tema que lhe tem sido caro, que é a humanização da medicina. Como o senhor acha que nossos estudantes são formados em relação a isso?
Henry Campos - Não é só a medicina, mas também do profissional em geral. É muito interessante você parar em determinado momento da sua vida e fazer uma reflexão sobre o que você vem fazendo ao longo dos anos. Isso aconteceu quando eu já estava como diretor da Faculdade de Medicina. Nós nos defrontávamos com essa questão e achei que era hora de começarmos a enfrentar essa discussão que já vinha há dez anos. Mas percebi também que precisa me preparar para isso. Ai fui fazer um período de estudos de educação médica nos Estados Unidos. Fiz isso em 2002 e aí é que a gente entra nessa questão da importância da clareza da missão de professor e nos perguntarmos: será que estamos realmente educando para uma profissão? As profissões da saúde, a medicina principalmente, acho que estão bem a frente nessa discussão. Porque como esses profissionais lidam mais diretamente com a vida humana, há uma clareza também de que se as escolas formadoras não assumirem este compromisso de repensar essa formação a coisa só vai se agravar. Aumenta-se custo, incorpora-se tecnologia, no entanto, o que se vê na prática são as pessoas se referindo a medicina desumana, impessoal, onde você não é escutado, supervalorizando a questão dos procedimentos. As pessoas estranham até quando vão ao médico e ele não pede exames. E a resposta na maioria das vezes não está aí. Existem estudos, documentos, tudo mais indicando que a grande maioria das situações são diagnosticadas a partir de um exame clínico competente, de uma conversa com o paciente. E essa relação está desvalorizada. E a formação para o enfrentamento dessa realidade é um desafio, porque é bem mais confortável o útero morno e aconchegante da academia, do que ir lá para fora e enfrentar o caos, o buraco negro, a pobreza. Essas questões precisam estar presentes na formação.

OP - O senhor acha que com a descentralização do ensino, ao se levar as instituições para o Interior, caminha nessa direção?
Henry Campos - Com certeza. Na hora que a universidade se expande, pensa no potencial de desenvolvimento do Estado. Procura ouvir a sociedade, cria cursos onde não há, articula-se com a secretaria de Educação do Estado na formação de professores. Esse dia-a-dia tem que estar dentro da universidade. Temos que estar preparados para esse desafio que não é só do governador, da secretaria, mas sobretudo da universidade, que tem o dever de trazer essas coisas para a agenda das pessoas que estamos formando. A mesma coisa é com a saúde. Está havendo uma transformação do Ceará e a universidade tem muito a ver com isso. Temos um desafio enorme. Precisamos formar 70 mil profissionais para termos uma cobertura completa do Programa Saúde da Família, precisamos formar cerca de 110 mil gestores nos diferentes níveis do sistema de saúde. Então precisamos formar profissionais para o mundo do trabalho. E formar para o mundo do trabalho é formar com elementos de realidade, preparar para os desafios do dia-a-dia. Tenho que formar um médico que tenha competência para sair da faculdade e resolver aqueles problemas prevalentes que são muitos na população. Ao invés de ter um cara pensando na especialização, nisso, naquilo. Mas que seja antes de tudo um bom médico, e isso se estende para as demais profissões.


A entrevista com Henry Campos foi realizada no final da tarde de uma quarta-feira no gabinete do vice-reitor, no prédio da reitoria, no Benfica. Da janela aberta, quase sem barulho, era possível ter uma visão da Concha Acústica. Ao se referir à Vila Santana, na rua ao lado da universidade, onde o médico morou com a família quando criança, o próprio Henry se surpreendeu ao lembrar-se do seu primeiro contato com a UFC.

Outro momento da entrevista marcado pela coincidência deu-se quando falou sobre sua primeira viagem para fora de Fortaleza, que foi a cidade de Sobral. Anos depois, coube a ele conduzir o processo de criação da primeira universidade de medicina daquela cidade, tendo recebido o título de Doutor Honoris Causa por isso .

Henry Campos fez questão de citar alguns nomes de professores que atuaram como pioneiros no Ceará nessa questão dos transplantes, destacando as figuras de Lacerda Machado, João Evangelista, Roberto Marques, João Evangelista Júnior. Em 1985 a UFC criou um programa de transplante com doador cadáver e uma rede de transplante no Nordeste.

Henry Campos confessou que está estudando a possibilidade de voltar a exercer a antiga função médica que ocupava antes de assumir um cargo na administração da universidade. “Quando a gente envereda pela área administrativa vai deixando um pouco de lado essa idade (nefrologia). Mas esta semana mesmo eu discuti com alguns colegas a possibilidade de pelo menos dois dias por semana me voltar mais a nefrologia”.

Nascido em Fortaleza, Henry Campos é filho do ex-jornalista Pádua Campos, que atuou no O POVO e foi presidente do Sindicato dos Jornalistas. Dos seis irmãos, dois também seguiram a carreira médica. Ele tem Doutorado em Medicina (Nefrologia) pela Universidade Federal de São Paulo, e Pós-Doutorado pela Université de Paris V.

Formado pela UFC em 1975, Henry foi em seguida fazer residência no Rio de Janeiro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em nefrologia. Concluiu mestrado em 1980 e voltou para Fortaleza quando prestou concurso para área docente. Entrou como professor assistente da Faculdade de Medicina, no Departamento de Medicina Clínica. Nessa época, ganhou uma bolsa de estudos para a França onde passou quatro anos e meio, de 1991 a 1995, principalmente trabalhando na área de transplante renal e na parte de imunologia de transplantes.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Brasília, 22 de maio de 2009 - 17h30
Transplantes: laboratórios e transporte de órgãos terão novas regras
Duas medidas colocadas em discussão pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) podem impactar na diminuição do tempo de espera para quem está na fila por um transplante, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes transplantados.
A consulta pública 25/09, cria regras específicas para os laboratórios de histocompatibilidade e imunogenética para fins de transplante existentes no Brasil. A proposta estabelece, por exemplo, que em situações de emergência, os laboratórios deverão definir mecanismos para liberar os resultados com agilidade. São esses laboratórios que testam as amostras de doares e receptores para concluir se há compatibilidade com a finalidade de se obterem melhores resultados no transplante, reduzindo as chances de rejeição do receptor ao órgão. É possível participar do debate enviando sugestões por carta, fax ou e-mail até 18 de julho.

Já a consulta pública 17/09, que recebe contribuições até 21 de junho, propõe uma padronização de todo o processo de transporte dos órgãos destinados a transplantes, desde a captação até a chegada ao receptor. O texto define regras sobre qualidade, segurança e integridade dos órgãos humanos transportados, além de prevenir a contaminação do material e do pessoal envolvido no transporte.

Segundo o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), mais de 64 mil pessoas estão na fila de espera por um órgão no Brasil, principalmente rins e córneas. Se transportado de forma adequada, um rim pode permanecer por mais de 24 horas acondicionado, antes de ser transplantado. Mais vulnerável, um coração precisa chegar ao receptor em no máximo 4 horas. Veja abaixo o detalhamento de cada proposta:

Transporte de órgãos é padronizado
Laboratórios de histocompatibilidade ganham regras específicas

Como participar

Laboratórios de histocompatibilidade ganham regras específicas
Coleta, identificação, avaliação, processamento, armazenamento e descarte de amostras biológicas são exemplos das atividades desenvolvidas pelos laboratórios de histocompatibilidade e imunogenética para fins de transplantes. O objetivo da proposta em discussão é garantir padrões técnicos e de qualidade mais rigorosos em todo o processo de realização dos exames. O texto traz, por exemplo, exigências relativas à capacitação e educação continuada dos profissionais, à infra-estrutura mínima de funcionamento, à coleta e transporte de amostras e ao gerenciamento de resíduos.
Além disso, os laboratórios deverão ter sistema de garantia da qualidade implantado, que contemple normas de biossegurança, revisão periódica das instruções escritas, auditorias internas e procedimentos para a detecção e prevenção de erros. O laboratório deverá possuir também um regimento interno no qual esteja definido quem é o responsável técnico e a estrutura administrativa e técnico-científica.

É necessário que o responsável técnico seja um profissional de nível superior da área biológica ou da saúde, legalmente habilitado, e tenha realizado treinamento teórico e prático por no mínimo 24 meses em um ou mais laboratórios de histocompatibilidade e imunogenética. “É uma maneira de garantir a capacidade técnica dos profissionais, que na graduação tomam contato com esse conhecimento de maneira muito dispersa”, afirma Dirceu Barbano.
Infra-estrutura e amostras
A infra- estrutura mínima exigida para o funcionamento dos laboratórios deve conter uma sala para o atendimento de pacientes e outra para a coleta de amostras, além de laboratório de biologia molecular e laboratório de sorologia.
As amostras biológicas de doadores e receptores, com exceção de linfonodos e baço, podem ser coletadas no próprio laboratório. Quando a coleta for realizada por equipes de retirada, centros transplantadores, hemocentros e outros laboratórios licenciados, o laboratório de histocompatibilidade que vai analisar as amostras deve disponibilizar instruções escritas sobre o preparo dos doadores e receptores, sobre a coleta, acondicionamento e transporte das amostras.
Nesse último caso, o transporte até o laboratório deve ocorrer em recipiente higienizável e impermeável, com a identificação da simbologia de risco biológico, nome e endereço do laboratório de destino e com os dizeres “Amostras Biológicas para Exames Laboratoriais”. As condições para o descarte de amostras devem estar previstas no Plano de Gerenciamento de Resíduos do laboratório
Transporte de órgãos é padronizado
A lei 9434/97, que dispõe sobre a remoção de órgãos e tecidos para transplantes, chega a abordar o transporte de forma geral. No entanto, ainda não existe uma legislação específica. Padronizar as condições sanitárias de transporte dos órgãos destinados a transplantes pode impactar diretamente no bem-estar do receptor.

“ Minimizar os riscos sanitários durante o transporte é garantir que as condições fisiológicas do órgão sejam preservadas, que não ocorra contaminação e consequentemente, reduzir as possibilidades de rejeição no paciente”, pontua o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano.

A padronização pode ainda fazer com que o órgão chegue mais rápido ao receptor. “Se há procedimentos já estabelecidos, padronizados, eles tendem a ser executados em um tempo ideal”, sinaliza Barbano.

Acondicionamento e transporte
Pelo texto, o responsável técnico pela equipe de retirada dos órgãos deverá elaborar e manter instruções escritas e atualizadas de acondicionamento e armazenamento dos órgãos. Os profissionais de saúde que acondicionam os órgãos devem possuir treinamento permanente e os envolvidos no deslocamento devem estar bem orientados quanto aos cuidados necessários.

“ A idéia da legislação é alcançar todos os envolvidos na cadeia do transporte”, explica Dirceu Barbano.

O acondicionamento deve se dar de forma asséptica, utilizando-se uma embalagem primária (que fica em contato direto com o material), duas secundárias (que ficam entre a primária e a externa) e uma terciária, a mais externa de todas. As embalagens primária e secundárias devem ser estéreis, transparentes, resistentes e impermeáveis, além de não oferecer risco de citotoxicidade. A embalagem terciária deve ser preenchida com gelo em quantidade suficiente
para manter a temperatura pelo tempo necessário.

Se o profissional de saúde designado pela equipe de retirada do órgão acompanhar o transporte, o mesmo poderá ser realizado em veículo não oficial. Se esse profissional não estiver junto, o transporte só poderá ocorrer em veículo oficial ou terceirizado. Neste último caso, é necessário que exista um plano de transporte com a definição das responsabilidades e que a empresa transportadora seja legalmente constituída.
Ainda pela proposta, fica terminantemente proibido transportar órgãos com outro tipo de carga, que ofereça riscos de contaminação.
Como participar
Para participar das consultas públicas basta preencher o formulário disponível no link http://www.anvisa.gov.br/divulga/consulta/index.htm com os dados requisitados. Não se esqueça de preencher o número da consulta pública com a qual você está contribuindo e o ano, para que sua sugestão seja encaminhada corretamente. Depois de preenchido, o formulário pode ser enviado para o fax (61) 3462.6825 ou para o endereço eletrônico ggsto@anvisa.gov.br.
Quem optar por carta, pode enviar o formulário preenchido para Agência Nacional de Vigilância Sanitária / Gerência Geral de Sangue,Tecidos, Células e Órgãos no seguinte endereço: SIA, trecho 5, Área Especial 57, Bloco D, 2º. andar, sala 01, Brasília/DF. CEP: 71.205-050.
Informações: Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Informativo SAMU

PORTAL DO TÉCNICO SEGURANÇA NO TRABALHO
portaldotecnico.net@gmail.com
 
As ambulâncias e emergências médicas perceberam que muitas vezes nos acidentes da estrada os feridos têm um celular consigo.
No entanto, na hora de intervir com estes doentes, não sabem qual a pessoa a contatar na longa lista de telefones existentes no celular do acidentado.
 
Para tal, o SAMU lança a idéia de que todas as pessoas acrescentem na sua longa lista de contatos o NUMERO DA PESSOA a contatar em caso de emergência.
 
Tal deverá ser feito da seguinte forma: 'AA Emergência' (as letras AA são para que apareça sempre este contacto em primeiro lugar na lista de contatos).
 
É simples, não custa nada e pode ajudar muito ao SAMU ou quem nos acuda.
Se lhe parecer correta a proposta que lhe fazemos, passe esta mensagem a todos os seus amigos, familiares e conhecidos. É tão somente mais um dado que registramos no nosso celular e que pode ser a nossa salvação.
 
Por favor, não destrua esta mensagem! Reenvie-o a quem possa dar-lhe uma boa utilidade.
 
PORTAL DO TÉCNICO
www.portaldotecnico.net
 


sexta-feira, 29 de maio de 2009

midiamax
28/05/2009 09:00
Sem transplante de pele, queimados não chegam à recuperação plena

Jacqueline Lopes
Alessandra Carvalho

Presença da mãe faz parte do processo de cura de criança vítima de queimaduras



Vítima da combustão do álcool, Lorrane, 5, teve queimaduras de 3º e 4º graus por todo o corpo. Está há 27 dias internada no setor de queimados da Santa Casa de Campo Grande. A criança é um dos 16 pacientes do 2º andar, no setor onde ficam as vítimas de traumas térmicos.

O histórico da menina é de recuperação. As marcas no corpo poderão acompanhá-la, mas tecnologias para transplantes de pele já existem. Porém, não em Campo Grande.

“Se tiver condições de levar minha filha para fora e for para o bem dela eu faço de tudo”, diz a mãe, a servente industrial Viviane Aparecida Xavier da Silva, 26.

Um dos desafios no tratamento das crianças em fase de crescimento é de que forma recuperar a pele destruída pelo fogo para que o órgão acompanhe a evolução do corpo.

A Santa Casa tem condições de retirar pele, córnea, rim, coração e osso de doadores, mas ainda falta estrutura para transplantar a ‘própria roupa natural’ do ser humano: a pele.

Hoje, a referência no Brasil em transplante de pele é São Paulo. Aliás, segundo o médico cirurgião intensivista da Comissão de Captação de Órgãos da Santa Casa, Luiz Alberto Kanamura, a capital paulista tem sido referência em todos os tipos de transplantes

Caso Lorrane

Há 27 dias no local, a menina de Dourados recebe medicamentos à base de morfina, antiinflamatórios, curativos e carinho, tanto da equipe especializada como da mãe.

Lorrane dorme muito, talvez assim o tempo passa rápido. Viviane prefere se concentrar no restabelecimento da saúde da filha. Enquanto a criança pega no sono e segura a mão dela, a mãe conta como foi o acidente.

Viviane trabalha todos os dias até meia-noite. Os filhos têm 5, 8 e 10 meses e ficam com a avó materna, na casa onde moram as crianças e a mãe.

O acidente aconteceu num fim da tarde. Um vizinho tinha varrido o quintal e posto fogo no lixo. Um amiguinho de Lorrane, irmão do garoto que ateou fogo nos entulhos, jogou o resto do álcool na menina que brincava no quintal de vestidinho.

Quando a menina se aproximou do fogo, o álcool da sua roupa respondeu imediatamente ao contato. Ela foi tomada pelas labaredas, a avó correu para socorrê-la e jogou água no corpo da menina.

Chorando muito, Lorrane foi levada pela avó para o hospital. A mãe deixou o trabalho e ficou com a criança que no mesmo dia foi trazida para a Santa Casa.

Na enfermaria, com o corpo todo enfaixado, com exceção do rostinho e parte da cabeça, a menininha dorme e chora quando não vê a mãe por perto.

Viviane não sabe do paradeiro do marido, tem licença médica de dois meses, deixou os outros filhos em Dourados e diz que irá até o fim para garantir a recuperação da filha.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Estado realiza 1º transplante de rim em criança 27/05/2009 - 20h27m
*Da Redação
redacao@portalibahia.com.br

Uma menina de onze anos é a primeira criança baiana a fazer transplante de rim no estado. Esse tipo de cirurgia voltou a ser feito na Bahia no ano passado, mas só em adulto.

Antes, qualquer transplante infantil em pacientes baianos era realizado no sul e no sudeste do país. Essa história mudou segunda-feira (25), quando a pequena Vitória ganhou a chance de brincar como uma criança comum.

No Hospital Ana Nery, dentro da UTI infantil, Vitória já voltou a sorrir. Há 48 horas, a menina de onze anos, entrou para a história da medicina na Bahia.

O transplante era necessário porque os rins da menina já não funcionavam mais. Ela precisava filtrar o sangue através de hemodiálise. Um processo que durou três anos, mas que foi resolvido em apenas três horas de cirurgia.

Primeiro os médicos usaram o tecido do intestino da criança para criar uma bexiga. Vitória havia nascido sem o órgão. Depois eles transplantaram um rim doado pela mãe. “Estou feliz porque salvei minha filha”, conta Ana Nascimento, mãe de Vitória.

“A criança está bem humorada e o apetite dela está normal. Há uma previsão para alta em curto prazo, em torno de 48h a 72h”, afirma o cirurgião Nilo Batista.

Hoje, Vitória aproveitou para mandar recado para o resto da família, que ficou em Madre de Deus, no interior da Bahia. “Daqui eu vou chegar aí para brincar”, diz Vitória.

A equipe médica espera fazer mais quatro transplantes de rim em crianças na Bahia até o fim do ano. A cirurgia e o tratamento são pagos pelo Sus.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Geral 26/05/2009 04h13min

Doador de órgãos agora tem diploma

Campanha do Foro Central e da OAB estimula a adoção do gesto solidário


O ato é simbólico, mas o debate desencadeado é real. A campanha Doar É Legal, lançada ontem em Porto Alegre, busca captar doadores de órgãos no Estado. Cada pessoa que manifestar sua disposição de doar após a morte órgãos e tecidos recebe um diploma que pretende servir para tenta levar o assunto para dentro de casa.

O cadastramento simbólico pode ser feito até sexta-feira, das 8h30min às 18h30min no saguão do Foro Central de Porto Alegre (Rua Márcio Veras Vidor, 10, bairro Praia de Belas). Ao apresentar um documento de identidade a um servidor do foro, o doador tem seu nome escrito em um diploma criado para a campanha.

A iniciativa é do Foro Central e da seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), em parceria com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) e Hemocentro.

– Sou doadora porque há muita gente que precisa. Na minha família ninguém nunca precisou, mas ninguém está livre de passar por isso – afirmou a operadora de caixa Vanessa Gonçalves, 24 anos, logo depois de retirar seu diploma no foro.

O presidente da ABTO, Valter Garcia, também coordenador de Transplantes da Santa Casa da Capital, disse que a divulgação da doação de órgãos é sempre significativa para se reduzir a fila de espera por um órgão, que hoje tem quase 3 mil pessoas.
ZERO HORA









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