terça-feira, 17 de fevereiro de 2009



ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO - AIGAAliança Brasileira pelos Direitos Humanos e o Controle Social nas Hepatites
www.aigabrasil.orgaigabrasil@aigabrasil.org

Os princípios na formação e estrutura da AIGA
1) A necessidade e o objetivo da criação do movimento:
O Objetivo principal da criação da ALIANÇA INDEPENDENTE PELOS DIREITOS HUMANOS E PELO CONTROLE SOCIAL NAS HEPATITES - "AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio), e capacitar ONGs ensinando os diversos mecanismos disponíveis para realizar o papel fundamental da sociedade civil, que é o de fazer com que o estado cumpra o que está determinado na Constituição Federal. A "AIGA" objetiva reunir ONGs e associações de pacientes que queiram assumir o compromisso de trabalhar nessa linha de independência com sustentabilidade e representatividade. Por serem associações de pacientes devem obrigatoriamente ter como forma de atuação a defesa dos pacientes como principal objetivo, sem interesses outros que venham prejudicar seus associados.

Todos os associados serão avaliados semestralmente em relação ao trabalho desenvolvido e forma de atuação e somente com a aprovação e aval de 60% do total de associados poderão permanecer na AIGA. O objetivo da formação da "AIGA" e evitar que por falta de capacitação e conhecimento as ONGs fiquem atreladas aos interesses dos agentes financiadores, públicos ou privados, se afastando do papel de mobilização social e cobrança das atribuições do Estado e da iniciativa privada.

Questões polêmicas que não agradam aos financiadores são omitidas por essas ONGs, para não pôr em risco o suporte monetário. Esta prática revela a despolitização e a falta de comprometimento dos militantes, que ao verem a possibilidade do financiamento, fazem qualquer negócio. Os financiamentos devem proporcionar não só a estruturação física, mas principalmente incentivo às ONGs para conquistar espaços na disputa de poder e representatividade. Cabe às ONGs, e somente a elas, lutar por novos projetos sociais.

É necessário evitar que os representantes do Estado falem como se fossem movimento social, e ONGs, falem como se fossem o próprio Estado. Para avançarmos em relação aos direitos humanos é preciso que a sociedade civil se manifeste com todas as suas demandas.

É preciso abrir espaços de discussões políticas, em que estejam contemplados os pensamentos e desejos da sociedade. O confronto de idéias é de fundamental importância, pois é através dele que as contradições aparecem, bem como é instância em que se conquista poder político e se amplia a noção do que é de responsabilidade do coletivo e do indivíduo. Se o estado tenta ignorar ou censurar a discussão meios públicos (mídia, judiciário e legislativo) podem ser acionados para tornar públicas as deficiências. As pessoas que têm seus direitos negados, como é o caso dos infectados pelas hepatites, ao organizarem-se se tornam visíveis para a sociedade. Caso contrário, não existindo como sujeitos, não vão ser agentes do processo, e continuarão como reféns.

Quando a sociedade civil é o agente do processo, todos podem se apropriar das mudanças, dando mais legitimidade e garantia para que estas mudanças realmente ocorram.

2) Sobre a forma de atuação da Aliança Independente pelos Direitos Humanos e pelo Controle Social nas Hepatites - "AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio) A Aliança Independente pelos Direitos Humanos e pelo Controle Social nas Hepatites
"AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio) é uma iniciativa das ONGs com maior experiência na área do controle social, dos direitos humanos e do "advocacy*" com o objetivo principal de capacitar e estruturar outras ONGs para conseguir representatividade e sustentabilidade nos seus objetivos.
* ADVOCACY é uma palavra da língua inglesa que pode ser traduzida como "defesa", se constituindo num processo mediante o qual um grupo de pessoas se organiza e capacita para reclamar seus direitos.
O objetivo é estruturar diversas ONGs para que atuando de forma independente possam conseguir a formulação e execução de políticas públicas em prol da divulgação, prevenção, detecção e tratamento das hepatites, seja por meio de proposituras ou acompanhamento de matérias no Congresso, buscando influenciá-las positivamente, seja mobilizando a sociedade civil, seja participando e atuando em eventos relacionados às hepatites ou divulgando informações na tentativa de formar opinião favorável à causa.
Os objetivos acima são considerados pelo controle social como ações de advocacy podendo acontecer nos níveis local, nacional e internacional lutando contra a discriminação e estigma social, acesso a serviços e tratamentos e mudanças de atitudes, práticas, leis e políticas de saúde, discriminatórias ou que colocam pessoas em um risco maior em relação à transmissão das hepatites. O advocacy é um processo que visa trazer mudanças nas atitudes, práticas, políticas e leis de indivíduos, grupos e instituições influentes. Um alvo-chave para o trabalho do Controle Social são as pessoas que criam políticas, mas mudanças consideráveis, também, podem ser estimuladas se o alvo forem as pessoas "influenciadoras" de políticas, aqueles que aconselham os formuladores de políticas. Influenciar politicamente e publicamente por meio da mídia, da sociedade civil ou pelo Judiciário nos comitês de políticas e grupos de trabalho governamentais é um dos mecanismos mais eficientes para a realização direta de mudanças. Resumindo, as ONGs participantes da "AIGA" receberão capacitação em tudo o que é referente à sua estruturação interna, na parte jurídica, na mobilização dos associados, do voluntariado, na captação de recursos, na assessoria de imprensa e até no fornecimento de material para campanhas.
A capacitação em diversas áreas será fornecida inicialmente pelas mais experientes ONGs que atuam nas hepatites as quais apresentam resultados bem sucedidos. ONGs de outras patologias com experiências de sucesso também serão convidadas a apresentar o seu trabalho especifico. Profissionais, como advogados, administradores, jornalistas, promotores, procuradores, juizes, legisladores, gestores públicos, médicos, sociedades médicas, etc., poderão atuar voluntariamente ensinando as ONGs a trabalhar de forma profissional. É necessário, também, se capacitar para aprender como "vender" uma matéria jornalística, como montar uma assessoria jurídica que facilite a vida dos associados de cada grupo. Resumindo, a Aliança pelos Direitos Humanos e Controle Social nas Hepatites atuará no sentido de fortalecer os grupos que a integram, os capacitando para que eles atendam os associados.
A Aliança não atenderá portadores. Eles deverão se dirigir aos grupos que fazem parte da Aliança, para dessa forma os fortalecer localmente. Inicialmente a experiência da ONG C Tem que Saber C Tem que Curar na área de parcerias com prefeituras, 112 nos últimos 3 anos (sendo 62 no ano de 2008) com o objetivo da realização de campanhas de testagem (cerca de 21 mil testes entre janeiro de 2007 a setembro de 2008) e de convênios com instituições como a OAB, será transmitida aos integrantes da Aliança. A experiência do GADA de São José do Rio Preto será mostrada para entender como é possível realizar convênios a nível municipal, estadual e federal e ao mesmo tempo realizar denúncias ao ministério público sem medo de perder os convênios ou sofrer represálias. Ainda, a experiência do GADA na fundação do RNP será um exemplo a ser seguido pela Aliança. A integração existente em Osasco entre o GAPHOR, o município, o estado, a farmácia de alto custo, CTA, laboratório, assistência médica privada e pública, pólo de medicação de aplicação multidisciplinar assistida e sociedades médicas será fundamental para se aprender como isso é possível de implementar em outros municípios.
O trabalho do Grupo Otimismo em relação ao levantamento de dados que possibilitam o controle dos gestores e a forma de motivar o ministério público e a defensoria em beneficio dos portadores, assim como a abertura de ações judiciais contra os planos de saúde, quando necessário, são caminhos pelos quais os grupos poderão se fortalecer.

3) Quem pode fazer parte da Aliança e como se associar A Aliança Independente pelos Direitos Humanos e pelo Controle Social nas Hepatites
"AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio) está sendo inicialmente formada e estruturada pelo Grupo Otimismo, o GAPHOR, a ONG C Tem que Saber e o GADA-SJRP. As ONGs interessadas em participar da "AIGA" deverão realizar a solicitação a um dos quatro grupos fundadores para avaliação da sua aceitação. Está depende de 60% mais 1 do total de Membros Fundadores e Efetivos que integrem a Aliança na ocasião da solicitação. As ONGs que solicitarem sua participação até o dia 28 de fevereiro de 2009 serão consideradas como associados fundadores.

4) O porquê da Aliança Independente pelos Direitos Humanos e pelo Controle Social nas Hepatites - "AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio)
Inspirados no sucesso do movimento social na AIDS, onde convivem pacificamente diversos movimentos (RNP, GADA, GAPA, GLS, PelaVidda, etc. etc.) onde todos eles se encontram legitimamente representados nos diversos programas municipais, estaduais e nacional, enxergamos uma forma de dar a oportunidade para que cada grupo de hepatites também tenha a liberdade de escolher seu caminho objetivando o fortalecimento, a independência e a sustentabilidade. O programa brasileiro de DST/AIDS é reconhecido e elogiado mundialmente. Isso só foi possível de se conseguir porque a pressão da sociedade civil, com reivindicações, manifestações, denuncias e ações judiciais conseguiram a atenção da opinião pública e do governo.
Os primeiros responsáveis pelo Programa DST/AIDS tiveram a visão de enxergar que o grande número de movimentos, com interesses específicos e diversos, seriam os instrumentos para conseguir a atenção e as verbas necessárias. Em vez de tentar abafar ou cooptar esses movimentos eles foram capacitados pelo próprio programa DST/AIDS a se organizarem profissionalmente, com o qual os gestores podiam defender o aumento das verbas no sistema público da saúde. Era necessário atender a gritaria! Será possível existirem algum dia nas hepatites inúmeras e diversas tendências no movimento das hepatites, todas com representação no programa nacional, mas cada uma lutando de forma independente pelos seus interesses específicos e, unidas sempre que o objetivo for comum a todos?
Pelo histórico parece que será difícil, pois fica evidente que o PNHV quer "controlar" o movimento social. Alegando que não existem recursos a estratégia do avestruz está sendo copiada, escondendo a cabeça e o problema debaixo da terra. O dia que conseguirmos formar grupos e tendências fortes à luta conseguirá avançar a passos acelerados e as hepatites receberam a atenção que merecem.
Trabalhar de qualquer outra forma será perda de tempo e enganação àqueles que pretendemos representar. Devemos lembrar que se um elefante incomoda muita gente trinta elefantes incomodam muito mais, sendo praticamente impossível alguém tentar calar ou dominar um movimento quando existem diferentes tendências internas, cada uma com sua própria palavra e seu próprio pensamento nos objetivos de luta.

5) O porquê da proposta de uma Aliança e não um Movimento de Adesão?
Existe uma diferença entre adesão e aliança. Aderir transforma mecanicamente os associados em aceitar tacitamente as determinações de quem for eleito. Aliança e a união de iguais, onde todos devem decidir os rumos, as determinações e até a indicação de integrantes para comporem comissões, comitês, etc., sempre pela opinião e voto democrático da maioria. Cabe a cada grupo discutir internamente nos próximos dias qual será a linha a seguir, de qual movimento ou aliança deseja participar. A escolha para ser democrática deve ser livre sem pressão ou marketing, pois não está se vendendo um produto.

CONTATOS:
Para informações e solicitação de adesão:- ONG C Tem que Saber C Tem que Curar - Francisco Martucci - atilaerosi@uol.com.br - Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite - Carlos Varaldo - hepato@hepato.com - GADA de São José do Rio Preto - Julio Caetano - gada@terra.com.br - GAPHOR - Dra. Marilia Gaboardi - mariliagaboardi@hotmail.com












domingo, 15 de fevereiro de 2009

Doação de Órgãos

Doação de Órgãos
Doe órgaos! A vida pode continuar
!


O Ministério da Saúde determina que todos os hospitais públicos, privados e filatrópicos, com mais de 80 leitos, constituam uma "Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes".

A equipe de profissionais da Comissão do Hospital Tacchini atua desde 2002, tendo já realizado inúmeras captações de órgãos, com apoio permanente da comunidade local e regional, além da participação intensa de todos os colaboradores e médicos do Corpo Clínico do Hospital Tacchini.

Tirando suas dúvidas


1. Como posso me tornar um doador de órgãos?
O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica ou da parada cardio-respiratória, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.Há duas situações para ser um doador: aquela em que o doador morre da parada cardio-respiratória (o coração para de bater), é o doador de córneas e ossos; e a morte encefálica, é o doador para múltiplos órgaos.


2. Quais os requisitos para ser considerado um doador?
Ter identificação e registro hospitalar;
Ter a causa da morte estabelecida e conhecida;
Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35ºC), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do Sistema Nervoso Central;
Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante;
Submeter-se a exame complementar que demonstre morte encefálica, caracterizada pela ausência de fluxo sangüíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral;
Estar comprovada a morte encefálica. Situação bem diferente do coma, quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que com dificuldade ou um pouco debilitadas.
Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, o médico do paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante.


3. O que é morte encefálica?
É a morte do cérebro, incluindo tronco cerebral que desempenha funções vitais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo. Não podemos nos confundir com coma. Todo o processo pode ser acompanhado por um médico de confiança da família do doador. É fundamental que os órgãos sejam aproveitados para a doação enquanto ainda há circulação sangüínea irrigando-os, ou seja, antes que o coração deixe de bater e os aparelhos não possam mais manter a respiração do paciente. Mas se o coração parar, só poderão ser doadas as córneas.


4. Quero ser um doador de órgãos. O que eu posso doar?
a) CÓRNEAS - retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias.

b) CORAÇÃO - retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo seis horas.

c) PULMÕES - retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por no máximo seis horas.

d) RINS - retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas.

e) FÍGADO - retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas.

f) PÂNCREAS - retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas.

g) OSSOS - retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos.

h) MEDULA ÓSSEA - se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue.

i) PELE.

h) VALVAS CARDÍACAS.


5. Para doar córneas é preciso estar em morte encefálica?
Não somente. As córneas podem ser retiradas até 6 hs após a parada do coração. O limite de idade é de 2 a 80 anos.

6. Quem não pode doar?
Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular.
Portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, além de todas as demais contra-indicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados.
Pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas.
Pessoas com tumores malignos - com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero - e doenças degenerativas crônicas.


7. Quem recebe os órgãos e/ou tecidos doados?
Quando é reconhecido um doador efetivo, a central de transplantes é comunicada, pois apenas ela tem acesso aos cadastros técnicos com informações de quem está na fila esperando um órgão. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade entre o doador e o receptor. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a receber o órgão.


8. Como garantir que meus órgãos não serão vendidos?
As centrais de transplantes das secretarias estaduais de saúde controlam todo o processo, desde a retirada dos órgãos até a indicação do receptor. Assim, as centrais de transplantes controlam o destino de todos os órgãos doados e retirados.


9. A retirada dos órgãos deforma o corpo?
Não. A diferença não dá para perceber. Aparentemente o corpo fica igualzinho. Aliás, a lei é clara quanto a isso: os hospitais autorizados a retirar os órgãos têm que recuperar a mesma aparência que o doador tinha antes da retirada. Para quem doa não faz diferença, mas para quem recebe sim!


10. Quem arca com os custos de doação?
Todas as despesas são pagas pelo Sistema Único de Saúde. (SUS)


11. Posso doar meus órgãos em vida?
Sim. Também existe a doação de órgãos ainda vivo. O médico poderá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças anteriores. A compatibilidade sangüínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso. Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo como o rim, uma parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido como a medula óssea, para que se possa ser transplantado em alguém de sua família ou amigo. Este tipo de doação só acontece se não representar nenhum problema de saúde para a pessoa que doa. Para doar órgãos em vida é necessário:

Ser um cidadão juridicamente capaz; Estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais;
Apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação;
Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador continuar funcionando;
Ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante;
Ser parente de até quarto grau ou cônjuge.

No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.


12. Que órgãos e tecidos podem ser doados em vida:
Rim
Medula Óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue)
Fígado (apenas parte dele, em torno de 70%)
Pulmão (apenas parte dele, em situações excepcionais)


Fontes: www.abto.org.br - www.saude.gov.br

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Dia das Hepatites foi aceito para discussão na OMS

Recebemos do Ministério da Saúde a confirmação de que na reunião do Comitê Executivo da Organização Mundial da Saúde para preparação da pauta com os temas que serão discutidos durante a Assembléia Geral que acontece no mês de maio, foi aceita a proposta realizada pelo representante brasileiro, Dr. Paulo Buss, para que seja discutida e votada a instituição do dia 19 de maio como o Dia Mundial das Hepatites.
Agradecemos a todos os integrantes do ministério da saúde que possibilitaram para que isso acontecesse. A troca de e-mails, algumas brigas, etc. faz parte da discussão democrática, com troca de opiniões divergentes, com tempos e ansiedades diferentes, mas todas elas sejam de que lado fosse tinham um objetivo final e igual, que era conseguir que o Comitê Executivo aceitasse a inclusão na pauta da Assembléia Geral da OMS.
Mas a luta não acabou é agora será necessário dar visibilidade ao tema para que no mês de maio os representantes de todos os países aprovem a proposta. Em nome do Grupo Otimismo, da World Hepatitis Alliance e das ONGs que se engajaram nesta luta agradeço a todos os que colaboraram para superar mais este degrau no reconhecimento das hepatites como uma epidemia mundial. Carlos VaraldoGrupo OtimismoWorld Hepatitis Alliance - WHA
Segue e-mail recebido do PNHV: Como é do conhecimento de todos, aconteceu em Genebra, na última semana, a Reunião do Conselho Executivo (CE) que antecede a Assembléia Mundial da Saúde.
O governo brasileiro, em parceria com as Organizações da Sociedade Civil e as Frentes Parlamentares da Saúde e das Hepatites Virais, apresentou, com total apoio do Senhor Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a proposta brasileira para a discussão do tema hepatites virais, incluindo a instituição do dia 19 de maio como o "DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA AS HEPATITES VIRAIS", para que todas as nações do mundo desenvolvam ações que visem à promoção a saúde, à prevenção e ao controle desse relevante problema de saúde pública.
Este PNHV compartilha com seus parceiros a oportunidade dada pelo CE para o Brasil incluir e defender tal proposta na Assembléia Mundial da Saúde (AMS), nos dias 18 a 27 de maio, em Genebra.
Para a aprovação na AMS é imprescindível que tracemos como estratégia uma intensa articulação com as instituições- governos e sociedades civis- dos demais países. Obrigado pelo apoio e continuamos juntos pela instituição do DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA AS HEPATITES VIRAIS, para que a data seja lembrada mundialmente como o grande dia de mobilização e alerta ao sério problema que são as hepatites virais. Abraços,
Ricardo Gadelha de Abreu
Coordenador do Programa Nacional para Prevenção e Controle das Hepatites ViraisDepartamento de Vigilância Epidemiológica Secretaria de Vigilância em Saúde Ministério da Saúdericardo.gadelha@saude.gov.br(61) 3213.8293

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Médico da USP apresenta projeto de transplantes de órgãos

(10/02/2009 16:57)
A disciplina de nefrologia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) promoveu, na noite da última segunda-feira, 9 de fevereiro, a conferência “Progresso Científico: Ética - Prática Médica”. Na oportunidade, o professor e hepatologista da USP, Silvano Raia, apresentou também um projeto do Hospital Sírio Libanês na área de transplantes que deverá ser implantado em Alagoas num prazo de 60 dias.
O número de transplantes no Brasil é superado apenas pelos Estados Unidos. Devido a essa grande demanda, o professor Silvano Raia comenta que “esta é uma área que merece muita atenção dos órgãos estatais competentes, porém, a falta de órgãos e a concentração dos centros de transplantes em apenas 9 estados brasileiros têm dificultado muito a vida daqueles que estão nas fila à espera de um órgão”.
A partir de 2008, o sistema de doações feitas pelo Ministério da Saúde a hospitais que realizam este tipo de procedimento foi modificado, mudando a realidade nacional. “Esta mudança efetuada pelo SUS beneficia substancialmente o atendimento na área de transplantes para os pacientes usuários do SUS”, informa Raia. Agora, o SUS encaminha verbas a projetos direcionados ao atendimento da população menos favorecida e usuária do SUS.
O projeto apresentado pelo médico Silvano Raia na Uncisal intitula-se: ‘Qualificação em Captação e Transplante de Órgãos’. “Esta é uma nova forma de filantropia e pretende estimular e apoiar o desenvolvimento de centros de transplantes de órgãos nos estados que não possuem estes serviços”, afirma o professor. A implementação constitui-se de um grupo de trabalho que é coordenado pelo próprio Silvano Raia cujo pólo central está no Hospital Sírio Libanês e conta com médicos especialistas em transplantes de diversos órgãos em outras unidades de saúde, além de um coordenador de distribuição de órgãos e de técnicas de captação. O projeto ‘Qualificação em Captação e Transplante de Órgãos’ tem também ações integradas que são: avaliação das condições locais, entrevistas de candidatos a estágios, conferências sobre temas relacionados à área, estruturação de uma rede de telemedicina, entre outras atividades. Após a conferência, o professor Silvano Raia e o doutor Ronny Mitsuoaka participaram de uma reunião junto com o reitor da Uncisal e doutor em nefrologia, André Falcão, a médica e professora da Uncisal, Maria do Carmo Borges, e o vice-governador do Estado e médico, José Wanderley Neto, onde acordaram que num prazo de sessenta dias acontecerá o início dos estágios e da rede de telemedicina, onde serão realizadas as conferências de cada setor específico. Silvano Raia acredita que “em Maceió o projeto deverá ter um desenvolvimento muito rápido devido ao interesse dos médicos da área de transplantes locais, assim como pelo apoio do vice-governador, que também é médico da área de transplantes”, comentou o médico da USP. Silvano Raia é ex-diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e professor emérito da USP. Pioneiro em transplantes de fígados no Brasil, ele coordenou o primeiro transplante de fígado bem-sucedido na América Latina, realizado no dia 1º de setembro de 1985, pela equipe da Unidade de Fígado do Hospital das Clínicas.
Silvano Raia também realizou o primeiro transplante do mundo entre pacientes inter-vivos no qual uma parte do fígado de uma mulher foi transplantado com sucesso para seu filho de aproximadamente três anos de idade. O evento aconteceu no miniauditório Emil Burihan, que fica na Uncisal, no Trapiche da Barra.
FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE RENAIS E
TRANSPLANTADOS DO BRASIL



Realizou-se nos dias 4 e 5 de fevereiro a primeira reunião do GT de Transplantes do Conselho Nacional de Saúde (CNS) em Brasília, onde tivemos a oportunidade de fazer uma primeira análise da atual conjuntura dos transplantes no Brasil, a partir de dados que foram previamente pesquisados e apresentados ao grupo por médicos experientes, envolvidos diretamente com o assunto e que vivenciam no cotidiano as dificuldades que o programa de transplantes apresenta, em unidades de saúde públicas e privadas conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). O texto "CONSIDERAÇÕES SOBRE O NOVO REGULAMENTO TÉCNICO DO SISTEMA NACIONAL DE TRANSPLANTES", que foi apresentado ao Pleno do CNS no dia 13 novembro de 2008 (19 dias antes do término do prazo da Consulta Pública que estava no site do Ministério da Saúde), cujo encaminhamento foi a recondução do mesmo para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, somente foi remetido para o gabinete do ministro no dia 1/12/2008.

Até a presente data, não obtivemos nenhuma resposta, fora o fato de que o documento não foi encaminhado, em tempo hábil ao órgão competente, segundo explicações da atual secretaria executiva do CNS. Independente do acontecido, cabe lembrar que consegui inserir todas as "Considerações" dentro do prazo regular. A reunião foi muito produtiva e foram feitos vários encaminhamentos que trarão contribuições importantes aos usuários do SUS, candidatos a transplantes e a população em geral, sobre todos os aspectos e informações relativas a este procedimento de alta complexidade e que poderá ser melhor compreendido a partir do trabalho deste GT do CNS, em parceria com outras instituições de classe, sociedade civil e setores técnicos do MS.

Lembrando que já são 66 entidades que estão acompanhando este movimento, o qual esperamos contribuir para a mudança da cultura de transplantes no Brasil. A imprensa também já está acompanhando esta matéria, como coadjuvante na divulgação de todas as informações, no sentido de sensibilizar a sociedade civil e aos órgãos governamentais para este assunto de alta relevância, que envolve mais de 70 mil cidadãos que sofrem à espera de um transplante de órgãos em todo o país.


Rosangela Santos Conselheira Nacional de SaúdePresidente da FARBRA Contatos: RJ - (21) 2252-2134 * (21) 9263-6912

Brasília (61) 9196-439 arerj@br.inter.net



Matéria - O Estado de São Paulo - Publicada no dia 6-2-2008


Saúde vai liberar órgãos não ideais para transplantes. Medida, que deve ser publicada em março, agrada a médicos, mas preocupa pacientes.

Fabiane Leite


O Ministério da Saúde decidiu as situações em que as equipes médicas poderão utilizar órgãos "limítrofes", aqueles que não estão em condições ideais para transplantes. Órgãos de doadores com doenças infecciosas como a hepatite C, por exemplo, poderão ser utilizados desde que haja consentimento assinado do receptor e que ele também seja portador da doença.

Veja a evolução no número de transplantes no Brasil http://www.estadao.com.br/geral/not_ger319370,0.htm

Atualmente grande parte dos órgãos para doação tem algum tipo de problema e as equipes adotam estratégias próprias para aproveitá-los. Não havia, porém, uma regulamentação nacional sobre o assunto.

A nova regra deverá ser publicada em março, dentro de um pacote com outras mudanças para o setor. O objetivo do ministério é diminuir o prazo de espera nas filas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes - atualmente 58.634 pessoas estão na fila de transplantes no País.


O sistema será semelhante ao existente em São Paulo, onde pacientes e médicos decidem sobre o uso de órgãos não ideais antes do cadastro na fila.
Representantes dos pacientes, no entanto, manifestaram preocupação, principalmente por causa de temores sobre os resultados deste tipo de transplante para os receptores dos órgãos e a capacidade dos doentes para decidir sobre a utilização de enxertos não ideais. "São 66 entidades solicitando extensão do prazo de discussão.


"Hoje os pacientes não são informados de forma que entendam o risco que estão correndo. Além disso, não se sabe os níveis de qualificação das equipes médicas e não há dados sobre os resultados dos transplantes para ajudar o paciente a decidir", afirmou Rosangela Santos, presidente da Federação das Associações dos Renais Crônicos e Transplantados do Brasil.

A pasta já encerrou a consulta pública lançada em setembro do ano passado sobre as novas regras para o setor de transplantes e, segundo informou o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Alberto Beltrame, as orientações para o uso dos órgãos limítrofes são definitivas e serão encaminhadas para autorização do ministro José Gomes Temporão.


Elas permitem que médicos e pacientes decidam juntos, por exemplo, se aceitarão órgãos com problemas como hepatite C, B e doença de Chagas, mas só nos casos em que o receptor do órgão também tiver esses problemas. Assim, se o primeiro da fila não tiver aceitado o órgão limítrofe, o enxerto poderá passar para o próximo da fila que tiver concordado com as condições.

Órgãos de doadores com histórico de sífilis, infecção pelo citomegalovírus e toxoplasmose também poderão ser aceitos, independentemente de o receptor ter ou não sofrido dos problemas, isto porque para essas doenças há tratamentos eficientes. "É importante passar uma mensagem de segurança.


A regra é baseada em consentimento livre e informado, em um conjunto de informações fornecidas ao paciente, na franqueza da relação médico-paciente", disse Beltrame, que destaca ainda que há embasamento científico na regulamentação. Segundo Paulo Massarollo, integrante da câmara técnica de fígado do ministério, os critérios para doação vêm sendo expandidos nos últimos anos por causa do aprimoramento do transplantes. "Antes o limite eram doadores mais jovens, mas isto tem sido expandido com a melhoria da técnica. E com resultados cada vez melhores", enfatiza.

Atualmente a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) finaliza, juntamente com a Associação Médica Brasileira, diretrizes mais específicas sobre o uso de órgãos limítrofes, baseada em revisão de literatura científica. No entanto, o trabalho só deverá ficar pronto no fim do semestre.

Segundo Maria Cristina Ribeiro, coordenadora do projeto, há poucos estudos relevantes sobre o uso de órgãos limítrofes, pois a maioria observou poucos pacientes. "Se por um lado é benéfico para muitos, para outros implica riscos e temos de lidar com isto. Existem estudos, por exemplo, que mostram que mesmo que o receptor já tenha hepatite C ele corre o risco de adquirir um outro tipo de vírus da doença."
COLABOROU ALEXANDRE RODRIGUES

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Projeto - 09/02/2009
SUS poderá fornecer gratuitamente medicamentos contra hepatite C.
Bernardo Hélio

Eduardo Sciarra argumenta que o tratamento da doença é muito caro.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 4514/08, do deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR), que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fornecer gratuitamente os medicamentos para tratamento dos portadores de hepatite C.
A hepatite C é causada por um vírus transmitido principalmente pelo sangue contaminado. O portador do vírus pode desenvolver uma forma crônica da doença que leva a cirrose (lesões no fígado) e câncer hepático. Em geral, a doença não revela sintomas até que atinja estágios mais avançados.
Tratamento caro
Eduardo Sciarra argumenta que o tratamento da doença é muito caro e que a maioria dos brasileiros não tem condições de custeá-lo. Segundo o projeto, o Ministério da Saúde padronizará os remédios a serem utilizados em cada forma e estágio da doença. O texto determina ainda que as despesas decorrentes da implementação da medida estarão previstas nos orçamentos da União, dos estados e dos municípios.
Tramitação
O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.Íntegra da proposta:- PL-4514/2008

sábado, 7 de fevereiro de 2009

DEMORA QUE ANGUSTIA
Escassez de leitos amplia o drama da leucemia
A falta de leitos está atrasando a realização de transplantes de medula óssea no Brasil e prejudicando a saúde de pacientes que têm a sorte de encontrar um doador compatível. No Rio Grande do Sul, a espera por uma vaga para a realização do procedimento costuma se prolongar de dois a quatro meses – o que é muito tempo para pacientes com leucemia por comprometer as chances já modestas de cura (ao redor de 50% dos casos).Hoje, esse é um dos principais obstáculos enfrentados por vítimas da doença, como o filho do deputado federal gaúcho Beto Albuquerque, Pietro, morto ontem aos 19 anos, e a jogadora de basquete Michelle Splitter, de mesma idade, que morreu na noite de segunda-feira. Ambos não resistiram à leucemia mesmo depois de terem se submetido a transplantes de células-tronco, que costumam ser chamadas genérica e popularmente de medula óssea, embora possam ser encontradas, também, em cordões umbilicais e no sangue. Pietro, porém, teve de viajar a São Paulo, porque não havia vaga no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Entenda a leucemia e saiba como doar medula óssea
A dificuldade em conseguir lugar em um hospital vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS) faz com que, em média, 200 pacientes em todo o país e 15 no Rio Grande do Sul mantenham-se na espera pelo tratamento, mesmo já tendo encontrado um doador compatível.Isso aumenta muito a angústia da família. Primeiro, é a luta para encontrar um doador a tempo. Depois, ainda tem de esperar por um leito – lamenta a presidente da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Merula Steagall.O problema não é só o aumento no grau de ansiedade de vítimas e parentes. Enquanto aguardam, a condição de saúde tende a se agravar. Isso piora a situação do doente. O ideal seria que o transplante fosse feito assim que possível – garante a hematologista Lucia Silla, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e integrante do serviço de transplante de medula óssea do Clínicas.A chefe do serviço do Clínicas, Liane Daudt, afirma que a unidade conta com seis leitos para transplante de medula em que o doador é uma outra pessoa (em alguns casos, o próprio paciente pode retirar uma porção de sua medula, fazer um tratamento e reintroduzi-la no organismo). Dessas vagas, apenas três se destinam a doações de não-aparentados. O ideal é que tivéssemos pelo menos o dobro disso – observa.Isso faz com que a falta de estrutura nos hospitais seja o grande gargalo para as vítimas da leucemia no país. Até então, o Brasil concentrava esforços na ampliação do registro de possíveis doadores. Nos últimos anos, mediante uma eficaz mobilização do Instituto Nacional de Câncer (Inca), essa lista explodiu. Em 2007, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) contava 500 mil voluntários dispostos a salvar a vida de um desconhecido. No mês passado, o contingente de doadores já atingia 960 mil e deverá alcançar a marca histórica de um milhão de cadastros nos próximos dois meses, mantido o ritmo atual. O problema é que o número de transplantes não acompanha esse crescimento vertiginoso – lamenta Merula.Os dados do Inca confirmam. Em 2007, foram realizados 135 procedimentos. No ano passado, apesar de um crescimento de 88% na lista do Redome, a realização de transplantes entre não-aparentados se manteve estagnada – 133 doentes foram beneficiados.Um dos grandes motivos disso é a falta de leitos. Dados do Ministério da Saúde de junho do ano passado apontam a existência de 30 leitos em 14 instituições destinadas especificamente à realização de transplantes de medula entre pessoas que não têm relação de parentesco no Brasil – o último recurso para quem não encontra cura nos tratamentos convencionais ou um doador entre a família.
MARCELO GONZATTO E MAURO GRAEFF JÚNIOR
Por que é um procedimento complexo
A pouca oferta de leitos para transplante entre pessoas que não são parentes pode ser explicada pela necessidade de preparo das equipes e de infraestrutura:
> Ao ser internado, o paciente que vai receber as células é submetido a altas doses de quimio ou radioterapia para destruir a medula doente.
> O leito em que ele é instalado deve se localizar em uma ala própria, com isolamento do ambiente. No Clínicas, por exemplo, todo o ar em circulação entra por um filtro e sai por outro, a fim de manter o local livre de contaminações.
> A equipe médica e de enfermagem que vai fazer o transplante precisa receber treinamento especial para lidar com a doação de não-aparentados, uma vez que as ameaças de rejeição e complicações são muito maiores, devido às diferenças genéticas entre doador e receptor.
> O transplante é feito na forma de uma infusão que dura aproximadamente duas horas.
> Devidos aos riscos, o paciente costuma ficar internado de 40 a 60 dias, e por pelo menos três meses deve permanecer próximo ao hospital.
> O risco do transplante – de rejeição ou recaída da leucemia – se estende por cerca de dois anos.
> Isso faz com que a chance de sucesso fique em aproximadamente 50%.
marcelo.gonzatto@zerohora.com.br mauro.graeff@zerohora.com.br

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Saúde vai liberar órgãos não ideais para transplantes

Medida, que deve ser publicada em março, agrada a médicos, mas preocupa pacientes.
Fabiane Leite

O Ministério da Saúde decidiu as situações em que as equipes médicas poderão utilizar órgãos "limítrofes", aqueles que não estão em condições ideais para transplantes. Órgãos de doadores com doenças infecciosas como a hepatite C, por exemplo, poderão ser utilizados desde que haja consentimento assinado do receptor e que ele também seja portador da doença.

Veja a evolução no número de transplantes no Brasil.

Atualmente grande parte dos órgãos para doação tem algum tipo de problema e as equipes adotam estratégias próprias para aproveitá-los. Não havia, porém, uma regulamentação nacional sobre o assunto.

A nova regra deverá ser publicada em março, dentro de um pacote com outras mudanças para o setor. O objetivo do ministério é diminuir o prazo de espera nas filas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes - atualmente 58.634 pessoas estão na fila de transplantes no País. O sistema será semelhante ao existente em São Paulo, onde pacientes e médicos decidem sobre o uso de órgãos não ideais antes do cadastro na fila.

Representantes dos pacientes, no entanto, manifestaram preocupação, principalmente por causa de temores sobre os resultados deste tipo de transplante para os receptores dos órgãos e a capacidade dos doentes para decidir sobre a utilização de enxertos não ideais. "São 66 entidades solicitando extensão do prazo de discussão. Hoje os pacientes não são informados de forma que entendam o risco que estão correndo. Além disso, não se sabe os níveis de qualificação das equipes médicas e não há dados sobre os resultados dos transplantes para ajudar o paciente a decidir", afirmou Rosangela Santos, presidente da Federação das Associações dos Renais Crônicos e Transplantados do Brasil.

A pasta já encerrou a consulta pública lançada em setembro do ano passado sobre as novas regras para o setor de transplantes e, segundo informou o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Alberto Beltrame, as orientações para o uso dos órgãos limítrofes são definitivas e serão encaminhadas para autorização do ministro José Gomes Temporão. Elas permitem que médicos e pacientes decidam juntos, por exemplo, se aceitarão órgãos com problemas como hepatite C, B e doença de Chagas, mas só nos casos em que o receptor do órgão também tiver esses problemas. Assim, se o primeiro da fila não tiver aceitado o órgão limítrofe, o enxerto poderá passar para o próximo da fila que tiver concordado com as condições.

Órgãos de doadores com histórico de sífilis, infecção pelo citomegalovírus e toxoplasmose também poderão ser aceitos, independentemente de o receptor ter ou não sofrido dos problemas, isto porque para essas doenças há tratamentos eficientes. "É importante passar uma mensagem de segurança. A regra é baseada em consentimento livre e informado, em um conjunto de informações fornecidas ao paciente, na franqueza da relação médico-paciente", disse Beltrame, que destaca ainda que há embasamento científico na regulamentação. Segundo Paulo Massarollo, integrante da câmara técnica de fígado do ministério, os critérios para doação vêm sendo expandidos nos últimos anos por causa do aprimoramento do transplantes. "Antes o limite eram doadores mais jovens, mas isto tem sido expandido com a melhoria da técnica. E com resultados cada vez melhores", enfatiza.

Atualmente a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) finaliza, juntamente com a Associação Médica Brasileira, diretrizes mais específicas sobre o uso de órgãos limítrofes, baseada em revisão de literatura científica. No entanto, o trabalho só deverá ficar pronto no fim do semestre. Segundo Maria Cristina Ribeiro, coordenadora do projeto, há poucos estudos relevantes sobre o uso de órgãos limítrofes, pois a maioria observou poucos pacientes. "Se por um lado é benéfico para muitos, para outros implica riscos e temos de lidar com isto. Existem estudos, por exemplo, que mostram que mesmo que o receptor já tenha hepatite C ele corre o risco de adquirir um outro tipo de vírus da doença."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Saúde do Transplantado

Saúde do Transplantado - GAT Grupo de Apoio aos Transplantados (ABTO)

Mensagem aos Familiares

Se você tem na sua família alguém transplantado ou que irá passar por um transplante, nós temos algo a lhe dizer.

A família é nosso referencial é nela que aprendemos tudo o que precisamos para viver como: andar, falar, comer, amar, valores, comportamentos, compartilhamos sentimentos. Mas é na família também onde compartilhamos dificuldades e conflitos. Afinal somos humanos, diferentes e a vida em grupo requer muita flexibilidade, amor e compreensão. Resumindo, a vida em família traz emoções gratificantes, mas traz também momentos difíceis. Quando tudo isso se soma a uma situação de doença a tendência é complicar.

A doença pode trazer à tona conflitos familiares que estavam adormecidos, criando estados de confusão na dinâmica familiar. É como aumentar a chama da panela, certamente a água vai ferver. A pergunta é: como oferecer tranqüilidade, apoio e compreensão ao nosso familiar doente, diante de uma situação de desequilíbrio?

Partindo do pressuposto que conflitos estarão presentes, algumas dicas são interessantes:
- conversar sobre as dificuldades demonstrando interesse em modificá -las e resolvê-las, traz sensação de segurança e confiança a todos.
- aceitar a doença e viver este momento como uma oportunidade de mudança e não como um empecilho para o crescimento individual e familiar, pode amenizar a ansiedade e os sentimentos de culpa.
- buscar ajuda externa de preferência de um profissional, é valioso.

Muitas vezes estamos mergulhados nos problemas e não enxergamos soluções, alguém de fora pode contribuir com um outro olhar.
- ser honesto um com o outro falar francamente, possibilita soluções e evitam-se fantasias.
- esclarecer dúvidas com a equipe diminui fantasias e propicia melhores recursos para lidar com a realidade.

Além disso, é importante lembrar também que todos devem contribuir, principalmente se o paciente depende de cuidados básicos.


Geralmente os cuidados ficam sob a responsabilidade de uma pessoa, o que pode resultar em desânimo, cansaço, sentimento de culpa, impotência. O paciente percebe e se sente um peso para a família e para aquele que cuida. Não podemos esquecer que todos podem ajudar, esta troca vai possibilitar a todos a continuidade de suas atividades individuais, o crescimento da família e conforto do paciente.
Promover uma situação familiar natural onde todos possam continuar trabalhando, estudando, passeando, namorando, etc., é extremamente importante e saudável. Cada um precisa estar se sentindo bem, com disposição, energia, confiança, segurança, alegria... Para oferecer ajuda ao seu ente querido e aos demais familiares. Lembre-se ninguém pode dar aquilo que não tem.
Finalmente é fundamental acreditar que vocês têm condições para lidar com a situação!

Rosana Trindade Santos RodriguesPsicóloga Programa De Transplante HepáticoSanta Casa de São Paulo
Desmistificando o Transplante
A realização do transplante geralmente é cercada de muitas expectativas, sobretudo quando a pessoa está severamente doente.
Sabemos que o transplante proporciona melhora na qualidade de vida de quem o realiza, conforme já comprovado por inúmeras pesquisas.
Para algumas pessoas, portadoras de certas doenças mais graves, a cirurgia representa, inclusive, a única chance de sobrevivência.
Apesar desses benefícios evidentes, queremos abordar aqui algumas questões importantes para você que é candidato ao transplante.
A idealização da cirurgia é bastante comum. O indivíduo doente muito freqüentemente atribui grande importância ao transplante, julgando que este poderá resolver boa parte de seus problemas atuais. Não é raro que alguns pacientes se voltem totalmente para a cirurgia, adiando todos os planos que têm para depois do transplante.
Enquanto você aguarda pela cirurgia, sempre que possível procure pensar em projetos de vida que possam ser colocados em prática na atualidade. Dê preferência aos planos que possam ser de fato, concretizados, com um começo, meio e fim e que estejam dentro do seu alcance. Agindo assim, você se sentirá mais satisfeito consigo.

Tente encarar a espera pelo transplante como algo que pode lhe trazer benefícios. Lembre-se que nesse tempo você poderá se preparar melhor, não só fisicamente, mas também do ponto de vista emocional.

O outro erro a ser evitado é descuidar de seu estado físico. É comum que alguns pacientes digam que hoje em dia cometem alguns abusos, mas que depois da cirurgia “tudo vai mudar”.

Antes do transplante é essencial que você cuide de sua saúde e que colabore com o tratamento. Saiba que quanto mais seu organismo estiver equilibrado, maiores as chances de que a cirurgia seja bem sucedida.

Na fase pós-transplante é importante ter em mente que o organismo leva um tempo para se recuperar. É um momento no qual seu corpo precisará se acostumar com o novo órgão e com os remédios (imunossupressores) que você passará a usar rotineiramente. Alguns pacientes, por idealizarem demais o transplante, demonstram contrariedade e impaciência, ficam ansiosos ou deprimidos com a hospitalização e a recuperação mais prolongada.

Complicações pós-cirúrgicas podem acontecer inclusive à rejeição do órgão, perspectiva esta que você deve também levar em consideração.

É importante ressaltar, porém, que a equipe de saúde que o atende estará preparada para contornar os problemas que venham a ocorrer e que todo esforço será feito para que o transplante seja bem sucedido.

Após o transplante é importante que você evite se expor ao risco de contrair infecções que podem levar à rejeição do órgão. Você será orientado sobre isso, mas, se ainda tiver dúvidas a respeito, não se acanhe: informe-se com a equipe de saúde que o acompanha.

Aos poucos, você se sentirá em condição de retomar sua rotina e é importante que isso aconteça, logo que for possível.

O transplante deve ser encarado como algo que deve trazer benefícios em sua qualidade de vida. Evite ficar demasiadamente apegado à idéia de que, sendo transplantado, está impossibilitado de realizar coisas que, na verdade, está totalmente apto a fazer.

Isso não significa que você poderá cometer abusos. Vale lembrar que muitos casos de rejeição estão ligados à falta de colaboração do paciente com o tratamento e que este risco aumenta com o passar dos anos. Pacientes transplantados há mais tempo são os que correm maior risco de “relaxar” com o tratamento, mas isso pode também ocorrer com os recém-transplantados.

Lembre-se que o transplante é uma forma de melhorar sua saúde e sua qualidade de vida, mas que a cirurgia ou a equipe de saúde, sozinhas, n ã o poder ã o proporcionar isso a você, sem que haja sua participação.

Tenha em mente que o transplante é um “caminho” que pode ser percorrido de diversas maneiras. Muito do que acontece nesse percurso depende exclusivamente de você!

Sandra AmorimPsicóloga do Serviço de Nefrologia e Ambulatório de Transplante Renal Santa Casa de São Paulo.
Email:sandra-amorim@uol.com.br


Medicamentos Imunossupressores


Os imunossupressores são medicamentos que evitam a rejeição do órgão transplantado.

O nosso sistema imunológico reconhece, defende e protege o nosso organismo contra infecções, e rejeitam tudo o que é estranho, o órgão transplantado é visto pelo sistema imune como algo estranho não pertencente ao “seu organismo”. Por isso é de extrema importância o uso dos imunossupressores, que irá ajudar a “enfraquecer” o sistema imunológico para que este não rejeite o órgão.

Para o sucesso do seu transplante é importante que as medicações sejam tomadas da forma prescrita pelo seu médico, seguindo os horários e as orientações determinadas.

A dosagem deve ser exata, pois ao ingerir uma quantidade maior, o seu organismo pode ficar mais susceptível às infecções e a toxicidade, e ao ingerir uma quantidade menor o seu organismo poderá rejeitar o órgão transplantado.

Os impressos para aquisição dos imunossupressores são preenchidos pelo médico durante a internação hospitalar. Os medicamentos são retirados em locais específicos indicados pela equipe que o acompanha e são de responsabilidade do paciente/familiar. É importante que a medicação seja bem controlada para que não falte no uso diário. E devem ser retirados mensalmente mediante receituário médico.

Cuidado com as medicações:
Guardar todas as medicações em lugar fresco, arejado, longe do sol e do alcance das crianças.
Manter consigo a lista dos medicamentos que está tomando.
Tomar somente as medicações prescritas e autorizadas pelo seu médico e consultá-lo sempre que houver necessidade de utilizar outros medicamentos (vacinas, por exemplo).
Repor as medicações, para evitar que faltem, principalmente antes dos feriados prolongados.
Nunca aumentar ou diminuir a dose de uma medicação sem a clara orientação do seu médico.
Tomar as medicações nos mesmos horários para garantir uma regularidade nos intervalos.
Não tomar os imunossupressores antes das coletas de sangue para exames laboratoriais.
Estas são as medicações imunossupressoras geralmente utilizadas:
a) Ciclosporina - Sandimun Neoral®
b) Prednisona – Meticorten®
c) Tacrolimus – Prograf®
d) Micofenolato Mofetil – Cellcept®
e) Rapamune – Sirolimus
Como toda medicação, os imunossupressores podem dar algum tipo de efeito colateral, se acontecer com você, não suspenda o uso, nem altere a dosagem, procure seu médico.
É importante adquirir o hábito de tomar a medicação, para isto você pode criar estratégias que irão ajudá-lo a não esquecer. Alguns pacientes utilizam o alarme do relógio, outros deixam bilhetes, lembretes na porta da geladeira. Crie o seu, isto o ajudará!!!

Bartira de Aguiar RozaEnfermeiraHospital Israelita Albert Einstein
Auto-Estima e Auto-Imagem


As formas como nós nos percebemos e como vemos nosso corpo e o mundo é uma conseqüência do nosso desenvolvimento físico e mental.
Começamos a formar uma imagem de nós mesmos a partir da relação que estabelecemos primeiramente com a nossa mãe e posteriormente com nosso pai, avós, irmãos, amigos e outros. Esses olhares influenciam a nossa maneira de vermos e nos relacionarmos.

Os olhares que tivemos ao longo da nossa vida vão formando conceitos ao nosso próprio respeito e estes são elementos que constituem “uma lente” com a qual iremos nos reagir e enxergar o mundo a nós mesmos.

Durante o decorrer de nossas vidas fazemos “negociações”, isto é, ao escolhermos uma determinada coisa, perdemos outras. Esta situação é vivenciada intensamente num tratamento médico. Podemos ganhar um pouco mais de bem estar físico-emocional com o tratamento e também perdermos a nossa aparência, na nossa social e profissional.


Se nos permitirmos ampliar a nossa “lente” sobre o mundo, poderemos identificar ganhos e até descobrirmos novas situações que antes desconhecíamos.

O transplante se apresenta como “bilhete de loteria”. Imaginamos que toda a nossa vida vá se modificar. Entretanto o transplante é apenas uma possibilidade de uma melhor qualidade de vida e vai implicar em grandes negociações, tais como aderir ao tratamento médico, medicamentoso, as restrições necessárias e conviver com os efeitos colaterais e alterações corporais.

A forma como negociamos os benefícios e as perdas com o transplante, poderá favorecer ou não uma maior auto-estima, por exemplo: após o transplante podemos ter ganho de peso devido à medicação, mas em contrapartida ganhamos mais autonomia e independência, o que favorecerá uma maior participação social. Se focarmos o nosso olhar apenas no ganho de peso perdemos a perspectiva de aproveitar dessa nova condição de vida. Portanto a nossa auto-estima como também a nossa auto-imagem dependerá de como fazemos as “negociações” e de como usamos a nossa “lente”.

Silvia Ribeiro Brescia (psicóloga OPO/HC) silviariber@yahoo.com.br
Maria Lúcia Livramento (psicóloga UTR/HC) livrame@zipmail.com.br

Orientação para pais


Seu filho está em programação de transplante ou já foi transplantado?

Lembre-se que conversar com as crianças sobre seus pensamentos e sentimentos é sempre muito importante, principalmente em relação às dificuldades que elas enfrentam. Apesar de normalmente essas conversas não tratarem de assuntos tranqüilos de serem falados, trazem resultados confortáveis para os interlocutores.

A criança se sente apoiada quando as pessoas mais importantes de sua vida, em geral os pais, demonstram interesse sobre o “estado de espírito” em que ela se encontra. E não é difícil imaginar que a situação de transplante pode provocar perturbações, medos, ansiedades, irritabilidade, desânimo, etc.

Um caminho para suavizar esses possíveis desajustes observados é a proximidade afetiva entre criança e família, como se essa proximidade funcionasse como um “pára-raios” para as perturbações da criança. É muito tranqüilizador para essa última, por exemplo, se num momento de choro intenso puder contar com o suporte emocional que o adulto freqüentemente tem mais condições de oferecer. Frases do tipo “não chora, você deve ser corajoso” não permitem que a criança dê vazão ao próprio sentimento. Em contrapartida, abraçar a criança e dizer-lhe “que ela é amada e a tristeza dela compreendida” traz a sensação de divisão do sofrimento, como se o adulto pudesse ajudá-la a transformar uma parte da angústia em algo mais tolerável.

Muitas vezes os adultos entendem que não falar sobre assuntos difíceis é um jeito de proteger as crianças. Mas na verdade, a criança sente-se muito solitária se não encontrar possibilidade de expressar seus sentimentos e pensamentos. Quando não existe diálogo, a criança fica a mercê dos próprios recursos para enfrentar situações difíceis, o que se torna muito estressante para ela. É claro que uma “filtragem” de como conversar sempre é necessária, mas isso não significa que assuntos que expressam sofrimento sejam proibidos.

Não tenha receio! Aproxime-se de seu filho, ajudando-o a dividir as angústias! E se tiver dúvidas ou precisar de orientação, busque ajuda.

Maria das Graças S. LimaPsicóloga do Departamento de Pediatria Santa Casa de São Paulo

Os inimigos silenciosos: Doenças Periodontais

As doenças periodontais (DP) são respostas inflamatórias contra infecções causadas por bactérias. Esta resposta inflamatória pode ser inicialmente da gengiva (gengivite), ou envolver a gengiva, as fibras que ligam o dente no osso, e o osso propriamente dito (periodontite). Cada uma destas DP atinge graus variados, de leve a grave, e podem ocorrer em uma região bem localizada, ou atingir toda a extensão dos tecidos ao redor dos dentes.

A gengivite geralmente ocorre quando, por falha na higiene oral, permitimos o acúmulo de bactérias na superfície dos dentes, que formam a placa bacteriana, e esta, por sua vez, elimina uma série de substâncias tóxicas nesta região, gerando então a resposta inflamatória em defesa do organismo. Assim, uma gengiva inflamada se torna avermelhada, inchada, e que sangra ao toque. Este processo pode ser aumentado pelo acúmulo de cálculo salivar (tártaro) sobre os dentes.

Quando a gengivite não é devidamente tratada e controlada, com o tempo esta doença pode evoluir para uma periodontite. Na periodontite, o processo inflamatório é mais intenso, causando a destruição das fibras ou ligamentos periodontais e, por fim, do osso de sustentação do dente. Podemos notar que houve destruição do osso quando, além dos sinais da gengivite, ocorre mobilidade dental. A periodontite pode gerar gosto ruim na boca e mau hálito. Uma das piores características das DP é que elas são indolores. Somente quando a inflamação é muito intensa, ou em períodos de “baixa resistência”, pode ocorrer dor, inchaço e liberação de pus na região acometida.

Em indivíduos que receberam ou receberão um transplante, no entanto, a presença de DP é muito perigosa. Estas manifestações, tanto inflamatórias quanto infecciosas, são prejudiciais ao organismo do paciente, podendo agravar doenças associadas à doença renal (diabetes, hipertensão, anemia), bem como causar problemas ao órgão transplantado.

O tratamento das DP envolve alguns fatores:
- melhorar a qualidade da higiene oral (escovação e uso do fio dental);
- modificar dieta (deve-se reduzir o consumo de açucares e alimentos industrializados entre as refeições);
- remoção pelo dentista de cálculo salivar e placa bacteriana da superfície dental;
- consultas periódicas ao dentista para manutenção e reavaliação da saúde bucal.

Não permita que este inimigo silencioso atrapalhe sua saúde. O controle da gengivite e da periodontite inicial é simples de se realizar; as periodontites mais graves exigem maior acompanhamento, mas também poder ser curadas. E você mesmo pode fazer um auto-exame da saúde bucal. Se notar algum sinal de gengivite descrito acima ou presença de tártaro, visite o dentista para orientações e tratamento adequado. Você ganhará não só saúde bucal, mas também melhor qualidade de vida.

Roberto Brasil Lima, Cirurgião DentistaPaulo Sérgio da Silva Santos, Cirurgião DentistaFale conosco: ls_odontologia@yahoo.com.br

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Número de transplantes no Brasil tem o maior aumento em 4 anos

Coração e fígado são os que mais crescem; resultado das cirurgias e perfil dos transplantados são desconhecidos.


Fabiane Leite e Lígia Formenti, BRASÍLIA.


Os transplantes de coração e fígado foram os que mais cresceram no País no ano passado - 29% e 14%, respectivamente - segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde. No total, o aumento dos transplantes foi de 10%, passando de 17.428 cirurgias em 2007 para 19.125 no ano passado.
Apesar do desempenho no número de cirurgias - o maior aumento nos últimos quatro anos -, os resultados dos transplantes e o perfil dos transplantados ainda não são conhecidos.

Estudo feito pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) sobre dez anos da atividade no País (1995-2004) mostra que apenas 34% das equipes ativas no fim da pesquisa informaram voluntariamente dados a respeito dos doadores e resultados. Mesmo assim, as informações não abrangeram o total de transplantes realizados pelos grupos, mas só 45% deles.
Foram solicitados pela ABTO dados como idade, gênero, doença de base e cor do receptor, além do tipo de transplante realizado, remédios utilizados após a cirurgia, taxas de sobrevivência e causas de óbito dos pacientes.

Atualmente, a maioria esmagadora dos transplantes no Brasil é feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que mantém o maior programa público do mundo, mas o País tem apenas dados numéricos sobre os procedimentos.

"Qual é o benefício? Não é o transplante somente. É o resultado. As pessoas estão vivendo com mais qualidade? Os resultados são semelhantes aos internacionais? São perguntas que precisamos responder", afirma Valter Duro Garcia, presidente da ABTO.

O Sistema Nacional de Transplantes promete transformar em obrigatoriedade a informação sobre os resultados dos procedimentos. A ideia é que as equipes só possam cadastrar novos pacientes nas listas de espera de órgãos depois de abastecerem um sistema online sobre os resultados das operações realizadas, semelhante ao que já funciona em São Paulo. "O Sistema Nacional de Transplantes é um processo em construção, tem dez anos e vem sendo aperfeiçoado", afirma o secretário de Assistência à Saúde do ministério, Alberto Beltrame, que promete que a obrigatoriedade de informar resultados estará nas novas regras para o sistema, em discussão hoje.

Segundo o hepatologista Silvano Raia, que encabeça uma iniciativa para a qualificação dos transplantes, saber os resultados permitirá ao ministério, no futuro, descredenciar equipes com desempenhos ruins ou unir aquelas com produção muito pequena para garantir maior eficiência com o escasso número de órgãos disponíveis no País. "Não sabemos se as equipes que não informaram dados não o fizeram por negligência ou por resultados ruins."

Apesar de ainda não serem representativos, os resultados do trabalho da ABTO permitem esboçar o perfil dos receptores nos dez anos avaliados. Os resultados, que abrangem transplantes de coração, fígado, pâncreas, rim e pulmão, indicam que a maioria dos receptores é homem, branco e com idade entre 40 e 60 anos. A faixa etária é a mesma em que se manifestam algumas das principais doenças que levam a transplantes, destaca Garcia. As taxas de sobrevivência foram em geral semelhantes às registradas internacionalmente, exceto no caso de transplante duplo de rim e pâncreas. Dos que morreram, a maioria teve como causa doenças infecciosas, resultado que precisa ser melhor estudado.

DADOS GERAIS
19.125 transplantes foram realizados no ano passado no Brasil, incluindo todos os tipos de órgãos e tecidos.
29% foi o aumento do número de transplantes de coração registrado no País entre 2007 e 2008.
58.634 pessoas estão na fila de espera por transplantes, segundo o Ministério da Saúde.
14% foi o crescimento das cirurgias de fígado no Brasil entre 2007 e o ano passado.

Há mais centros especializados, Secretário também destaca papel das campanhas. O secretário de Atenção à Saúde do ministério, Alberto Beltrame, comemora o aumento de transplantes, mas admite haver "um vazio assistencial" na área. "É preciso capilarizar o atendimento. Muitos Estados não têm capacidade instalada para executar esse tipo de procedimento", completa.
Para ele, o crescimento do número de cirurgias tem vários fatores. Em primeiro lugar, o aumento no número de centros capacitados para a realização da cirurgia que entre 2007 e 2008 passou de 892 para 942. Além do maior número de centros habilitados, Beltrame cita o impacto de campanhas de esclarecimento.
Apesar da melhora, o secretário admite haver ainda uma série de entraves para reduzir a lista de espera por um órgão, que atualmente reúne 58.634 pessoas. O principal deles, em sua avaliação, é o número proporcionalmente baixo de doadores. Na Espanha, o número é significativamente maior: 36 para cada 1 milhão de pessoas. Beltrame diz que, se houvesse um número maior de doadores, o de transplantes poderia ser maior. "Quanto mais transplantes fazemos, mais pessoas se mobilizam para doar órgãos."
Beltrame atribuiu o baixo índice de doações a fatores culturais. "Em certos casos, é preciso que familiares tomem a decisão logo que o diagnóstico de morte cerebral ocorre." Para melhorar os números, complementa, seria preciso "ganhar corações e mentes", algo que teria de ser feito com uma abordagem de profissionais de saúde capacitados.
Embora a falta de doadores seja a primeira dificuldade, há uma série de desafios. Como oferecer o serviço onde ainda não há capacidade instalada. O problema, afirmou, não se resolve apenas com dinheiro, mas também com capacitação de pessoal.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

30/01/2009 - 07h50
Transplante de rim passa a ser opção para soropositivos
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FERNANDA BASSETTEda Folha de S.Paulo
Pacientes soropositivos que estão em hemodiálise por causa de falência renal já podem entrar para a lista de candidatos a receber um transplante de rim. Tradicionalmente essas pessoas eram excluídas da fila de transplantes porque se acreditava que a sobrevida após a cirurgia seria muito baixa --o que não justificaria o risco.
Até então, os especialistas não sabiam como o organismo do paciente reagiria à interação entre os antirretrovirais e os imunossupressores (usados na recuperação após o transplante).
Essa realidade começou a mudar no Brasil nos últimos dois anos, especialmente por causa da evolução dos medicamentos usados no tratamento da Aids --que aumentaram significativamente a sobrevida desses pacientes.
Nesse período, o país realizou ao menos sete transplantes de rim em pessoas com HIV --seis tiveram resultados satisfatórios e uma rejeitou o enxerto. O primeiro transplante do tipo no mundo foi realizado em 2000.
Dos sete transplantes realizados, quatro foram feitos no Hospital do Rim e Hipertensão da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Segundo o nefrologista José Medina Pestana, diretor do hospital e chefe da central de transplantes do Hospital São Paulo, a partir do momento em que a Aids passou a ser uma doença controlável, não existe mais razão para não indicar esses pacientes para o transplante. "Antes não sabíamos como esses pacientes iriam evoluir, mas hoje sabemos que as chances são boas."
Sobrevida similar
Para avaliar se, de fato, o transplante seria uma boa opção para pacientes soropositivos, pesquisadores da Escola de Medicina da Johns Hopkins University (EUA) compararam, um ano após a cirurgia, os resultados de transplantes feitos em 36.492 pacientes com os de cem pessoas com HIV. Os dados foram retirados do registro americano de transplante.
Eles constataram que a sobrevida é similar nos dois grupos, o que aumenta a esperança de quem está com os rins paralisados: pacientes sem HIV tiveram uma taxa de sobrevivência de 94,6%, contra 87,9% nas pessoas com o vírus. Os resultados foram publicados na revista "Archives of Surgery".
Acompanhamento
O pesquisador Jayme Locke, autor do estudo, disse à Folha que os resultados mostram que é possível fazer o transplante nesses pacientes, desde que o acompanhamento seja adequado. "Nossos resultados demonstram que, se você identifica os fatores de risco, seleciona um bom doador e acompanha a interação dos medicamentos, as chances de dar certo são enormes."
Locke ressaltou, porém, que nem todos os pacientes com Aids e problemas renais têm indicação para o transplante. "O fato de ser soropositivo sozinho não é fator determinante para ser um candidato a um transplante. Antes é preciso passar por uma extensa análise com avaliação médica e psicológica", afirmou.
Para o nefrologista Emmanuel de Almeida Burdmann, presidente da SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia) e professor da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), o grande avanço é que o fato de um paciente ser HIV positivo não é mais uma contraindicação absoluta para o transplante. "A Aids deixou de ser considerada uma doença grave e passou a ser vista como uma doença crônica", afirmou.
A nefrologista Irene Noronha, professora e responsável pelo Laboratório de Nefrologia Celular e Molecular da Faculdade de Medicina da USP, publicou recentemente um relato de caso de um paciente soropositivo, de 61 anos, que passou por um transplante de rim.
"Tivemos alguns problemas no começo por causa da interação entre os medicamentos antirretrovirais e os imunossupressores, mas conseguimos superar e hoje o paciente está muito bem", diz Noronha.
Os critérios para que o paciente soropositivo seja incluído em uma fila de espera de transplante, entretanto, não são tão simples. "Os requisitos mínimos para ter indicação é estar com a carga viral negativa [sem vírus circulante] há mais de um ano e ter a contagem de CD4 [linfócitos responsáveis pela defesa do organismo] maior que 200", explica Noronha, acrescentando que o paciente também não pode ter outra infecção ativa e tem que estar bem de saúde.
Para Noronha, os resultados americanos comprovam que o transplante de rim é uma alternativa possível de tratamento. "Temos que abrir outras portas em busca de novas possibilidades. Esses pacientes estão vivos e têm o direito de ter uma qualidade de vida melhor", diz.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Transplantes crescem 10% no Brasil em 2008 - 29/01/2009



Ministério da Saúde divulga balanço com procedimentos realizados no ano anterior quando se constata o aumento de doadores e a maior captação de órgãos O Ministério da Saúde (MS) realizou 19.125 transplantes entre janeiro e dezembro de 2008 – o que representa crescimento de cerca de 10% no número de procedimentos em relação a 2007, quando foram feitos 17.428 transplantes. O aumento no número geral de transplantes realizados no Brasil se deve a uma série de fatores, entre eles, as campanhas de sensibilização feitas pelo MS, a elevação no número de doadores vivos e a melhora na captação nacional de órgãos, com o apoio de um número maior de famílias que passaram a autorizar doações.Outro fator importante é o incremento no número de centros para a realização dos transplantes. Em 2007, o Sistema Nacional de Transplantes contava com 892 unidades em funcionamento. Em 2008, 50 novos centros foram habilitados, elevando para 942 centros transplantadores no país. De acordo com Alberto Beltrame, secretário de atenção à saúde, do Ministério da Saúde, a estrutura brasileira para realização de transplantes no Brasil é grande e tem capacidade de crescer ainda mais. “O volume de doações está aumentando e este é o grande determinante para aumentar o número de transplantes. A captação de órgãos é parte de um trabalho complexo, que demanda tempo e que não basta apenas recursos financeiros, mas sobretudo de recursos humanos. E é um desafio não só do MS, mas sobretudo das Secretarias estaduais de Saúde e da própria rede hospitalar brasileira”, afirma Beltrame. O Brasil tem o maior programa público de transplantes de órgãos e tecidos do mundo. Cerca de 95% dos transplantes são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que também subsidia todos os medicamentos imunossupressores para os pacientes. A agilidade nos transplantes depende de vários fatores, como um diagnóstico rápido de morte encefálica, uma captação eficiente, maior compatibilidade entre doador e receptor, além do número de pacientes em lista de espera. Por esse motivo é tão importante aumentar o número de doadores. Por órgão – O transplante de coração foi o que apresentou o maior aumento percentual entre 2007 e 2008, com 29%; seguido pelo fígado (14%), pela córnea (12%) e pelo rim/pâncreas (9%).

Transplantes realizados

Órgãos 2005 2006 2007 2008
Coração 181 155 159 205
Córnea 9.970 10.382 11.419 12.825
Fígado 939 978 971 1.110
Pâncreas 112 88 78 43
Pulmão 42 55 50 53
Rim 2.903 2.961 3.040 3.154
Rim/pâncreas 108 125 116 127
Fígado/Rim 8 12 33 26
Medula óssea 1.307 1.349 1.562 1.582
Total Geral 15.570 16.105 17.428 19.125
Crescimento** 3,44% 8,21% 9,74%
*Mês de Dezembro projetado

ANO Medula Coração Córnea Fígado Pulmão Fígado/Rim Pâncreas Rim Rim/Pâncreas
2007 1.562 159 11.419 971 50 33 78 3.040 116
2008 1.582 205 12.825 1.110 53 26 43 3.154 127
% 1% 29% 12% 14% 6% -21% -45% 4% 9%


Situação nos estados – Os estados que realizaram o maior número absoluto de transplantes foram São Paulo (8.687), Minas Gerais (2.097) e Paraná (1.544). Outros estados também merecem destaque. O Acre realizou, em 2008, seus dois primeiros transplantes de rim. Rondônia (1400%), Alagoas (400%) e Espírito Santo (75%) apresentaram o maior crescimento na realização de transplantes entre 2007 e 2008. Veja abaixo:
2007 2008 Crescimento
Acre 0 2 200%
Alagoas 15 75 400%
Amapá 0 0 0%
Amazonas 103 139 35%
Bahia 284 363 28%
Ceará 627 739 18%
Espírito Santo 133 233 75%
Goiás 561 499 -11%
Maranhão 95 126 33%
Mato Grosso 148 170 15%
Mato Grosso do Sul 232 222 -4%
Minas Gerais 1.548 2.097 35%
Pará 117 123 5%
Paraíba 127 152 20%
Paraná 1.371 1.544 13%
Pernambuco 811 1.051 30%
Piauí 76 67 -12%
Rio de Janeiro 523 430 -18%
Rio Grande do Norte 182 153 -16%
Rio Grande do Sul 1.282 1.213 -5%
Rondonia 2 30 1400%
Roraima 0 0 0%
Santa Catarina 580 597 3%
São Paulo 8.205 8.687 6%
Sergipe 79 71 -10%
Tocantins 0 0 0%
Total 17.428 19.125 10%

Lista de espera – Atualmente, a lista de espera é de 58.634 pacientes. Desse total, 36.095 dos indivíduos esperam por órgãos sólidos, 20.275 aguardam por um transplante de córnea e 2.264 estão na lista por um doador de medula óssea.

Lista de Espera (ativos e semi-ativos) 2008
Córnea Fígado Pâncreas Pulmão Rim Rim/pâncreas Medula óssea Total
20.275 4.514 300 182 30.630 469 2.264 58.634

Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes ¿ Em setembro de 2008, o Ministério da Saúde anunciou um conjunto de medidas para elevar o número de doações de órgãos e de transplantes no país. Entre elas, estão o reajuste dos valores pagos às equipes de transplantes dos hospitais, bonificação de 100% para os procedimentos que resultem efetivamente em transplante, criação de Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), padronização do gerenciamento de transplantes em todo o Brasil, por meio da implantação de software para administrar as listas de espera nacional e regionais e estabelecimento de mecanismos de controle.Criado há 11 anos, o Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes foi revisto com o objetivo de padronizar critérios de organização do Sistema Nacional de Transplantes, melhorar a articulação entre os órgãos gestores, organizar a procura de órgãos, contemplar as novas técnicas e tecnologias. O regulamento passou por consulta pública e está em fase de conclusão. A previsão é que o novo regulamento será publicado em 30 dias. Outras informações Atendimento à Imprensa (61) 3315 3580 e 3315 2351

sábado, 24 de janeiro de 2009

HEPATITES POR CARLOS VARALDO - GRUPO OTIMISMO

Faltam ações para controlar a epidemia de hepatites virais


Quando o mundo comemorou, em maio, o Dia Mundial da Hepatite, realizando uma aliança entre associações de pacientes, sociedades médicas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e os principais governos do mundo, o Ministério da Saúde do Brasil não apoiou nem participou da campanha internacional de conscientização para as hepatites B e C. Um triste descaso e falta de interesse do governo brasileiro. Sabe-se que se nada for feito de imediato, mais de 1 milhão de pessoas no País poderão desenvolver cirrose ou câncer de fígado nos próximos 15 anos em decorrência dessas doenças. O custo social, com perda da capacidade de trabalho, aposentadorias precoces, tratamento da cirrose e prováveis transplantes de fígado, será com certeza infinitamente superior ao que seria investido com detecção e tratamento dos infectados. Os vírus das hepatites B e C já contaminaram 500 milhões de pessoas no mundo. A estimativa é da OMS e mostra a dimensão da epidemia global das hepatites B e C, um problema dez vezes maior do que a da AIDS. A tradução disso: 1 em cada 12 pessoas está infectada por hepatite B ou C. A maioria dos infectados desconhece que tem a doença, pois ambas agem silenciosamente. Tanto a hepatite B quanto a C não apresentam sintomas aparentes até uma evolução importante do caso. No Brasil, de acordo com estimativa do Ministério da Saúde, são 2 milhões de pessoas com hepatite B e entre 3 e 4 milhões infectados com hepatite C. Desses, mais de 95% ainda não foram diagnosticados, devido à falta de sintomas aparentes. E quando os sintomas surgem, eles não são específicos, o que dificulta bastante o diagnóstico pelos profissionais de saúde. Descobrir essas doenças tardiamente agrava substancialmente a condição de saúde e as possibilidades de sucesso com o tratamento. Muitas vezes, não resulta alternativa ao paciente senão o aguardo na longa fila “da morte” para realização de um transplante de fígado. Em pleno século XXI, as vítimas brasileiras das hepatites B e C estão sendo discriminadas pelo poder público, em todos os níveis do Sistema Único de Saúde (SUS). Um espanto quando se sabe que o Brasil é considerado referência internacional no combate à epidemia do vírus HIV, descoberto em 1979. Enquanto o poder público vem atuando em todos os níveis de prevenção e tratamento da AIDS, houve atraso no combate às hepatites B e C. Muito embora o vírus da hepatite B tenha sido descoberto em 1965 e o da hepatite C em 1989, somente em 2002 o governo federal brasileiro implementou o chamado Programa Nacional das Hepatites Virais (PNHV). Porém, além de tardio, o PNHV é insuficiente, pois não contempla uma ampla campanha publicitária de alerta e conscientização da população sobre a transmissão dos vírus B e C da hepatite, os riscos dessas doenças e a importância do diagnóstico precoce, a exemplo do que acontece com a AIDS. Estudos comprovam que portadores de hepatite B ou C, se não diagnosticados a tempo, apresentam uma expectativa de vida de somente 56 anos. As hepatites B e C podem ser contraídas pelo simples contato com sangue contaminado, por meio do compartilhamento de instrumentos de manicure, pedicure, lâminas de barbear, aparelhos de piercing e tatuagem e agulhas usadas para uso de drogas injetáveis. A hepatite B ainda é transmitida por via sexual, sendo a principal doença sexualmente transmissível (DST) – o que não é devidamente informado à população –, e de mãe para filho durante o parto. Ainda pior é a falta de divulgação da existência de vacina para a hepatite B, disponível gratuitamente nos postos de saúde aos jovens de até 19 anos e a todos aqueles expostos a maior risco, como profissionais de saúde que podem sofrer acidentes com material perfuro cortantes. Mas o poder público confere tratamento desigual às vítimas de hepatites B e C em relação aos portadores do vírus HIV, no plano da assistência médica à saúde. O Programa Nacional de DST/AIDS do governo brasileiro garante tratamento medicamentoso a 1 em cada 3 infectados, o que tornou o Brasil um exemplo de País socialmente responsável para com a saúde de seus cidadãos. Em relação aos pacientes portadores de hepatite essa proporção aumenta substancialmente, pois o governo brasileiro oferece tratamento medicamentoso a apenas 1 em cada 350 infectados por hepatite C e a 1 em cada 1.000 infectados pela hepatite B. Mais um ponto a ser ressaltado: o orçamento da saúde para 2008 contempla R$ 3.800 para cada infectado com HIV/AIDS e apenas R$ 57 a cada portador das hepatites B ou C. Um país não pode ser considerado socialmente justo e igualitário quando cidadãos recebem oportunidades diferentes no acesso universal aos cuidados fundamentais para a preservação da vida como é o direito à saúde. Direito este constado que está na Constituição Federal, mas que no caso dos portadores das hepatites não se transforma num direito efetivo. É necessário encontrar o mais rapidamente possível os brasileiros infectados por hepatite B e C. Com os tratamentos disponíveis atualmente, pelo menos 600 mil vidas seriam salvas, o que significa menor número de casos de falência hepática e conseqüentemente morte. Assim como a AIDS, as hepatites B e C são epidemias sérias. O problema é que enquanto a AIDS é conhecida pela população, as hepatites permanecem no anonimato. Não saber é ruim, não querer saber é pior, mas não se preocupar com as conseqüências dessa omissão é imperdoável.


Carlos VaraldoPresidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite / Vice-diretor da World Hepatitis Alliance (WHA)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O QUE É DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS?

O que é doação de órgãos e tecidos?
A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento de sua morte, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

O que é morte encefálica?
Morte encefálica significa a morte da pessoa. É uma lesão irrecuperável do cérebro após traumatismo craniano grave, tumor intracraniano ou derrame cerebral. É a interrupção definitiva e irreversível de todas as atividades cerebrais. Como o cérebro comanda todas as atividades do corpo, quando morre, os demais órgãos e tecidos também morrem. Alguns resistem mais tempo, como as córneas e a pele. Outros, como o coração, pulmão, rim e fígado sobrevivem por muito pouco tempo.

Quem pode ser doador de órgãos e tecidos?
Cerca de 1% de todas as pessoas que morrem são doadores em potencial. Entretanto, a doação pressupõe certas circunstâncias especiais que permitam a preservação do corpo para o adequado aproveitamento dos órgãos para doação. É possível também a doação entre vivos no caso de órgãos duplos. É possível a doação entre parentes, de órgãos como o rim, por exemplo. No caso do fígado também é possível o transplante inter-vivos. Neste caso apenas uma parte do fígado do doador é transplantada para o receptor. Este tipo de transplante é possível por causa da particular qualidade do fígado de se regenerar, voltando ao tamanho normal em dois ou três meses. No caso da doação intervivos, é necessária uma autorização especial e diferente do ca-so de doador cadáver. Não existe limite de idade para a doação de córneas. Para os demais órgãos, a idade e história médica são consideradas.

Quem não pode ser doador de órgão e tecidos?
Não podem ser considerados doadores pessoas portadoras de doenças infecciosas incuráveis, câncer ou doenças que pela sua evolução tenham comprometido o estado do órgão. Os portadores de neoplasias primárias do sistema nervoso central podem ser doadores de órgãos. Também não podem ser doadores: pessoas sem documentos de identidade e menores de 21 anos sem a expressa autorização dos responsáveis.

Quais órgão e tecidos que podem ser doados?
Entre os órgãos que podem ser doados estão: o coração, rins, pâncreas, pulmões, fígado e intestinos. Os tecidos que podem ser doados são: olhos, peles, ossos, válvulas do coração e tendões.

Quando podemos doar?
A doação de órgãos como rim e parte do fígado pode ser feita em vida mas, em geral nos tornamos doadores quando ocorre a MORTE ENCEFÁLICA. Tipicamente são pessoas que sofreram um acidente que provocou um dano na cabeça (acidente com carro, moto, quedas, etc.).

Como ser doador no momento de óbito de um familiar?
Um dos membros da família pode manifestar o desejo de doar os órgãos ao médico que atendeu o familiar, ou a administração do hospital, ou ainda, entrar em contato com uma Central de Transplantes que tomará as providências necessárias.

Quero ser doador (a), a minha religião permite?
Todas as religiões encorajam a doação de órgãos e tecidos como uma atitude de preservação da vida e um ato caridoso de amor ao próximo. A maioria das religiões, contudo, considera este ato uma decisão individual de seus seguidores.

O que é transplante?
Transplante é o único tratamento que possibilita o indivíduo a continuar vivendo.Os transplantes são realizados, somente quando outras terapias já não dão mais resultados. Para alguns, portanto, é o único tratamento que possibilita o indivíduo a continuar vivendo.

Quem precisa de um transplante?
Quase todas as doenças que levam a uma situação de falência completa de um órgão ou de um tecido e quando as terapias médicas ou cirúrgicas convencionais já não são mais eficazes, têm-se como última alternativa de tratamento um transplante. Para muitos, o transplante significa literalmente o renascimento. Para outros, a possibilidade do retorno a uma vida normal.

Transplante é cura?
Não. É um tratamento que pode prolongar a vida com melhor qualidade. Os transplantados exigem cuidados médicos constantes e usam uma série de medicamentos pelo resto da vida. É uma forma de substituir um problema de saúde incontrolável por outro sob o qual se têm controle.

Sou doador (a), mas quando cheguei ao hospital não encontraram meus documentos nem os meus familiares. Meus órgãos serão retirados para transplante?
Não. Pessoas sem identidade, indigentes e menores de 21 anos sem autorização dos responsáveis, não são consideradas doadoras.

Quem são as pessoas beneficiadas com os transplantes?
Atualmente milhares de pessoas, inclusive crianças, contraem doenças cujo único tratamento é a implantação de um órgão novo. A espera por um doador, que às vezes não aparece, é angustiante. A lista de candidatos a um transplante de pulmão, por exemplo, é renovada a cada ano porque, simplesmente, a maioria dos candidatos morre sem conseguir um doador.

Quem paga a conta dos transplantes? O Sistema Único de Saúde (SUS) cobre todas as despesas.
O Sistema Único de Saúde (SUS) cobre todas as despesas.