quarta-feira, 16 de junho de 2010

O Globo

São Paulo ganha primeiro hospital público do país especializado em transplantes
Plantão Publicada em 15/06/2010 às 21h32m
Agência Brasil

Comentários
SÃO PAULO - A partir desta terça-feira, o estado de São Paulo passou a contar com o primeiro hospital público do país especializado em transplantes de tecidos e órgãos. Com capacidade para realizar até 636 cirurgias anuais, a unidade contará com 80 médicos que realizarão transplantes de córnea, rim, pâncreas, fígado e medula óssea.

Além disso, o antigo Hospital Brigadeiro - agora rebatizado como Hospital Dr. Euryclides de Jesus Zerbini - também irá atender casos de alta complexidade em áreas como hematologia, oftalmologia, urologia e neurocirurgia. A reforma do antigo hospital consumiu quase dois anos e exigiu cerca de R$ 37 milhões de investimentos em obras e equipamentos.

Além do valor inicial, a Secretaria estadual de Saúde garante que, somente este ano, irá destinar cerca de R$ 45 milhões para custear as atividades hospitalares e o Centro de Referência em Saúde do Homem, que funcionará no prédio anexo. Está prevista também a instalação de um laboratório de anatomia patológica que, de acordo com a secretaria, se tornará referência nacional para biópsia de rim, capaz de avaliar a qualidade dos órgãos doados e realizar o acompanhamento dos pacientes transplantados.

Embora afirme não ser possível precisar o tempo em que os pacientes à espera de um órgão compatível serão atendidos, o superintendente do hospital, o médico Nacime Salomão Mansur, garante que as novas instalações terão um "impacto brutal para a população".

- Queremos ser [em breve] o principal transplantador de fígado, córnea, medula óssea e pâncreas e, em curto espaço de tempo, esperamos fazer praticamente a metade do número de transplantes renais que o Hospital do Rim faz hoje. Agora, a queda no tempo de espera vai depender dos doadores e do aumento da captação de órgãos - disse Mansur durante a inauguração do hospital.

O superintendente afirmou que o hospital continuará atendendo a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de outros estados (hoje, um em cada cinco tranplantados nos hospitais paulistas é morador de outros estados) e que a triagem e o encaminhamento dos pacientes continuará sendo feito pelos ambulatórios especializados. Constatada a necessidade de transplante, o paciente é inscrito em uma lista de espera, cujo tempo de atendimento depende do órgão necessário e do estágio da doença.

Segundo Mansur, em São Paulo já não há mais fila para o transplante de córneas e a pior situação seria a dos que necessitam de um novo fígado.

- É um procedimento muito complexo e há poucas equipes especializadas, além de haver poucos doadores.

sábado, 5 de junho de 2010

Planeta Universitário

PUCRS lança Campanha para incentivar a doação de sangue, órgãos e medula óssea
Sex, 04 de Junho de 2010 12:55

A PUCRS lança na próxima segunda-feira, 7 de junho, a campanha "Doe Esperança", iniciativa permanente para mobilizar a comunidade acadêmica para a doação de sangue, órgãos e medula óssea. Um show com a dupla Claus e Vanessa marcará a data, a partir das 19h, no Largo da Solidariedade, em frente ao prédio 15 do Campus (avenida Ipiranga, 6681- Porto Alegre), com entrada franca.

Serão três eventos anuais, relativos a cada um dos temas, aproveitando as mais de 30 mil pessoas que interagem diretamente com o Campus, entre alunos, professores, técnicos administrativos e fornecedores. A primeira ação será no dia 18 de junho.

Entre os prédios 11 e 30, das 9h às 12h e das 13h30min às 16h, o ônibus do hemocentro do Rio Grande do Sul fará coleta de amostra de sangue para o cadastro de doadores de medula óssea. A promoção é da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários, Gerência de Recursos Humanos e Hospital São Lucas da Universidade.

Programação:
18/6 - Enfoque: Doação de Medula Óssea - Ação: Coleta de amostra de sangue para cadastro
25/9 - Enfoque: Doação de Órgãos e Tecidos - Ação: Entrega de folder explicativo
25/11 - Enfoque: Doação de Sangue - Ação: Entrega de folder explicativo

Saiba mais sobre a doação de medula óssea

O que é Medula Óssea?
A medula óssea é o tecido encontrado no interior dos ossos, também conhecido popularmente por "tutano", que tem a função de produzir as células sanguíneas: glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.

Quem precisa de Transplante de Medula Óssea?
O Transplante de Medula Óssea é indicado principalmente para o tratamento de doenças que comprometem o funcionamento da medula óssea, como doenças hematológicas, onco-hematológicas, imunodeficiências, doenças genéticas hereditárias, alguns tumores sólidos e doenças autoimunes.

Como se tornar um doador?
A pessoa precisa ter entre 18 e 55 anos e estar em bom estado de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante). Ela deve cadastrar-se em um dos centros habilitados para isso, onde será feito um cadastro com dados pessoais e realizada a coleta de uma pequena amostra de sangue. A partir disso, seus dados constarão do Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (Redome). Se, um dia, houver algum paciente no Brasil (e mesmo em outros países) com características genéticas semelhantes às suas, o doador será convidado a realizar novos testes e doar efetivamente a medula se houver compatibilidade.

Como é feita a doação de medula óssea?
Esta é retirada do interior de ossos da bacia por meio de punções com agulhas e seringas. Além dessa, existe outra forma de doar as células progenitoras ou células-mãe da medula óssea: é a aférese, em que o doador é ligado a uma máquina pela qual o sangue de suas veias circula enquanto as células progenitoras vão sendo separadas. O material colhido pode ser utilizado imediatamente ou ser congelado para utilização posterior.

Existe risco para o doador?
Os riscos para o doador são praticamente inexistentes. A medula se recompõe em apenas 15 dias. Até hoje não há relato de nenhum acidente grave devido a esse procedimento.

Como é feito o transplante?
O transplante só será realizado quando o paciente estiver pronto para recebê-lo, resolução que cabe ao médico que o está acompanhando. O procedimento é simples: após um tratamento que elimina todas as células da medula óssea do paciente, aquelas colhidas do doador são infundidas em uma veia, como se fossem uma transfusão de sangue. Com o passar do tempo, essas células vão se fixar na medula óssea vazia e se multiplicar até recomporem-na novamente.

Como são feitas as buscas do doador?
O doador compatível deve ser procurado em primeiro lugar, na família, entre irmãos do mesmo pai e da mesma mãe. Esse não sendo encontrado, o médico do paciente deverá inscrevê-lo no banco nacional de receptores de medula óssea (Rereme) para realização da busca de um doador compatível voluntário cadastrado no registro brasileiro de doadores de medula óssea (Redome).
Assessoria de Comunicação Social - PUCRS / ASCOM

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Zero Hora

01 de junho de 2010 N° 16353
SEJA SOLIDÁRIO
Por que diminuem as doações
Ministério Público lança campanha de conscientização para reverter queda no número de órgãos oferecidos para transplante.

O Rio Grande do Sul, que já foi o número um em transplantes no país – respeitada a proporção em relação à população –, está agora em terceiro lugar nessa delicada modalidade de cirurgia, atrás de São Paulo e do Paraná. E esta não é a pior notícia do momento. O número de doações de órgãos concretizadas vem caindo ano a ano, desde 2007, no Estado. Neste período, a redução foi de 8,5% no número de doadores e 14% no de transplantes concretizados.

Enquanto em 2007 ocorreram 147 doações efetivamente transformadas em transplantes, no ano passado apenas 126 foram bem-sucedidas. E a tendência continua de queda nos procedimentos, a se julgar pelos 34 transplantes concretizados no primeiro trimestre no Rio Grande do Sul – a se manter o ritmo, o número ao final de 2010 vai no máximo empatar com o do ano passado.

Mas o que está provocando a redução? Um estudo da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, integrada pelas centrais de doações espalhadas pelo Brasil afora, aponta que mais da metade das doações no Rio Grande do Sul (60%) não se concretizou porque os familiares do doador em potencial não autorizaram a cirurgia. Os 40% restantes de doações não efetuadas ocorreram porque havia contraindicação médica.

– Aumentou o número de UTIs no Interior e isso talvez salve vidas e diminua o número de doadores. Mas, se agilizarmos o treinamento dessas equipes para diagnosticar mortes, voltaremos a ter mais doações – aposta o coordenador da Central de Transplantes-RS, Eduardo Elsade.

É para reverter essa redução no número de transplantes que o Ministério Público Estadual lançou ontem o programa Abra as Portas do seu Coração, Doe +, Doação de Órgãos e Tecidos + Vidas. Os promotores assinaram um termo de cooperação com a Federação das Associações dos Municípios do RS (Famurs) e a Fundação de Economia e Estastística (FEE) para levantar dados relativos à captação e à doação de órgãos. A ideia é verificar as causas da redução no número de doações.

Há 22 mil gaúchos à espera de um transplante

Para dar exemplo, a própria procuradora-geral de Justiça, Simone Mariano da Rocha, doou sangue que será cadastrado num banco de transplantes de medula óssea. A doação foi feita no saguão da sede do MP em Porto Alegre. A iniciativa deu certo. Apenas ontem, 108 pessoas doaram sangue no mesmo local.

– Existem em torno de 2,2 mil gaúchos aguardando por um transplante e, ao mesmo tempo, uma redução no número de doadores. Temos de agir de forma coordenada, articulando ações públicas – justificou a procuradora.

No país, o quadro é oposto. O número de doações aumenta a cada ano. Cresceu 18%, enquanto o de transplantes aumentou 44%. Mesmo assim, a performance média do Estado é melhor. Em território gaúcho, uma em cada três doações em potencial de órgãos se concretiza. No país, apenas uma em cada quatro vira realidade.

humberto.trezzi@zerohora.com.br
HUMBERTO TREZZI

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Folha Online

20/05/2010 - 07h05
Número de doadores de órgãos cresce no primeiro trimestre de 2010 no Brasil
MARIANA PASTORE
Colaboração para a Folha

A ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) divulgou um balanço dos transplantes de órgãos realizados no primeiro trimestre de 2010 que indica que o número de doadores aumentou no Brasil, atingindo 10,2 por milhão de população (pmp).

Segundo a ABTO, em números absolutos foram 485 doadores com órgãos transplantados entre janeiro e março de 2010 (projeção de 1.940 para o ano), contra 378 (8 pmp) no mesmo período do ano passado e 1.658 (8,7 pmp) no total de 2009.

Em entrevista à Folha por telefone, o presidente da ABTO, Ben-Hur Ferraz Neto, explicou que o crescimento se deve a várias ações, entre elas, "a formação de pessoas especializadas nos cuidados com o doador de múltiplos órgãos e na abordagem da família. As equipes são treinada para lidar com todas as etapas do transplante".

Entre os Estados que registraram aumento de doadores neste ano está São Paulo, que cresceu de 15,4 pmp para 22,6 pmp (236 em números absolutos); Ceará, de 11,2 pmp para 19,1 pmp; Distrito Federal, de 9,8 pmp para 18 pmp; Espírito Santo, de 10,2 pmp para 17 pmp; e Paraíba, de 3 pmp para 10,9 pmp.

A meta para o resto do ano é atingir 10 doadores com órgãos transplantados por milhão de população. "Para o próximo trimestre, queremos no mínimo manter essa taxa. Para 2010, esperamos superar a expectativa de 10 pmp", informou o presidente.

O destaque da publicação é a inclusão das estatísticas de sobrevida dos pacientes e enxertos. Para Ferraz Neto, "o mais importante é que a novidade vai permitir análises futuras, onde nos basearemos para promover ações de impacto."

A intenção é que, a médio e longo prazo, seja possível fazer um estudo consolidado dos transplantes realizados em todo o Brasil, promovendo ações que possam resultar em melhorias, de acordo com a ABTO.

Segundo dados fornecidos pelas equipes transplantadoras que atualizaram 100% dos seus transplantes, a sobrevida dos pacientes e enxertos por órgãos foi maior em cirurgias no pâncreas após rim, seguida por rim, fígado, coração e pâncreas/rim.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ABTO - RBT 2010

DADOS DA ABTO - RBT - TRIMESTRE JAN/MAR/2010



ESTADÃO.COM.BR

Doação de órgãos bate recorde; em 3 meses foram 485 doadores
20 de maio de 2010 0h 00
Karina Toledo - O Estado de S.Paulo


O Brasil registrou no primeiro trimestre de 2010 um novo recorde de doação de órgãos e atingiu o índice de 10,2 doadores por milhão de habitantes (ppm), revela relatório que será divulgado hoje pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

Em números absolutos, foram 485 doadores com órgãos transplantados entre janeiro e março de 2010, contra 378 (8 ppm) no mesmo período do ano passado. Em todo o ano de 2009, foram 1.658 doadores efetivos (8,7 ppm). A meta da ABTO é terminar 2010 com 1.940 (10 ppm).

Segundo a entidade, o aumento de doadores em São Paulo é uma das razões para o crescimento das estatísticas brasileiras. Entre janeiro e março de 2010, o Estado registrou taxa de 22,6 ppm, contra 15,4 no mesmo período do ano passado.

A versão 2010 do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) traz também, pela primeira vez, estatísticas de sobrevida dos transplantados.

O documento revela, por exemplo, que 77% de todas as pessoas submetidas a transplante de coração sobreviveram. Entre aqueles que receberam um rim, o índice foi de 98%.






quarta-feira, 19 de maio de 2010

Correio Braziliense

País precisa melhorar serviço de recebimento de órgãos, diz diretor de hospital
Agência Brasil
Publicação: 18/05/2010 21:00

O Brasil precisa melhorar a captação de órgãos para suprir a necessidade crescente de pessoas que aguardam por doações, afirmou nesta terça-feira (18) o diretor do Serviço de Transplantes de Órgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas de São Paulo, Luiz Augusto D'Albuquerque, durante audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.

De acordo com ele, o Congresso Nacional pode ajudar a fazer com que a captação aumente. “O Congresso poderia viabilizar nos hospitais de grande movimento que houvesse uma organização de procura de órgãos que pudesse reconhecer os doadores e assim conseguir a doação desses órgãos.”

Ele disse ainda que um único doador pode chegar a fazer 16 doações para pessoas que estão na fila de transplante de órgãos.

Outra necessidade na área de transplantes foi apontada pelo presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, Ben-Hur Ferraz Neto, que também participou da audiência. Para ele, é preciso maior aperfeiçoamento e reconhecimento dos profissionais que trabalham com transplantes de órgãos.

Ferraz Neto afirmou que essa é uma área que necessita de dedicação quase que exclusiva por parte do profissional.
Por isso, acrescentou, ele deve ter, além de uma boa capacidade técnica, boa remuneração. “Para atingirmos o que precisamos, precisa ser reconhecido e profissionalizado.”

Ele disse ainda que não há em todos os estados profissionais especializados na área de transplante. Mesmo nas unidades da Federação onde há esses profissionais, o número é insuficiente para atender à procura.

A coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Rosana Reis Nothen, afirmou que o programa brasileiro de transplantes é sustentável e tem conseguido aumentar a cada ano o número de transplantes feitos no país. “Desde 2001 e 2002 praticamente dobraram os transplantes feitos no Brasil e também tivemos um aumento no número de tecidos transplantados.”

Ela afirmou ainda que no ano passado houve um aumento de 25% no número de doadores e foram feitos só em 2009 quase 6 mil transplantes.

ATX-BA - Notícias

Campanha Dia Mundial das Hepatites - Grupo Otimismo

terça-feira, 18 de maio de 2010

ATX-BA - NOTÍCIAS




Av. Brigadeiro Faria Lima, 2391 cj. 102
São Paulo - SP - CEP 01452-000
Telefone (11) 3812.3253
secretaria@sbhepatologia.org.br
www.sbhepatologia.org.br





Amanhã, 19/05, é o Dia Mundial das Hepatites e o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, Dr. Raymundo Paraná, estará ao vivo no programa Sem Censura da Tv Brasil, às 16h.

O convidado falará dos diversos tipos da doença, tratamentos, campanhas, cuidados, mitos entre outros temas de interesse da população. Não deixem de assistir.


Ana Paula Ap. Firmino
anapaula@sbhepatologia.org.br

SESAB

SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
12 de maio de 2010

SEMANA ESTADUAL DAS HEPATITES VIRAIS COMEÇA NESTE DOMINGO

As hepatites virais constituem-se um grave problema de saúde pública pela sua distribuição geográfica em todo o mundo, de prevalência variável nas diversas regiões do país. São doenças provocadas por diferentes agentes etiológicos, com tropismo primário pelo fígado, que apresentam características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais semelhantes, porém com importantes peculiaridades. No Brasil há grande variação regional na prevalência de cada um dos agentes etiológicos.

Para marcar a Semana Estadual das Hepatites Virais, no período de 16 a 21 deste mês, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), através do Programa Estadual das Hepatites Virais, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador e membros do Comitê Estadual de Prevenção e Controle das Hepatites Virais promovem extensa programação que será iniciada no domingo (16), com duas caminhadas, das 8h30 às 10h30: a primeira do Farol da Barra ao Cristo, e a segunda do Jardim de Alah ao Aeroclube.

De acordo com a coordenadora do Programa de Hepatites Virais da Sesab, Maria Helena Macedo, o vírus da hepatite B é 100 vezes mais infectivo que o HIV (Aids) e segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem cerca de 350 milhões de portadores crônicos da Hepatite B, 2 bilhões já tiveram contato com o vírus, aproximadamente 2 milhões de infectados no Brasil e 1milhão de mortes/ano no mundo. "O vírus da hepatite C tem cerca de 200 milhões de portadores. É a maior causa de cirrose e câncer de fígado e, na Bahia, apesar das sub-notificações, foram registrados 28.406 casos de hepatites virais no período de 2003 a 2009, com 8.016 casos de hepatite A, 2.939 de hepatite B, 2.171 de hepatite C, 242 de B+C e 117 de A+C", explicou a coordenadora.

Durante a programação, de 17 a 21, a população poderá realizar teste rápido para hepatite B e C
nas seguintes unidades de saúde: 6º. Centro Rodrigo Argolo - Cabula; 7º. Centro Hélio Machado - Itapoã; Centro de Saúde Adroaldo Albergaria - Periperi. Nas unidades do 15º. Centro de Saúde - Vale das Pedrinhas, 18º. Centro de Saúde - Fazenda Grande, Centro de Saúde 7 de Abril e Centro de Saúde Carlos Gomes, serão coletadas amostras para serem encaminhadas ao Laboratório Central (Lacen). No interior, ações serão desenvolvidas pelos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), Serviços de Assistência Especializada (SAE) e Centros de Referência de Hepatites Virais dos municípios.
L.S./M.Tb.909-Ba
/hepatite/semana

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Agência de Notícias da Aids

NOTÍCIAS


Departamento de Aids divulga nota explicando a atual situação da distribuição dos antirretrovirais no país
04/05/2010 - 17h45

O Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde divulgou nesta terça-feira, 4 de maio, uma nota de esclarecimento sobre a atual situação dos medicamentos antirretrovirais que compõem o coquetel antiaids. Leia a seguir a nota na íntegra assinada pela diretora do Departamento, Mariângela Simão.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Sobre a situação de antirretrovirais no país, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais informa:

. O medicamento importado abacavir 300 mg foi liberado pela Receita Federal e já está no almoxarifado do Ministério da Saúde em Brasília. O envio para as unidades da Federação se inicia ainda hoje, via aérea. A quantidade total dessa entrega é de 600 mil comprimidos (10 mil frascos), o equivalente a três meses de tratamento para os pacientes em uso desse medicamento no país. Adiantamos, ainda, que até o fim de maio chega ao Brasil uma nova remessa de 1,8 milhão de comprimidos (30 mil frascos), quantidade suficiente para atender à demanda nacional por mais oito meses. Um terceiro lote de entrega totalizará 5,1milhões de comprimidos, que atenderá o consumo de 2010 e parte de 2011.

. O consumo médio mensal de abacavir 300mg no Brasil é de 222 mil comprimidos. O país possui cerca de 3.700 pacientes em tratamento com esse medicamento.

. Em relação ao estoque de abacavir solução oral, cabe informar que 2.500 frascos estão nesse mesmo lote de entrega. O consumo médio mensal é de 680 frascos. A compra total de abacavir solução oral para atender o ano de 2010 foi de 6.500 frascos.

. Cabe informar que o cronograma de entregas dos medicamentos de produção nacional, a combinação zidovudina + lamivudina (AZT+3TC) e lamivudina 150mg (divulgada na reunião da CNAIDS) foi cumprido integralmente no último dia 30 de abril, regularizando o abastecimento desses produtos. Novas entregas estão programadas mensalmente pelos laboratórios FURP, Farmanguinhos, FUNED, LAFEPE e IQUEDO até o final do ano, o que garante o abastecimento mensal, bem como a recomposição dos estoques de segurança.

. A compra de medicamentos no país segue uma rotina de aquisição estabelecida pelo Ministério da Saúde, cujos contratos da rede de abastecimento para 2011 serão firmados entre setembro e novembro de 2010. Apesar disso, as compras realizadas nos contratos de 2010 incluem a manutenção de estoque estratégico suficiente para atendimento da demanda até junho de 2011.

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais coloca-se à disposição para mais esclarecimentos.


Mariângela Simão

Diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

Ministério da Saúde

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Tarde On Line

CIDADES

29/04/2010 às 22:46

Transplantados de rim ficam sem remédios em 19 cidades do sudoeste
Juscelino Souza l Sucursal Vitória da Conquista


Joselito está usando medicação com validade vencida

Dez anos depois de um bem-sucedido transplante de rim, o vigilante aposentado Joselito dos Santos, de 42 anos, pode voltar à rotina da hemodiálise, em três sessões semanais com quatro horas de duração. O drama não é exclusivo do paciente. Por falta da medicação, pelo menos outros 50 transplantados, que a exemplo de Santos já receberam um rim novo, podem retornar a qualquer momento às salas de hemodiálise, correndo o risco de perder o órgão que lhes foi doado.

O principal motivo para a reversão do quadro estável é a falta, na rede pública de saúde, de medicamentos, como o myfortic, nome fantasia para a substância ativa micofenolato de sódio. O medicamento, que deve ser distribuído gratuitamente pela 20ª Diretoria Regional de Saúde (Dires), é fundamental para os transplantados no controle das funções do organismo. Também está em falta o prograf (tacrolimo), que custa R$ 998,31 na rede farmacêutica privada. Santos ainda tem que fazer uso de outras dez substâncias, mas sem o produto, o transplantado começa a apresentar alterações no corpo, como inchaço de braços, perna e rosto, além de retenção da urina, podendo até comprometer o rim de forma irreversível.

A farmacêutica Cinara Andrade Amaral, da 20ª Diretoria Regional de Saúde (Dires), em Vitória da Conquista, informou que a chegada dos medicamentos consta no relatório da Diretoria de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF), ligada à Superintendência de Assistência Farmacêutica, Ciência e Tecnologia em Saúde da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab). “Mas houve atraso no envio da remessa dos medicamentos, o que geralmente deveria ocorrer até o dia 25 do mês”, assinalou Cinara. Além de Vitória da Conquista, a 20ª Dires atende pacientes de outros 18 municípios da região sudoeste.

A TARDE apurou que os medicamentos em falta no interior já estão no almoxarifado da DAF, em Salvador, em volume suficiente para suprir a demanda por até três meses. Ainda conforme apuração, a falta dos produtos deve-se a uma ação judicial movida por uma das empresas participantes do pregão. Com o ato impugnado, o processo de compra foi prejudicado e somente agora houve a liberação dos lotes.

Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A Tarde desta sexta-feira, 30, ou, se você é assinante, acesse aqui a versão digital.
http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=2273841
Comentário ATX-BA: a falta do fornecimento do imunossupressor (medicamento que evita a rejeição do órgão) para o paciente transplantado vem se repetindo, fato este de extrema gravidade, haja vista que são medicamentos indispensáveis na manutenção do transplante.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ATX-BA

Salvador, 29.04.2010

FALTAM MEDICAMENTOS PARA OS TRANSPLANTADOS DA BAHIA

Como Presidente da Associação de Pacientes Transplantados da Bahia (ATX-BA) venho fazer um apelo às autoridades competentes no sentido de que não deixem faltar os medicamentos (imunossupressores) que evitam a rejeição do órgão transplantado.

Mais uma vez, desde quinta feira passada (22.10.2010), os transplantados da Bahia estão sem a medicação tracolimus de 1mg e 5mg (Prograff) distribuída no Hospital Ana Neri.

Hoje vários pacientes transplantados ligaram para a ATX-BA pedindo socorro, pois, disseram que ao chegarem à farmácia do Hospital Ana Neri para pegar a medicação do mês ouviram que não tinha a medicação e que não havia previsão de chegar.

São pessoas que esperaram anos numa fila para receber um órgão (coração, rim, fígado, pâncreas, etc.) e que na falta destes medicamentos podem retornar para hemodiálise no caso do rim ou mesmo vir a falecer no caso de outros órgãos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Terra Tecnologia

Garota canadense narra em blog "o fim da vida"

Quarta, 28 de abril de 2010, 12h35

Na foto, uma garota frágil com o cabelo amassado, uma menina que já foi rainha de concurso de beleza, mostra um sorriso fraco para a câmera. "Olá mundo", diz Eva Markvoort no vídeo. "Para o meu blog, aos meus amigos, a todos. Tenho uma notícia. É meio difícil de ouvir, mas eu posso contar com um sorriso". Em uma cama de hospital, Eva aparecia sentada, cercada por sua família. "Minha vida está acabando". Eva Markvoort tinha fibrose cística, uma doença incurável que provoca o acúmulo de muco nos pulmões. Ela narrou em um blog ("65_RedRoses") a vida de uma pessoa com uma doença terminal, entre fotos engraçadas com os amigos e com a família.

Eva chegou a receber um transplante em 2007 - há um documentário, também chamado "65 Red Roses", exibido internacionalmente, que fala de sua história, da doença e do transplante - mas menos de dois anos depois seu corpo começou a rejeitar o órgão. Após o documentário - que também foi premiado - ser veiculado, o número de doadores de órgãos aumentou consideravelmente, de acordo com artigo no jornal Vancouver Sun.

E até o fim ela lutou para informar as pessoas sobre a doença e a importância da doação de órgãos. Recebeu inclusive prêmios, entre eles o Summerhayes Award 2010, da Fundação Canadense para a Fibrose Cística no Canadá.

Morte e a era da internet
Médicos especialistas que trabalham com doentes terminais dizem que compartilhar os últimos pensamentos é uma forma de reconhecer que o fim está próximo, mas também desmistifica a morte para os outros. E na era da internet, muitas pessoas aproveitam as redes sociais para refletir online sobre suas vidas.

"O que estamos vendo nesta última década é uma mudança de cultura, que fala abertamente sobre a morte", disse o Dr. Chris Feudtner, diretor de pesquisa do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Infantil da Filadélfia, na Pensilvânia, em reportagem no site da CNN.

"A linha de pensamento é 'Eu ainda estou vivo. Não quero ficar fechado. Quero poder dividir o que estou aprendendo nesta jornada'", afirmou.

Outro médico, David Cassarett, diz que "muitos destes blogs contam o dia a dia das pessoas e são bem honestos, sem mascarar as dificuldades e medos". Trazem desespero, "trazem o que precisamos ouvir", ele diz, mas também falam de esperança.

Eva Markvoort começou seu blog em 2006. Sozinha no quarto - os portadores de fibrose cística ficavam isolados por causa da infecção - ela começou a conversar online com outros pacientes. Quando estava muito frágil, ela ditava para que algum amigo ou familiar escrevesse. "A atividade online, o retorno que ela recebia, tudo tornou-se um foco muito importante para ela", disse sua mãe Janet Brine.

O blog se chama "65_RedRoses" porque, quando criança, Eva não conseguia pronunciar o nome certo da doença (em inglês "cystic fibrosis"). Então fez um trocadilho com 65 ("sixty five", em inglês) e adicionou "red roses" (vermelho era sua cor predileta, e rosa sua flor preferida).

Nos últimos dois anos, o blog conectou-a a mais de um milhão de internautas do mundo todo. O vídeo em que ela aparecia cercada pela família, dizendo estar perto de morrer (gravado cerca de um mês antes da morte), atraiu imediatamente mais de 150 mil page views, e dezenas de milhares nos dias seguintes.

Celebrando a vida
Mas para além da dor, do desconforto e da doença, o tema recorrente do blog era o amor. No vídeo em que fala sobre a morte iminente, ela diz: "Acho que sou muito afortunada, porque eu amei mais do que vocês poderiam pensar, mais do que vocês poderiam imaginar. Então, eu estou comemorando isso: celebrando minha vida".

A menina cresceu em um subúrbio de Vancouver, no Canadá. Gostava de moda e chegou a frequentar a Universidade de Victoria. Usava os cabelos vermelhos e queria ser atriz, mas a doença impediu a continuação da carreira. "Eva encontrou outras maneiras de utilizar essa veia artística, como escrever o blog, por exemplo", afirmou a mãe.

A triste realidade das últimas seis semanas era exposta em seu blog, em posts que falavam de "episódios de horas ofegantes, ondas de náuseas e falta de sono". "Eu estou me afogando nas medicações", ditou ela para que a irmã escrevesse no dia 25 de março último. "Não consigo respirar".

"Este é o fim da minha vida, mas não é o fim do meu amor", disse. Eva Dien Brine Markvoort morreu na manhã de 27 de março, aos 25 anos.

No endereço http://65redroses.livejournal.com/ encontram-se vídeos, os posts de Eva, fotos e relatos da família e amigos sobre o trabalho e a vida da garota. Nesta sexta-feira, dia 30, família e amigos farão uma "Celebração do Amor", um memorial para Eva, em Vancouver, que será transmitido também em seu blog.

Redação Terra
Leia esta notícia no original em:
Terra - Tecnologia
http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI4404694-EI4802,00.html

terça-feira, 27 de abril de 2010

SESAB

SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

26 de abril de 2010
BAHIA GANHA UNIDADE DE REFERÊNCIA PARA DOENÇAS HEPÁTICAS

O governador Jaques Wagner, o secretário da Saúde, Jorge Solla e o reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Naomar de Almeida Filho, inauguraram, na manhã de hoje (26), a Unidade de Alta Complexidade em Hepatologia Professor Gilberto Rebouças (UNACOH), centro de excelência para o tratamento de doenças do fígado, localizada no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hospital das Clínicas). Na oportunidade, foi assinado o contrato para financiamento de serviços de hepatologia e onco-hematologia, esse último para transplante de medula óssea. O governo do Estado investiu R$ 4,2 milhões para garantir o funcionamento dos serviços por um período de seis meses, até que sejam disponibilizados os recursos do cadastramento do Ministério da Saúde.

O novo centro vai proporcionar atendimento ambulatorial e uma enfermaria para internação de casos de alta complexidade, como transplante de fígado. Os recursos viabilizados de mais de R$ 2 milhões em reforma e aquisição de materiais e equipamentos (pelo Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Saúde, e do Ministério da Saúde (MS), através do Fundo Nacional de Saúde) permitiram que fossem implantados 22 leitos, sendo seis semi-intensivos, para pacientes com doenças hepáticas graves ou pós-operatórios de cirurgias hepáticas.

Segundo o secretário Nacional de Vigilância em Saúde, Eduardo Hage, que participou da solenidade representando o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foram investidos R$ 900 mil, pelo MS, em cursos de formação na área de hepatologia para médicos de toda a região nordeste. "A unidade vai ampliar o acesso ao atendimento e diagnóstico, além de preparar profissionais na área. A região precisava dessa unidade", declarou Eduardo Hage.

LACUNA PREENCHIDA
O médico hepatologista Raymundo Paraná, coordenador do Serviço de Hepatologia da UFBa e responsável pela criação da UNACOH, lembrou que até pouco tempo, os usuários do SUS na Bahia tinham sérias dificuldades para o acompanhamento clínico e cirúrgico, uma vez que o único centro de referência em hepatologia, localizado no Hospital Universitário, não possuía uma unidade consolidada. "A implantação do serviço não só preencherá uma lacuna na assistência no Estado da Bahia, como permitirá o treinamento de profissionais, com forte atuação na formação acadêmica," afirmou Paraná, que disse estar realizando "um sonho, depois de muitos anos de luta".

Ainda de acordo com o hepatologista, embora o estado se destaque como um dos pólos mais produtivos do país na área da hepatologia, havia uma grande dificuldade no atendimento a pacientes portadores de doenças do fígado na rede pública, e praticamente só o Hospital das Clínicas presta atendimento a alta complexidade em hepatologia, o que inclui não só os pacientes crônicos com doença hepática avançada, o câncer de fígado, como também o transplante hepático, procedimento realizado nos hospitais Português e São Rafael. O Grupo de Transplante Hepático do HUPES, coordenado pelo médico cirurgião Jorge Bastos, já realizou mais de 128 transplantes, com taxa de sobrevida superior a 80%.

"Pelas dificuldades de infra-estrutura, os pacientes acompanhados pelo grupo necessitam realizar o procedimento em hospitais privados conveniados ao SUS. Atualmente, há um convênio entre o HUPES e o Hospital Português, e os pacientes acompanhados no ambulatório do HUPES realizam o transplante e o acompanhamento pós-transplante naquela unidade. O novo serviço possibilitará que todo o acompanhamento até o transplante hepático, possa ser realizado no próprio Hospital das Clínicas", detalhou Paraná, acrescentando que existem, atualmente, cerca de 350 pacientes em fila de espera para transplante de fígado.




A.G. Mtb 696/Ba
Hepatites/entrega

Estadão.Com.Br

Governo do Rio cria central para transplantes
27 de abril de 2010 0h 00
Bruno Boghossian / RIO - O Estado de S.Paulo

Com o objetivo de recuperar o quadro do sistema de transplantes no Estado, o governo do Rio lançou um programa que pretende aumentar em 127% o número de doadores de órgãos e contornar as falhas dos hospitais da rede pública. Entre as medidas anunciadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, estão a criação de uma central para coordenar os procedimentos de transplante, a remuneração suplementar dos profissionais que realizam as operações e o credenciamento de cinco hospitais privados, que passam a atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, o Rio tem uma média de 4,4 doadores de órgãos por milhão de habitantes - quase metade da média nacional, de 8,7 por milhão. A meta é chegar ao fim do ano com 10 doadores por milhão de habitantes.

Uma nova central vai coordenar a lista única de transplantes do Estado. A partir de agora, os hospitais particulares São Vicente de Paulo, Quinta D"Or , Barra D"Or , Hospital Adventista Silvestre e Hospital de Clínicas de Niterói passam a receber pacientes da fila de transplantes que não puderem ser operados na rede pública.

"Caso haja problemas no centro cirúrgico ou na equipe, por exemplo, o paciente poderá ser operado num desses hospitais privados", disse Côrtes. "No passado, se o hospital público não tinha condições de operar, o órgão era oferecido ao paciente de um hospital privado. Isso acabou", acrescentou.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Estadão.Com.Br

Composto é eficaz contra hepatite C
Ciência. A substância, descrita na última edição da Nature, impede a replicação do vírus e poderá compor um futuro coquetel contra a doença, que dispõe de terapia ineficiente e com muitos efeitos adversos. No mundo há 200 milhões de pessoas infectadas
22 de abril de 2010 0h 00
Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Uma substância descrita na última edição da revista científica Nature apresentou grande eficácia contra o vírus da hepatite C. O composto, batizado de BMS-790052, impede a replicação do microrganismo e poderá ser um dos principais ingredientes de um futuro coquetel contra a doença.

Cerca de 200 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus da hepatite C no mundo. Um porcentual significativo - de 30% a 40% - pode desenvolver doenças hepáticas como cirrose e câncer. Estima-se que 70% dos pacientes na fila de transplante de fígado carreguem o vírus.

O único protocolo terapêutico disponível prevê injeções de interferon alfa e comprimidos de ribavirina. Os remédios não agem diretamente sobre o vírus, mas melhoram a resposta do sistema imunológico. Contudo, têm efeitos adversos sérios, que vão de dor de cabeça e náusea a alterações comportamentais
.

Como o calvário dura de 24 a 72 semanas, muita gente desiste no meio do caminho. A eficácia também não é boa. Nas pessoas infectadas com o genótipo 1 do vírus - o mais comum no País -, menos de 50% dos pacientes respondem de forma satisfatória.

No Brasil, os doentes precisam assinar um termo de consentimento informado para ter acesso aos remédios pelo Sistema Único de Saúde (mais informações nesta página). O documento avisa que a medicação é "contraindicada durante a gestação por causar graves defeitos nos bebês". Além disso, o tratamento é caro: só o interferon alfa pode custar R$ 18 mil, sem contar a ribavirina e exames para verificar a resposta à terapia.

Tal cenário criou uma verdadeira corrida das indústrias farmacêuticas para identificar substâncias que poderiam combater diretamente o vírus. Uma revisão de estudos publicada na revista Viruses há três semanas enumera 28 compostos que já estão na mira dos fabricantes.

Estratégia. Como o HIV, o vírus da hepatite C apresenta alta taxa de mutação. Qualquer terapia vai exigir um coquetel de drogas para explorar mais de um ponto fraco do vírus. Assim, uma única mutação não será suficiente para que o microrganismo se torne imune ao tratamento.

Apenas dois candidatos estão na fase 3 de testes em seres humanos (a última etapa antes da aprovação para venda): o telaprevir - da Vertex Pharmaceuticals - e o boceprevir - da MSD. O telaprevir e o boceprevir agem sobre uma proteína que o vírus utiliza para coordenar seu processo de replicação: a NS3.

O BMS-790052, descrito na Nature, desativa outra proteína - a NS5A. Ainda está na fase 2 de testes em seres humanos, mas já traz resultados promissores: de todas as substâncias estudadas apresentou a mais alta eficácia na menor concentração.

Os testes envolveram 16 pacientes com, no mínimo, 100 mil vírus por mililitro de sangue analisado. Cerca de 100 microgramas do BMS-790052, administrado por via oral, derrubaram a carga viral para até 18 vírus por mililitro de sangue, no limiar do que os testes mais avançados conseguem detectar (aproximadamente 10 vírus por amostra). O efeito persistiu por seis dias após o tratamento.

Espera. Carlos Varaldo, presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite, participou há alguns dias de um congresso mundial em Viena sobre a doença. Varaldo conta que há perspectivas promissoras para as novas drogas, mas "são medicamentos para daqui a dois, três ou mais anos".

Mesmo assim, os autores do trabalho publicado na Nature apontam que o BMS-790052, associado a drogas similares, constitui "um componente valioso de uma provável (futura) terapia que não utilize interferona". E, portanto, sem os efeitos adversos associados.

O BMS-790052 foi descoberto pela indústria farmacêutica Bristol-Myers, utilizando uma técnica computacional para desenvolvimento de novos medicamentos. Os pesquisadores usam um modelo matemático que projeta várias substâncias com potencial de neutralizar as proteínas essenciais para a replicação do vírus. Depois, sintetizam cada um dos compostos e testam sua eficiência in vitro. O novo candidato emergiu de um banco de dados com cerca de um milhão de concorrentes.

Perfil. "São resultados muito interessantes", afirmou a pesquisadora brasileira Elisabeth Lampe, chefe do Laboratório de Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz), no Rio.
Ela coordena um grupo de pesquisa que investiga o genoma das cepas de vírus da hepatite C que circulam no Brasil.
Um dos principais objetivos de seu laboratório é determinar o perfil da epidemia no País e, no futuro, identificar o surgimento de cepas resistentes aos tratamentos. As informações servirão como subsídio para determinar quais drogas devem ser incluídas no futuro coquetel do programa de combate à doença.
Análises genéticas preliminares já mostraram que cerca de 5% dos vírus do genótipo 1 no Brasil já possuem alguma resistência às drogas em teste que atuam sobre a proteína NS3.

Para entender
1. O que é a hepatite C?
Doença causada por um vírus que ataca as células do fígado. Em 15% dos casos, provoca uma infecção aguda que acaba sendo curada pelo organismo. Mas, em 85% dos infectados, evolui para uma forma crônica que pode levar a doenças hepáticas como cirrose e câncer.
2. Como é transmitida?
A doença é transmitida por sangue contaminado. Em circunstâncias raras ocorre a transmissão por via sexual e a transmissão vertical (da gestante para o filho).

CRONOLOGIA
1989
Pesquisadores descobrem o vírus da hepatite C, o mais novo patógeno com grande impacto na saúde pública. Foi estabelecido seu papel na origem de muitas doenças hepáticas.
1993
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu a obrigatoriedade de testes para verificar a presença do vírus da hepatite C em todos os bancos de sangue do País.
2002
Criação do Programa Nacional de Controle de Hepatites Virais. Na época, o governo estimava que havia de 1 a 2 milhões de pessoas infectadas no País. Apenas 5 mil recebiam tratamento.
2009
Incorporação do Programa Nacional de Controle de Hepatites Virais no Programa Nacional de DST/Aids, que passou a se chamar Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.