quarta-feira, 2 de março de 2011

SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA


ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

4 de janeiro de 2011

BAHIA REGISTRA AVANÇOS NA ÁREA DE TRANSPLANTES

Os investimentos feitos pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) na área de transplantes durante o ano passado tiveram um impacto positivo, inclusive em municípios do interior, onde foram registradas as primeiras notificações de morte encefálica e as primeiras doações e captações de órgãos. Em Salvador, o Hospital do Subúrbio contabilizou a primeira captação de órgãos com apenas uma semana de funcionamento, e o Hospital da Criança, em Feira de Santana, realizou sua primeira captação com pouco mais de um mês de inaugurado.

Em todo o estado, a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) registrou, em 2010, um total de 57 doações de múltiplos órgãos, representando um aumento de 7,5% em relação ao ano anterior (2009), quando foram registradas 53 doações. Para o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Eraldo Moura, o número de doações ainda é muito baixo no estado em decorrência, principalmente, do elevado índice de negativa familiar - cerca de 50% das famílias de potenciais doadores não autorizam a doação.

Ampliação do número de leitos de UTI; promoção de cursos de capacitação para profissionais de saúde; desenvolvimento de ações educativas para difundir informações sobre o processo de doação junto à população em geral; estabelecimento de parcerias entre o Sistema Estadual de Transplantes e empresas de ônibus intermunicipais, possibilitando o transporte gratuito de material biológico, e o apoio constante da Casa Civil, disponibilizando transporte aéreo para equipes envolvidas na captação de órgãos foram alguns dos investimentos feitos pela Sesab durante o ano passado, com o objetivo de ampliar o número de transplantes na Bahia.

CAPACITAÇÕES E DIVULGAÇÃO

Um número significativo de profissionais de saúde que atua no Sistema Estadual de Transplantes e em unidades hospitalares públicas e privadas foi contemplado com cursos de capacitação durante o ano passado. O coordenador do Sistema Estadual de Transplante destaca a participação de 10 profissionais em treinamentos realizados nos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, em São Paulo, e a realização, em Salvador, do Curso de Comunicação de Más Notícias. O curso foi viabilizado através de parceria entre a Sesab e o Instituto Nacional de Ablacion e Implante (INCUCAI), instituição argentina que é referência na América Latina para a área de formação de profissionais de saúde em comunicação de más notícias - estratégias utilizadas para o acolhimento e comunicação humanizada de familiares de pacientes com doenças terminais, morte encefálica e outras situações que envolvem prognósticos não favoráveis. O treinamento, que pela primeira vez foi realizado no Norte/Nordeste do país, beneficiou 40 profissionais de saúde de diversos hospitais das redes públicas e privadas, além de profissionais que deverão atuar como multiplicadores.

Foram também promovidos cursos de capacitação em captação de córneas, em extração e perfusão de órgãos, em morte encefálica e de atualização em transplante de órgãos, este último em parceria com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), beneficiando 32 médicos intensivistas, coordenadores de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais públicos e privados de Salvador e municípios do interior.

O médico Eraldo Moura ressalta ainda a realização, no ano passado, do Curso Teórico Prático de Doppler Transcraniano, com o objetivo de capacitar médicos para a utilização do equipamento. O curso foi ministrado pela médica argentina Sílvia Curcurullo, referência na América Latina para a capacitação de profissionais, além de dois cursos para a capacitação de coordenadores de CIHDOTTs - Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante, e um curso de Simulação Realística em Diagnóstico e Manutenção.

No que se refere às ações voltadas para a população em geral, o psicólogo Fabrício Góes, técnico do Sistema Estadual de Transplantes, menciona a participação da Sesab em eventos como a Ação Global, na CajaArte, iniciativa de lideranças comunitárias de Cajazeiras, do evento Senai Casa Aberta e de várias iniciativas do Sesc, sempre com a finalidade de divulgar informações sobre morte encefálica, doação e transplante de órgãos.

A Escola de Educação Percussiva Integral (EEPI) foi também um espaço importante para chamar a atenção para a doação de órgãos. Uma parceria firmada há cerca de seis meses entre a Sesab e EEPI levou aos alunos da escola informações sobre doação e transplante de órgãos. Segundo o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, a parceria faz parte do projeto Educatransplante, que busca levar para estudantes informações sobre o assunto, além de como se prevenir de doenças que podem levar à necessidade de um transplante. "O aluno aprende sobre o tema e também leva a informação para seus familiares e amigos", comentou Eraldo Moura.

"AMIGO DO TRANSPLANTE"

Em 2010, mais uma vez a Sesab fez a entrega do Troféu "Amigo do Transplante", integrando a programação da Semana Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos, comemorada na última semana do mês de setembro, por iniciativa da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Ministério da Saúde e secretarias estaduais de Saúde.

Em sua terceira edição, o troféu, que é uma homenagem a profissionais e instituições que se destacaram no incentivo à doação de órgãos e tecidos, foi entregue às empresas de ônibus Viação Águia Branca, Camurugipe, São Luis e Santana; aos médicos Jorge Bastos, Patrícia Marback, Carlos Marcílio e Margarida Dutra; ao diretor do Hospital Geral Ernesto Simões Filho, César Martins, e ao coronel Expedito Barbosa dos Santos, chefe da Casa Militar do Governo do Estado.

Em 2011, conforme Eraldo Moura, a Sesab deve continuar investindo em campanhas educativas, com o objetivo de conscientizar a população para a importância da doação de órgãos. "Vamos também continuar avançando no projeto de interiorização do programa de transplantes, que já vem rendendo bons frutos, a exemplo das primeiras notificações de morte encefálica em Irecê, Juazeiro, Porto Seguro e Teixeira de Freitas e das primeiras captações de órgãos em Alagoinhas, Santo Antônio de Jesus e Jequié", ressalta o médico.

A implantação da Organização de Procura de Órgãos (OPO) em unidades hospitalares de municípios do interior baiano é outro projeto do Sistema Estadual de Transplante que se encontra em andamento e poderá resultar na ampliação do número de captação de órgãos. As OPOs são equipes médicas responsáveis pela vigilância dos casos de morte encefálica nas unidades de terapia intensiva (UTI) de hospitais de determinada área de abrangência.

FILA DE ESPERA

Existem atualmente, na Bahia, 3.740 pessoas em fila de espera para transplante, sendo 2.621 de rim, 995 de córnea e 124 e fígado. Para Eraldo Moura, a falta de informações adequadas sobre o processo de doação e transplante de órgãos ainda é um dos principais obstáculos para a ampliação do número de transplantes e a consequente redução da fila de espera pelo procedimento. "A Bahia registra um grande índice de negativa familiar, mas é importante lembrar que uma doação pode salvar inúmeras vidas e que qualquer pessoa pode precisar de um transplante e, consequentemente de uma doação", finaliza o médico.

A.G. Mtb 696/Ba
Central de Transplante/balanço

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Folha OnLine

28/02/2011 - 10h58


Nos EUA, nova proposta para doação de rim favorece jovens
GARDINER HARRIS
DO "NEW YORK TIMES"

Pela proposta em estudo na rede norte-americana de órgãos para transplantes, pacientes jovens terão mais chances de conseguir melhores rins que os mais velhos.

Sistema de transplantes cria problemas de distribuição

A nova política substituiria o atual sistema de ordem de chegada (quem chega primeiro, recebe antes o órgão) e tem o objetivo de oferecer um ajuste melhor entre a expectativa de vida de quem recebe o órgão e a vida funcional do rim doado.

"Hoje, se você tem 77 anos e há a oferta de um rim de 18 anos, vai recebê-lo", disse Richard N. Formica, médico especialista em transplantes da Universidade Yale e membro do conselho que redigiu a proposta.

"O problema é que você vai morrer com esse rim ainda funcionando, enquanto alguém de 30 anos poderia ter ganhado esse órgão e vivido para ver os netos se formando na faculdade."

CLASSIFICAÇÃO

Segundo o projeto em discussão, pacientes e rins receberiam uma classificação por idade, e os 20% dos órgãos e das pessoas mais jovens e saudáveis seriam separados em um grupo. Os melhores rins seriam, então, doados para quem tem maior expectativa de vida.

Os 80% restantes dos pacientes ficariam em outra lista de espera de doadores, e a rede nacional de doação de órgãos tentaria garantir que a diferença de idade entre doadores e receptores não fosse maior que 15 anos.

A proposta não resolve as disparidades geográficas que fazem com que pacientes em Nova York e Chicago esperem por muito mais tempo do que os da Flórida.

Essa distribuição local é resultado não só da preocupação com o fato de que órgãos vindos de locais distantes não cheguem a tempo para a cirurgia, mas também das disputas entre os centros de transplante.

Lainie Friedman Ross, diretora do McLean Center para Ética na Clínica Médica, da Universidade de Chicago, disse se opor à nova política porque "o maior problema é a geografia, e não estão fazendo nada para resolvê-lo".

Ross disse que também se preocupa porque toda política que favoreça pacientes mais jovens com rins de doadores mortos pode reduzir a doação ou redirecionar para os mais velhos rins de doadores vivos, que não são tratados na proposta.

Estabelecer cotas médicas é comum nos Estados Unidos, mas isso em geral é feito extraoficialmente.

LISTA DE ESPERA

Propostas para sistematizar cotas raramente são adotadas, e Formica e os outros envolvidos fizeram um enorme esforço para explicar que o projeto não traria desvantagens para a maioria dos pacientes nas listas de espera.

No entanto, Formica admitiu que os pacientes mais velhos teriam maiores dificuldades sob a nova política.

Ross foi mais direta: "Com essa proposta, quem tem 65 anos pode ter que desistir antes de entrar na lista".

Arthur Caplan, diretor do Centro de Bioética da Universidade da Pensilvânia, disse que a política proposta é sensata. "Se a escolha é salvar o avô ou a neta, acredito que você salva a neta primeiro", disse Caplan.

Endereço da página:
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/882082-nos-eua-nova-proposta-para-doacao-de-rim-favorece-jovens.shtml


Links no texto:
Sistema de transplantes cria problemas de distribuição
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/882083-sistema-de-transplantes-cria-problemas-de-distribuicao


Sugerimos a todos que reflitam sobre está matéria, a fim de que seja encontrada a melhor alternativa.
O conteúdo desta matéria diz respeito a toda sociedade e não apenas àqueles que necessitam de doação de um órgão. Dê sua opinião sobre o assunto.

CORREIO DO ESTADO

Sistema de transplantes cria problemas de distribuição

FOLHA ONLINE 28/02/2011 13h19


"Eu só faço o transplante, quem define o critério é a sociedade", diz o nefrologista José Medina Pestana, chefe do setor de transplantes renais do Hospital do Rim da Unifesp.

Segundo ele, a discussão sobre a norma que deve prevalecer contrapõe duas visões filosóficas.

De um lado, uma visão utilitária, que vê no jovem a possibilidade de viver mais anos. De outro, uma visão humanista, que crê que os receptores mais velhos não podem ser preteridos depois de passarem anos contribuindo para a sociedade.

No Brasil, salvo quando o rim é de doador menor de 18 anos, a idade não define a preferência na fila de espera. Naquela hipótese, o rim do menor de idade é destinado a quem também tem menos de 18.

No caso dos rins, o que define a ordem do transplante é a compatibilidade; a ordem na fila é critério de desempate, o que permite a uma pessoa com mais de 60 receber o rim de um jovem e vice-versa.

Para o urologista William Nahas, chefe da unidade de transplante renal do Hospital das Clínicas, a proposta de adequar a doação à idade do receptor seria ideal, mas esbarra em problemas, como a necessidade de criar duas listas separadas.

"Isso poderia prejudicar a distribuição de rins. Teria que ser possível, mas sem quebrar o sistema."

Para Leonardo de Barros e Silva, coordenador do serviço de transplantes do Hospital das Clínicas, o problema é que, seja qual for o critério, há poucos rins para transplante.

"O ideal é que houvesse órgãos para todos, mas o número é pequeno. Alguém sempre sairá prejudicado. Não sei se esse seria o método mais justo."

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

ABTO - RBT ANUAL JAN/DEZ 2010

 ABTO - RBT JAN/DEZ 2010

DADOS GLOBAIS DA CAPTAÇÃO DE ÓRGÃOS POR ESTADO Anual - 2010
CAUSAS DA NÃO-EFETIVAÇÃO DA DOAÇÃO POR ESTADO - Anual - 2010

TRANSPLANTES REALIZADOS 2010 POR ESTADO 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Diário do Pará.com.br

Hepatite C atinge 8% de renais


A hepatite C é a que tem maior prevalência em todo o mundo. Estima-se, atualmente, que cerca de 3% da população mundial seja portadora de infecção crônica associada ao vírus, o que corresponde a aproximadamente 170 milhões de pessoas. No Brasil, de acordo com dados parciais do Inquérito Nacional de Hepatites Virais, em média 1 a 2% da população deve possuir a doença. O que mais chama a atenção, porém, é a maior vulnerabilidade dos pacientes renais crônicos que fazem hemodiálise. Eles possuem de 7 a 30 vezes mais chances de contrair a doença em relação à população geral. No Pará, segundo dados da Sespa, 109 das 1.547 pessoas que faziam hemodiálise em 2009 eram portadoras crônicas da infecção.

Pouca gente sabe, mas, de acordo com o último levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, 8% das pessoas que necessitam de hemodiálise possuem o vírus HCV, causador da hepatite C. Isso porque, segundo a médica Dauana Bastos, mestre em hepatologia, o vírus é transmitido principalmente por sangue e fluidos contaminados e os renais crônicos têm contato diário com sangue nas sessões de hemodiálise, onde as partículas do vírus podem ficar retidas no equipamento de diálise, assim como em superfícies expostas ao vírus.

“Existem poucos estudos na área sobre o assunto, mas os resultados nacionais apontam uma distribuição desigual no território brasileiro, com taxas que chegam a atingir 90% em alguns centros de hemodiálise”, explica a médica.

Em sua tese de mestrado, apresentada recentemente em São Paulo, ela alerta que o exame utilizado atualmente para o diagnóstico não é o mais eficaz e que, por isso, muitos doentes deixam de ter o vírus identificado e acabam passando também para outras pessoas durante a hemodiálise.

“A transmissão ocorre através do uso de máquina e equipamentos de diálise contaminados com o vírus e também pelo contato ambiental, ou seja, através de mãos ou objetos de pacientes portadores de hepatite C que entrem em contato com pacientes renais crônicos sem o vírus sem tomar medidas de prevenção, como o uso de luvas ou a lavagem periódica das mãos”. O que mais assusta, ainda, é que, das pessoas que entram em contato com o vírus, cerca de 80% acabam cronificando”, afirma Dauana Bastos.

COMO DETECTAR

Autora de capítulos publicados no livro Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar – Hepatologia, da Universidade Federal de São Paulo, a especialista explica que existem diferentes tipos de exames para detectar a presença do vírus, e que um é mais adequado do que o outro para os pacientes de hemodiálise.

“O problema é que esse exame é mais caro e indisponível no Brasil e, por isso, geralmente não é utilizado na rede pública do país. Para diminuir esse quadro, a melhor maneira seria dar mais atenção ao diagnóstico da doença, com implementação de testes rotineiros”, diz. (Diário do Pará)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

ESTADÃO.COM.BR

Estadão.com.br/Vida


Órgãos do papa não podem ser doados, diz Vaticano
04 de fevereiro de 2011 10h 03
REUTERS

CIDADE DO VATICANO (Reuters Life!) - O papa Bento 16 abriga no seu coração muito carinho pela causa da doação de órgãos, mas nenhuma parte do seu corpo poderá ser usada para salvar vidas após a sua morte, segundo o Vaticano.

Um médico da Alemanha tem usado o fato de o papa possuir um cartão de doador de órgãos, emitido por uma associação médica, para promover essa prática. O Vaticano diz que já pediu que ele pare com isso, mas o médico se recusa.

Para resolver a questão, o secretário particular do papa, monsenhor Georg Gaenswein, enviou uma carta ao médico, cujo teor foi noticiado no programa em alemão da Rádio do Vaticano.

"É verdade que o papa tem um cartão de doador de órgãos (...), mas, contrariando a opinião pública, o cartão emitido na década de 1970 na prática se tornou inválido com a eleição do cardeal (Joseph) Ratzinger para o pontificado", diz a carta.

Em 1999, seis anos antes de ser eleito papa, Ratzinger divulgou que sempre andava com o cartão de doador, e estimulou as doações como sendo "um ato de amor".

O Vaticano diz que, quando um papa morre, seu corpo pertence a toda a Igreja, e precisa ser sepultado intacto. Além do mais, se órgãos do pontífice fossem doados, eles se tornariam relíquias em outros organismos caso o papa seja declarado santo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

SESAB

SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA


ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
24 de janeiro de 2011


DIRETOR DO HOSPITAL DO RIM E HIPERTENSÃO DE SÃO PAULO SE VISITA A SESAB

O diretor do Hospital do Rim e Hipertensão, o médico José Medina Pestana, esteve nesta segunda-feira (24) na Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) onde se reuniu com a diretora de Atenção Especializada, Ledívia Espinheira, e com o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Eraldo Moura. O médico veio apresentar como o sistema de transplantes está organizado no estado de São Paulo. José Medina falou da implantação da Organização de Procura de Órgãos (OPO) que é responsável pela identificação dos doares, dos receptores e também tem o papel de comunicar a família.

Segundo José Medina, um dos grandes problemas da doção de órgão é a recusa da família. O diretor do hospital afirma que um dos modos de se diminuir isso é organizando o sistema e fazendo com que a população tenha mais conhecimento de como se dá o processo da doação de órgão.

L.R. DRT 2.600/BA

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Página Einstein

A esperança de volta com o transplante de órgãos


Brasil se prepara para realizar o primeiro transplante multivisceral, em que os órgãos abdominais são transplantados juntos.

Ainda em 2010 poderá ser realizado no Brasil o primeiro transplante multivisceral, em que três ou mais órgãos abdominais – estômago, intestino delgado, pâncreas e fígado – são transplantados juntos, de uma só vez. Indicado nos casos de doenças extremamente graves do aparelho digestivo, esse procedimento é uma das únicas alternativas terapêuticas para pacientes com altíssima probabilidade de morte em curto prazo (dois ou três anos).

O pouco conhecimento das pessoas sobre esse tipo de transplante faz com que se confunda o transplante multivisceral com o de múltiplos órgãos. Na verdade, a única semelhança está no fato de que, em ambos, um mesmo receptor recebe vários órgãos. O multivisceral tem como diferencial técnico o transplante em bloco, enquanto o de múltiplos órgãos é realizado com o transplante de um órgão de cada vez.

Os primeiros transplantes em bloco de órgãos abdominais foram feitos na década de 80 nos Estados Unidos. Nos últimos 10 anos, com o avanço das técnicas cirúrgicas e o aprimoramento dos medicamentos contra rejeição, o procedimento passou a apresentar excelentes resultados. Levantamentos de centros médicos norte-americanos e ingleses mostram que, um ano após terem sido submetidos ao transplante multivisceral, 70% a 80% dos pacientes apresentam qualidade de vida muito boa.

Por ter indicações bastante específicas, o volume de transplantes multiviscerais é pouco representativo. Mesmo em países onde é praticado há anos, como os Estados Unidos e a Inglaterra, não são feitos mais do que 50 por ano. No Brasil, estima-se que 400 pessoas sejam elegíveis para esse tipo de procedimento. São portadores de problemas como obstrução de veias abdominais, doenças congênitas do aparelho digestivo e tumores envolvendo várias vísceras abdominais. Crianças com malformação intestinal ou que precisaram ter grande parte do intestino removida também são candidatas ao procedimento.

Centros médicos norte-americanos e ingleses mostram que, um ano após terem sido submetidos ao transplante multivisceral, 70% a 80% dos pacientes apresentam qualidade de vida muito boa.

Instituições de referência na realização de transplantes no Brasil vêm trabalhando com o Ministério da Saúde em prol da regulamentação dos transplantes multiviscerais. Com isso, o procedimento seria incluído no Programa Nacional de Transplantes, tornando-se acessível pelo Sistema Único de Saúde.

Para que essas instituições realizem o procedimento no Brasil com os mesmos índices de segurança e êxito dos países de referência, será necessária a implantação de uma infraestrutura complexa de tecnologia hospitalar, que vai além do treinamento das equipes – cirurgiões, anestesistas, profissionais de laboratórios, nutricionistas, etc. É preciso criar um sistema de acompanhamento pós-operatório, pois pacientes submetidos a esses transplantes devem realizar semanalmente um grande número de exames a fim de monitorar o sucesso do procedimento.

Mas, em se tratando de custo/benefício, não há dúvida de que a relação é amplamente compensadora. Afinal, não pode haver benefício maior do que oferecer a alguém com risco de morte iminente a possibilidade de uma sobrevida com qualidade.

Fonte:

http://www.einstein.br/pagina-einstein/Paginas/a-esperanca-de-volta-com-o-transplante-de-orgaos.aspx

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ESTADÃO.COM.BR/Vida

Saúde estuda mudar remédio contra hepatite C
Ministério deve abrir licitação para compra de medicamento de apenas um fabricante; medida desagrada portadores
11 de janeiro de 2011 / 0h 00
Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

Grupos de portadores de hepatite C vão entrar nesta semana com uma representação no Ministério Público Federal contra o Ministério da Saúde. O objetivo é obrigar a pasta a manter, na rede pública, o fornecimento de dois tipos de interferon peguilado - principal droga usada no tratamento da doença.

O SUS oferece atualmente o Interferon Alfa 2a - comercialmente conhecido como Pegasys e fabricado pela Roche - e o Interferon Alfa 2b - chamado Peg-Intron, da Merck Sharp & Dohme. O ministério estuda realizar uma licitação para comprar a droga de apenas um fabricante, a um custo mais baixo.

Embora tenham o mesmo princípio ativo, os dois medicamentos são metabolizados de forma diferente pelo organismo. "Existem pacientes que não respondem a uma droga e se curam com a outra. Portanto, é preciso manter as duas", afirma Francisco Martucci, do grupo C Tem Que Saber C Tem Que Curar.

Procurado pela reportagem, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde informou que as duas fórmulas continuarão disponíveis. "Uma das formulações abastecerá a necessidade nacional, enquanto a outra será adquirida especificamente para completar o tratamento dos pacientes em uso, evitando interrupções, e para atendimento de situações especiais", diz a nota do departamento.

"Claro que seria melhor se o médico pudesse escolher a fórmula mais indicada para cada paciente, mas não acredito que vai aumentar o número de mortes", afirma Juvencio Furtado, da Sociedade Brasileira de Infectologia. Para ele, mais importante é garantir tratamento para os quase 4 milhões de brasileiros portadores da doença, que mata 12 pessoas por dia no País.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Jornal do Comércio

Hepatites podem ser contraídas pelas unhas


Manicures e pedicures já integram o grupo prioritário para a vacinação
Jessica Gustafson, especial para o JC
ANA PAULA APRATO/JC


A esterilização do material usado é a melhor forma de prevenir a doença.Manter as unhas sempre bonitas é uma meta de quase todas as mulheres. O que muitas não sabem é que esse ato aparentemente inofensivo de ir à manicure pode vir a trazer sérios problemas. A transmissão do vírus da hepatite C e B pode estar relacionada com a má esterilização dos utensílios que entram em contato com as unhas dos clientes.

A Hepatite C é contraída pelo sangue contaminado e pode se tornar crônica, provocando cirrose e o hepatocarcinoma, proliferação celular anormal maligna do fígado. Já a Hepatite B é mais facilmente transmitida por este meio e também oferece risco de se tornar crônica, se apresentando de forma mais severa em pessoas com baixa imunidade.

“A transmissão ocorre na retirada da cutícula, quando um instrumento não esterilizado causa ferimento – a chamada transmissão vertical. O problema é que muitas vezes não se nota, pois pode não sangrar”, alerta Fabrício de Souza Campos, secretário-executivo da Sociedade Brasileira de Virologia. Segundo ele, a esterilização não se dá só com álcool, precisando o instrumento ficar 15 minutos em temperatura de 121 graus.

Hoje, a fiscalização ainda não é realizada nestes locais e nem padrões são definidos por lei. “O correto seria a inspeção. No momento, não há nenhuma lei que obrigue os estabelecimentos a seguirem estas recomendações”, finaliza Campos.

As manicures e pedicures já integram hoje o grupo prioritário para a vacinação contra a Hepatite B e as doses podem ser encontradas em qualquer posto de saúde durante o ano inteiro. Em 2009, uma pesquisa realizada em São Paulo constatou que 20% das manicures ouvidas no município tinham Hepatite B.

Segundo Eduardo Lutz, médico infectologista, a doença pode ser contraída até mesmo pelo sangue seco. “A Hepatite B sobrevive mais, porém a C é mais perigosa, apresentado apenas 40% de chance de cura”.

Atento a este problema, o Ministério Público do Estado lançou no ano passado a Cartilha Eletrônica de Prevenção das Hepatites Virais, explicando a doença, sua transmissão, prevenção e vacinação. O Ministério da Saúde também lançou uma cartinha instruindo os clientes a levarem seu próprio material aos salões de beleza.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Notícias ATX-BA

Mensagem

Nós, pacientes transplantados de coração, rim, fígado, medula óssea, pâncreas, córnea, associados da ATX-BA, queremos começar o ano de 2011 agradecendo:
- A “força maior” que faz com que a vida recomece através de um transplante;
- Ao doador de órgãos e tecidos que tem o privilégio de experimentar algo divino, dando a “vida” ao seu próximo através da doação;
- A todos que apoiaram a nossa luta dando uma oportunidade de viver com qualidade de vida, seja doando alimentos, medicamentos, nos abrigando numa nova sede, lutando pela “doação de órgãos e tecidos” e falando dela nas Câmaras de Vereadores ou Assembléias Legislativas de todo País;
- A imprensa pela divulgação da nossa luta através dos jornais, rádios, televisões;
- Àquele que nos abastece de amor e carinho através de um olhar, de uma palavra, da presença, nos dando a certeza que a nossa luta pela “vida” não é solitária e sim solidária.
                                                 
Este é o nosso desejo.
FELIZ ANO NOVO.
ATX-BA

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ABTO

 Declaração de Istambul

Pensando em Comprar um Rim ? PARE !
O que você precisa saber


 

Fonte: ABTO (http://www.abto.org.br/)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

www.hepato.com

WWW.HEPATO.COM

Agência de Notícias das Hepatites
30/11/2010

AIDS, Hepatite C e Tuberculose no Dia Mundial da AIDS

Muitos estarão perguntando por que estou escrevendo sobre AIDS em uma página de hepatites, mas amanhã, 1° de dezembro, é o Dia Mundial da AIDS e a luta e resultados conseguidos nessa epidemia merecem uma reflexão. Acredito que o dialogo, a troca de experiências, as ações de governo e da sociedade civil podem ser beneficiadas ao comparar alguns dados.

Para os que não conhecem os conceitos da epidemia de AIDS é importante esclarecer que existem pessoas que não precisam de tratamento, pois são simplesmente portadores do vírus HIV não existindo ataque ao sistema imunológico já, quando o HIV ataca o sistema imunológico o individuo passa a estar doente de AIDS.

Poderão então os epidemiologistas afirmar que o perigo da AIDS se transformar em uma pandemia não mais existe, passando então a ser uma epidemia. Isso resultou do excelente trabalho de pesquisas em relação ao conhecimento do vírus, a excelente divulgação que foi dada em todo o mundo, a preocupação das autoridades e ao engajamento da sociedade civil organizada no enfrentamento de uma doença mortal, mas com tudo isso novos casos de infecção não param de aparecer. Comemoramos que os casos de AIDS estão descendo, mas é muito preocupante que os diagnósticos de HIV estão aumentando. O que está acontecendo?

A AIDS, com o tratamento antirretroviral deixou de ser uma doença mortal para se transformar em doença crônica, levando um considerável número de pessoas a acreditar que tendo tratamento deixou de ser perigosa e por tanto pode se relaxar em relação à prevenção, inclusive, por ser o preservativo a melhor forma de prevenção alguns fazem uma verdadeira “roleta russa” e ignoram o uso para ver se ficam, ou não, contaminados. A psicologia deveria pesquisar o porquê dessa mudança de comportamento na sociedade. Foi a massificação das informações, foi o sucesso dos medicamentos que evitam a morte, continua sendo o estigma do fato que usar o preservativo poderia indicar ao parceiro que “estou” infectado?

Existem outros fatores muito preocupantes. A AIDS foi por muitos anos estigmatizada como uma doença de homossexuais, mas hoje em muitos países a maioria das novas infecções corresponde a heterossexuais, também, já é observado que a idade das pessoas diagnosticadas está aumentando, indicando provavelmente que tais pessoas ao desconhecer sua condição estão disseminando a doença. Fica aqui perguntar por que as pessoas deixam de procurar a realização do teste, pode ser por medo de saber ou por medo de se identificar e com isso ficarem estigmatizadas. Um ponto que deve ser repensado, pois provavelmente o teste anônimo como era ao inicio da epidemia tenha sido a estratégia ideal.

E falando em mortes. Será que ninguém mais morre pela AIDS como é divulgado na mídia. OK é possível chegar aos 70 anos tomando antirretrovirais, porém hoje as maiores causas de mortes em indivíduos com AIDS são a tuberculose e a hepatite C, esta última em maior prevalência.

Diversas pesquisas indicam que entre 8 e 10% dos infectados com HIV estão com tuberculose e, entre 20 e 30% co-infectados com a hepatite C. A AIDS diminui as defesas do organismo o que facilita a ação do bacilo da tuberculose e, o tratamento antirretroviral prejudica o fígado, ocasião em que o vírus da hepatite C aproveita para destruí-lo totalmente. Indivíduos co-infectados com AIDS e hepatite C morrem muito jovens, mal chegando aos 50 anos se não diagnosticados precocemente e corretamente tratados da hepatite C.

É nesse ponto que fico altamente preocupado, motivo deste texto. Semana passada fui convidado a participar de uma mesa para explicar as hepatites durante o 15° VIVENDO AIDS. A platéia era de ativistas e voluntários na luta contra a AIDS, mas o desconhecimento dos estragos que a hepatite pode causar era muito grande. Alguns infectados nada sabiam e, outros, moradores do interior do Brasil, relatavam o atendimento médico que estavam recebendo, se é assim que podemos chamar isso de atendimento, pois ouvi coisas de arrepiar. Saí de lá pensando no triste prognostico que esses infectados possuem, de como irão morrer ainda na fase mais produtiva da sua vida.

Com este texto, sem nexo nem cabeça, onde fui colocando pensamentos variados, sem nenhuma ordem e do qual não farei releitura nem correções, espero abrir discussões sobre a necessidade de pensarmos se tudo o que realizamos nestas quase três décadas de enfrentamento da AIDS deu certo ou errado. Com certeza muita coisa deu certo e devemos aplaudir, mas criteriosamente devemos avaliar, também, o que deu errado e consertar antes que o caminho continue errado. A experiência é fantástica e pode ser melhorada ainda mais.

Carlos Varaldo

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Portal Infonet

Liminar obriga o Estado e o Município de Aracaju a cadastrar novas clínias de transplante
O MP através da Promotoria da Saúde promoveu uma ação pública de pedido liminar a favor de denúncias de pacientes que necessitam de transplantes de córnea.
22/11/2010


A promotora Euza Missano ressalta a longa fila de espera de transplantes (Foto: Portal Infonet)


O Ministério Público do Estado (MP), através da Promotoria da Saúde, conseguiu liminar a favor de denúncias de pacientes que necessitam de transplantes de córnea e não são atendidos devido ao baixo número de cirurgias oferecidas pelas clínicas credenciadas no Estado.                           

De acordo com a promotora Euza Missano, a liminar pede que o Estado e o Município de Aracaju apresentem em 48 horas a lista de cidadãos que estão na fila para transplante, promovendo o pagamento do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para que realizem os procedimentos em outros locais.

Ela explica que muitas vezes há córneas disponíveis para transplante, mas o procedimento não é realizado, pois as clínicas habilitadas não têm um teto suficiente para fazer. “O que ocorre é que esses órgãos acabam sendo enviados para outros Estados, sendo que temos uma longa fila de 300 pessoas à espera”, disse.

No entanto, a sistemática do TFD acaba gerando prejuízo ao cidadão. “As pessoas que necessitam do transplante recebem do Estado antecipadamente as passagens. Já as diárias de hospedagem são pagas depois que o cidadão retorna”, explica a promotora Euza Missano. Por isso, acrescenta ela, muitas vezes o cidadão deixa de viajar porque não tem dinheiro para pagar a estadia.

Decisão

A liminar determina, ainda, que o Município mantenha o limite de 20 cirurgias por mês nos dois locais que já realizam os procedimentos e que em 30 dias cadastre novas clínicas considerando o caráter emergencial de contratação. Nesses novos contratos devem ser realizadas ao menos 10 cirurgias por mês. caso haja descumprimento será aplicada uma multa de R$ 1 mil por dia. A decisão foi expedida pela juíza de direito Simone de Oliveira Fraga, pela 3ª Vara Cível da Comarca de Aracaju.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Notícias ATX-BA

Agência doa campanha para associação de doação de orgãos.


'Você sempre doou o que não lhe servia mais. Faça o mesmo com seus órgãos'

A Abril todos os anos premia grandes talentos da publicidade. Em 2008, um dos prêmios me chamou muito a atenção. Foi uma criação da agência Propeg, sobre doação de orgãos da ATX-BA. Uma campanha adorável, o prêmio realmente foi merecido, hoje o que essa agência fez, é incomum.

Que agência doaria uma campanha, quando a maioria quer ultrapassar as outras agências e simplesmente lucrar?


Quero associar essa campanha com a frase de Murray que vi no blog do admirável JJ.

"A publicidade é o único negócio
onde os clientes que tem mais
dinheiro podem fazer exigências
até que obtenham da agência
o seu pior produto, enquanto que o
cliente pequeno, com pouco dinheiro,
deve covardemente aceitar o que
a agência faz de melhor."


Thomas D. Murray

"Aceitar o que a agência faz de melhor:" A propeg doou a campanha para a Associação de Pacientes Transplantados da Bahia. Adorei o ato, adorei a campanha.

Criadores da campanha: Ana na Luisa Almeida, Ariston Quadros, Lilian Cavalcante. Fotografia ?: Saulo Kainuma, Ary Falcão. Agência:

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

DIA MUNDIAL DA DIABETE

Em 14 de novembro é comemorado o Dia Mundial do Diabetes. A data foi definida pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), entidade vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), e introduzida no calendário em 1991, como resposta ao alarmante crescimento do diabetes em todo o mundo.

Em 2007, a Assembléia-Geral da ONU aprovou a Resolução nº 61/225, considerando o diabetes um problema de saúde pública e conclamando os países a divulgarem esse dia como forma de alerta e os governos a definirem políticas e suporte adequados para os portadores da doença.

Por coincidência, também em 2007, entrou em vigor, no Brasil, a Lei nº 11.347/2006 de autoria do ex-senador José Eduardo Dutra, que dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos, e materiais necessários à sua aplicação, para o tratamento de portadores de diabetes, reforçando, assim, a garantia constitucional do Sistema Único de Saúde (SUS) de atendimento universal e equânime.

A LOGO MUNDIAL Logo Diabetes


O símbolo global do diabetes é o círculo azul. Criado como parte da campanha mundial de conscientização “Unidos pelo Diabetes”, ele foi adotado em 2007. O círculo simboliza a vida e a saúde, e o azul reflete o céu que une todas as nações. A junção do círculo com a cor azul significa a unidade da comunidade global em resposta à epidemia do diabetes e funciona como um estímulo para a união da luta de controle da doença em todas as nações.

Fonte: Portal da Saúde/MS

sábado, 30 de outubro de 2010

Notícias ATX-BA

Pra todos os médicos e pacientes transplantados ou não tomarem conhecimento da portaria abaixo:

PORTARIA Nº 2981 DE 26 DE NOVEMBRO DE 2009 (*)
Aprova o Componente Especializado da Assistência Farmacêutica.

A - Da solicitação

Art. 30. A solicitação de medicamentos corresponde ao pleito do paciente ou seu responsável na unidade designada pelo gestor estadual conforme art. 27 desta Portaria. Para a solicitação dos medicamentos serão obrigatórios os seguintes documentos do paciente:
I - cópia do Cartão Nacional de Saúde (CNS);
II - cópia de documento de identidade – caberá ao responsável pelo recebimento da solicitação atestar a autenticidade de acordo com o documento original;
III - Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos do Componente especializado da Assistência Farmacêutica (LME), adequadamente preenchido;
IV - prescrição médica devidamente preenchida;
V - documentos exigidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas publicados na versão final pelo Ministério da Saúde, conforme a doença e o medicamento solicitado; e
VI - cópia do comprovante de residência.

Art. 31. No processo de solicitação, o paciente poderá designar representante(s) para a retirada do medicamento. Para o cadastro de representante(s) serão exigidos os seguintes documentos, que deverão ser apresentados e inseridos junto com os documentos para a solicitação: declaração autorizadora, nome e endereço completos, cópia do documento de identidade e número de telefone da pessoa autorizada.

Parágrafo único. Fica dispensada a presença dos pacientes aqueles considerados incapazes, conforme arts. 3º e 4º do Código Civil, e devidamente caracterizados no LME, pelo médico prescritor.

Art. 32. Cada usuário deverá ter apenas um único cadastro no Componente, independente do número de LME vigentes.

B - Da avaliação

Art. 33. O avaliador deverá ser um profissional de saúde com ensino superior completo, registrado em seu devido conselho de classe e designado pelo gestor estadual.

Art. 34. Para a avaliação técnica da solicitação dos medicamentos, deverão ser considerados os documentos exigidos no art. 30, observando-se:
I - Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (LME), adequadamente preenchido, de acordo com as instruções apresentadas no Anexo V a esta Portaria;
II - prescrição médica contendo as informações exigidas na legislação vigente; e
III - todos os documentos exigidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas publicados na versão final pelo Ministério da Saúde, conforme a doença e o medicamento solicitado.

Parágrafo único. A análise técnica da solicitação deve ser realizada considerando os campos referentes à avaliação descrita no LME, conforme as instruções apresentadas no Anexo V a esta Portaria.

CAPÍTULO VIII - DO LAUDO PARA SOLICITAÇÃO, AVALIAÇÃO E AUTORIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS DO COMPONENTE ESPECIALIZADO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA

Art. 70. O Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (LME) é o instrumento que deve ser utilizado para execução deste Componente.

Art. 71. O modelo do LME que deverá ser utilizado no âmbito deste Componente e as instruções para o adequado preenchimento estão descritos no Anexo V a esta Portaria.
§ 1º O LME estará estruturado para que seja preenchido com informações sobre a solicitação, avaliação e autorização do procedimento.
§ 2º O preenchimento da solicitação deverá ser realizado pelo médico solicitante. Os campos relativos aos dados complementares do paciente poderão ser preenchidos por outro profissional, desde que cadastrado no mesmo estabelecimento de saúde do médico solicitante.

Art. 72. Para cada doença, definida de acordo com a Classificação Estatística Internacional de doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), haverá a necessidade de preenchimento de um LME.
§ 1º Cada LME corresponderá a uma única APAC.
§2º Em caso de solicitação de mais de cinco medicamentos para a mesma doença (CID-10), o mesmo médico deverá preencher mais de um LME. Nesse caso, deverá ser emitido apenas um número de APAC.
§ 3º Durante o período de vigência da APAC de um LME será permitido o ajuste da solicitação da seguinte forma: substituição, inclusão ou exclusão de procedimentos para o tratamento da mesma doença (CID-10) ou alteração da quantidade solicitada pelo médico, caracterizando adequação do LME.
§ 4º Nos casos em que o medicamento não tiver indicação para utilização contínua, deverá ser emitida APAC única, que corresponderá apenas ao mês de atendimento.

Art. 73. Será permitida a emissão de mais de uma APAC dentro do mesmo período de vigência, nos casos de pacientes diagnosticados com mais de uma doença (CID-10).

Art. 74. O LME terá sessenta (60) dias de validade para solicitação do medicamento, a partir de sua data de preenchimento pelo médico solicitante.

Art. 75. Para cada LME deverá ser emitido um parecer do avaliador.

Parágrafo único. Caso seja solicitado mais de um medicamento no mesmo LME, a avaliação poderá possuir mais de um parecer.

Art. 76. O LME será assinado somente pelo autorizador nos casos de deferimento de um medicamento pelo avaliador.

Art. 77. Esta Portaria entrará em vigor após noventa (90) dias da sua publicação.

(*)
Publicada no Diário Oficial da União n° 228 de 30 de novembro de 2009, Seção I, página 725
Republicada no Diário Oficial da União n° 229 de 01 de dezembro de 2009, Seção I, página 71
Alterada pela Portaria GM/MS nº 343 de 22 de fevereiro de 2010, publicada no Diário Oficial da União n° 36 de 24 de fevereiro de 2010, Seção I, página 55, retificada no Diário Oficial da União n° 41 de 03 de março de 2010, Seção I, página 82



quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Estadão.com.br

ESTADÃO.COM.BR/Opinião
Presente e futuro do transplante de órgãos

27 de outubro de 2010 0h 00
Silvano Raia - O Estado de S.Paulo

Com o apoio irrestrito do Ministério da Saúde, o programa de transplante de órgãos acompanhou o marcante desenvolvimento ocorrido na última década em outros setores do Brasil. Somos o país com o maior programa público - o investimento em 2001 foi de R$ 250 milhões, enquanto o de 2009 foi de mais de R$ 1 bilhão; e de 3.957 transplantes de órgãos sólidos realizados em 2001 passamos a 6.456 em 2010. O número de doadores efetivos por ano passou de 5,4 para 9,9 por milhão de habitantes. Sobressaíram os transplantes de rim e fígado, que atenderam, respectivamente, a 37,3% e 34,7% da demanda teórica total do País.

Se as curvas de crescimento da captação e dos transplantes de rim e fígado mantiverem a mesma inclinação dos últimos anos, atingiremos, teoricamente, o atendimento completo entre 2020 e 2025. Entretanto, esse objetivo auspicioso só poderá ser atingindo se forem desenvolvidos centros de transplante também nos 15 Estados (polos locais), com cerca de 60 milhões de habitantes, que ainda não realizam transplantes. De fato, seria inútil aumentar o programa dos Estados litorâneos onde se localizam atualmente os centros transplantadores. Além da dificuldade logística do translado dos receptores, essa hipótese não resolve a questão, já que não inclui o diagnóstico e a indicação, que deverão ser realizados obrigatoriamente nos polos locais. A solução desse problema ético, médico e social depende da distribuição uniforme de centros transplantadores em todo o País.

Representa, entretanto, uma tarefa difícil e inédita, qual seja, a de induzir a formação de centros de medicina de ponta em Estados ainda deles desprovidos. Trata-se de sensibilizar os governos estaduais para destinar recursos e formar equipes ex novo pela capacitação de todos os seus futuros componentes. Essa iniciativa é muito diferente daquela que visa a aperfeiçoar grupos já em atividade. A criação ex novo de equipes seria muito difícil de realizar com a sistemática habitual de aplicação de recursos públicos, que, bem fazendo, exige como pré-requisito uma infraestrutura adequada já disponível.

Desde 2008, porém, a nova regulamentação da filantropia para hospitais de excelência permite que projetos desse tipo sejam implementados. A contrapartida exigida não é mais representada pela realização de procedimentos pontuais de alta complexidade, mas, sim, pela coordenação e pelo financiamento de projetos de desenvolvimento previamente aprovados pelo Ministério da Saúde.

Em 2009, o Hospital Sírio-Libanês deu o exemplo associando-se a três universidades, USP, Federal de São Paulo e Santa Casa para constituir um grupo de trabalho com a finalidade específica de atingir esse objetivo.

O projeto inclui uma visita inicial do coordenador aos polos locais e ações de capacitação, manutenção (apoio) e atualização. A capacitação baseia-se na vinda remunerada de estagiários para centros com grande experiência em São Paulo (polos centrais) durante períodos de 1 a 12 meses e inclui captação de órgãos e sua distribuição ou o transplante propriamente dito. A capacitação em captação e distribuição é realizada, respectivamente, na Santa Casa, no Hospital do Rim e na Central de Transplantes da Secretaria Estadual da Saúde, considerados paradigmas nesse tipo de tecnologia. A capacitação em transplante de rim e pâncreas é realizada no Hospital do Rim; a de fígado, no Hospital das Clinicas, no Hospital Sírio-Libanês e na Santa Casa; e a de coração e pulmão, no Incor. A manutenção (apoio) das novas equipes, após sua volta ao local de origem, é feita por meio de visitas de acompanhamento do coordenador e, nos primeiros transplantes, pela assistência de cirurgiões seniores. A atualização se fará, para cada órgão, pela discussão conjunta de casos em tempo real por meio de uma rede de teleconferência entre o polo central e os polos locais.

O coordenador já visitou 15 polos locais (AC, AM, PI, CE, RN, PB, PE, AL, SE, BA, MS, DF, ES, PR e SC) e já foram realizados 12 estágios na Central de Transplantes, 34 no serviço de captação da Santa Casa, 20 estágios em Neurologia, 6 estágios no Hospital do Rim, 1 no Hospital das Clínicas (fígado adulto), 1 no Incor e 2 no Hospital Sírio-Libanês (fígado pediátrico), 22 estagiários OPO/CIDOHTT, 18 estágios curso de perfusão e extração e 2 de Anatomia Patológica.

No total, 120 estagiários estiveram ou ainda estão em São Paulo, perfazendo uma média de 8 estagiários por Estado. Alguns resultados preliminares já podem ser citados, como a captação de múltiplos órgãos de 22 doadores este ano no Rio Grande do Norte, captação nitidamente superior à do ano passado, de apenas 8 doadores; e no Acre, onde a captação não era realizada e desde o fim do ano passado já foram captados 6 órgãos.

No conjunto, aprendemos que a capacitação concomitante de vários profissionais relacionados à captação e ao transplante de órgãos de polos locais, acrescida do interesse dos governos estaduais, incentivado pela visita do coordenador do projeto, é capaz de criar uma massa crítica de intenções suficiente para que seja desenvolvida a infraestrutura necessária à captação e ao transplante de órgãos. No início, os órgãos captados nos novos centros têm sido enviados a outros polos que já realizam transplante. Temos observado, porém, que a demanda reprimida nos polos locais exerce forte pressão para que os jovens capacitados em São Paulo iniciem sua atividade, transplantando os órgãos captados localmente e abrindo um novo polo de transplante. A sistemática atual da filantropia permite aplicar recursos de tal maneira a confirmar a impressão de que, em algumas circunstâncias, o investimento em capacitação pode preceder o investimento em infraestrutura, que surge, a seguir, como resposta à pressão exercida sobre os governos estaduais pela sociedade em geral e pela mídia do polo em questão.

MÉDICO, PH.D. PELA UNIVERSIDADE DE LONDRES, É PROFESSOR EMÉRITO DA FACULDADE DE MEDICINA DA USP E PIONEIRO DO TRANSPLANTE DE FÍGADO NO BRASIL

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

diário de São Paulo

Batalha 24/10/2010 15h37
DIÁRIO acompanha a história de dez pessoas que precisam de transplante de fígado
Conheça a rotina de quem aguarda por um órgão
Fernanda Cirenza

Elas foram surpreendidas por doenças de nomes complicados e assustadores: ascite, encefalopatia, carcinoma, paramiloidose, cirrose, câncer.
O fígado dessas pessoas está comprometido, e elas precisam de um transplante para sobreviver. Vivem no aguardo de um telefonema do Hospital das Clínicas, em São Paulo, anunciando a morte cerebral de um doador.
A angústia é grande. "Dependo da doação de um cadáver", diz a cantora Debye Ventura Trombim, 47 anos. Debye é uma das mil pessoas que estão na fila do transplante de fígado do HC. O caso dela é delicado porque precisa também de um rim. Ela não sabe quando isso vai acontecer. Pela regra, os pacientes seguem para o transplante conforme a gravidade, e não pela ordem de chegada.

A situação da dona de casa Eunice Suely Consoloni, 61 anos, era grave. Ela ocupava o primeiro lugar na fila. Já tinha passado por um tratamento de combate a um tumor no fígado, mas dependia de um transplante para viver.
No dia 11 de outubro, ela disse à reportagem do DIÁRIO que estava na expectativa da operação, mas se sentia tranquila. "A gente nunca sabe o dia de amanhã. Tenho que confiar nos médicos e em Deus." Só que não apareceu um órgão compatível com o organismo de Eunice. Ela morreu no dia 18. Desde setembro, a reportagem faz visitas recorrentes ao HC na tentativa de acompanhar o drama de pacientes como Eunice e Debye. É no prédio dos ambulatórios que eles se encontram para receber medicação e orientação, além de trocar experiências.

São assistidos pelos médicos e por uma equipe de enfermagem, nutrição e psicologia. Adriana Cortez Rizzon é a coordenadora. Ela sabe quem é quem na sala de espera barulhenta do hospital e, não raro, faz cobranças. "Por que você não veio fazer o exame de sangue na semana passada?"

A partir de hoje, você vai conhecer a história de dez pessoas que estão na fila do transplante de fígado. Elas relatam como descobriram suas doenças, a reação que tiveram com a notícia e o que têm feito a partir dela. Daqui para frente, a reportagem vai estar ao lado desses pacientes até que uma solução para cada caso seja encontrada. A seguir, eles falam sobre seus dias nesta espera pela vida.

Um irmão morreu com a mesma doença
José Fernando Pereira de Oliveira, 24 anos, ajudante de motorista de caminhão
Ele tem hepatomegalia (fígado aumentado). Quando criança, fez tratamento com medicação e melhorou. O tempo passou, José Fernando virou adolescente e começou a beber cerveja todo fim de semana. Foi, então, que o problema se agravou. Ele começou a ter febre, dores abdominais e pneumonia. Há quatro meses, sofreu uma hemorragia digestiva e foi internado no Hospital Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). "Ele ficou mal", diz Solange Pereira de Oliveira, 42 anos, irmã do paciente. "Não dá para deixá-lo sozinho, porque a doença causa confusões mentais." Em tratamento no HC, ele não se queixa muito, apenas da dieta rigorosa que tem de seguir. "Nossa vida mudou. Adotei meu irmão como um filho", diz Solange. Na fila pelo transplante, ele espera por um telefonema do hospital. "Já perdi um irmão com esse mesmo problema. Ele tinha 25 anos", diz.

Bebida causou o problema
José Milton da Silva, 42 anos, motorista, descobriu que tem cirrose hepática há um ano. Está na fila do transplante há cerca de dois meses
Depois que se separou da mulher, José Milton começou a abusar das noites. A sensação de liberdade misturada à desolação amorosa foi a combinação perfeita para uma vida meio desregulada em termos de alimentação e bebidas alcoólicas. No fim do ano passado, o corpo de José Milton baqueou. Ele começou a inchar e tudo o que comia fazia mal. "Não tinha nem apetite e sentia muito cansaço." Pensou que eram sinais das noites mal dormidas. Mas, em dezembro, teve de ser internado às pressas no HC. José Milton se queixa das restrições que passou a ter no dia a dia. "Tomo remédios, vou ao hospital sempre e não posso comer carne nem sal." Às vezes, confessa dar umas escorregadas. "Meu fígado perdeu um pouco a potência. Só que ninguém é de ferro." Quando faz esse tipo de comentário na frente de Valdecy Miranda Barbosa, enfermeira da coordenação do transplante do HC, leva bronca. Morador de Cotia, na Grande São Paulo, José Milton se ressente da nova realidade. "Fiquei mais medroso com a doença. Não saio mais para dançar, namorar. Isso é meio chato", diz. Por outro lado, ele está tranquilo com a ideia do transplante. "Ele é o remédio para a cura da minha doença."

A dúvida é algo torturante
Célia Maria Queiroz Santiago, 61 anos, ex-enfermeira, teve um diagnóstico de câncer em maio e desde então está na fila do transplante
Baiana de Cruz das Almas, Célia carrega um sotaque nordestino gostoso e três nódulos nocivos no fígado. Antes de descobrir a doença, submeteu-se a um teste gratuito para o diagnóstico de hepatite C. Deu positivo. Era uma iniciativa de um laboratório farmacêutico, que a encaminhou para outro de exames clínicos para a contraprova. O resultado, então, foi negativo. "Eu sosseguei, até porque não sentia nada. Ainda não sinto, aliás", diz. Depois de uns seis meses, durante uma madrugada, Célia acordou indisposta, sentindo-se pesada, inchada. Foi então que teve a primeira hemorragia digestiva. Levada para o Hospital Penteado, na Zona Norte, passou cinco dias internada. Eram varizes no esôfago, mas o médico deu um sinal de alerta. Célia precisava investigar. De lá, foi para o HC, para uma série de avaliações, até receber a notícia dos tumores. "Foi um choque violento. Quando o médico diz que você tem câncer, é assustador." Ela está em tratamento para conter o progresso dos nódulos no Instituto do Câncer e há quase seis meses espera por um fígado bom. "Meu desejo é que tudo seja rápido. A dúvida se vai dar certo ou não é torturante."

Ele tem cirrose mas só bebia socialmente
Altemar Linton de Oliveira, 47 anos, comerciante, descobriu a doença no ano passado
Em 2009, Altemar se sentiu mal e foi para um pronto-socorro perto de casa, em São Miguel Paulista, Zona Leste. Foi encaminhado para um hospital da região, mas também lá não houve diagnóstico preciso. Recebeu só medicação. Uma semana depois, à noite, começou a ficar agitado. A mulher, Alice, achou estranho, mas pensou que era efeito dos remédios. A sorte foi que Alice acreditou em sua intuição e, no dia seguinte, levou o marido ao hospital. Não deu outra: Altemar havia tido uma crise de encefalopatia, uma confusão mental - como se a pessoa estivesse drogada? devido a complicações hepáticas. Altemar tem cirrose criptogênica (causa desconhecida). "Bebia socialmente, nada abusivo", ele diz. Alice confirma. Como o problema pode ser hereditário, os filhos do casal, de 19 e 13 anos, também serão investigados. É uma atitude preventiva. "Se eles tiverem alguma indicação, que comecem a se tratar desde já", diz o pai. A vida da família mudou radicalmente. O negócio, um açougue, está na mão de um cunhado e de funcionários. "Quando acontece uma coisa dessas, todo mundo adoece junto."

Mais um transplante, sem perder a alegria
Debye Ventura Trombim, 47 anos, cantora, tem câncer e está à espera de um fígado e de um rim
Aos 18 anos, Debye perdeu os dois rins em decorrência de uma pielonefrite (infecção do trato urinário). Sobreviveu à custa da doação de um dos rins do pai, José Maria Trombim. Deu tudo certo e, por anos, viveu sem preocupações. Depois de outros 18 anos, o rim transplantado começou a dar sinais de rejeição. Foi nessa ocasião, em meio a exames, que ela descobriu também uma hepatite C, possivelmente adquirida numa transfusão de sangue. "Meu mundo desabou. Essa doença tem progressão rápida." A hepatite de Debye evoluiu para cirrose e, por fim, para um câncer. Por um tempo, manteve a saúde à base de medicação. Mas já faz quatro anos que obrigatoriamente precisa se submeter três vezes por semana à diálise. "Fico ansiosa, porque vai ser uma cirurgia de grande porte e de riscos. Eu já assinei um documento em que afirmo estar ciente dos problemas que ainda podem acontecer, como a rejeição dos órgãos e, na pior das hipóteses, morrer." Enquanto aguarda por um chamado, Debye leva a vida cantando. Ela anima casamentos e eventos corporativos ao lado do pai, que é militar aposentado e pianista. "Mesmo com as limitações, procuro me divertir para celebrar a vida."

O cardiologista virou paciente
Murilo Mendes Soares, 59 anos, cardiologista, descobriu um tumor há dois anos
Em 2001, Murilo vomitou coágulos de sangue. Em um hospital, foi tratado e achou que levaria a vida à base de dietas e remédios. Mas, no ano retrasado, teve hemorragia digestiva e foi internado mais uma vez. Foi duro. "Eu tinha comprado passagens para a Europa para mim e para a minha mulher. Era a nossa primeira viagem para lá." De volta, Murilo começou a apresentar sintomas estranhos: ascite (retenção de água nas pernas e no abdômen) e encefalopatia (função cerebral alterada). Foi levado para uma consulta no HC e o diagnóstico foi claro: um nódulo no fígado. "Recebi umas substâncias para atacar o tumor. Ele diminuiu, mas ainda está lá." Há cerca de um mês, o celular de Murilo tocou. Era o pessoal do HC, avisando que havia um fígado. "Fui internado, vesti o pijama azul e coloquei até a pulseira no pulso. Mas os médicos avaliaram que aquele fígado não servia pra mim." Ele diz não estar muito ansioso para a cirurgia. Só não quer sofrer muito. "Procuro amenizar o problema. A coisa que mais me preocupa é a morte."

Uma década de luta e 16 quilos a menos
Augusto Gennari Neto, 51 anos, ex-empresário, luta há dez anos contra doenças hepáticas
O périplo de Augusto começou com uma hepatite C tratada à base de medicação. "Fiquei seis meses em tratamento, melhorei e fui liberado pelo médico." Mas a alegria durou só oito meses. Quando voltou a se tratar da mesma hepatite, descobriu que o fígado tinha descompensado. Mais uma bateria de tratamento e remédios. Há quatro anos, foi internado e entrou na lista dos transplantes. Mas se recuperou. Recebeu alta e uma boa notícia: já podia viver com o próprio fígado. Por dois anos, levou uma vida comum, embora com limitações. Só que o fígado dele não resistiu. A hepatite evoluiu para uma cirrose que virou um câncer. Está novamente à espera de um doador. Evidentemente abatido, 16 quilos mais magro, Augusto está sempre no HC para fazer os controles. Pai de três filhos, ele luta por mais uma chance para a vida.

Apavorado, sem medo de admitir
Luiz Cesar Pedroso Eusébio, 55 anos, comerciante, há dois meses na fila do transplante
Há três anos, o gaúcho de Porto Alegre Luiz Cesar sofreu uma cirurgia para tratar de uma úlcera perfurada. Ele achava que era um procedimento simples e que, depois de alguns dias, estaria em casa. Enganou-se. Do hospital da Universidade de São Paulo, seguiu para o HC para um tratamento à base de quimioterapia. Foram cinco sessões para conter nódulos no fígado. "Todos sumiram, e eu não sinto nada." Mas o fato é que ele tem um carcinoma hepático. Meio inconformado com o problema, ele justifica: "Nunca tive uma doença desse tamanho." Ele está apavorado com o dia da cirurgia. "Até agora, não me chamaram. Mas eu tive que assinar um documento em que afirmo que sei de todas as coisas que podem acontecer comigo na mesa de operação. Posso ter uma infecção, pegar sífilis, Chagas. Posso morrer de qualquer coisa."

A barriga fica enorme por causa da doença
Joaquim Carlos Serra Coser, 56 anos, prestador de serviços, doente desde 2004
O primeiro encontro de Joaquim Carlos com a reportagem do DIÁRIO foi no HC. Ele fazia drenagem para esvaziar a barriga. Ele tem cirrose e sofre de ascite (edema na região do abdômen). Por isso, não arruma posição na cama na hora de dormir. "Eu bebia todos os dias." Está arrependido? "Arrependido não. Mas a gente nunca acha que as coisas vão acontecer." Não raro, Joaquim sente falta de ar. Tem ainda crises recorrentes de encefalopatia. "Meu corpo não consegue mais liberar as toxinas dos alimentos. Então, se excedo um pouco, a encefalopatia ataca. Fico confuso, fora de mim." Ele soube da doença em 2004, quando começou a se tratar. "Recebi a notícia sem grande espanto porque não sentia dor. Achava que ia tomar remédios e pronto." Mas não foi bem assim. O organismo começou a dar outros sinais de alerta. Hoje, ele toma oito comprimidos por dia. Além disso, está com duas artérias comprometidas. Na semana que vem, ele volta ao HC para mais uma sessão de drenagem. "Minha barriga está enorme."

Ela tem um problema genético
Cristiane Aparecida de Moraes, 35 anos, funcionária de uma escola, tem um mal crônico, progressivo e mortal Mãe de Sofia, uma garotinha de 3 anos, Cristiane sofre do que os médicos resumem por PAF (Paramiloidose Familiar), um mal genético, mortal, crônico e progressivo. "Só soube da doença quatro meses atrás. Mas faz quatro anos que investigo o que tenho", diz. Ela passou por vários médicos antes do diagnóstico. Perdeu peso, tem diarreias e não sente as pernas. "Vivo em outra realidade, mas não penso muito para não morrer antes da hora." Tudo o que ela quer é condições de ver a filha crescer. "O transplante é um risco. Mas preciso ter coragem."