domingo, 3 de julho de 2011

                                                           

30/06/2011 21:42

O mito da mulher limpinha


  ReproduçãoÉ fácil pegar hepatite B e C na manicure. Por que não dá para confiar na esterilização feita nos salões de beleza

CRISTIANE SEGATTO
Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 15 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo. Para falar com ela, o e-mail de contato é cristianes@edglobo.com.br

Nunca conheci uma mulher que não faça as unhas. O mercado profissional das manicures é curioso. Quando a economia vai bem, as plaquinhas que anunciam vagas se multiplicam pelas cidades – dos salões luxuosos às bibocas mais improvisadas. Quando a economia vai mal e o desemprego avança, as manicures são as últimas a sentir a crise. O salário delas passa a sustentar a família. Manicure não fica sem trabalho. É serviço de primeira necessidade – às vezes disputado no grito pelas clientes.

Se todas as mulheres e muitos homens frequentemente sofrem ferimentos provocados pelos alicates – os terríveis “bifes” – quem garante que não sairão do salão infectados por um vírus que pode ser fatal?

Ninguém garante. A existência de autoclaves e estufas nos salões não é garantia de coisa alguma. Foi o que descobri ao entrevistar a professora de enfermagem Andréia Schunck, do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.
 
Em seu doutorado, Andréia decidiu investigar de que forma as manicures contribuem para a disseminação das hepatites. Ninguém sabe ao certo quantos são os portadores dos vírus B e C no Brasil. Estima-se algo entre 1,5 milhão e 4 milhões. É gente demais.
 
Esses vírus provocam inflamação no fígado. São um gravíssimo problema de saúde, como contou o médico Drauzio Varella na coluna da semana passada. Drauzio vai levantar o assunto na nova série do Fantástico, que estreia no dia 17.
 
Os vírus podem danificar o fígado durante décadas sem dar o menor sinal. Quando o doente o descobre, já infectou várias outras pessoas por meio do contato com material perfurante ou nas relações sexuais. Muitas vezes a doença já chegou à fase de cirrose ou câncer. O único recurso passa a ser o transplante. Ele é disputado numa fila cruel, mais longa que a do coração e a dos rins. Grande parte dos pacientes morre antes de conseguir o órgão.
 
É chocante perceber que todo esse sofrimento poderia ser evitado se normas básicas de higiene fossem efetivamente cumpridas. Andréia visitou cem salões de beleza da capital paulista. Na periferia, no centro, nos shoppings, nos bairros nobres. A metodologia foi rígida. Para evitar qualquer viés que invalidasse os dados, pediu ao Datafolha que dividisse as regiões da cidade por amostragem. O instituto de pesquisa informava um ponto de referência em cada bairro. Uma banca de jornal, uma padaria, uma loja.

A partir dele, a missão de Andréia era caminhar aleatoriamente até encontrar o primeiro salão de beleza. Ao encontrá-lo, se apresentava e fazia a pesquisa. “No Brás, caminhei duas horas e meia até achar um salão. Durante toda a pesquisa emagreci 16 quilos”, diz ela. O esforço valeu a pena. Trata-se de um estudo inédito no mundo.

Andréia passava de seis a dez horas em cada salão. Entrevistava as manicures, observava como elas trabalham e colhia sangue para verificar se tinham o vírus da hepatite B ou C. Em TODOS os salões, encontrou práticas inadequadas.

As manicures não lavavam as mãos depois de atender cada cliente, não lavavam o material antes de colocá-lo no equipamento de esterilização, não usavam as autoclaves corretamente etc. Em um deles, as profissionais achavam que colocar os alicates no forninho elétrico seria suficiente. Tiravam pães de queijo da assadeira e colocavam os alicates no lugar. Inútil. O calor do forninho não é suficiente para matar os vírus.

Até nos salões mais badalados, frequentados por celebridades e divulgados como templos exclusivíssimos do luxo e da beleza, Andréia observou pelo menos um descuido capaz de permitir a transmissão dos vírus.
 
As manicures não têm noção do risco que correm. Podem pegar a doença das clientes caso se machuquem com o material usado.O mesmo pode acontecer se fizerem as próprias unhas com o material infectado pelas clientes. Andréia observou que essa é uma prática mais comum do que se imagina.
 
Num dos salões mais chiques de São Paulo, Andréia quis saber por que a manicure não usava luvas. A moça respondeu: Não tem perigo. Minhas clientes são limpinhas”.

Tentar adivinhar a condição de saúde de alguém pelas pistas sugeridas pela boa aparência e pela condição social privilegiada é uma tremenda bobagem. Passar a tarde no ofurô, entregar as chaves da BMW ao manobrista e desfilar uma Louis Vuitton por semana não torna ninguém imune aos vírus. Eles não fazem distinção entre os limpinhos e os sujinhos. Os vírus têm um único objetivo neste planeta: crescer e se multiplicar. Para cumprir essa missão com eficiência, é preciso infectar as pessoas sem matá-las rápido demais. Quanto mais tempo o hospedeiro sobreviver e espalhar a praga, mais descendentes os vírus colocarão no mundo.
 
É exatamente o que fazem os vírus da hepatite B e C. O vírus B é cem vezes mais infectante que o da aids. Tem a capacidade de permanecer vivo em superfícies por até sete dias. A pessoa infectada é capaz de viver décadas sem notá-lo. A mulher que contrai o vírus B na manicure pode transmiti-lo ao parceiro se não usar camisinha nas relações sexuais. A transmissão sexual do vírus C é controversa e rara, mas os especialistas dizem que ela também pode ocorrer. “Parece estar restrita a alguns grupos de risco com práticas sexuais anais e traumáticas”, diz Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Entre as manicures, a prevalência dos vírus da hepatite é maior que na população geral. Foi o que Andréia comprovou. Os exames de sangue demonstraram que 10% das profissionais entrevistadas estavam infectadas. O vírus B apareceu em 8% da amostra e o vírus C em 2%.

A forma mais segura de se proteger da doença é a vacinação. Existe vacina para o vírus B, mas não para o C. O SUS oferece a vacina contra hepatite B a grupos específicos (profissionais da saúde e do sexo, imunossuprimidos, coletores de lixo etc). As manicures fazem parte dessa lista, mas apenas 15% das mulheres entrevistadas por Andréia sabiam que tinham direito à vacina.


As manicures também tinham muitas dúvidas sobre a forma correta de higienizar o material. Para não correr risco de se infectar ou de infectar as clientes, a profissional precisa cumprir todos os passos a seguir. Na próxima vez em que for ao salão, observe se eles realmente foram cumpridos. É provável que você se assuste:
1) Antes de atender cada cliente, lavar as mãos ou usar álcool gel
2) Colocar as luvas. Usar um novo par a cada cliente
3) Usar lixa e palito descartáveis (um para cada cliente)
4) Abrir o pacote com o material esterilizado na frente da cliente
5) Usar uma toalha limpa ou descartável para cada cliente
6) Lavar os alicates, a espátula e outros instrumentos metálicos reutilizáveis com água, sabão e escova
7) Enxugar esse material com toalha limpa e colocá-lo no envelope especial para esterilização
8) Selar o envelope e colocá-lo na estufa ou na autoclave
9) A estufa não pode ser aberta durante a esterilização. Se uma manicure abrir a porta da estufa enquanto outra deixou o material lá dentro, a esterilização fica comprometida. É preciso manter a estufa funcionando durante uma hora ininterrupta, à temperatura de 170 graus
10) A autoclave é mais fácil de controlar porque funciona como uma panela de pressão. Basta colocar o envelope, fechá-la e esperar até o final da esterilização.

Se você gostou desses passos, espalhe o link e contribua para a saúde de todos. Outra opção é fazer um kit e levar o seu próprio material ao salão. Não basta levar apenas o alicate. “Levo acetona, esmalte, palito, espátula, alicate, tudo”, diz Andréia. Ela tem dois ou três alicates. Manda afiá-los nas mesmas casas especializadas onde as manicures compram o material de trabalho.

Neurose demais? Pode ser, mas estou convencida de que o sofrimento provocado pelos vírus da hepatite é infinitamente maior. “O erro de muitas mulheres é desvincular a saúde da beleza”, diz Andréia. “É importante cuidar da beleza. Mas com saúde”.
 (Cristiane Segatto escreve às sextas-feiras)

E você? O que observa nos salões de beleza? Como se protege? Conte pra gente. Queremos ouvir sua história.
 http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI245459-15230,00.html

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Notícias ATX-BA

Discriminação nos Editais - Hepatites B e C

Por causa do conhecimento precário dos meios de transmissão das hepatites B e C o mesmo é um fator que favorece a discriminação do paciente, situação que acontece por falta de campanhas de esclarecimento à população, indicando o fato de o contágio só ser pelo contato sangue x sangue na hepatite C, ou esperma x sangue na hepatite B, sem evidencias científicas de que a doença possa ser transmitida pela simples proximidade física, aperto de mão, beijo na face, ou perdigoto.
 
O enfoque do paciente com hepatites A ou B como indivíduo discriminado está às vezes presente, também, entre os profissionais de saúde. O cirurgião o dentista, o médico de pronto-socorro, o intensivista, o enfermeiro, e, entre todos os especialistas, também o médico do trabalho, podem compartilhar desses sentimentos de rejeição quanto ao paciente que pode pôr em risco suas vidas.
Situações objetivas em que freqüentemente é invocado o direito à discriminação do portador das hepatites B e C:


1) Exame admissional de candidatos ao trabalho na indústria para ocupar cargos na linha de produção.
Nestes casos o exame para defecção de anticorpos anti-HIV é antiético e ilegal. No máximo, com o consentimento do trabalhador, o exame poderá ser feito após sua admissão, mantendo-se o resultado sob o mais estrito sigilo profissional, sendo o paciente o primeiro a dele tomar conhecimento.

2) Exame admissional de candidatos ao trabalho em indústria de alimentos.
Igual que na situação anterior, sendo sabido que, ainda que possa existir um eventual contato de sangue contaminado com o alimento, não se configura esta uma forma de transmissão, e, além do mais, a contaminação não se dá por via oral.

3) Exame de seleção para o serviço militar.

Situação igual às anteriores.

4) Exame admissional de candidatos ao trabalho em hospitais gerais (médicos, enfermeiros, atendentes, dentistas. etc.).
Situação igual às anteriores.

Nestes casos é admissível a sorologia prévia, com o consentimento do candidato, sendo ele o primeiro a ser informado do resultado. Há risco de se contaminarem os produtos comercializados pela empresa.

Nas hepatites B e C deveria ser seguido o mesmo procedimento e preceitos que existem para a AIDS em relação a não discriminação do trabalhador soropositivo a qual é amparada por todos os dispositivos legais emanados dos Ministérios e das Secretarias do Trabalho, Saúde e Educação, bem como das diversas Comissões que estudam a abordagem e o tratamento do paciente com AIDS.

Merecem destaque a Informação N° 29 da Comissão Científica de AIDS, da Secretaria da Saúde de São Paulo (sorotipagem pré-cirúrgica), e o Parecer n° 11/92, do Conselho Federal de Medicina, assegurando a voluntariedade e a preservação do sigilo com relação aos pacientes submetidos aos testes anti-HIV.

Também no sentido da não discriminação do HIV-positivo falam a recomendação da XI Reunião da Comissão Nacional de Apoio ao Programa da AIDS, de 18/04/89, e a manifestação do Ministério da Saúde, por meio da Divisão Nacional das Doenças Sexualmente Transmissíveis, da Secretaria Nacional de Programas Especiais de Saúde e Conselho Federal de Medicina, esta última contendo disposição específica sob o título: "Os Direitos do Trabalhador".

Merecem ainda referência, por tratarem também da não discriminação do soro-positivo para a AIDS, o parecer do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, de autoria de Antônio Ozório Leme de Barros e Guido Levi, e a Informação N° 27 da Comissão Científica de AIDS da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, publicada no Diário Oficial de 15/07/89, contra indicando a triagem sorológica dos empregados nas empresas, "à admissão ou em exame periódico, mediante teste para a evidenciação da presença de anticorpos contra o HIV ".

A Portaria Inter-ministerial N° 869, de 11 de agosto de 1992, editada pelos Ministérios da Saúde e do Trabalho, proibiu a exigência de testes para defecção do HIV, no fimbito do Serviço Público Federal, "tanto nos exames pré-admissionais quanto nos exames periódicas de saúde".
 
É unânime, em termos jurídicos, conforme se vê, a rejeição a toda discriminação do paciente soro positivo para o HIV. Essa tendência vem-nos de entidades internacionais, como a própria Organização Mundial de Saúde; sendo relevante a Declaração Consensual sobre AIDS e Esportes, de 16/01/89.

A Resolução n° 1359/92 do CFM, de 11 de novembro de 1992, em seus arte. 3° e 4°, sabiamente recomenda a expulsão de toda medida discriminatória com relação aos trabalhadores HIV-positivos que prestem serviços a empresas. Reforça ela, sem dúvida, as outras medidas legais, nacionais e internacionais, sobre a matéria.
Art. 3°-O médico que presta seus serviços a empresa está proibido de revelar o diagnóstico de funcionário ou candidato a emprego, inclusive ao empregador e à seção de pessoal da empresa, cabendo-lhe informar, exclusivamente, quanto à capacidade ou não de exercer determinada função.

Art. 4° - É vedada a realização compulsório de sorologia para HIV, em especial como condição necessária a internamento hospitalar, pré-operatório, ou exames pré-admissionais ou periódicas e, ainda, em estabelecimentos prisionais.
 
O portador do vírus apenas passa a ser considerado doente, recebendo então as vantagens e as restrições decorrentes dessa condição, quando apresentar sinais e sintomas da enfermidade caracterizando uma incapacidade. O resto é preconceito, ética e legalmente.

A DISCRIMINAÇÃO EM RELAÇÃO ÀS HEPATITES B e C

O fato de se solicitar somente os testes das hepatites B e C e não das inúmeras outras doenças infecto contagiosas, a seguir listadas em ordem alfabética, configura uma evidente discriminação para essas duas doenças:
1. AIDS,
2. Cancro mole,
3. Cândida,
4. Chagas,
5. Clamídia,
6. Corrimento Vaginal,
7. Doença Inflamatória Pélvica (DIP),
8. Donovanose ,
9. Gonorréia,
10. Hanseníase,
11. Herpes Zoster,
12. HTLV,
13. Linfogranuloma venéreo,
14. Meningite,
15. Palilomavírus - HPV,
16. Pediculose Pubiana.
17. Rubéola,
18. Sarampo,
19. Sífilis,
20. Tricomoníase,
21. Tuberculose,
22. Vaginose Bacteriana.


Para não discriminar, exames de todas as doenças infecto contagiosas de transmissão entre seres humanos deveriam ser então solicitadas, para se descaracterizar a discriminação dirigida somente os infectados com as hepatites.
O fato de solicitar somente as hepatites B e C cria na interpretação da população um estigma sobre os infectados pela possível interpretação de que essas doenças seriam as mais perigosas e de mais fácil contagio, levando os infectados a segregação social.


Trata-se de uma exigência descabida, discriminatória, preconceituosa e inconstitucional; uma afronta aos direitos elementares e fundamentais da pessoa humana; um desrespeito às cidadãs e cidadãos brasileiros infectados com as hepatites B e C.

Há mais de 15 anos o Brasil rechaçou a realização de testes sorológicos anti-HIV prévios à admissão ou manutenção de trabalho, matrícula ou freqüência em quaisquer circunstâncias, em estabelecimentos públicos e privados.
A proibição consta das Resoluções 1359/92 e 1665/2003 do Conselho Federal de Medicina; das Portarias Interministeriais 796, de 29/05/92; e 869, de 11/08/92, bem como de diversas leis estaduais e municipais.

A Lei que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990, especifica que:
Art. 5o São requisitos básicos para investidura em cargo público:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.
§ 1o As atribuições do cargo podem justificar a exigência de outros requisitos estabelecidos em lei.


§ 2o Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso.

A avaliação pericial da Lei 8.112/90 somente autoriza no Artigo 5° inciso VI a avaliação da aptidão física e mental, não autorizando a realização de nenhum exame em relação a doenças infeto contagiosas.

Exemplos de editais que exigem os exames das hepatites B e C:
ESTADO DO ACRE
SECRETARIA DE ESTADO DA GESTÃO ADMINISTRATIVA (SGA)
EDITAL N.º 113 - SGA/IAPEN/PCAC/ AC, DE 14 DE NOVEMBRO DE 2007
9 DOS EXAMES MÉDICOS (para todos os cargos)
9.1 Os exames médicos, de caráter eliminatório:
9.5 Os exames médicos compreenderão o exame clínico e, ainda, a entrega de exames, conforme a seguinte relação:
l) Sorologia para Hepatite "B" e "C".

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - GO
Os editais para professor na Universidade Federal de Goiás estão exigindo anti HCV e anti-HBV (HbsAg). São quarenta editais, dos quais alguns deles podem ser encontrados nos LINKs a seguir:
http://www.prodirh.ufg.br/uploads/files/Editalab%20040..%20subst.ICB.pdf
www.prodirh.ufg.br/uploads/files/Editalab_39_docente_FACOMB_FANUT.pdf
www.prodirh.ufg.br/uploads/files/Editalab%20037%20subst.FM_outros.pdf
www.prodirh.ufg.br/uploads/files/Editalab%20036.%20subst.IPTSP.pdf
www..prodirh.ufg.br/uploads/files/Editalab%2035_docente_EEC.pdf
www.prodirh.ufg.br/uploads/files/Editalab_33_docente_IF.pdf
www.prodirh.ufg.br/uploads/files/Editalab%20032.%20subst%20FACOMB.pdf
www.prodirh.ufg.br/uploads/files/Editalab%2031_docente_IESA.pdf

Diz no texto dos editais da Universidade Federal de Goiás:
APRESENTAR NA JUNTA MÉDICA OFICIAL DA UFG, O RESULTADO DOS SEGUINTES EXAMES, PARA FINS DE OBTENÇÃO DO ATESTADO MÉDICO: FONE: (62) 3209 6227
4) HBSAg
5) Anti HCV

EDITAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - BA
encontrado em http://www.concursos.ufba.br/docentes/2008/editais/edital_03_08_barreiras.pdf especifica o seguinte:
8.1. O candidato classificado de acordo com o subitem 4.3.1 deverá comparecer ao Serviço Médico Universitário Rubens Brasil - SMURB - da Universidade Federal da Bahia, situado à Rua Caetano Moura nº 99 - Federação - CEP: 40210-340 Salvador-BA, para a inspeção de saúde em data e horário agendados pela Unidade de Ensino, sob pena de ser excluído do concurso, munido dos seguintes exames complementares:
AgHbs,
Anti-Hbc,
Anti-HCV,
8.2. Durante a inspeção de saúde, poderão ser solicitados outros exames complementares, na dependência da necessidade de esclarecimento diagnóstico a critério da equipe de avaliação médica.
8.3. Não caberá recurso contra a etapa de inspeção de saúde devido à característica de que se reveste.
Ainda, no item 4.3.1 do edital está escrito:
Serão convocados para a etapa de inspeção de saúde os candidatos habilitados na primeira etapa até 02 (duas) vezes o número de vagas.
O que comprova que os exames solicitados são excludentes para o ingresso ao serviço público.

CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DO QUADRO PERMANENTE DOS SERVIÇOS AUXILIARES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
EDITAL N.º 01, DE 30 DE MAIO DE 2007

8.2) Para obtenção do laudo de aptidão a que se refere a letra "j" do subitem 8.1, o candidato deverá submeter-se a exames médicos, sob a responsabilidade do Departamento de Perícia Médica e Saúde Ocupacional da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, apresentando os seguintes exames, que correrão às suas expensas:
i ) anti HCV (pesquisa de hepatite C);

ESTADO DE MINAS GERAIS - MG
CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DO QUADRO PERMANENTE DOS SERVIÇOS AUXILIARES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS 8 - DA POSSE E DO EXERCÍCIO
8.2) Para obtenção do laudo de aptidão a que se refere a letra j do subitem 8.1, o candidato deverá submeter?se a exames médicos, sob a responsabilidade do Departamento de Perícia Médica e Saúde Ocupacional da Procuradoria Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, apresentando os seguintes exames, que correrão às suas expensas:
i) anti HCV (pesquisa de hepatite C)

ESTADO DO TOCANTINS - SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO
EDITAL N.º 001/2007, DE 12 DE NOVEMBRO DE 2007
8.6 O candidato submetido à avaliação médica deverá apresentar à junta médica os exames laboratoriais e clínicos:HBS AG,

MINISTÉRIO DA DEFESA DEP - DFA
EXÉRCITO BRASILEIRO
ESCOLA DE SARGENTOS DAS ARMAS
PROCESSO SELETIVO 2007
CURSOS DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS 2008/2009
ÁREA COMBATENTE/LOGÍSTICA-TÉCNICA, ÁREA AVIAÇÃO e ÁREA MÚSICA
c. Documentos e exames de responsabilidade do candidato
1) Tanto para a IS como para a IS Epcf, o candidato convocado deverá comparecer ao local determinado pela OMSE, identificando-se por meio de seu Cartão de Confirmação de Inscrição e do documento de identificação, e apresentará sua caderneta de vacinação, se a possuir.
Terá, ainda, que apresentar, obrigatoriamente, os laudos dos exames médicos complementares abaixo relacionados, com os respectivos resultados, cuja realização é de sua responsabilidade:
k) sorologia para hepatite B (contendo, no mínimo, HBsAg e Anti-HBc) e hepatite C;

GUARDA MUNICIPAL DE JUIZ DE FORA - MG
EDITAL Nº 019- SARH
CONCURSO PÚBLICO
1.2.1. A prova de aptidão física será precedida de exames de saúde, de caráter eliminatório, conforme abaixo especificado:
f.5) HBS AG
f.6) Anti-HBC
f.7) Anti-HCV

ESTADO DA PARAÍBA
POLÍCIA MILITAR
COMISSÃO COORDENADORA
Edital n.º 001/2005 CFO PM/BM
CONCURSO PARA O CURSO DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS - 2006
DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DA PARAÍBA 5.1.4 Exames Laboratoriais - contendo, obrigatorite, o nome e o número de identidade do candidato, realizados às expensas deste, os quais têm por objetivo determinar a emissão de parecer conclusivo sobre o seu estado geral de saúde, considerados válidos os que tenham sido realizados nos últimos 90 (noventa) dias, anteriores à data de realização do exame do candidato, e constará de:
5.1.4.12 Sorologia para Hepatite "B" e "C" (Hbs Ag, anti-Hbc IgG e Ig M, anti- Hbs, anti-HCV)

ESTADO DA PARAÍBA
POLÍCIA MILITAR
Edital n.º 003/2007 - CFSd PM/BM
CONCURSO PÚBLICO PARA O CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS PM/BM - 2008 - DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DA PARAÍBA
7. DO EXAME DE SAÚDE
7.1 O Exame de Saúde, de caráter eliminatório, tem por objetivo avaliar o estado geral de saúde, física e mental, do candidato e determinar as condições indispensáveis ao desempenho da profissão do militar estadual e constará de exames e testes clínicos, bem como de exames laboratoriais.
7.3.3 Exames Laboratoriais - Esses exames deverão ser realizados às expensas do candidato, sendo considerados válidos os originais e que tenham sido expedidos nos últimos 90 (noventa) dias, anteriores à data de realização do exame do candidato, com o objetivo de determinar a emissão de parecer conclusivo sobre o seu estado geral de saúde. Para efeito deste Edital são considerados exames laboratoriais:
7.3.3.12 Sorologia para Hepatite "B" e "C" (Hbs Ag, anti-Hbc IgG e Ig M, anti-Hbs, anti-HCV);

PREFEITURA DE GOIÂNIA - GO
SECRETARIA MUNICIPAL DE ADMINISTRAÇÃO E RECURSOS HUMANOS
JUNTA MÉDICA
RELAÇÃO DE EXAMES COMPLEMENTARES OBRIGATÓRIOS A SEREM APRESENTADOS NA JUNTA MÉDICA MUNICIPAL, NO ATO DA PERÍCIA MÉDICA, PARA ADMISSÃO NO SERVIÇO PÚBLICO MUNICIPAL
- MARCADORES VIRAIS PARA HEPATITE "B" (HBS-Ag) e "C" (ANTI -HCV)

PREFEITURA MUNICIPAL DE PAUDALHO - ESTADO DE PERNAMBUCO
CONCURSO PÚBLICO
EDITAL N.º 001/2007
4.7 DO EXAME DE SAÚDE
4.7.1. Convocado, o candidato deverá comparecer ao local designado na data aprazada, munido de documento de identificação, bem como dos exames abaixo relacionados, realizados a menos de 90(noventa) dias, contendo seu nome completo e número da cédula de identidade:
c) Hbs Ag (Hepatite B)
d) Anti HCV (Hepatite C)

CONCURSO PÚBLICO DO INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER - INCA. - RJ
INICIADA ADMISSÃO DOS CANDIDATOS APROVADOS NO CONCURSO PÚBLICO Foi iniciado no dia 24 de abril o processo admissional dos candidatos aprovados no Concurso Público do Instituto Nacional de Câncer - INCA. Os candidatos deverão apresentar-se na Rua dos Inválidos, 212 - 10º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ, com os documentos (originais e cópias simples); exames e comprovante de vacinação abaixo relacionados para tratar dos procedimentos necessários à sua posse.
2. Exames:
HbsAg; Anti-HBs
Anti-HCV,

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO OESTE DO PARANÁ - PR
EDITAL Nº 002/2006-GRE
Convoca, em primeira chamada, os candidatos aprovados no 8º Concurso Público, para provimento de cargos públicos do Hospital Universitário do Oeste do Paraná, para aceite de vaga.
A Reitora, em Exercício, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE, no uso de suas atribuições estatutárias e regimentais, considerando o Edital nº 108/2005-GRE, de 10 de novembro de 2005;
Exames necessários:
- Anti HBs
- Anti HCV/ELISA

ESTADO DE PERNAMBUCO
Secretarias de Administração e Reforma e de Defesa Social
Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco
Concurso Público para ingresso no Curso de Formação de Oficiais
4.2. DO EXAME DE SAÚDE
4.2.3. Para submeter-se ao Exame de Saúde, o Candidato deverá providenciar, sob a sua responsabilidade, os Exames a seguir especificados:
d) Hbs Ag (Hepatite B)
i) Anti HCV (Hepatite C)

MINISTÉRIO DA SAÚDE
PORTARIA N.º 755, DE 23 DE OUTUBRO DE 2007
A COORDENADORA GERAL DE RECURSOS HUMANOS - Substituta, no uso das atribuições que lhe confere a PORTARIA/GM/MS n.º 66, de 12 de janeiro de 2006, publicada no Diário Oficial da União n.º 10, de 13 subseqüente, resolve:
Todos os candidatos nomeados, convocados citados no ANEXO I, para o exame admissional, deverão comparecer, munidos dos seguintes Exames Complementares:
1. Marcadores para Hepatite (anticorpos HBsAg) e C (anti corpos HCV).

ESTADO DE PERNAMBUCO
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
POLÍCIA MILITAR E CORPO DE BOMBEIROS MILITAR
CONCURSO PÚBLICO 2006
Portaria Conjunta SARE/SDS nº 045 de 14 de 08 de 2006
4ª ETAPA - EXAME DE SAÚDE
5.3.2. Para submeter-se ao Exame de Saúde, o candidato deverá providenciar, sob a sua responsabilidade, os Exames a seguir especificados:
i) Anti HCV (Hepatite C);

ESTADO DE SERGIPE - POLÍCIA MILITAR - COMANDO GERAL - 3ª SEÇÃO DO EMG
CONCURSO PÚBLICO PARA O CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS PM / 2005 DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SERGIPE
EDITAL N.º 001/2005 - CFSd PM
6. DO EXAME DE SAÚDE
6.3.3. Exames Laboratoriais - realizados às expensas do candidato nos últimos 90 (noventa) dias, contendo, obrigatoriamente, o nome e o número de identidade do candidato, os quais têm por objetivo determinar a emissão de parecer conclusivo sobre o estado geral de saúde do candidato e constará de:
6.3.3.12. Sorologia para Hepatite "B" e "C" (Hbs Ag, anti-Hbc IgG e Ig M, anti-Hbs, anti-HCV);

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE OLINDA - PE - CONCURSO PÚBLICO
Concurso Público de Provas e de Provas e Títulos para provimento de 586 (quinhentos e oitenta e seis) cargos do Quadro de Pessoal da Prefeitura Municipal de Olinda, autorizado através do Decreto nº 325/2005.
9. DOS EXAMES DE SAÚDE E DE APTIDÃO FÍSICA
9.1. Do Exame de Saúde
9.1.1. Serão convocados para se submeterem ao Exame de Saúde, até 04 vezes o número de vagas oferecidas, os candidatos aprovados e Classificados na Prova Escrita para os Cargos de Agente de Trânsito e Transporte e o de Guarda Municipal, obedecendo rigorosamente à ordem de classificação.
9.1.2. O Exame de Saúde, de presença obrigatória e de caráter eliminatório, objetiva verificar as condições de saúde dos Candidatos e selecionar os aptos ao exame seguinte,
9.1.3. Para submeter-se ao Exame de Saúde, o Candidato deverá providenciar, às suas expensas, os Exames abaixo especificados:
d) Hbs Ag (Hepatite B)
h) Anti HCV (Hepatite C)

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
No exame anual de saúde ocupacional os exames referentes a doenças infecto contagiosas não tem caráter obrigatório e sim facultativos, não podendo ser realizados sem autorização do funcionário. A mesma regra, por analogia, deve ser utilizada para a admissão no cargo, pois ao ser realizadas na admissão serão constantes na ficha funcional desses funcionários podendo prejudicar ou afetar no futuro em casos de promoções ou ocupação de novos cargos.
5) Exame admissional de candidatos ao trabalho em firma que comercializa sangue ou produz hemoderivados.

DIARIO DE PERNAMBUCO

28/06/2011  10h27 Exemplo
Neurologista diagnosticado com morte encefálica doa todos os seus órgãos
Um médico neurologista de 54 anos, responsável por muitos diagnósticos de morte encefálica, colocou em prática o ideal de solidariedade que defendeu em sua vida profissional: teve doado todos os seus órgãos após a confirmação do óbito por AVC hemorrágico. Informados antecipadamente do desejo do neurologista, os familiares procuraram de imediato a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE). O caso aconteceu no sábado passado, possibilitando uma oportunidade rara de doação múltipla de órgãos e de salvar, de uma só vez, cinco vidas.

De acordo com Gerlene Lira, coordenadora de descentralização da Central, o fígado do médico que tinha um tipo sanguíneo raro, o AB, foi encaminhado para um receptor do estado do Ceará: um homem que passa bem após a cirurgia. Os rins ainda estão sendo analisados e as córneas, diagnosticadas como em excelente estado, devem ser transplantadas para pacientes de Pernambuco.O doador, não será identificado, atendendo a pedido da família.

O exemplo do neurologista pode ser seguido por todos. Para se tornar um doador, é importante que a pessoa comunique à família sobre esta vontade. De acordo com a legislação dos transplantes no Brasil, a doação deverá ser consentida pelo familiar de até 2º grau. Para informações e orientações a Central atende pelo telefone 0800.281.2185.

Hoje, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, Pernambuco ocupa o 5º lugar no ranking nacional entre os estados transplantadores. Apesar disso, o número de doações em relação à lista de espera ainda é insuficiente. A fila por um rim é a mais extensa, com mais de 1.800 pessoas. A lista de fígado, com 173 pessoas, é a que mais preocupa os técnicos da CT-PE, em razão da gravidade do estado dos pacientes. Além disso, há mais de 1.300 pernambucanos à espera de uma córnea e 8 na fila por um coração. De janeiro a maio de 2011 foram realizados 373 transplantes e 23 doações múltiplas de órgãos em Pernambuco.

domingo, 26 de junho de 2011

23/06/2011 20:49


Drauzio Varella e o vírus sem charme

Na nova série do "Fantástico", ele discute por que as hepatites não comovem tanto quanto a aids.

  Reprodução
CRISTIANE SEGATTO

CRISTIANE SEGATTO

Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 15 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo. Para falar com ela, o e-mail de contato é cristianes@edglobo.com.br

Existe um vírus que é cem vezes mais contagioso que o HIV, mas tem um poder de comoção infinitamente menor. É o vírus da hepatite B. Segundo as estimativas mais conservadoras, 1,5 milhão de brasileiros convive com ele. A maioria sequer desconfia. Só o descobre quando o fígado está destruído. Outras formas de hepatite (provocadas pelos vírus A, C e D) também causam enorme sofrimento. Por que não merecem a mesma atenção dedicada à aids?

Drauzio Varella decidiu investigar. As hepatites são o tema do novo quadro que ele apresenta no Fantástico. A série de quatro capítulos estréia no dia 17 de julho. Para entender as condições que contribuem para a transmissão do vírus, Drauzio esteve numa aldeia Yawanawá, no Acre. Também visitou salões de beleza de São Paulo e viu que as manicures trabalham em condições inadequadas mesmo nos endereços mais chiques. Por fim, foi a Salvador entrevistar jogadores de futebol profissionais que contraíram o vírus nos anos 70. Conversei com Drauzio nesta semana para antecipar o conteúdo da série aos leitores desta coluna.

ÉPOCA – Por que escolheu esse tema?
Drauzio Varella - As hepatites são doenças negligenciadas. Ninguém ouve falar sobre isso. Parece que não têm charme. Não sabemos quantas pessoas têm o vírus. Os dados do Ministério da Saúde não têm o menor valor porque só lidam com os casos notificados.

ÉPOCA – Há várias formas de hepatite. Vamos começar pelo vírus A ...

Drauzio - A hepatite A é a da água suja. É provocada pela falta de saneamento básico. Em geral é doença de curso benigno. Mas ela se torna potencialmente mais grave quando a pessoa a adquire na gravidez ou numa faixa etária mais avançada. Aí ela pode evoluir para hepatite fulminante. Ocorre uma necrose maciça das células hepáticas. A mortalidade é muito alta. É uma das causas de transplante de emergência.

ÉPOCA – Se ela é provocada por falta de saneamento básico, por que a classe média também é afetada?
Drauzio - É uma doença curiosa. Quem mora em más condições sanitárias a adquire logo na infância e costuma ter uma hepatite benigna. Mas quem vive em boas condições sanitárias não a adquire na infância e não fica imune a ela.Vai adquiri-la mais tarde, com 50 anos de idade, quando viaja para algum lugar e entra em contato com o vírus. Ou seja: a classe média tem a doença mais grave porque contrai o vírus numa idade mais avançada.

ÉPOCA – O governo não deveria vacinar a população contra a hepatite A?
Drauzio - Os hepatologistas acham que sim. Eles dizem que a doença só é benigna para quem pega na infância. Para quem pega mais tarde a doença pode ser mais grave. A posição do Ministério da Saúde é não vacinar. É preciso analisar o custo e o benefício da adoção dessa medida, mas esses estudos ainda não foram feitos.

ÉPOCA – E a hepatite B?
Drauzio - É totalmente diferente. É transmitida sexualmente e pelo sangue. E também passa da mãe para o feto. Existe vacina, mas há um complicador. É preciso tomar três doses. Uma hoje, outra daqui a trinta dias e outra depois de seis meses. Isso complica bastante. As pessoas tomam uma dose, depois não tomam as outras e não ficam protegidas. Hoje as crianças nascem e já são vacinadas. O SUS oferece, mas faz pouco tempo que entrou no calendário.

ÉPOCA – O que acontece com os adultos?
Drauzio - A maioria não foi vacinada. A vacina existe há vinte e poucos anos. Pelas estimativas mais conservadoras, há no Brasil 1,5 milhão de portadores crônicos do vírus. Ele é 100 vezes mais contagioso que o vírus da aids. Se analisarmos um grupo de pessoas que sofreu acidentes com seringas e agulhas, vemos que três ou quatro a cada mil pegam o vírus da aids. No caso da hepatite, há um caso de infecção a cada quatro ou cinco acidentados. Um índice de 20% de infecção é muito alto.

ÉPOCA – Nem todos os infectados pelo vírus B vão ter a doença...
Drauzio - Cerca de 95% das pessoas que entram em contato com o vírus o eliminam naturalmente. Os 5% se tornam portadores crônicos. O problema é que a doença é absolutamente assintomática por 20 ou 30 anos. De repente, a pessoa descobre a doença. A barriga incha porque acumula líquido ou a pessoa fica amarela. Quando percebe já está com cirrose ou câncer de fígado. O vírus provoca câncer. Do mesmo jeito que o cigarro provoca câncer, o vírus da hepatite também tem essa relação com o câncer de fígado.

ÉPOCA – Como é o tratamento?
Drauzio - É complicado. Quando a doença é descoberta na fase de câncer, o que resta é o transplante de fígado. A principal causa de transplante de fígado no Brasil é a hepatite B. Se a doença é descoberta mais cedo, há o tratamento com interferon. É caro e demorado. No caso da hepatite C também se usa o interferon mais outros antivirais. É uma carga enorme para o sistema de saúde.

ÉPOCA – O que você descobriu nos salões de beleza?
Drauzio - A prevalência de hepatite é muito alta no grupo das manicures. Esse é um assunto que ninguém comenta. Elas usam equipamento que volta e meia provoca ferimentos. Se a pontinha do alicate entrar em contato com uma gotícula de sangue infectado, pronto. O vírus está ali. Temos manicures espalhadas pelo Brasil inteiro. Imagine o tamanho desse problema. Quantas delas têm autoclaves para esterilizar o material? Não adianta apenas fervê-lo. Os métodos recomendados são a autoclave ou a estufa. Na estufa, é preciso manter o material a 170 graus por quase uma hora. Quem fiscaliza? Tem todo um procedimento. A manicure precisa lavar as mãos antes e depois de atender cada cliente, colocar luvas, lavar o material depois de usá-lo, colocar no envelope e só depois colocar na autoclave.

ÉPOCA – O ideal, então, é que cada cliente leve o seu próprio kit de manicure?
Drauzio - Eu achava que sim, mas conversando com as manicures vi que a coisa é mais complicada. Elas dizem que isso não funciona. Dizem que o equipamento das clientes é ruim, que não é afiado. Não passa mais o afiador na porta de casa. Onde as mulheres vão afiá-lo? Parece que isso não dá certo.

ÉPOCA – O risco de infecção nos salões de beleza é mais alto do que se imagina?
Drauzio - A pesquisadora Andréia Schunck, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, fez um estudo impressionante. Ela visitou 100 salões de beleza -- dos mais chiques aos mais simples. Passava pelo menos seis horas em cada salão. Encontrou procedimentos inadequados em TODOS os salões. As manicures não lavavam as mãos, não lavavam os equipamentos e já os colocavam direto na autoclave. As manicures usavam nelas mesmas o material que usavam nas clientes. Andréia encontrou 10% de infectadas. O vírus B apareceu em 8% da amostra e o vírus C em 2%.

ÉPOCA – As manicures não podem ser vacinadas de graça, pelo SUS?
Drauzio - Sim. Elas têm o direito de tomar a vacina pelo SUS. Mas só 15% sabiam que tinham esse direito. É uma desinformação geral. Há uma lista grande de grupos que têm direito de tomar a vacina de graça: quem tem aids, médicos, enfermeiros, manicures, técnicos de laboratório, carcereiros etc. Muita gente não sabe.

ÉPOCA – E as pessoas que não estão na lista? Vale a pena comprar a vacina?
Drauzio - É altamente recomendável que comprem a vacina. A mensagem que a gente quer passar com essa série é a seguinte: tem que vacinar contra a hepatite B. Existe vacina. Quem pode comprar a vacina e não está na lista do governo, deve comprá-la. A imunização dura a vida toda se a pessoa tomar as três doses. As manicures, por exemplo, não podem ficar sem a vacina. Outra realidade chocante é a dos índios da Amazônia. Tem que vacinar. Em algumas tribos, a prevalência de hepatite B é de 20%.

ÉPOCA – O que você viu na Amazônia?
Drauzio - Gravamos no Acre, numa aldeia Yawanawá, perto de Cruzeiro do Sul. Fica quase no Peru. Naquela comunidade, 10% dos indígenas têm o vírus. A quantidade de crianças infectadas é enorme. Pegam na infância e não é por transmissão materna. É por manipulação. Como tem muito mosquito ali, as crianças são cheias de feridas. Dormem três na mesma rede. Uma encosta a ferida na ferida da outra. Coçam as feridas com os mesmos pauzinhos. A transmissão é absurda. Fiquei chocado de ver essas crianças. Não se vê uma condição de saúde tão ruim em favela nenhuma de cidade grande. As crianças são cheias de feridas na cabeça. As mães colocam um gorrinho de lã na cabeça delas naquele calor de 40 graus. Tirei uns dez gorros.

ÉPOCA – Ali simplesmente não existe atenção à saúde indígena?
Drauzio - Tudo é muito longe. De vez em quando passa alguém. Ali o que tinha que fazer era vacinar a população inteira. Vai custar caro? E daí? Vai de avião, vai com o Exército. Aí é que entra a dificuldade de serem três doses. Tem que ir três vezes; as populações às vezes mudam de lugar. São vários complicadores. O problema ali não é o custo da vacina. É o custo da operação. Mas qual é a solução? Vai deixar espalhar isso? Depois como trata? São no mínimo 6 meses tomando remédio. Às vezes o tratamento dura anos. Levam os doentes para uma casa do índio em Cruzeiro do Sul. Mas vão deixar uma criança lá sozinha tomando interferon durante um ano?

ÉPOCA – As crianças morrem cedo?
Drauzio - Aquelas pessoas vivem numa situação social horrível. Isso é geral. Na Amazônia ninguém sabe por que existe hepatite D (hepatite Delta). É outro vírus. É um vírus defeituoso, que não tem a capacidade de se multiplicar sozinho. Se a pessoa pegar só ele, não acontece nada. Se tiver o vírus B e pegar o Delta, a hepatite fica muito mais agressiva. Essa é a situação dos meninos que eu vi. Meninos de 12, 13 anos em fase final de evolução. Com cirrose, baço enorme. Morrem com 14, 15 anos. Com o vírus Delta, as crianças morrem muito mais rápido.

ÉPOCA – O tratamento de que elas precisam é o mesmo usado contra o vírus B?
Drauzio - Sim. Matando o vírus B, o Delta não tem como sobreviver. Essa é a dimensão do problema. É caro tratar 1,5 milhão de pessoas? É. Mas vamos aceitar chegar à mesma situação da China? A China tinha 10% da população infectada pelo vírus B. Agora que eles começaram a vacinar, a prevalência caiu para 8,5%. Isso vai dar mais ou menos 100 milhões de pessoas infectadas.

ÉPOCA – Impossível ter transplante para todo mundo...
Drauzio - Os que podem pagar fazem o transplante. Os que não podem vão se tratar com a tradicional medicina chinesa. Não tem orgãos para todo mundo. Dez milhões chegam à fase final da doença e precisam de transplante. Quem vai fazer 10 milhões de transplantes? Esquece. Deixam morrer.

ÉPOCA – E o vírus C?
Drauzio - É um vírus muito maluco. Quando fizemos o primeiro trabalho no Carandiru em 1989, testei 1.492 presos para o vírus da aids. Encontramos o HIV em 17,3% dos presos. Um ano depois, o infectologista Ésper Kallas testou o mesmo sangue que estava estocado e encontrou o vírus da hepatite C em 60% das amostras. Isso foi numa época em que a moda era droga na veia. O vírus C é transmitido com muita facilidade. Enquanto no vírus B, apenas 5% dos infectados se tornam portadores crônicos, na hepatite C são 80%. O vírus da hepatite C não é oncogênico. Ele em si não induz o câncer de fígado, mas ele provoca cirrose. E a cirrose aumenta a incidência de câncer de fígado.

ÉPOCA – Quantos portadores de hepatite há, afinal, no Brasil? Cada um diz um número diferente...
Drauzio - A verdade é que não se sabe. Se formos muito conservadores e somarmos as hepatites B e C, chegamos a 2 milhões de pessoas. Temos 600 mil infectados com o vírus da aids. O tratamento é muito mais simples que o da hepatite. A diferença é que a aids atingiu primeiro as pessoas que tinham acesso aos meios de comunicação. Desde o início da epidemia, os meios de comunicação se interessaram muito pela aids. Foi sempre assim, desde que era chamada de peste gay. A aids envolve uma discussão moral. Para a imprensa, é uma doença que tem mais interesse jornalístico. Para a hepatite ninguém liga. As hepatites não têm esse charme.

ÉPOCA – O que você descobriu ao entrevistar jogadores de futebol?
Drauzio - Gravamos em Salvador com um grupo de jogadores profissionais dos anos 70. Naquela época, se acreditava que era preciso dar vitaminas para os jogadores. Davam glucoenergan na veia. No intervalo dos jogos, chegavam no vestiário com aquelas caixinhas com seringa de vidro e aplicavam tiaminose e complexo B na molecada toda. Uma quantidade absurda de hepatite B e C foi transmitida dessa forma. Vários desses jogadores morreram de cirrose. Como muitos param de jogar e começam a beber, todo mundo achava que morriam de cirrose por causa da bebida. Como eles não sabem que tem hepatite C, eles bebem sem saber que correm riscos. Quando a pessoa bebe, acelera o processo. Como não sente nada, nem desconfia. Só vai sentir quando a coisa já está grave.

ÉPOCA – Jogadores da Seleção Brasileira foram infectados dessa forma?
Drauzio - Até da seleção. Vários da Seleção de 70. Não vou dar os nomes por razões óbvias. Na Bahia, gravamos com jogadores profissionais que jogaram em São Paulo, no Rio, na Bahia. Eles têm um racha de futebol que fazem toda quinta-feira. Colhemos sangue de 22. Quatro ou cinco tinham o vírus da hepatite C e não sabiam.

ÉPOCA – Essa realidade que você constatou indica que o Ministério da Saúde está falhando no combate a essa doença?
Drauzio - Não podemos culpar o Ministério. Os médicos também não pedem o exame. Não pensam nisso. Se eles atendem uma pessoa que tem múltiplos parceiros sexuais, pedem o teste de aids, mas não pedem o da hepatite B. Conversei com o Dirceu Greco, que comanda o programa de aids. No Ministério, a hepatite está no mesmo lugar da aids. O pessoal da hepatite fica bravo com isso. O Ministério argumenta que eles já têm uma estratégia de distribuição de medicamentos da aids e essa estrutura serviria também para a atenção à hepatite. As associações de hepatite dizem que isso faz com que o interesse fique todo voltado para a aids porque é uma coisa que aparece muito mais. A hepatite não tem a importância que deveria ter. É difícil. Os dois argumentos valem. O fato é que no SUS temos apenas 100 mil portadores do vírus em acompanhamento. Apenas 20 mil estão em tratamento. É muito pouco.

No Brasil, há uma total desinformação sobre as doenças do fígado. Com a nova série, Drauzio dá uma grande contribuição para que isso comece a mudar. Eu também prometo voltar ao assunto.

E você? O que achou do tema da nova série de Drauzio Varella? Conhece alguém que convive com o vírus da hepatite? Quais são as dificuldades enfrentadas? Conte pra gente. Queremos ouvir sua história.

terça-feira, 21 de junho de 2011

EP RIBEIRÃO

Espera por doação de órgãos pode durar cinco anos

HC alega que unificação no sistema estadual prejudicou número de transplantes no interior


20/06/2011 - 21:45
Da redação

A angustiante espera por um doador de órgãos pode durar até cinco anos em Ribeirão Preto. Segundo dados fornecidos pelo Hospital das Clínicas da USP, a cidade tem ao menos 50 pacientes na fila, sendo que um transplante é realizado, em média, a cada 30 dias.

Nessa longa espera está Valdecir Nunes Alves. Há dois anos, ele aguarda por um doador de fígado. Em 47ª no ranking de sua especialidade de atendimento, ele sofre de cirrose, hepatite e hemorragias internas. Certa vez, Alves chegou a ser chamado para uma cirurgia, que foi cancelada de última hora. O órgão teria demorado demais para chegar ao hospital.

“Já tinha sido retirado o fígado de outro paciente havia oito horas e teria pouco tempo para colocar nele”, relata a dona de casa Nilzete Alves Pereira, que diariamente acessa internet na esperança de uma melhora na posição de seu marido. “Tenho muita esperança, se Deus quiser vai dar certo sim”, afirma Valdecir.

Para agravar a espera de pacientes como Valdecir, o HC notifica uma alarmante queda de 50% no número de transplantes realizados este ano em comparação a 2010. A redução no serviço, segundo o chefe do grupo de transplantes do HC de Ribeirão Preto, Orlando Castro e Silva, se deve ao sistema adotado pela Secretaria Estadual da Saúde, em que vigora a mesma lista de espera para pacientes da capital e do interior.

“Sendo um número de candidatos muito superior ao que tem no interior do Estado, quando aparece um doador naturalmente, com a unificação das listas, há um privilégio por receptores de São Paulo”, diz.

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto reivindica a retomada do sistema anterior. “Se você imaginar uma central em Campinas, uma central em Ribeirão Preto e uma central em Rio Preto, o direcionamento dos órgãos, do doador ao receptor, será muito mais fácil”, afirma Silva.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde nega que haja privilégio na destinação de órgãos para a capital, argumentando que a queda de transplantes aconteceu em todo o Estado e não somente no interior.

http://eptv.globo.com/ribeiraopreto/noticias/NOT,2,2,354970,Espera+por+doacao+de+orgaos+pode+durar+cinco+anos.aspx

segunda-feira, 20 de junho de 2011

REDE BOM DIA

Dia-a-dia

SAÚDE 19/06/2011 19:45
Mais de 40 mil pacientes esperam por um órgão no Brasil
Falta de informação impede que mais famílias autorizem doação

Derla Cardoso
Agência BOM DIA


O caminho para o sucesso das doações de órgãos passa pelo caminho da informação. Mesmo com Segundo o Ministério da Saúde, em 31 de dezembro de 2010, cerca de 47 mil pessoas estavam na fila de espera aguardando um coração, pulmão, rim, córnea, pâncreas e fígado. No estado de São Paulo, o número chegava, no último levantamento, a 12 mil.
Brasil sendo o segundo país do mundo onde mais se faz transplantes por ano, as dúvidas sobre procedimentos impedem o crescimento das operações.

De acordo com o presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), Ben-Hur Ferraz, a ausência de conhecimento da população sobre o que é morte cerebral é um dos fatores que travam o aumento das doações. “As pessoas precisam entender que a morte encefálica é irreversível. As famílias não compreendem que o ente está morto mesmo com o coração batendo às custas de aparelhos. Nesta hora, a compreensão da morte fica mais difícil, mas é nesse momento que temos que pensar que há uma oportunidade do nosso familiar ajudar alguém mesmo após a morte.”

Para Ferraz, outro complicador é o fato de algumas pessoas serem contra a doação por acreditarem que vão precisar dos órgãos na outra vida. “É preciso ter a consciência de que nenhum destes órgãos se manterá vivo para outro plano e que há pacientes vivos que poderiam viver com eles”.

O médico ainda afirma que o esclarecimento dos familiares é fundamental, pois são eles que decidirão se a doação acontecerá ou não. “Se a pessoa tem vontade de doar, deve avisar e conversar com todos em vida, pois no momento da decisão será mais fácil aceitar a doação”, orientou o profissional.

Solidariedade

Mobilização. Foi o que o grupo de amigos de Murilo Monção fizeram nos últimos meses. O jovem descobriu que tinha leucemia em junho do ano passado e morreu em março de 2011. Durante o período em que o paciente esteve internado, os colegas, familiares e conhecidos mergulharam nas campanhas de doação de medula óssea na tentativa de encontrar um doador para o rapaz.

Para uma das amigas e militantes da causa, Carolina Maceira, as pessoas não fazem o cadastro para se tornarem doadoras por medo e falta de informação. “Doar medula é simples e se as pessoas fossem mais instruídas mais gente teria a vida salva. Acho que nas escolas deveria haver mais explicações com relação ao tema. Para quem doa não vai fazer tanta diferença, mas para quem recebe é toda a diferença do mundo”, defendeu a publicitária.

Outro amigo que participou das mobilizações para tentar salvar a vida de Murilo foi o analista de logística Denis Gustavo Paschoal, de 29 anos. O jovem contou que os amigos ajudaram numa campanha que chegou a ter 1,4 mil pessoas inscritas para doar medula, mas que nenhuma era compatível com o paciente. “Ele até conseguiu um cordão umbilical compatível nos Estados Unidos, mas teve complicações, pegou uma infecção e veio a óbito antes de receber o transplante. Mesmo assim, nós nos tornamos voluntários da causa e continuamos a participar das campanhas para ajudar outras pessoas.”

http://www.redebomdia.com.br/noticias/dia-a-dia/57598/mais+de+40+mil+pacientes+esperam+por+um+orgao+no+brasil

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O REGIONAL

Últimas Notícias
quinta-feira, 16 de junho de 2011

Hemonúcleo de Catanduva precisa de doadores de sangue


O Ministério da Saúde lançou, nesta semana, uma campanha com o objetivo de aumentar o número de doadores de sangue no Brasil.

A campanha “Essa corrente precisa de você. Doe Sangue” tem como meta atingir quatro milhões de voluntários até o próximo ano.

De acordo com a Assessoria de Imprensa do órgão, esse número representa 2,1% da população. “Atualmente a população envolvida com doação de sangue é de 1,9%”.

O Hemonúcleo de Catanduva também está necessitando de doadores assíduos, que realizem a doação de sangue frequentemente.

Segundo a assistente responsável pela captação de sangue, Francisca Caparroz Vizentini, centenas de pessoas estão cadastradas no Hemonúcleo de Catanduva, mas muitas delas realizaram a doação somente uma vez e não voltaram mais. “Precisamos de doadores para realizarem as doações sempre que necessário”

Ela conta que nos últimos dias as doações estão em um ritmo muito lento. “Há dias que registramos queda de 60% e isso é muito preocupante”.
 
Francisca afirma a importância das empresas mobilizarem os funcionários para a doação e agendarem a doação.
 
“Estamos ligando todos os dias para convocar os doadores. Nos últimos dois dias enviamos mais de 300 cartas pedindo a presença das pessoas no hemonúcleo”.
 
AMPLIAÇÃO
 
O Ministério da Saúde também anunciou a publicação de uma Portaria com novos critérios para a doação de sangue no Brasil e a possível ampliação da faixa etária para doação.
 
A faixa de ampliação atinge jovens entre 16 e 17 anos de idade, com autorização dos pais ou responsáveis e também para idosos com até 68 anos. “A norma anterior autorizava a doação entre 18 e 65 anos de idade”.
 
Francisca afirma que vê o interesse de filhos de doadores a realizarem a mesma ação que os pais. “Acredito que essa medida irá aumentar ainda mais o número dos idosos voluntários, pois muitos chegam aos 65 anos e desejam doar por mais tempo”.
 
NÚMEROS
 
Para manter os estoques de sangue regulares, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que é preciso de 1,5% a 3% da população doem sangue regularmente.
 
Um dos fatores que fazem os hemocentros precisarem cada vez mais das doações é o aumento de 65,3% no número de transplantes realizados no país nos últimos sete anos, os quais precisam de transfusão.
 
Menores de 16 anos Portaria do Ministério da Saúde divulgada anteontem autorizou que jovens entre 16 e 17 anos possam doar sangue, desde que tenham uma autorização dos pais. Pelas regras anteriores, a doação só era possível para maiores de 18 anos.
 
A nova regra foi anunciada pelo ministro Alexandre Padilha (Saúde), que participou anteontem -Dia Mundial do Doador de Sangue- do lançamento da Campanha de Incentivo à Doação de 2011.
 
De acordo com a portaria 1.353, "a orientação sexual (heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade) não deve ser usada como critério para seleção de doadores de sangue, por não constituir risco em si própria".
 
Atualmente, a orientação sexual faz parte do questionário aplicado por diversos centros de doação para a triagem dos doadores.

http://www.oregional.com.br/portal/detalhe-noticia.asp?Not=256458

segunda-feira, 13 de junho de 2011

UOL Notícias

Falta de informação dificulta transplantes no Brasil


13/06/2011 - 12h05
do UOL Notícias

São Paulo - Mais de 36 mil pessoas aguardam hoje no País a tão esperada notícia de que um órgão ou tecido que tanto precisam está disponível para transplante. Este é o caso de Reginaldo Padilha, que se enche de esperança toda vez que um helicóptero pousa no terraço do Instituto do Coração (InCor), onde está internado há quatro meses, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Por conta de seu delicado estado de saúde, Padilha está entre os pacientes prioritários na lista de espera nacional, mas o único coração que apareceu até o momento não era compatível com o seu organismo.

Uma das principais razões da dificuldade enfrentada por Padilha e pelas milhares de pessoas que aguardam um transplante, na avaliação de especialistas, é a falta de informação a respeito do assunto. Em razão de crenças infundadas, aliadas à diminuição das campanhas na mídia, muitas famílias se negam a autorizar a doação dos órgãos dos parentes que faleceram e, dessa forma, deixam de transformar um momento de dor em esperança de vida para outras pessoas.

O cirurgião cardiovascular Fernando Platania, médico de Padilha, aponta as falsas crenças como uma das principais razões que prejudicam o aumento do número de doadores no País. "Vejo esse problema sim, sobretudo entre a população mais humilde, por conta da falta de entendimento e da desconfiança no sistema público."

O médico, que também é coordenador do Departamento de Cardiologia do Hospital Ana Costa, em Santos (SP), destaca que um dos temores mais citados é com relação à morte cerebral. Para algumas famílias, o fato de o coração ainda bater após a declaração de óbito pode significar que a vítima ainda está viva e pode ter salvação. O que não é verdade.

Para o presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Ben-Hur Ferraz Neto, esse temor se deve à falta de informação clara às famílias. "É diferente para um leigo ter essa compreensão, porque o coração ainda bate, mas às custas de aparelhos e com o único objetivo de manter os outros órgãos viáveis para transplante", explica.

A morte cerebral só é dada como certa depois de exames clínicos mostrarem que o paciente não tem mais reflexos cerebrais e que está incapacitado de respirar por si próprio. Também são realizados testes para confirmar ausência de fluxo sanguíneo e de atividade cerebral. "A legislação brasileira é extremamente rigorosa a respeito da morte cerebral", diz Ferraz Neto.

Além do receio quanto à morte cerebral, há outros temores que levam as famílias a negar as doações, como o medo da deformação do cadáver, o temor de que os órgãos serão vendidos no mercado negro e a desconfiança de direcionamento e privilégio dentro do Sistema Nacional de Transplantes. Ferraz Neto relata até mesmo a negativa de autorizar a doação pelo temor de que o morto precise do coração "para uma outra vida". "Acabam doando até os outros órgãos, mas não o coração", conta.

Em caso de morte cerebral, aparelhos mantêm o coração pulsando para que os órgãos sejam preservados para a doação. No entanto, esse estado não pode ser mantido por muito tempo, e se o coração parar, ele e os outros órgãos ficam impossibilitados para o transplante, porque perdem oxigenação. Se isso acontece, a esperança de vida daqueles que aguardam um órgão na fila diminui drasticamente. Então, apenas tecidos - pele, córneas e medula óssea, entre outros - ainda podem ser doados.

Apesar da longa batalha, Padilha, que está com 47 anos, não perde a esperança e faz planos concretos para o futuro. "O que eu mais quero é voltar à minha vida normal. Quero voltar às minhas caminhadas na praia em Santos, voltar a trabalhar. E mais, ir ao supermercado sem sentir falta de ar".

Desejos simples para um caso tão complexo. Ele sofre de miocardiopatia dilatada idiopática, que faz com que seu coração cresça exageradamente. Para executar os seus planos futuros, Padilha depende da solidariedade das famílias que podem optar pela doação de órgãos.

Humanização

O coordenador do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Heder Murari Borba, reconhece a "grande influencia que o pequeno esclarecimento da população" tem sobre a decisão das famílias. Mas alega, também, que outro fator importante de inibição da doação de órgãos é o mau atendimento que muitos pacientes enfrentam nos hospitais. "Se a pessoa for atendida de maneira humanizada é muito mais fácil a abordagem dos agentes para solicitar o órgão", afirma.

As ações, segundo Borba, devem se concentrar em campanhas que esclareçam as famílias sobre o assunto. "As campanhas devem mostrar a segurança que o processo de transplante envolve e que impossibilita o comércio de órgãos, já que envolve muitas pessoas e exames genéticos", diz. E continua: "Além disso, é preciso frisar o aspecto emocional nas campanhas, mostrando que aquele momento de dor das famílias pode se transformar em alegria para outras pessoas."

As campanhas, aliás, têm relação direta com o crescimento do número de doadores de órgãos no País. O presidente da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), Francisco Neto de Assis, cita o caso da jovem Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, assassinada pelo ex-namorado em outubro de 2008, após ser mantida refém, em Santo André (SP). Coração, pulmão, rins, pâncreas, fígado e córneas ajudaram a salvar vidas. Coincidentemente, a média mensal de transplantes no Estado de São Paulo aumentou 30% naquele mês. "Quando há campanha, ou quando o assunto está na mídia, dá para notar o aumento de doadores", diz.

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CAMPANHA DA PROPEG PARA ATX-BA - BAHIA RECALL 2011
"QUEM DOA ÓRGÃOS MULTIPLICA A VIDA"