domingo, 5 de abril de 2009

REVISTA VEJA
Medicina Muito além da cirurgia

Nenhum procedimento influenciou tantas especialidades médicas quanto os transplantes. Seus benefícios estendem-se às mais diversas áreas – da infectologia à cardiologia, da imunologia às pesquisas com células-tronco.
Adriana Dias Lopes e Naiara Magalhães
Fabiano Accorsi

Suspense até o último instante Médicos do Incor, em São Paulo, durante um transplante de coração realizado no início de março
Na sala 11 do centro cirúrgico do Instituto do Coração de São Paulo, nove profissionais, entre médicos, enfermeiras e instrumentistas, estão prontos para a realização de mais um transplante cardíaco. Há pelo menos uma hora e meia, o paciente está na mesa de operação, o tórax escancarado por espátulas de metal, já sem o seu próprio coração, a circulação sanguínea a cargo de uma máquina pesadona, colocada ao lado. O cirurgião Ronaldo Honorato Santos entra apressado. Nas mãos, um pote branco. Dentro dele, o coração do doador – extraído uma hora antes do corpo de um rapaz morto em um acidente de carro no interior paulista. Mergulhado em compostos de preservação, em baixa temperatura, o coração, pálido e murcho, é retirado do recipiente e entregue ao médico Alberto Fiorelli, cirurgião responsável pela operação.
O transplante começa. Fiorelli ajusta o tamanho dos vasos sanguíneos do coração doador às medidas do receptor e acomoda o órgão no peito do paciente. As vozes dos médicos misturam-se às conversas vindas do corredor. Frequentemente, um celular toca. Algumas ligações são atendidas; outras, ignoradas.
Quase duas horas depois do início da cirurgia, 70% dos vasos sanguíneos do novo coração já estão conectados aos do paciente. Agora, o silêncio toma conta da sala. Pela primeira vez, os cirurgiões Fiorelli e Honorato colocam os bisturis e tesouras de lado. Seus olhos estão fixos no novo coração, ainda apagado no peito do doente.
É o momento mais angustiante de um transplante: a espera pelo instante em que o órgão doado volta a funcionar no corpo do receptor. Cerca de um minuto se passa e nada. Fiorelli começa a massagear o novo coração com as mãos. Aos poucos, o órgão perde a palidez e ganha volume. É sinal de que o sangue circula por ele. O cirurgião rompe o silêncio com uma ordem:
– Adrenalina.
Uma enfermeira lhe entrega uma seringa e ele injeta o medicamento numa veia logo acima do músculo cardíaco. Três minutos depois, o coração finalmente começa a bater. Seu ritmo ainda é descompassado. Para regulá-lo, os médicos aplicam choques elétricos por meio de um desfibrilador. Só depois de normalizados os batimentos é que se conecta o restante dos vasos sanguíneos.
Os transplantes estão entre os procedimentos mais complexos e fascinantes da medicina. A doentes que já esgotaram todas as chances de cura para seus males, hoje é oferecida a possibilidade de substituir, além do coração, rim, fígado, pulmão, pâncreas, intestino, córnea, medula óssea, pele, valva cardíaca, ossos e esclera ocular.
Setenta cirurgias do gênero são realizadas todos os dias no Brasil – o que representa um aumento de 10% de 2007 para 2008. Esses números só não são maiores porque, não bastasse o fato de as doações serem em quantidade insuficiente, o sistema de captação e distribuição de órgãos no país é falho.
Para contemplar os 70.000 brasileiros à espera de um transplante seria necessário setuplicar o número de doadores (veja reportagem).
Apesar desses problemas, os transplantes salvam todos os anos a vida de cerca de 5 000 brasileiros. Indiretamente, no entanto, eles beneficiam um contingente muito maior de pessoas – impossível de ser mensurado. Isso porque, para garantir a sobrevivência dos pacientes transplantados, foi necessário esmiuçar ainda mais o funcionamento do corpo humano, refinar e inventar técnicas cirúrgicas e aprimorar e desenvolver remédios antirrejeição.
De tais pesquisas resultaram descobertas valiosas para as mais diversas especialidades – da cardiologia à imunologia, da medicina intensiva à infectologia. "Nenhum outro procedimento influenciou tantas áreas médicas quanto os transplantes", diz o cirurgião hepático Silvano Raia, professor emérito da Universidade de São Paulo. Os transplantes exercem sobre as outras especialidades o que se costuma chamar de "efeito Nasa". A expressão refere-se ao impacto das tecnologias desenvolvidas pela agência espacial americana sobre o nosso dia a dia.
Um dos campos que mais lucraram com as conquistas da medicina dos transplantes foi o da imunologia, graças ao estudo dos processos envolvidos na rejeição de um órgão.
O salto que essa área da medicina deu nas últimas cinco décadas é comparável à passagem da idade da pedra para a idade das luzes. Até os anos 60, acreditava-se que as principais células de defesa do organismo eram os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos. As pesquisas com os primeiros transplantados revelaram, porém, a existência de outro grupo de linfócitos, os T, muito mais ativos e potentes do que os B. E, entre os linfócitos T, verificou-se, em meados dos anos 80, que as células CD4 são as verdadeiras comandantes do sistema imune diante da presença de um agente estranho ao organismo.
Tal descoberta facilitou (e muito) o trabalho dos estudiosos que desvendaram o mecanismo de ação do HIV, o vírus da aids – e, consequentemente, agilizou a criação de medicamentos contra a doença.
No processo típico de rejeição a um transplante, os linfócitos T ativam a reação contra o órgão doado – como se o novo coração ou fígado fosse um inimigo a ser destruído. O mapeamento dos mecanismos envolvidos nesse ataque foi essencial para o entendimento das doenças autoimunes. Entre elas, o diabetes tipo 1.
Em 1984, médicos da cidade americana de Minneapolis realizaram um transplante de pâncreas (um pedaço dele) entre irmãs gêmeas idênticas. Pouco tempo depois da cirurgia, apesar de o novo órgão não ter sido rejeitado, a receptora voltou a apresentar os sintomas da doença. Uma investigação mais aprofundada revelou que o sistema imune dela destruíra as células pancreáticas produtoras de insulina. O problema surgido do transplante entre as gêmeas americanas confirmou o que algumas pesquisas apenas indicavam: o diabetes tipo 1 resulta do ataque do sistema imunológico do doente contra seu próprio organismo. Abriu-se dessa forma um novo capítulo no tratamento do distúrbio.
Como o transplante é um recurso extremo, só os doentes em estado gravíssimo entram na fila de espera por um novo órgão. E, não raro, os médicos recorrem a tratamentos experimentais na tentativa de garantir a vida dos pacientes até que eles cheguem à mesa de cirurgia. Lançados na década de 60, os betabloqueadores eram indicados inicialmente apenas para o combate da hipertensão. Vinte anos depois, médicos americanos passaram a usar o remédio para vítimas de insuficiência cardíaca e hipertensão que aguardavam um coração novo. Tal conduta era evitada por receio de que o medicamento reduzisse ainda mais a contração do músculo cardíaco, piorando o quadro clínico do doente. Não foi o que ocorreu. Mais: o uso de betabloqueadores possibilitou que 20% dos pacientes saíssem da fila. Disseminou-se, assim, a administração desse tipo de remédio entre as vítimas de insuficiência. Hoje, nove em cada dez o tomam.
De todas as contribuições dos transplantes para a medicina, nenhuma é tão fascinante quanto a que deu origem às investigações sobre as células-tronco. Depois da II Guerra Mundial, ao estudarem os efeitos da radiação em ratos de laboratório, médicos americanos e canadenses passaram a suspeitar que havia na medula óssea células capazes de regenerar as células sanguíneas destruídas pela contaminação radioativa. A tais células eles deram o nome de primitivas. Veio dos primeiros transplantes de medula, nos anos 60, a comprovação prática de que tal hipótese estava correta.
A medula é uma fonte rica em células capazes de regenerar, além do sangue, outros órgãos e tecidos. Estava aberto o caminho para que fossem identificadas as células-tronco, a grande esperança da medicina para a cura dos mais diversos males.
A literatura médica registra que o primeiro transplante de órgão bem-sucedido foi um de rim, realizado em 1954, em Boston, nos Estados Unidos, entre irmãos gêmeos idênticos.
A sanguinolência dos procedimentos pioneiros impressionava até mesmo o mais frio dos cirurgiões. "Hoje, praticamente não há perda de sangue durante uma cirurgia", diz o cirurgião Sergio Mies, chefe da equipe de transplantes do Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo. Para se ter uma ideia, os primeiros transplantes de fígado duravam até 24 horas (hoje levam em média cinco horas) e era preciso usar uma bomba de infusão rápida que injetava quase 20 litros de sangue no decorrer da cirurgia.
Em que pesem todos os avanços, a rejeição continua a ser o grande desafio da medicina dos transplantes. A descoberta, nos anos 80, de imunossupressores mais precisos e potentes significou uma revolução, ao aumentar drasticamente a sobrevida dos operados. Exemplo: o índice de pacientes vivos um ano depois de um transplante de rim saltou de 70% para quase 100%. Mas ainda se está longe do ideal. Tais remédios devem ser tomados por toda a vida e oferecem reações adversas severas. A solução pode vir dos estudos sobre imunorregulação. Os especialistas buscam um composto capaz de evitar a rejeição sem que seja necessário deprimir o sistema imune do paciente.
Há também, é claro, a aposta nas terapias com células-tronco. Com elas, chegaria ao fim o problema da rejeição, uma vez que órgãos e tecidos criados em laboratório poderiam ser programados com a genética do paciente. Se tudo der certo nesse sentido, em um futuro não muito distante a medicina deve encerrar um ciclo.
As células-tronco, descobertas nas primeiras transferências de medula, devem transformar os transplantes – do modo como os conhecemos hoje – em procedimentos do passado.
Áreas beneficiadas pela medicina dos transplantes

Infecções em geral. As pesquisas sobre a rejeição de órgãos transplantados foram fundamentais para a compreensão do sistema imunológico. Graças a elas, nos anos 80, descobriu-se que as células CD4, um tipo de linfócito T, regem a resposta imune do organismo à presença de um agente agressor.
Aids. Os estudos em torno dos remédios imunossupressores ajudaram a desvendar como o HIV aniquila as defesas do doente. O vírus da aids inibe a ação das células CD4, levando-as à morte – processo semelhante à ação dos remédios antirrejeição.
Diabetes tipo 1. Um transplante de pâncreas realizado em 1984 entre irmãs gêmeas idênticas, nos Estados Unidos, foi decisivo para a caracterização do diabetes tipo 1 como doença autoimune.
Artrite reumatoide. O estudo do processo de rejeição impulsionou a criação dos remédios biológicos contra a artrite reumatoide. Eles inibem a ação das citocinas, substâncias do sistema imunológico que estão envolvidas no dano às articulações.
Insuficiência cardíaca. Ministrados inicialmente apenas contra a hipertensão, os betabloqueadores começaram a ser indicados para as vítimas de insuficiência depois da constatação de que eles aumentavam a sobrevida dos pacientes à espera de um transplante de coração.
Obstrução coronária. A rapamicina, um imunossupressor desenvolvido na década de 90, agora ajuda a desobstruir artérias entupidas por placas de gordura. Quando usada para embeber o stent, a rapamicina previne novas obstruções.
Morte encefálica. Para garantir que os órgãos para doação se mantivessem em bom estado, foi necessário estabelecer, nos anos 60, protocolos médicos para o diagnóstico preciso da morte encefálica.
Células-tronco. Com os transplantes de medula óssea, comprovou-se a existência de células indiferenciadas capazes de dar origem às células de diversos tecidos e órgãos do corpo humano – depois chamadas de células-tronco.

27 horas de cirurgia
Cristiano Mariz
"Há 22 anos, eu recebi na mesma cirurgia um fígado e um rim. Foi o primeiro transplante duplo realizado na América Latina. Eu sofria de uma má-formação congênita do fígado que levou à insuficiência renal. Às vésperas da operação, eu, que tenho 1,78 metro de altura, pesava apenas 54 quilos. Era só pele, osso e nariz, como costumo brincar. A cirurgia durou 27 horas. Eu fui anestesiado no sábado e só acordei na segunda-feira. Fiquei quase dois meses no hospital, tamanho o medo que os médicos tinham da rejeição. Depois da alta, não pude voltar para Campo Grande, minha cidade natal. Tive de ficar em São Paulo, onde ocorreu o transplante, por um ano, para que os médicos conseguissem acertar a dosagem dos imunossupressores. Hoje, estou ótimo. Não sinto mais nada – a não ser o que todo mundo sente: fome, sede, calor, frio... Trabalho normalmente e adoro pescar. Mas meus filhos agora inventaram que eu estou ficando velho e querem me acompanhar. E muita gente na beira do rio não dá – espanta os peixes."Alfredo Nimer 61 anos, engenheiro civil, transplante duplo de rim e fígado em 1987.

Apreensão e felicidade
Lailson Santos
"Desconfiei de que as coisas não estavam bem em 2000, quando passei a perder o fôlego em caminhadas curtas, de quinze minutos. Meses depois, ficava ofegante só de subir as escadas da minha casa. Ao identificar a insuficiência cardíaca, o cardiologista tentou controlar a doença com medicamentos. Os remédios funcionaram muito bem por seis anos. Em 2007, no entanto, os sintomas voltaram. Quando soube que o transplante era minha única esperança, fiquei atordoado. No dia 4 de fevereiro, minha mulher atendeu ao telefonema do Instituto do Coração de São Paulo anunciando que havia chegado minha vez na fila. Senti uma mistura de apreensão e felicidade. Mas deu tudo certo. A sensação de ter minha vida de volta supera qualquer sentimento de estranheza por ter um órgão de outra pessoa. Sei que nasci de novo."Hélio Fujita 61 anos, pediatra, transplante de coração em fevereiro deste ano.

Novo nascimento
Lailson Santos
"Descobri que tinha hepatite C por acaso, há quinze anos. Tomei remédios para tentar negativar o vírus, mas depois de dez anos infectado comecei a me sentir muito mal: tinha falta de ar, porque a doença afetou os pulmões, e engasgava com os alimentos, porque o esôfago também já estava comprometido. Foi então que os médicos decidiram me colocar na fila do transplante. A perspectiva é que eu esperaria quatro anos, mas meu irmão resolveu me doar uma parte do fígado dele e, em menos de um ano, eu fiz a cirurgia. Tirei a sorte grande. Não sinto mais falta de ar, passei a fazer musculação para ficar mais saudável e voltei a cursar a faculdade de História que eu tinha começado depois de me aposentar. O dia da cirurgia é comemorado até hoje como meu novo nascimento."José Roberto Nunes 64 anos, professor universitário aposentado, transplante de fígado em 2006

As vantagens do controle on-line
O Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo. De cada 100 cirurgias do gênero, 92 são pagas pelo governo, que investe anualmente 530 milhões de reais no sistema. No entanto, para que o país se torne referência na área, é preciso aprimorar o sistema de doação, captação e distribuição de órgãos. Uma das iniciativas mais bem-sucedidas nessa direção foi a da Secretaria da Saúde de São Paulo.
Em 2006, ela criou o Webtransplante, uma base de dados on-line que permite aos médicos e ao governo acompanhar diariamente o resultado das cirurgias realizadas no estado e, a partir daí, planejar melhorias.
Logo ao entrar no ar, o Webtransplante detectou dois problemas: falhas nas notificações de morte encefálica e poucos doadores efetivos. Muitos órgãos, por exemplo, eram desperdiçados por falhas na manutenção do corpo do doador ou por causa da recusa dos parentes em fazer a doação.
Na tentativa de reverter esse quadro, mais de 500 profissionais foram treinados para ajudar na identificação de doadores potenciais e fazer contato com as famílias. Em um ano, o número de doadores aumentou 29% e o de órgãos transplantados, 34%.
Em São Paulo, há ainda o acompanhamento dos pacientes depois do transplante. Pelo Webtransplante, cada equipe médica informa periodicamente à secretaria as condições de saúde dos operados. Como os hospitais têm no máximo dois meses para fazê-lo, sob pena de não conseguir cadastrar mais pacientes na fila, o governo consegue acompanhar o resultado de todos os pacientes, de forma a aprimorar ainda mais o sistema.
A partir desse monitoramento, é possível determinar até que ponto um transplante é eficaz ou não – e também o grau de sucesso de cada hospital e seus respectivos médicos.
O chefe dos transplantes do Hospital Albert Einstein, Ben-Hur Ferraz Neto, entusiasta do banco de dados on-line, considera que São Paulo tem hoje um dos melhores sistemas de informação sobre transplantes do mundo. "As decisões para melhorar o sistema são tomadas a partir de dados concretos, e não de impressões", diz ele. "Se esse sistema fosse implantado no país inteiro, o Brasil daria um enorme passo adiante."

Para fazer a fila andar melhor
Lailson Santos
Pioneirismo. O cirurgião inglês Paul McMaster é um dos principais responsáveis pelos avanços nos transplantes de fígado.
O cirurgião inglês Paul McMaster é um dos pioneiros dos transplantes hepáticos, o mais complexo de todos os transplantes.
Em 1980, juntamente com o médico Elwyn Elias, ele fundou a Unidade de Fígado da Universidade de Birmingham, no interior da Inglaterra. De lá para cá, o centro transformou-se num difusor de inovações. É de McMaster e sua equipe, por exemplo, a descoberta de que algumas pessoas podem, sim, beneficiar-se de um fígado não inteiramente perfeito. Com isso, as filas passaram a andar mais rapidamente e muitas vidas foram salvas. Hoje, aos 65 anos, McMaster atua na organização humanitária Médicos sem Fronteiras, coordenando equipes em áreas de conflito na África. Durante sua última visita ao Brasil, McMaster falou à repórter Naiara Magalhães.
Órgãos não perfeitos. No começo da década de 90, minha equipe em Birmingham percebeu que muitos órgãos antes considerados impróprios para o transplante poderiam salvar vidas. Pouquíssimos órgãos são "perfeitos", mas muitos são adequados e podem ser usados de maneira bem-sucedida em alguns pacientes. Por exemplo: uma pessoa que tem o sangue infectado pelo vírus da hepatite C, mas não tem a doença instalada no fígado, pode ser um bom doador para um paciente com cirrose hepática também causada pelo vírus da hepatite C. Ainda que esse receptor contamine o fígado transplantado, ele provavelmente viverá muito bem entre dez e vinte anos sem comprometer o funcionamento do novo órgão. Com essa mudança de abordagem, foi possível aumentar o número de pacientes salvos. Há vinte anos, de 50% a 70% das pessoas à espera de um transplante de fígado, em todo o mundo, morriam antes ser atendidas. Hoje, esse índice fica em torno de 15%.
Um em dois. A maior inovação dos últimos anos, no campo do transplante de fígado, foi o desenvolvimento da técnica de dividir um órgão para beneficiar duas pessoas: em geral, a menor parte vai para uma criança e a maior fica com um adulto. É um procedimento difícil de ser realizado, mas uma ótima maneira de aumentar o número de operados. Os avanços na área cirúrgica permitiram, ainda, diminuir o sofrimento das pessoas que passam por um transplante de fígado. Há vinte anos, essa operação durava de dezessete a 24 horas. Atualmente, leva cinco horas, em média. O tempo de recuperação pós-operatória também caiu pela metade – de trinta dias para duas semanas ou até dez dias, em alguns casos.
A cura. A maioria das pessoas que passam por um transplante de fígado consegue, hoje, ter uma vida normal. Se o paciente ultrapassar o primeiro ano, a chance de ele durar os próximos vinte, e com qualidade de vida, é maior do que em qualquer outro transplante. Com moderação, ele pode fazer tudo – até tomar uma taça de vinho no almoço. Uma das maiores contribuições para a melhoria da qualidade de vida dos transplantados ocorreu a partir do momento em que otimizamos o uso dos medicamentos antirrejeição, os imunossupressores. Tais medicamentos são muito agressivos e costumam causar problemas graves, como insuficiência renal, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Minha equipe em Birmingham começou a usar esses remédios em menor quantidade, de forma a devolver às pessoas uma existência de fato normal. Nós diminuímos as dosagens ao mínimo suficiente para evitar a rejeição e, ao mesmo tempo, reduzir seus efeitos colaterais.
De 15% a 25% dos pacientes, especialmente os mais idosos, ainda sofrem com os efeitos da medicação. Mas o mais importante é que, para a maioria das pessoas, o transplante de fígado representa a cura total.
Informações preciosas. O maior gargalo na área dos transplantes de fígado ainda é o número de doadores. Os países com as melhores taxas de pessoas salvas por esse tipo de cirurgia – a Espanha, em primeiro lugar, além de Inglaterra, França e Bélgica – são aqueles que investiram em ações capilares para aumentar o número de doações.
Uma das estratégias mais eficazes é criar uma rede de coordenadores de transplantes em todo o país. Esses profissionais monitoram os hospitais para identificar os potenciais doadores, fazem o contato (sempre delicado) com as famílias, explicando que o diagnóstico de morte encefálica é absolutamente preciso e esclarecendo os benefícios da doação de órgãos.
Outra estratégia fundamental para incentivar o aumento das doações é informar o maior número possível de pessoas sobre como esse tipo de cirurgia é capaz de salvar milhares de vidas a cada ano. A população tem de ter acesso a todos os dados do trabalho feito pelos médicos. Na Inglaterra, por exemplo, essas informações estão na internet. Dessa forma, as pessoas não precisam acreditar apenas num discurso edificante. Elas têm a oportunidade de conferir os resultados e tirar suas próprias conclusões.
Os mais doentes, primeiro. Administrar a fila do transplante também é fundamental para evitar desperdícios e salvar vidas. É crucial que o paciente mais necessitado receba o órgão primeiro. Já adotado nos Estados Unidos e em boa parte da Europa, esse modelo começa a ser posto em prática por um número crescente de países. No Brasil, isso ocorre desde 2006. Até então, vigorava o sistema da lista cronológica, em que a prioridade era dada a quem estava na lista havia mais tempo. Sob a vigência dos critérios antigos, um paciente muito doente morria antes de chegar a sua vez, enquanto outro, em estado menos grave, era beneficiado. Além disso, o critério cronológico produzia listas muito maiores. Os pacientes com doenças hepáticas costumavam entrar na fila antes de precisar realmente do transplante, apenas por saber que o tempo de espera seria muito longo.
Uma decisão difícil. Há situações em que a pessoa está tão doente que receber um fígado novo não vai ajudá-la. Nesses casos, o melhor é não fazer o transplante. Para receber um órgão doado, o paciente tem de ter mais de 80% de chance de sobreviver por mais de cinco anos com o transplante e 70% de probabilidade de morrer em um ou dois anos se não passar pela cirurgia. Esse é um dos julgamentos mais difíceis que o médico tem de fazer, mas é essencial: se o transplante não pode ajudar uma pessoa, é melhor usar o órgão para melhorar a vida de outra.



REVISTA EPOCA
03/04/2009 - 15:52
Drauzio Varella e os transplantes


O médico estreia uma nova série sobre o assunto e descobre que o problema no Brasil não é a falta de órgãos, mas a falta de recursos médicos para aproveitá-los
Cristiane Segatto

CRISTIANE SEGATTO cristianes@edglobo.com.br Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 14 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo
No dia 12, o médico Drauzio Varella estreia mais uma de suas ótimas séries exibidas no Fantástico, da TV Globo. Desta vez, o nome será Transplante, o dom da vida.

Drauzio passou mais de um ano trabalhando no tema. Viajou pelo Brasil e para países como China, Espanha e Estados Unidos para conhecer de perto realidades que podem contribuir para a melhoria do sistema brasileiro.

Teve tempo e dinheiro à vontade para apurar o que fosse necessário, um investimento raríssimo na imprensa brasileira. Conversei com ele nesta semana para saber o que descobriu. Assim como os bons repórteres, Drauzio acha que nada substitui o trabalho de campo. As ideias preconcebidas que temos antes de começar a apurar uma reportagem e toda a discurseira que ouvimos na redação costumam cair por terra quando encaramos a realidade como ela é.

Na área de saúde (e acho que nas outras também), isso acontece o tempo todo. Drauzio tinha a convicção de que faltam órgãos para transplante porque as famílias dos mortos não aceitam doar.

Durante a apuração das reportagens, aprendeu que estava errado. Em São Paulo, 70% das famílias aceitam fazer a doação. A cada ano, o estado registra 14 mil mortes encefálicas. Isso significa que haveria quase 10 mil doadores potenciais a cada ano. Em 2008, no entanto, o estado que concentra o maior número de transplantes do país realizou apenas 1.317 procedimentos desse tipo.

As filas não andam porque a captação de órgãos no Brasil é muito deficiente. A captação é o nome técnico para a série de procedimentos necessários para que a retirada dos órgãos se concretize. O cadáver precisa ser mantido num leito de UTI e receber uma série de cuidados para que os órgãos não entrem em sofrimento. Além disso, o médico que relata o óbito à central de transplantes precisa preencher uma papelada que toma um tempo que ele simplesmente não tem. "Quando o médico tem dez doentes para cuidar e ainda precisa zelar pelo cadáver, ele escolhe os vivos", diz Drauzio Varella.
Drauzio foi à Espanha para entender como os espanhóis resolveram esse problema. É o país que tem o maior índice de doação por habitante em todo o mundo. Descobriu que a solução pode ser simples. Em cada hospital de grande movimento há um plantonista contratado exclusivamente para cuidar dos cadáveres na UTI e preencher todos os papéis necessários para a realização dos transplantes. "O custo de se manter um plantonista a mais em cada hospital é infinitamente inferior ao benefício oferecido pelos transplantes a tantas pessoas", afirma Drauzio.
O médico viajou também aos Estados Unidos para conhecer as técnicas mais avançadas e esteve na China. Foi a primeira equipe de TV brasileira a filmar um transplante de rim intervivos no país. Os transplantes desse tipo vem crescendo na China. Durante muitos anos, no entanto, o país conseguiu reduzir a espera pelas cirurgias ao usar órgãos de condenados à morte. O utilitarismo chinês é chocante. Uma ambulância estaciona ao lado do local onde os presos são executados. O cadáver é levado para o carro e aberto ali mesmo para a retirada dos órgãos. "Quando estive lá, os chineses disseram que estavam deixando de usar esse sistema", diz Drauzio, sem muita convicção.

Ainda não assisti à série, mas imagino que tenha sido tão bem feita quanto as anteriores. Durante meses, Drauzio acompanhou doentes brasileiros que foram inscritos na lista de transplante e se tornaram reféns de decisões alheias.

Entrar numa fila dessas é uma das experiências mais devastadoras que uma pessoa pode enfrentar. Durante os últimos anos, entrevistei muitos brasileiros nessa situação – principalmente os da fila do fígado, a lista mais cruel. Seis mil brasileiros disputam um fígado. Dois em cada três inscritos morrem antes de conseguir o transplante. Nunca esqueci um desses doentes. Humberto Costa tinha 54 anos e morava na Bahia quando outro Humberto Costa era o ministro da Saúde. Com o fígado destruído pela hepatite C, Humberto (o sem poder) foi inscrito na fila de transplantes de São Paulo em 2000. Esperou cinco anos até se tornar o primeiro da fila entre os pacientes com tipo sanguíneo B. Achou que sua vez havia chegado.

Mudou-se para São Paulo com a mulher e instalou-se num flat apertadinho perto do hospital à espera do telefonema salvador. Quando o conheci, ele estava há oito meses como o primeiro da fila. E o telefonema nunca aconteceu. Reproduzo aqui um pouco de sua agonia:
Humberto Costa usava práticas orientais na tentativa de melhorar a qualidade de vida e sobreviver na fila do transplante de fígado. Não conseguiu: morreu antes.
"Sonho que meu doador apareceu e acordo à noite achando que o telefone está tocando. Quando a bateria do celular descarrega, fico tenso. Só estou aguentando esse drama porque descobri uma prática oriental que contribui para a purificação física e espiritual. Não quero perder meu lugar na fila depois de tanto tempo".
A preocupação de Costa era totalmente justificável. Naquele momento, em julho de 2005, o Ministério da Saúde pretendia mudar os critérios para inclusão de pacientes na fila do fígado. Até aquela data, o que valia era a ordem cronológica (os pacientes que entraram na fila primeiro eram operados primeiro). As autoridades resolveram adotar o critério de gravidade (chamado de Meld). Por esse critério, os pacientes em estado mais grave ganham pontos adicionais e ocupam as primeiras posições na fila. Para alguns especialistas, a mudança foi benéfica porque deu alguma chance aos pacientes graves que não resistiriam à espera. Para outros especialistas, a mudança não será capaz de produzir benefícios enquanto a oferta de fígados for imensamente inferior à quantidade de candidatos. A discussão é infindável, mas a alteração de critérios mudou a história de Humberto. As autoridades alteraram a regra com a bola em campo (como se diz no futebol). Não houve uma fase de transição. De uma hora para outra, o doente que permaneceu durante oito meses como o primeiro da fila perdeu dezenas de posições na lista. Alguns meses depois, recebi um telefonema da Bahia. Do outro lado da linha, um parente de Humberto me deu a notícia: – Ele morreu. Sem conseguir o transplante.

Você tem algum conhecido que está ou esteve na fila de transplante? O que você acha que o Brasil deveria fazer para melhorar o sistema. Queremos ouvir a sua opinião.

Comentários
luiz kunimatsu wada SP / Araçoiaba da Serra 05/04/2009 03:02 transplantes: primeira coisa os meu agradecimentos ao reconhecimentos da precuridade do Brasil sobre os Tranplantes perdas de Órgaos por falta de recursos primários que o nosso Brasil poderia ser um pais de premeiro no mundo dos transplantes para mim os melhores médicos na medicina e quimicos sao do Brasil mais os recurssos parassada pelo governa falta muito para que seja realidade mais a realidade que o Brasil a a area social esta faltando recurssos que o nosso presidente ve nos pobremas que tem o Brasil nao tem hospitas e muito menos pessos enfermeiros e ajudantes com capacidadese amor ao proximo falo isso porque moro no Japao a 18 anos e vejo como e aqui e talves posso passar auguma coisa de util para o brasil aqui nao tem sus tudo e pago se vc tiver seguro da prefeitura vc so paga 30% do valor real e nao tem sindicato ou memos iss o qualquer desconto no salario e ai nos recebemos tudo com desconto e nada vemos para nos aproveitar disso e temos que fazer um plano de saude que tem carencia absudo isso por isso que o Brasil tem que melhorar muito as leis ou melhor usa-la e cumprir para todos igual somos humanos sendo pobres ou ricos e temos o direito de termos uma vida melhor na parte social obrigado desculpe os erros de portugues.


Rafael RJ / Rio de Janeiro 05/04/2009 02:28 A tal da corrupção...Sem falso pessimismo, mas em um país que a lei para os ricos só ficam no papel e os políticos usam o dinheiro do estado para os seus próprios bens.Com isso fica difícil acreditar que as listas de transplantes não sejam corrompidas. Todavia, tirando o lado pessimista da coisa, o governo deveria lança uma campanha de públicidade massisa para a conscientização da importância doação de orgãos.

Brito BA / Itaparica 05/04/2009 00:09 Muito grato...Ficou muito agradecido pela reportagem, o dr. Drauzio, está de parabéns, pois eu acompanho de perto alguns paciente com IRC - insuficiência renal crôninca, que, na sua ansiedade se angustia fala falta de uma oportunidade em sair de uma máquina de hemodiálise, alguns por sinal, tem parentes q nem se quer ligam para os mesmos. Aí, de quem é a culpa? Provavelmente as informações estão tão longe desses q nem sequer podem oferecer os seus órgãos para os seus parentes, como o medo tem chegado a eles, creio eu q é preciso uma orientação mais precisa, no entanto, essas pessoas em máquina de hemodiálise poderão assim ficarem livre, pois, apesar da mesma ser uma das terapias q poder dar uma sobrevivência aos pacientes com IRC. Mas, eles não querem ficar o tempo todo nessa máquina, então é preciso esclarecer, abrir a cabeça de cada brasileiro sobre a doação seja ela qual for.Dico isso, pois uma dia eu precisei de um rim, e hoje estou livre da máquina, graças a Deus e a minha prima!Repito, a falta de informação tem deixado a desejar..."NENHUM DE NÓS PODE CONSIDER-SE LIVRE DA POSSIBILIDADE DE PRECISAR DE UM ÓRGÃO TRANSPLANTADO, O DESTINO APONTA PARA QUALQUER UM." João Ubaldo

sábado, 4 de abril de 2009

03/04/2009 - 09:15
Médico acusado de furar fila de transplante é absolvido
Agência Estado

Por AE
São Paulo - O médico Joaquim Ribeiro Filho, acusado de operar pacientes fora da ordem da fila de transplantes de fígado, foi absolvido pela juíza Lilea Pires de Medeiros, da 21ª Vara Federal no Rio, na ação civil por improbidade administrativa.
Ela considerou que não houve irregularidades porque os órgãos utilizados eram “marginais” - fora das condições ideais de tamanho, peso e quantidade de gordura.
Em sua defesa, Ribeiro Filho apresentou declarações de pacientes que estavam nos primeiros lugares na fila e que confirmaram não querer receber o órgão naquela condição.
Para o advogado Paulo Freitas Ribeiro, que faz a defesa do médico, sua absolvição tanto na ação civil quanto pelo Conselho Regional de Medicina demonstra que não existem provas contra o profissional.
Ribeiro Filho e outros médicos que operavam em sua equipe, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, foram presos em agosto do ano passado na Operação Fura-Fila da Polícia Federal.
Eles foram soltos semanas após a operação e podem exercer normalmente a profissão.
A procuradora da República Marina Filgueiras vai entrar com recurso pedindo a anulação da sentença. Ela afirma que, apesar da suspeita de que o fígado não seja marginal, não foi feita perícia para comprovar sua qualidade.
A ação, movida desde 2003, trata do caso do transplante de Jaime Ariston, irmão do então secretário estadual de Transportes. Ele foi operado quando era o 32º da fila. Ribeiro Filho responde ainda a ação criminal que julgará a conduta do médico em outros dois casos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sábado, 28 de março de 2009

Doar órgãos é um ato solidário e salva vidas
Ministério da Saúde - Notícias

A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento de sua morte, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos e tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.
Hoje, no Brasil, para ser doador de órgãos não é necessário deixar nada por escrito, em nenhum documento. Basta comunicar a família do desejo de doação. A doação de órgão só acontece após autorização familiar. Cerca de 1% de todas as pessoas que morrem são doadores em potencial. Entretanto, a doação pressupõe certas circunstâncias especiais que permitam a preservação do corpo para o adequado aproveitamento dos órgãos para doação.
Para o enfermeiro e tutor do Portal Educação, Alisson Daniel, “a doação de órgãos é um ato de solidariedade, salva vidas, trazendo esperança às pessoas que recebem estes órgãos”.
Enfermeiros e profissionais da saúde têm a oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos no curso de Enfermagem em Doação e Transplante de Órgãos do Portal Educação. O investimento é de R$ 157,57 com uma carga-horária de 60 horas. Para saber sobre o conteúdo programático completo, certificado, formas de pagamento e outras informações, acesse o site do Portal Educação ou ligue para 0800 707 4520 (ligação gratuita).

terça-feira, 24 de março de 2009

CONVITE

Prezado Senhor (a).
É com grande alegria e orgulho que a Associação de Pacientes Transplantados da Bahia (ATX-BA) vem comunicar a outorga do Título de Cidadão de Salvador ao Dr. José Osmar Medina de Abreu Pestana.
Contamos com a presença de todos para essa merecida homenagem.

“Aos 18 anos ele saiu de Ipassu, município de 13 mil habitantes no interior de São Paulo. Aos 53, José Osmar Medina Pestana ultrapassou a marca de 6 mil transplantes na capital e em outras partes do mundo. Graduado pela Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 1979, dez anos depois concluía o pós-doutorado em Oxford, Inglaterra. Há dois anos, recebeu das mãos de seu orientador, Peter Morris, o título de fellow honorary do Royal College of Surgeons of England. Professor titular da Disciplina de Nefrologia da Unifesp, dirigiu o Hospital São Paulo de 1993 a 1999. Presidiu a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos de 2001 a 2003, entidade que completou 20 anos em dezembro e na qual continua como presidente do Conselho Consultivo. Em meio aos 15 transplantes por semana, ainda preside a Sociedade Latino-Americana de Transplantes, é delegado da AMB e suplente da Comissão de Transplantes de Órgãos e Tecidos desde 2003”. (Jamb – JAN/FEV 2007)


ATX-BA


CONVITE

A Câmara municipal da Cidade do Salvador tem a honra de convidar V. Exa. para a solenidade de outorga do Título de Cidadão da Cidade do Salvador ao Dr. José Osmar Medina de Abreu Pestana, nos termos da Resolução n.º 1.848/08, requerida pela Vereadora Eron Vasconcelos, a ser realizada no dia 26 de março, às 19 horas no Centro Cultural da Prefeitura da Cidade do Salvador.

Centro Cultural, março de 2009

Alan Sanches
Presidente




domingo, 22 de março de 2009


21/03/2009 16:10
Pais doam órgãos de menino de cinco anos

Viviane Martins

Pais doam órgãos de menino de cinco anos, que teve sua morte anunciada na quinta-feira (19) pelos médicos da Santa Casa de Campo Grande. João Vitor Pacheco de Souza, 5 anos, caiu na escola em Corumbá, na quarta-feira (18), e foi encaminhado para hospital da cidade, com traumatismo craniano. Na quinta-feira (19) ele veio para a Santa Casa de Campo Grande, e a noite o médico diagnosticou sua morte.
A família autorizou a doação de seus órgãos para o hospital. De acordo com a enfermeira Adriana Bottaro, a família se propôs ajudar desde o início. “Em momento nenhum houve a recusa da doação. O desejo da família é de ajudar.”
Mas apenas hoje (21) que começaram os transplantes de seus órgãos. O fígado e os rins foram doados para Santa Casa de São Paulo. O médico Wangler Vasconcelos, chegou hoje (21) por volta 10h20, e participou da retirada do fígado. “Já temos uma criança de dois anos e meio aguardando este fígado, ela tem taxa de hepatite fulminante aguda, ou opera ou morre.”
De acordo com Adriana, esta é a primeira vez que um órgão doado em Mato Grosso do Sul é encaminhado para outro estado. Em Mato Grosso do Sul, não tem uma equipe específica para transplantes e retirada de fígado e nem fila de espera para o órgão.
O coração não pode ser aproveitado, pois segundo Vasconcelos, este órgão tem tempo de preservação de duas a quatro horas, e seria um risco, pois, são 1h30 de viagem e mais trinta minutos de trânsito na capital de São Paulo. O que levaria muito tempo para conversar o órgão. Já a duração do fígado é de 18 horas.
Para os rins de acordo com o médico Vasconcelos já existem duas crianças aguardando.
Também está em operação para a retirada de duas córneas. “Provavelmente será para duas crianças, mas não impede que o receptor seja um adulto. Estes são os únicos órgãos a ficarem em Campo Grande”, explica Adriana.
iniciaCorpo.
Morre capixaba na fila de transplante: ele era o primeiro da fila no país
21/03/2009 - 18h45 ( Gazeta-Online/Da Redação Multimídia)

Uma delicada situação que se faz presente em milhares de famílias mundo a fora e que também está presente em várias famílias capixabas. A falta de doadores de órgãos é uma realidade que incomoda. Para a família de Paulo Vítor Silva Souza, de 26 anos, o que incomoda agora é a falta dele junto a família.
Paulo esteve internado desde o último dia 12, vítima de uma hepatite, no Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam). O se estado inspirava tanto cuidado que o fez entrar na fila nacional para transplante de fígado com prioridade de atendimento. Mesmo assim, depois de dias em busca de um doador, nesta tarde de sábado, veio a notícia que ninguém queria receber: a morte cerebral do rapaz foi anunciada.

Procurado pela equipe da Redação Multimídia, um outro paciente que viveu de perto a mesma situação até bem pouco tempo, o presidente da Associação de Apoio aos Pacientes da Fila de Transplantes de Órgãos e os Transplantados do Espírito Santo, Adauto Vieira de Almeida - que é transplantado de fígado e acompanhava a busca por doares para Paulo Vítor - informou que Paulo estava em coma, respirando com ajuda de aparelhos, com febre e com princípios de hemorragia.

"O caso dele era grave, não sabemos se ele aguentaria um transplante, mas nunca deixamos de ter esperança". Paulo Vítor conseguiu ter prioridade no Centro de Captação de Órgãos do Espírito Santo, que tendo acionado a Central Nacional de Captação de Órgãos garantia ao jovem prioridade, caso fosse encontrado algum doador compatível em qualquer lugar do Brasil. Mas infelizmente esse doador na apareceu em tempo hábil. Ainda segundo Adauto, muitos pacientes que tem morte encefálica no Estado, mas o que falta é informação. "Há muitos casos de morte encefálica no Espírito Santo, mas se a família não está bem orientada muitas vidas deixam de ser salvas com as doações", afirma.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) afirmou em nota, que Paulo Vítor foi cadastrado imediatamente após a solicitação do médico que o acompanhava, como urgência máxima, pela Central de Captação de Órgãos do Estado. Além da prioridade na lista, a Secretaria efetuou buscas nos hospitais estaduais, que foram também alertados para notificar, junto à Central, o aparecimento de um doador, sem sucesso.

quarta-feira, 18 de março de 2009


Vida e Saúde
Terça, 17 de março de 2009, 17h32 Atualizada às 18h29


Entenda a morte cerebral e as regras para doação de órgãos

Últimas de Vida e Saúde

Depois de uma série de exames ao longo do dia, como o doppler transcraniano - que mede o fluxo de sangue no cérebro do paciente -, a equipe médica do Hospital Santa Lúcia, em Brasília (DF), confirmou a morte cerebral do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP).

Agora, as autoridades de saúde do DF deverão avaliar as condições de alguns órgãos de Clodovil, como coração e rins, para verificar a possibilidade de encaminhá-los para a doação.

Mesmo que o paciente manifeste em vida o desejo de doar, cabe à família autorizar ou não a retirada de órgãos e tecidos. Mas, como o estilista não tem parentes próximos, amigos dizem que ele teria uma autorização judicial para o procedimento.

A notícia é rodeada por um forte impacto emocional especialmente porque aborda três assuntos que ainda geram muitas dúvidas e polêmicas entre os brasileiros: morte cerebral, doação e transplantes de órgãos.

Para tentar esclarecer algumas das questões mais freqüentes e derrubar alguns mitos, o Terra entrevistou Rogério Carballo Afonso, médico cirurgião da Equipe de Transplante de Fígado do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

Entre outras respostas que mostram o quanto o assunto é polêmico, por exemplo, o especialista garante que a família precisa autorizar a doação e que desconhece qualquer documento por escrito que garanta o procedimento.

Terra:É possível deixar algum documento escrito para comprovar a vontade de doar? Isso não garantiria a doação, independentemente da opinião dos familiares?
Rogério Carballo Afonso: Pela legislação brasileira, para ocorrer a doação de órgãos e tecidos é obrigatória a consulta aos familiares, até o 2º grau de parentesco (irmãos, pai, mãe, avós, netos) e maiores de 18 anos. Se não houver parentes para dar essa autorização, a doação não é feita.

Terra: Toda pessoa que morre pode ser considerada um potencial doador ou só em caso de morte encefálica?
RCA: A doação de órgãos - com exceção das doações feitas em vida - só pode ser feita com a detecção da morte encefálica, ou morte cerebral, como é mais conhecida. A morte por parada cardíaca possibilita apenas a retirada de tecidos, como córneas, pele, ossos e cartilagens. Em alguns países, são retirados órgãos de mortos por parada cardíaca, mas isso não ocorre no Brasil.
Terra: Em quais situações é determinada a morte cerebral (ou encefálica)?
RCA: Quando há a parada total e irreversível das funções cerebrais. Nesse caso, os outros órgãos do paciente, como o coração, continuam funcionando por meio de aparelhos. Para comprovar a morte encefálica, é preciso o diagnóstico clínico feito por, pelo menos, dois médicos diferentes, em um intervalo - normalmente a cada seis horas - que varia para cada faixa etária. Por último, é feito um exame complementar que comprove a ausência de atividade cerebral, seja ela atividade elétrica, metabólica ou ausência de circulação sangüínea.
Terra: É verdade que o Brasil é o campeão em doação de rim?
RCA: O Brasil é o segundo país em número de transplantes, em geral. O primeiro lugar fica com os Estados Unidos. No entanto, considerando a dimensão da população brasileira ainda estamos muito atrás.
Terra: Qual o tipo de doação mais freqüente no Brasil e a menos freqüente?
RCA: A doação de córneas é a mais realizada no País, porque é a mais simples no que diz respeito à técnica para realização do transplante. Além disso, este tecido pode ser retirado de doadores com morte cardíaca. No Estado de São Paulo, por exemplo, não há fila para o transplante de córneas. É preciso esperar apenas alguns dias para a cirurgia. Já os transplantes menos realizados são os de pulmão e coração, porque, mesmo com a intenção de doar, é mais difícil manter a qualidade desses órgãos.
Terra: Como estão as filas de transplantes hoje no Brasil? Continuam enormes ou a situação melhorou?
RCA: A desproporção é cada vez maior. Infelizmente, a fila de espera por transplantes ainda cresce muito mais que a quantidade de órgãos e tecidos doados.
Terra: A família pode escolher para quem o órgão será doado? Em que casos essa escolha pode ser feita?
RCA: A escolha só pode ser feita em caso do doador vivo. Já a família do doador falecido não pode direcionar os órgãos, que são oferecidos à lista de espera.
Terra: O que a lei diz sobre as famílias do doador e do receptor? Eles podem se conhecer?
RCA: Este não é um encontro estimulado para que o processo seja o mais isento possível. Caso o receptor ou sua família deseje saber quem foi o doador, a equipe que realizou a cirurgia de transplante não pode informá-los, até mesmo porque, em algumas situações, nem mesmo os médicos sabem a procedência do órgão.
Terra: Uma das principais dúvidas é sobre como fica o corpo da pessoa que doou os órgãos e tecidos. Há riscos de deformação?RCA: Esta é uma preocupação levada a sério pelas equipes responsáveis pela remoção de órgãos e tecidos. É respeitado todo o procedimento como em uma cirurgia normal. Ficam cortes, como em toda intervenção cirúrgica, mas que não são perceptíveis no velório, por exemplo, já que o corpo é velado com roupas. Não é possível identificar se um determinado corpo foi ou não doador.
Terra: Todos os hospitais no País estão preparados para fazer um transplante?
RCA: Pela lei (uma portaria assinada no dia 27 de setembro de 2005 pelo então ministro da Saúde, Saraiva Felipe), todos os hospitais públicos, privados e filantrópicos com mais de 80 leitos devem ter uma Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT). A função da comissão é identificar possíveis doadores e viabilizar a remoção dos órgãos, assim que for autorizada pela família do doador. Na prática, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do País ou em cidades afastadas dos grandes centros, nem todos os hospitais possuem esse recurso ou nem sempre a comissão funciona da maneira que deveria. Terra: Quais os obstáculos que hoje dificultam o transplante no Brasil?
RCA: Claro que ainda faltam muitas equipes, principalmente fora das regiões Sul e Sudeste. Mas é preciso também esclarecer as dúvidas e mostrar que a retirada de órgãos é algo seguro e feito por profissionais preparados. Outro fator muito importante é deixar claro para as famílias o desejo de ser um doador. Não deixe essa decisão para um momento em que não é fácil racionalizar. Se um pai ou um filho sabe do desejo do parente, fica mais fácil ele autorizar a doação, até mesmo como uma forma de última homenagem.
Redação Terra

quinta-feira, 12 de março de 2009

12/03/2009 19h28 Saúde
Campanha alerta para prevenção de doenças renais
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A Sociedade Brasileira de Nefrologia lançou, nesta quinta-feira, Dia Mundial do Rim, a campanha Previna-se, contra doenças renais. Foram programados mais de 400 mutirões em todos os estados para fazer gratuitamente exames de urina e de creatinina no sangue, que ajudam a detectar a doença no estágio inicial.
O objetivo da campanha é alertar as pessoas sobre os riscos da doença que cresce cerca de 8% ao ano no Brasil. De acordo com a SBN, cerca de 10 milhões de pessoas são vítimas de complicações renais no país. Desse total, 2 milhões sofrem com doenças renais crônicas e 60% não sabem que têm o problema. Nos casos mais graves, as complicações nos rins podem levar à perda do órgão e à morte.
Em 2007, foram feitos no Brasil 3.397 transplantes de rins, contra 3.281 em 2006, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Segundo a associação, atualmente os estados com mais pessoas na fila do transplante são: São Paulo (9.583), Minas Gerais (3.931), Rio de Janeiro (3.537), Paraná (2.471) e Bahia (2.345). Ao todo, a SBN calcula que o país já realizou 25 mil transplantes de rins.
Uma pesquisa feita pela SBN em 546 unidades de diálise do Brasil revelou ainda um aumento de 72% no número de pessoas que fazem esse tipo de tratamento entre janeiro de 2000 e o mesmo mês de 2009. A diálise é um processo destinado a repor as funções dos rins, retirando as substâncias tóxicas e o excesso de água e sais minerais do organismo.
Segundo o presidente da SBN, Emmanuel Burdmann, atualmente 87 mil pessoas fazem diálise no Brasil. “Existem cerca de 600 hemocentros, no país, o que é insuficiente para atender a demanda. Além disso, o quadro de especialistas não é suficiente para tratar todo mundo.”
O médico disse que que a doença atinge com mais freqüência três grupos de pessoas: pessoas que têm diabetes (doença metabólica caracterizada por um aumento anormal da glicose ou açúcar no sangue), hipertensos (pessoas que têm pressão arterial elevada) e pessoas com mais de 50 anos.
Burdmann explicou que os sintomas mais comuns da doença renal são: inchaços no corpo, mau hálito, palidez e coceiras. “É difícil as pessoas ligarem esses sintomas à doença renal. Existem várias doenças com os mesmos sintomas, e isso prejudica o diagnóstico precoce. Por isso, quando a pessoa chega para fazer o exame, 50% do rim já está com o funcionamento prejudicado.”
Da Agência Brasil

domingo, 1 de março de 2009




Saúde - S. J. do Rio Preto
HB de Rio Preto faz 2º transplante de coração em 8 dias
28/02/2009 - 18:00:00 - Diário da Região
O Hospital de Base (HB) de Rio Preto fez ontem o segundo transplante de coração do ano. Os dois procedimentos foram realizados em oito dias, uma conquista inédita no HB, segundo o médico responsável pelo setor, Reinaldo Bestetti. “Tivemos sorte de ter dois órgãos disponíveis em um período de tempo tão curto. Isso é raro”, disse. O doador do transplante de ontem é o pintor Paulo Bertholazo, 33 anos, vítima de um aneurisma cerebral no último sábado. Após ficar quatro dias em coma no HB, a morte cerebral foi confirmada no fim da manhã de anteontem. Poucas horas depois a família autorizou a doação dos órgãos de Bertholazo. O receptor do coração é um homem de Mirassol, vítima da doença de Chagas, que ataca o órgão. A cirurgia durou cerca de três horas. Segundo Bestetti, o receptor passa bem. O vidraceiro Jair Bertholazo, 42 anos, diz que a família autorizou a doação dos órgãos baseada na vontade do próprio irmão. “Ele expressou o desejo de doar todos os órgãos, caso morreresse, num churrasco familiar há quatro meses. Decidimos cumprir sua última vontade”, afirmou o irmão. O fígado de Paulo foi enviado para Ribeirão Preto. Até às 20h de ontem, a Central de Transplante ainda não havia definido o destino dos rins e das córneas. O primeiro coração transplantado em 2009 foi doado pela dona de casa Luciana Patrícia Salles Sabino, também vítima de aneurisma, no último dia 19. A família acusa a Secretaria Municipal de Saúde e o Hospital de Base (HB) de Rio Preto de negligência médica. Ânimo A segunda cirurgia no prazo de duas semanas anima a equipe de Bestetti, que no ano passado fez apenas quatro transplantes, contra sete em 2007. Desde o início do programa, em 2000, foram 68 transplantes cardíacos. “Este ano devemos alcançar um número um pouco maior, embora a tendência seja de queda no número anual de procedimentos”, diz. Segundo Bestetti, a queda se deve ao envelhecimento do doador. “No início da década, a maioria dos doadores era de jovens na faixa etária entre 25 e 35 anos. Agora, a maioria tem mais de 40, com um coração nem tão saudável”, afirma. Outra dificuldade do HB tem sido a falta de estrutura para captar órgãos vindos de fora do Noroeste Paulista. “Precisamos ter uma equipe maior, com dedicação exclusiva, para poder pegar o órgão em outras cidades do interior paulista com disponibilidade constante, como Ribeirão Preto, Araraquara, São Carlos, Araçatuba.” A equipe de transplante cardíaco do HB é formada por seis médicos, sem contar os auxiliares. A estruturação do setor passa pela aquisição de um ventrículo artificial, para dar maior sobrevida ao paciente durante o transplante. “Diferente do transplantado de rim e de fígado, o de coração não sai da mesa de cirurgia enquanto o transplante não for concluído. O equipamento nos daria um tempo maior para um procedimento”, diz. O problema do ventrículo, que não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é o alto custo: US$ 500 mil. No Estado, apenas o Incor, na Capital, dispõe do equipamento.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL 26 de fevereiro de 2009
CAMPANHA DE INCENTIVO À DOAÇÃO DE ÓRGÃOS CHEGA AO ESTÁDIO DE PITUAÇU
Uma parceria entre a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), através do Sistema Estadual de Transplantes (Coset), e a Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) possibilitará a divulgação, na noite de hoje (26), no estádio de Pituaçu, durante a partida entre o Esporte Clube Bahia e o Colo-Colo, de Ilhéus, informações sobre a importância da doação de órgãos. Serão mostrados o jingle e o vídeo da campanha de incentivo à doação de órgãos antes e no intervalo da partida de futebol. Segundo explicou Eraldo Moura, coordenador da Coset, o superintendente da Sudesb, Raimundo Nonato, foi bastante receptivo ao permitir a divulgação da campanha em Pituaçu. Todo o material a ser utilizado no estádio foi entregue à Sudesb pela técnica da Sesab, Sandra Behrens.
No ano passado, foram realizados 363 transplantes no estado, representando um aumento de 28% em relação a 2007. Em 2008, a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) contabilizou 46 doações de múltiplos órgãos, quatro doações a mais que no ano anterior. Este ano, durante o mês de janeiro, foram autorizadas três doações de múltiplos órgãos, nos hospitais: Geral do Estado (HGE), Roberto Santos e do Oeste (Barreiras). Para Eraldo Moura, em 2009, será necessário investir bastante em ações educativas a fim de conscientizar a população da importância da doação.
L.S./M.Tb.909-Ba Central de Transplante/Pituaçu
Associação Brasileira de Transplante de Órgãos – ABTO
EDITORIAL Ano de 2008
Finalmente, após três anos, sendo dois de queda seguido por um de estagnação, observa-se um crescimento significativo nas taxas de doação (15%) e de transplante no país, embora a taxa de doadores efetivos (7,2 pmp) tenha apenas se aproximado daquela obtida em 2004 (7,3 pmp). Entretanto, alguns recordes foram obtidos e devem ser devidamente salientados, o mais significativo foi que pela primeira vez um estado ultrapassou a barreira dos 15 doadores pmp (Santa Catarina com 16,7 pmp), também, de forma inédita foram realizados mais do que 3.500 transplantes renais e com doador falecido, foram superados os 2.000 transplantes de rim e os 1.000 de fígado.
Houve aumento de 9,2% nos transplantes renais, as custas principalmente do emprego de doador falecido (16,1%) com mínimo aumento do transplante com doador vivo (2,2%) e de 15,8% nos transplantes hepáticos, com incremento de 21,7% nos transplantes com doador falecido e queda de 18,8% nos com doador vivo, o quenão é de se lamentar. Também, ocorreu aumento nos transplantes de coração (25%), de pulmão (15,2%) e combinado de rim e pâncreas (9,8%), entretanto, a taxa desses transplantes é desproporcionalmente pequena quando analisada em relação ao número de doadores efetivos. Está havendo uma queda nos transplantes de pâncreas isolado, revelando um critério mais restrito para a indicação dessa modalidade de transplante, o que é louvável, tendo sido realizados apenas 166 transplantes, a grande maioria em São Paulo.
Em relação aos estados, observou-se um acréscimo nas taxas de doação no Espírito Santo (65%), Pernambuco (44%), Minas Gerais (39%), São Paulo (29%), Goiás (27%), Ceará (19%), Rio Grande do Norte (18%), Paraíba (17%). Santa Catarina (13%), Pará (13%), Distrito Federal
(5%) e Bahia (2%), e queda no Mato Grosso (33%), Paraná (15%), Rio de Janeiro (13%), Maranhão (9%), Rio Grande do Sul (10%) e Mato Grasso do Sul (10%).
No transplante renal, Santa Catarina (37,3 pmp) e São Paulo (37,1 pmp) se destacaram, mas ao analisar os transplantes com doador vivo, São Paulo (19,4 pmp) e Paraná (17,9 pmp) foram os mais ativos, muito acima da média do Brasil (9,5 pmp) e próximos da meta para o país em 10 anos (20 pmp), enquanto que com doador falecido os estados mais atuantes foram Santa Catarina (29,5 pmp) e Rio Grande do Sul (19,7 pmp), muito superiores que a média do Brasil (11 pmp) e Santa Catarina quase atingindo o objetivo previsto em 10 anos (35 pmp).
No transplante hepático destacaram-se Santa Catarina (15,5 pmp) e São Paulo (13,2 pmp), sendo que em São Paulo foram realizados 11,2 pmp com doador falecido e 2,0 pmp com doadror vivo, sendo o mais ativo nessa modalidade de transplante, seguido pelo Rio de Janeiro (1,8 pmp).
No transplantes de coração destacam-se como no ano passado, apenas invertendo a ordem, o Ceará (3,8 pmp) e o Paraná (3,3 pmp), distante dos demais estados e da média brasileira (1,1 pmp), enquanto que os transplantes pulmonares são realizados, na prática, apenas no Rio Grande do Sul (2,5 pmp) e em São Paulo (0,6 pm).
Os transplantes simultâneos de rim e pâncreas são realizados principalmente em São Paulo (2,2 pmp) e Paraná (1,8 pmp).
Com relação aos transplantes de córneas houve um crescimento de 12% e a taxa obtida (72,4 pmp) é em torno de 82% da prevista para atender a necessidade do país (90 pmp). São Paulo (153 pmp), Distrito Federal (146 pmp), Minas Gerais (102 pmp) e Paraná (97 pmp) realizaram mais transplantes que a necessidade prevista, entretanto, apenas São Paulo está se aproximando da “lista zero”. Devem ser analisadas detidamente nesse ano o grande número de pacientes em lista de espera, desproporcional ao número de transplantes realizados e à necessidade prevista e, principalmente, a baixa taxa de efetivação de transplantes em relação ao número de córneas removidas em alguns estados.
Enfim, 2008 foi um ano positivo para os transplantes no país, e a ABTO está consciente de que participou dessa retomada, assim como outras entidades, pois atuou efetivamente em 14 estados através de seus programas educacionais, e nesse ano propoe-se a atuar em pelo menos 20 em estados, que buscarem o seu apoio, para obter no final de 2009 o seu objetivo (8,5 doadores pmp).
Valter Duro Garcia
Editor RBT
Associação Brasileira de Transplante de Órgãos – ABTO • www.abto.org.br

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

DOBRA O NÚMERO DE TRANSPLANTES NO BRASIL

Brasil Dobra o número de transplantes, mas 69 mil ainda aguardam na fila
São Paulo
/ Agênciaseditoria@ilustrado.com.br
O número de transplantes realizados anualmente no Brasil mais do que dobrou em dez anos.
Só no ano passado, foram feitos 5.373 procedimentos – contra 2.362 realizados em 1998.
Os números fazem parte do último relatório divulgado pela ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos). Em dez anos, foram feitos 45.955 transplantes de órgãos no país. Apesar do avanço, o Brasil está longe de atender a todos os que precisam de um novo órgão. A cada ano, a lista de espera aumenta. São quase 69 mil pessoas na fila.
Em 2001, já eram mais de 43,5 mil.De acordo com o vice-presidente da ABTO, o cirurgião Ben-Hur Ferraz Neto, o aumento da fila ocorre porque a cada ano mais pessoas buscam o tratamento por meio de transplantes. "O Brasil é vítima do próprio sucesso. Há dez anos, o sistema não era tão desenvolvido como é hoje. Por isso há uma procura e uma indicação maior por esse serviço".
Para o presidente da ONG Adote do Rio, Rafael Paim Cunha Santos, estudos mostram que essa tendência ocorre porque a velocidade de crescimento da lista -que, além dos atuais pacientes, recebe novas inscrições a cada dia- é maior do que a de transplantes.Paim, no entanto, diz que há uma evolução. "Não digo que já se possa comemorar, mas toda evolução é bem vista. Se a gente comparar com o que acontece em outros países que incentivam a doação, no entanto, o Brasil ainda está longe", afirma. "A média de doadores por milhão chega a ser cinco vezes maior em um país como a Espanha. Há muito espaço para melhorar", diz.
Entre os problemas atuais, ele destaca a subnotificação dos casos de morte encefálica e a ausência de neurologistas nos hospitais.
Em 2008, a taxa de doações, segundo a ABTO, cresceu 15%. O número de doadores por milhão de habitantes chegou a 7,2. A meta, para este ano, é elevar o índice para 8,5.
Segundo a ABTO, enquanto no Piauí há 0,3 doador por milhão de habitantes, em Santa Catarina o índice chega a 16,7 – é a primeira vez em que um Estado consegue superar o índice de 15 doadores por milhão. A maioria dos transplantes realizados no país é de rim. Foram 3.780 em 2008 – um recorde. Há, porém, cerca de 34 mil à espera de um rim, hoje. Os transplantes de córnea também ultrapassaram a marca de 2.000 (mas são hoje 26 mil pessoas na fila).
No final do ano passado, o Ministério da Saúde anunciou um pacote para aumentar ainda mais o número de transplantes e aperfeiçoar o sistema no país. O cadastro de pacientes pela internet e o acompanhamento do andamento da fila pela rede foram algumas das medidas divulgadas.

Estado atinge índices históricos em captação de órgãos para transplantes.
24 de Fevereiro de 2009

RECORDE
Não é de hoje que o Estado de Santa Catarina vem se destacando nos transplantes de órgãos e, no ano que passou, atingiu mais uma marca histórica em termos de doações.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), pela primeira vez um estado ultrapassou a barreira dos 15 doadores por milhão de população (pmp).
Santa Catarina ficou em primeiro lugar nacional em número de doadores por milhão de habitantes com a marca de 16,7 pmp, seguido de Rio Grande do Sul (12,2 pmp) e São Paulo (12,0 pmp).

A média nacional fechou em 7,2 pmp. Parte destas estatísticas é resultado do comprometimento de equipes multidisciplinares como a d o Hospital Santa Isabel, em Blumenau, que é uma referência estadual tanto na captação como no implante de órgãos.
Mais informações: (47) 3321.1139 – Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do Hospital Santa Isabel.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

BRINQUE O CARNAVAL COM SEGURANÇA. SE DEFENDA .

A hepatite C
é causada por um vírus que ataca o fígado de forma lenta e silenciosa, inicialmente sem sintomas físicos para o portador. O vírus pode danificar o fígado da pessoa contaminada, ocasionando, às vezes, cirrose e câncer do fígado.
A evolução do dano ao fígado é diferente para cada indivíduo, podendo levar entre 20 e 30 anos, quando 1 de cada 4 infectados evolui para cirrose ou câncer no fígado.
O portador de hepatite C que desconhece estar infectado aparentemente leva uma vida totalmente normal, pois a doença na maioria dos casos não apresenta sintomas e os riscos de contágio na vida social, na família ou no trabalho são pequenos quando tomadas algumas precauções. Mas silenciosamente pode estar perdendo o seu fígado!
A maior fonte de contaminação aconteceu no passado com as transfusões
sanguíneas, possibilidade hoje muito reduzida pelos testes de sangue realizados nos hemocentros.
O compartilhamento de seringas e agulhas de injeção por uso médico também é coisa do passado, já que hoje se emprega material descartável.

Atualmente, os maiores fatores de risco de contaminação são o compartilhamento de utensílios empregados para o uso de drogas injetáveis, que representa dois terços das novas infecções, e acidentes com instrumentos cortantes, inclusive com instrumentos de manicure ou pedicure.

A prevenção é importante, porém é muito importante detectar os milhões de infectados existentes e evitar que evoluam para danos irreversíveis na sua saúde. É muito importante que você realize o teste de detecção, caso faça parte dos grupos de maior risco de já estarem contaminados, que são:
• pessoas que receberam transfusão de sangue, antes de 1993;
• usuários de drogas injetáveis ou inaladas, inclusive aqueles que o fizeram só uma vez, em qualquer época da vida;
• filhos de mães contaminadas com a hepatite C;
• pessoas em tratamento de hemodiálise;
• hemofílicos;
• pessoas contaminadas pelo HIV;
• pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou com histórico de doenças sexualmente transmissíveis;
• pessoas com tatuagens ou piercings.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A doação de órgãos no Brasil

Só no Estado de São Paulo, no ano de 2008, o transplante de órgãos atingiu recorde histórico. Até 15 de dezembro, foram 1.386 cirurgias, superando em 23% o ano passado. Foram 72 transplantes de coração, 117 de pâncreas, 752 de rim, 400 de fígado e 45 de pulmão. Esses são dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Inclusive, São Paulo registra quase um transplante por hora.
Mas, o que ainda faz com que o número de órgãos e de doadores seja insuficiente?
A resistência familiar é um entrave. O potencial doador tem que ter morte cerebral que ocorre como conseqüência de acidentes graves. A família fica tão perplexa diante da tragédia, que racionalmente não consegue analisar o fato com a frieza necessária para decidir e optar pela doação.
Um problema que pode impedir a doação é o paciente sofrer uma parada cardíaca durante a cirurgia, o que inviabiliza a retirada de alguns órgãos para doação. Além disso; resultados de sorologia positiva para HIV e outras doenças infecciosas, também tornam os órgãos inviáveis para o transplante.
Quanto à medula óssea, um acontecimento que vem favorecer a localização de um doador compatível; é a participação do Brasil na maior rede de registros de doadores de medula óssea do mundo; a americana National Marrow Donor Program (NMDP). Isso aumenta consideravelmente as chances de quem está à espera de um doador compatível. Só ela agrega 7 milhões de americanos cadastrados e mais 3 milhões de pessoas de outros países. O banco brasileiro tem 800 mil.
O nosso banco de dados também passa a fazer parte, porque agora a qualidade dos nossos registros e do sistema de busca, coleta e armazenamento foram reconhecidos. Essa parceria legitima internacionalmente a excelência do sistema brasileiro. O próximo país a participar deve ser a Alemanha.
Isso amplia a possibilidade de pacientes brasileiros encontrarem um doador compatível fora do país, com um custo muito menor, já que cerca de 45% deles já recorrem a bancos estrangeiros.
Os custos são altos e o SUS financia a identificação internacional de doadores, que chega a custar R$ 50 mil. Com essa troca entre banco de dados; o que for arrecadado com o envio de células-tronco de doadores brasileiros para outros países, será utilizado nos gastos para a busca internacional de doadores.
Quem faz essa busca é o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME ).
Outra informação animadora é a de que São Paulo zerou a fila de transplantes de córnea na capital. A tendência é de que esse fato ocorra em outras capitais e quem sabe no país inteiro.
Uma medida polêmica, decidida pelo Ministério da Saúde, pode beneficiar pessoas que estão na fila à espera de um transplante. São os órgãos “limítrofes”, aqueles que não estão em condições ideais para transplante, mas que no caso de extrema necessidade podem ter certa eficácia. Esses órgãos “limítrofes” são aqueles que viriam de doadores com doenças infecciosas, como a hepatite B,C, doença de Chagas, etc. O sistema será semelhante ao existente em São Paulo, onde pacientes e médicos decidem sobre o uso de órgãos não ideais antes do cadastro na fila.
O receptor teria que consentir. As entidades que representam os interesses dos pacientes estão preocupadas com essa medida. A receptora recebe o órgão, que tanto necessita, mas também pode receber a doença que o doador possuía. A questão é avaliar se o risco compensa. Nessa hora, o médico junto com o paciente tem que ponderar os prós e contras e tomar a decisão.
Esses órgãos serão oferecidos ao primeiro da fila, que se não aceitar será oferecido ao próximo e assim por diante. Certamente é mais uma opção, mas a polêmica vai gerar debates que podem trazer esclarecimentos e uma abordagem segura para esse procedimento, sendo mais uma esperança para aqueles que já não tem nenhuma.
Essa nova regra deverá ser publicada em março/2009.
O que pode ser doado:
1) Antes da parada cardíaca
• Coração (retirado do doador e mantido fora do corpo por no máximo 6 horas)
• Pulmão (retirados do doador e mantidos fora do corpo por no máximo 6 horas)
• Fígado (retirado do doador e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas)
• Pâncreas (retirado do doador e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas)
2) Depois da parada cardíaca
• Córneas (retiradas do doador até 6 horas e mantidas fora do corpo por até 7 dias)
• Rins (retirados do doador até 30 minutos e mantidos fora do corpo até 48 horas)
• Ossos (retirados do doador até 6 horas e mantidos fora do corpo por até 5 anos)
• Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue)
• Pele
• Válvulas Cardíacas.
3) Órgãos que podem ser doados em vida:
• Rim (apenas um)
• Pâncreas (uma parte)
• Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue)
• Fígado (apenas parte dele, em torno de 70%)
• Pulmão (apenas parte dele, em situações excepcionais)
Campanhas para incentivar a doação de órgãos para transplantes têm acontecido pelo país e em propagandas na TV.
O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo de ser doador. Não é necessário deixar nada por escrito. A doação de órgãos pode ocorrer a partir do momento da constatação da morte encefálica. Em alguns casos, a doação em vida também pode ser realizada, em caso de parentesco até 4ºgrau ou com autorização judicial (não parentes).
Fonte: Ministério da Saúde
A doação de órgãos é um ato louvável. Muitos ainda são resistentes por pura falta de informação. Quem morre não vai mais usar seus órgãos. Por outro lado, quem os recebe recupera sua qualidade de vida e saúde.

"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada, Caminhando e semeando, no fim terás o que colher".(Cora Coralina)
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009



ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO - AIGAAliança Brasileira pelos Direitos Humanos e o Controle Social nas Hepatites
www.aigabrasil.orgaigabrasil@aigabrasil.org

Os princípios na formação e estrutura da AIGA
1) A necessidade e o objetivo da criação do movimento:
O Objetivo principal da criação da ALIANÇA INDEPENDENTE PELOS DIREITOS HUMANOS E PELO CONTROLE SOCIAL NAS HEPATITES - "AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio), e capacitar ONGs ensinando os diversos mecanismos disponíveis para realizar o papel fundamental da sociedade civil, que é o de fazer com que o estado cumpra o que está determinado na Constituição Federal. A "AIGA" objetiva reunir ONGs e associações de pacientes que queiram assumir o compromisso de trabalhar nessa linha de independência com sustentabilidade e representatividade. Por serem associações de pacientes devem obrigatoriamente ter como forma de atuação a defesa dos pacientes como principal objetivo, sem interesses outros que venham prejudicar seus associados.

Todos os associados serão avaliados semestralmente em relação ao trabalho desenvolvido e forma de atuação e somente com a aprovação e aval de 60% do total de associados poderão permanecer na AIGA. O objetivo da formação da "AIGA" e evitar que por falta de capacitação e conhecimento as ONGs fiquem atreladas aos interesses dos agentes financiadores, públicos ou privados, se afastando do papel de mobilização social e cobrança das atribuições do Estado e da iniciativa privada.

Questões polêmicas que não agradam aos financiadores são omitidas por essas ONGs, para não pôr em risco o suporte monetário. Esta prática revela a despolitização e a falta de comprometimento dos militantes, que ao verem a possibilidade do financiamento, fazem qualquer negócio. Os financiamentos devem proporcionar não só a estruturação física, mas principalmente incentivo às ONGs para conquistar espaços na disputa de poder e representatividade. Cabe às ONGs, e somente a elas, lutar por novos projetos sociais.

É necessário evitar que os representantes do Estado falem como se fossem movimento social, e ONGs, falem como se fossem o próprio Estado. Para avançarmos em relação aos direitos humanos é preciso que a sociedade civil se manifeste com todas as suas demandas.

É preciso abrir espaços de discussões políticas, em que estejam contemplados os pensamentos e desejos da sociedade. O confronto de idéias é de fundamental importância, pois é através dele que as contradições aparecem, bem como é instância em que se conquista poder político e se amplia a noção do que é de responsabilidade do coletivo e do indivíduo. Se o estado tenta ignorar ou censurar a discussão meios públicos (mídia, judiciário e legislativo) podem ser acionados para tornar públicas as deficiências. As pessoas que têm seus direitos negados, como é o caso dos infectados pelas hepatites, ao organizarem-se se tornam visíveis para a sociedade. Caso contrário, não existindo como sujeitos, não vão ser agentes do processo, e continuarão como reféns.

Quando a sociedade civil é o agente do processo, todos podem se apropriar das mudanças, dando mais legitimidade e garantia para que estas mudanças realmente ocorram.

2) Sobre a forma de atuação da Aliança Independente pelos Direitos Humanos e pelo Controle Social nas Hepatites - "AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio) A Aliança Independente pelos Direitos Humanos e pelo Controle Social nas Hepatites
"AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio) é uma iniciativa das ONGs com maior experiência na área do controle social, dos direitos humanos e do "advocacy*" com o objetivo principal de capacitar e estruturar outras ONGs para conseguir representatividade e sustentabilidade nos seus objetivos.
* ADVOCACY é uma palavra da língua inglesa que pode ser traduzida como "defesa", se constituindo num processo mediante o qual um grupo de pessoas se organiza e capacita para reclamar seus direitos.
O objetivo é estruturar diversas ONGs para que atuando de forma independente possam conseguir a formulação e execução de políticas públicas em prol da divulgação, prevenção, detecção e tratamento das hepatites, seja por meio de proposituras ou acompanhamento de matérias no Congresso, buscando influenciá-las positivamente, seja mobilizando a sociedade civil, seja participando e atuando em eventos relacionados às hepatites ou divulgando informações na tentativa de formar opinião favorável à causa.
Os objetivos acima são considerados pelo controle social como ações de advocacy podendo acontecer nos níveis local, nacional e internacional lutando contra a discriminação e estigma social, acesso a serviços e tratamentos e mudanças de atitudes, práticas, leis e políticas de saúde, discriminatórias ou que colocam pessoas em um risco maior em relação à transmissão das hepatites. O advocacy é um processo que visa trazer mudanças nas atitudes, práticas, políticas e leis de indivíduos, grupos e instituições influentes. Um alvo-chave para o trabalho do Controle Social são as pessoas que criam políticas, mas mudanças consideráveis, também, podem ser estimuladas se o alvo forem as pessoas "influenciadoras" de políticas, aqueles que aconselham os formuladores de políticas. Influenciar politicamente e publicamente por meio da mídia, da sociedade civil ou pelo Judiciário nos comitês de políticas e grupos de trabalho governamentais é um dos mecanismos mais eficientes para a realização direta de mudanças. Resumindo, as ONGs participantes da "AIGA" receberão capacitação em tudo o que é referente à sua estruturação interna, na parte jurídica, na mobilização dos associados, do voluntariado, na captação de recursos, na assessoria de imprensa e até no fornecimento de material para campanhas.
A capacitação em diversas áreas será fornecida inicialmente pelas mais experientes ONGs que atuam nas hepatites as quais apresentam resultados bem sucedidos. ONGs de outras patologias com experiências de sucesso também serão convidadas a apresentar o seu trabalho especifico. Profissionais, como advogados, administradores, jornalistas, promotores, procuradores, juizes, legisladores, gestores públicos, médicos, sociedades médicas, etc., poderão atuar voluntariamente ensinando as ONGs a trabalhar de forma profissional. É necessário, também, se capacitar para aprender como "vender" uma matéria jornalística, como montar uma assessoria jurídica que facilite a vida dos associados de cada grupo. Resumindo, a Aliança pelos Direitos Humanos e Controle Social nas Hepatites atuará no sentido de fortalecer os grupos que a integram, os capacitando para que eles atendam os associados.
A Aliança não atenderá portadores. Eles deverão se dirigir aos grupos que fazem parte da Aliança, para dessa forma os fortalecer localmente. Inicialmente a experiência da ONG C Tem que Saber C Tem que Curar na área de parcerias com prefeituras, 112 nos últimos 3 anos (sendo 62 no ano de 2008) com o objetivo da realização de campanhas de testagem (cerca de 21 mil testes entre janeiro de 2007 a setembro de 2008) e de convênios com instituições como a OAB, será transmitida aos integrantes da Aliança. A experiência do GADA de São José do Rio Preto será mostrada para entender como é possível realizar convênios a nível municipal, estadual e federal e ao mesmo tempo realizar denúncias ao ministério público sem medo de perder os convênios ou sofrer represálias. Ainda, a experiência do GADA na fundação do RNP será um exemplo a ser seguido pela Aliança. A integração existente em Osasco entre o GAPHOR, o município, o estado, a farmácia de alto custo, CTA, laboratório, assistência médica privada e pública, pólo de medicação de aplicação multidisciplinar assistida e sociedades médicas será fundamental para se aprender como isso é possível de implementar em outros municípios.
O trabalho do Grupo Otimismo em relação ao levantamento de dados que possibilitam o controle dos gestores e a forma de motivar o ministério público e a defensoria em beneficio dos portadores, assim como a abertura de ações judiciais contra os planos de saúde, quando necessário, são caminhos pelos quais os grupos poderão se fortalecer.

3) Quem pode fazer parte da Aliança e como se associar A Aliança Independente pelos Direitos Humanos e pelo Controle Social nas Hepatites
"AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio) está sendo inicialmente formada e estruturada pelo Grupo Otimismo, o GAPHOR, a ONG C Tem que Saber e o GADA-SJRP. As ONGs interessadas em participar da "AIGA" deverão realizar a solicitação a um dos quatro grupos fundadores para avaliação da sua aceitação. Está depende de 60% mais 1 do total de Membros Fundadores e Efetivos que integrem a Aliança na ocasião da solicitação. As ONGs que solicitarem sua participação até o dia 28 de fevereiro de 2009 serão consideradas como associados fundadores.

4) O porquê da Aliança Independente pelos Direitos Humanos e pelo Controle Social nas Hepatites - "AIGA" (Aliança Independente de Grupos de Apoio)
Inspirados no sucesso do movimento social na AIDS, onde convivem pacificamente diversos movimentos (RNP, GADA, GAPA, GLS, PelaVidda, etc. etc.) onde todos eles se encontram legitimamente representados nos diversos programas municipais, estaduais e nacional, enxergamos uma forma de dar a oportunidade para que cada grupo de hepatites também tenha a liberdade de escolher seu caminho objetivando o fortalecimento, a independência e a sustentabilidade. O programa brasileiro de DST/AIDS é reconhecido e elogiado mundialmente. Isso só foi possível de se conseguir porque a pressão da sociedade civil, com reivindicações, manifestações, denuncias e ações judiciais conseguiram a atenção da opinião pública e do governo.
Os primeiros responsáveis pelo Programa DST/AIDS tiveram a visão de enxergar que o grande número de movimentos, com interesses específicos e diversos, seriam os instrumentos para conseguir a atenção e as verbas necessárias. Em vez de tentar abafar ou cooptar esses movimentos eles foram capacitados pelo próprio programa DST/AIDS a se organizarem profissionalmente, com o qual os gestores podiam defender o aumento das verbas no sistema público da saúde. Era necessário atender a gritaria! Será possível existirem algum dia nas hepatites inúmeras e diversas tendências no movimento das hepatites, todas com representação no programa nacional, mas cada uma lutando de forma independente pelos seus interesses específicos e, unidas sempre que o objetivo for comum a todos?
Pelo histórico parece que será difícil, pois fica evidente que o PNHV quer "controlar" o movimento social. Alegando que não existem recursos a estratégia do avestruz está sendo copiada, escondendo a cabeça e o problema debaixo da terra. O dia que conseguirmos formar grupos e tendências fortes à luta conseguirá avançar a passos acelerados e as hepatites receberam a atenção que merecem.
Trabalhar de qualquer outra forma será perda de tempo e enganação àqueles que pretendemos representar. Devemos lembrar que se um elefante incomoda muita gente trinta elefantes incomodam muito mais, sendo praticamente impossível alguém tentar calar ou dominar um movimento quando existem diferentes tendências internas, cada uma com sua própria palavra e seu próprio pensamento nos objetivos de luta.

5) O porquê da proposta de uma Aliança e não um Movimento de Adesão?
Existe uma diferença entre adesão e aliança. Aderir transforma mecanicamente os associados em aceitar tacitamente as determinações de quem for eleito. Aliança e a união de iguais, onde todos devem decidir os rumos, as determinações e até a indicação de integrantes para comporem comissões, comitês, etc., sempre pela opinião e voto democrático da maioria. Cabe a cada grupo discutir internamente nos próximos dias qual será a linha a seguir, de qual movimento ou aliança deseja participar. A escolha para ser democrática deve ser livre sem pressão ou marketing, pois não está se vendendo um produto.

CONTATOS:
Para informações e solicitação de adesão:- ONG C Tem que Saber C Tem que Curar - Francisco Martucci - atilaerosi@uol.com.br - Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite - Carlos Varaldo - hepato@hepato.com - GADA de São José do Rio Preto - Julio Caetano - gada@terra.com.br - GAPHOR - Dra. Marilia Gaboardi - mariliagaboardi@hotmail.com












domingo, 15 de fevereiro de 2009

Doação de Órgãos

Doação de Órgãos
Doe órgaos! A vida pode continuar
!


O Ministério da Saúde determina que todos os hospitais públicos, privados e filatrópicos, com mais de 80 leitos, constituam uma "Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes".

A equipe de profissionais da Comissão do Hospital Tacchini atua desde 2002, tendo já realizado inúmeras captações de órgãos, com apoio permanente da comunidade local e regional, além da participação intensa de todos os colaboradores e médicos do Corpo Clínico do Hospital Tacchini.

Tirando suas dúvidas


1. Como posso me tornar um doador de órgãos?
O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica ou da parada cardio-respiratória, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.Há duas situações para ser um doador: aquela em que o doador morre da parada cardio-respiratória (o coração para de bater), é o doador de córneas e ossos; e a morte encefálica, é o doador para múltiplos órgaos.


2. Quais os requisitos para ser considerado um doador?
Ter identificação e registro hospitalar;
Ter a causa da morte estabelecida e conhecida;
Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35ºC), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do Sistema Nervoso Central;
Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante;
Submeter-se a exame complementar que demonstre morte encefálica, caracterizada pela ausência de fluxo sangüíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral;
Estar comprovada a morte encefálica. Situação bem diferente do coma, quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que com dificuldade ou um pouco debilitadas.
Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, o médico do paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante.


3. O que é morte encefálica?
É a morte do cérebro, incluindo tronco cerebral que desempenha funções vitais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo. Não podemos nos confundir com coma. Todo o processo pode ser acompanhado por um médico de confiança da família do doador. É fundamental que os órgãos sejam aproveitados para a doação enquanto ainda há circulação sangüínea irrigando-os, ou seja, antes que o coração deixe de bater e os aparelhos não possam mais manter a respiração do paciente. Mas se o coração parar, só poderão ser doadas as córneas.


4. Quero ser um doador de órgãos. O que eu posso doar?
a) CÓRNEAS - retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias.

b) CORAÇÃO - retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo seis horas.

c) PULMÕES - retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por no máximo seis horas.

d) RINS - retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas.

e) FÍGADO - retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas.

f) PÂNCREAS - retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas.

g) OSSOS - retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos.

h) MEDULA ÓSSEA - se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue.

i) PELE.

h) VALVAS CARDÍACAS.


5. Para doar córneas é preciso estar em morte encefálica?
Não somente. As córneas podem ser retiradas até 6 hs após a parada do coração. O limite de idade é de 2 a 80 anos.

6. Quem não pode doar?
Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular.
Portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, além de todas as demais contra-indicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados.
Pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas.
Pessoas com tumores malignos - com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero - e doenças degenerativas crônicas.


7. Quem recebe os órgãos e/ou tecidos doados?
Quando é reconhecido um doador efetivo, a central de transplantes é comunicada, pois apenas ela tem acesso aos cadastros técnicos com informações de quem está na fila esperando um órgão. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade entre o doador e o receptor. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a receber o órgão.


8. Como garantir que meus órgãos não serão vendidos?
As centrais de transplantes das secretarias estaduais de saúde controlam todo o processo, desde a retirada dos órgãos até a indicação do receptor. Assim, as centrais de transplantes controlam o destino de todos os órgãos doados e retirados.


9. A retirada dos órgãos deforma o corpo?
Não. A diferença não dá para perceber. Aparentemente o corpo fica igualzinho. Aliás, a lei é clara quanto a isso: os hospitais autorizados a retirar os órgãos têm que recuperar a mesma aparência que o doador tinha antes da retirada. Para quem doa não faz diferença, mas para quem recebe sim!


10. Quem arca com os custos de doação?
Todas as despesas são pagas pelo Sistema Único de Saúde. (SUS)


11. Posso doar meus órgãos em vida?
Sim. Também existe a doação de órgãos ainda vivo. O médico poderá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças anteriores. A compatibilidade sangüínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso. Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo como o rim, uma parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido como a medula óssea, para que se possa ser transplantado em alguém de sua família ou amigo. Este tipo de doação só acontece se não representar nenhum problema de saúde para a pessoa que doa. Para doar órgãos em vida é necessário:

Ser um cidadão juridicamente capaz; Estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais;
Apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação;
Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador continuar funcionando;
Ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante;
Ser parente de até quarto grau ou cônjuge.

No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.


12. Que órgãos e tecidos podem ser doados em vida:
Rim
Medula Óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue)
Fígado (apenas parte dele, em torno de 70%)
Pulmão (apenas parte dele, em situações excepcionais)


Fontes: www.abto.org.br - www.saude.gov.br