domingo, 6 de setembro de 2009

O POVOonline

Doação de medula óssea
Hemoce pretende dobrar cadastro
O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) alcançou em agosto a meta de 50 mil pessoas cadastradas para doação de medula óssea
Larissa Limalarissalima@opovo.com.br 05 Set 2009 - 19h27min

Pacientes que esperam por um transplante de medula óssea têm apenas uma chance em 100 mil de encontrar doador compatível fora da família.
Mesmo entre irmãos de sangue, a chance de compatibilidade é de 25%. Para aumentar as possibilidades de tratamento, centros de todo o País fazem campanhas para cadastrar doadores, por meio de amostra de sangue.
O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) conseguiu, alguns dias antes do esperado, alcançar a meta de pessoas cadastradas no Estado: 50 mil. No Ceará, cerca de trinta pessoas estão na fila pelo procedimento. “São 50 mil possibilidades de cura. A gente agradece a quem se cadastrou, a quem atendeu às nossas solicitações e abre o convite para as pessoas que ainda não se cadastraram”, comemora Nágela Lima, coordenadora da captação de doadores do Hemoce.
A meta havia sido fixada para 31 de agosto deste ano. Agora, a instituição prepara nova campanha para alcançar outro objetivo. Em setembro de 2010, o Hemoce quer ter 100 mil nomes no cadastro de possíveis doadores. O cadastro é unificado com outros estados pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), administrado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Nágela Lima considera que, mesmo com a meta alcançada, o número de 50 mil nomes cadastrados ainda é pequeno para o Ceará. “As pessoas ainda têm muito medo, associam a medula óssea à medula espinhal, acham que vão ficar com algum problema na coluna. Ou acham que isso é um órgão, que se tirar a pessoa morre”, pondera. O médico Fernando Barroso, coordenador da equipe de transplante de medula óssea do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), da Universidade Federal do Ceará (UFC), concorda que o desconhecimento sobre o transplante ainda é obstáculo para que as pessoas façam o cadastro. Ele ressalta, no entanto, que a doação de medula é um procedimento simples, não é doloroso e traz risco mínimo para os doadores. No Estado, ainda não é feito o transplante de medula óssea no qual é preciso encontrar um doador compatível. A expectativa, segundo Fernando Barroso, é de que o procedimento comece a ser feito no HUWC em 2010.
Desde setembro do ano passado, bons resultados já foram alcançados no Ceará com oito pacientes que passaram por outro tipo de transplante, o “autólogo”. Nesse caso, a pessoa doa para si mesma.
ENTENDA
> O que é medula óssea?
É um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecido popularmente por “tutano”. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas.
> Qual a diferença entre medulas óssea e espinhal?
Enquanto a medula óssea é um tecido líquido que ocupa a cavidade dos ossos, a medula espinhal é formada de tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e tem como função transmitir os impulsos nervosos.
> O que é o transplante de medula óssea?
É a substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea.
> Quem precisa do transplante?
Pacientes com doenças do sangue, como anemia aplástica grave e alguns tipos de câncer.
> Como é feita a doação?
A medula doada pode ser retirada por meio de uma máquina, que filtra das veias do doador as células da medula. Outra forma de fazer a doação é por meio da coleta diretamente da região da bacia, com agulha e seringa.
Fonte: Inca e Hemoce