quinta-feira, 22 de abril de 2010

Estadão.Com.Br

Composto é eficaz contra hepatite C
Ciência. A substância, descrita na última edição da Nature, impede a replicação do vírus e poderá compor um futuro coquetel contra a doença, que dispõe de terapia ineficiente e com muitos efeitos adversos. No mundo há 200 milhões de pessoas infectadas
22 de abril de 2010 0h 00
Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Uma substância descrita na última edição da revista científica Nature apresentou grande eficácia contra o vírus da hepatite C. O composto, batizado de BMS-790052, impede a replicação do microrganismo e poderá ser um dos principais ingredientes de um futuro coquetel contra a doença.

Cerca de 200 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus da hepatite C no mundo. Um porcentual significativo - de 30% a 40% - pode desenvolver doenças hepáticas como cirrose e câncer. Estima-se que 70% dos pacientes na fila de transplante de fígado carreguem o vírus.

O único protocolo terapêutico disponível prevê injeções de interferon alfa e comprimidos de ribavirina. Os remédios não agem diretamente sobre o vírus, mas melhoram a resposta do sistema imunológico. Contudo, têm efeitos adversos sérios, que vão de dor de cabeça e náusea a alterações comportamentais
.

Como o calvário dura de 24 a 72 semanas, muita gente desiste no meio do caminho. A eficácia também não é boa. Nas pessoas infectadas com o genótipo 1 do vírus - o mais comum no País -, menos de 50% dos pacientes respondem de forma satisfatória.

No Brasil, os doentes precisam assinar um termo de consentimento informado para ter acesso aos remédios pelo Sistema Único de Saúde (mais informações nesta página). O documento avisa que a medicação é "contraindicada durante a gestação por causar graves defeitos nos bebês". Além disso, o tratamento é caro: só o interferon alfa pode custar R$ 18 mil, sem contar a ribavirina e exames para verificar a resposta à terapia.

Tal cenário criou uma verdadeira corrida das indústrias farmacêuticas para identificar substâncias que poderiam combater diretamente o vírus. Uma revisão de estudos publicada na revista Viruses há três semanas enumera 28 compostos que já estão na mira dos fabricantes.

Estratégia. Como o HIV, o vírus da hepatite C apresenta alta taxa de mutação. Qualquer terapia vai exigir um coquetel de drogas para explorar mais de um ponto fraco do vírus. Assim, uma única mutação não será suficiente para que o microrganismo se torne imune ao tratamento.

Apenas dois candidatos estão na fase 3 de testes em seres humanos (a última etapa antes da aprovação para venda): o telaprevir - da Vertex Pharmaceuticals - e o boceprevir - da MSD. O telaprevir e o boceprevir agem sobre uma proteína que o vírus utiliza para coordenar seu processo de replicação: a NS3.

O BMS-790052, descrito na Nature, desativa outra proteína - a NS5A. Ainda está na fase 2 de testes em seres humanos, mas já traz resultados promissores: de todas as substâncias estudadas apresentou a mais alta eficácia na menor concentração.

Os testes envolveram 16 pacientes com, no mínimo, 100 mil vírus por mililitro de sangue analisado. Cerca de 100 microgramas do BMS-790052, administrado por via oral, derrubaram a carga viral para até 18 vírus por mililitro de sangue, no limiar do que os testes mais avançados conseguem detectar (aproximadamente 10 vírus por amostra). O efeito persistiu por seis dias após o tratamento.

Espera. Carlos Varaldo, presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite, participou há alguns dias de um congresso mundial em Viena sobre a doença. Varaldo conta que há perspectivas promissoras para as novas drogas, mas "são medicamentos para daqui a dois, três ou mais anos".

Mesmo assim, os autores do trabalho publicado na Nature apontam que o BMS-790052, associado a drogas similares, constitui "um componente valioso de uma provável (futura) terapia que não utilize interferona". E, portanto, sem os efeitos adversos associados.

O BMS-790052 foi descoberto pela indústria farmacêutica Bristol-Myers, utilizando uma técnica computacional para desenvolvimento de novos medicamentos. Os pesquisadores usam um modelo matemático que projeta várias substâncias com potencial de neutralizar as proteínas essenciais para a replicação do vírus. Depois, sintetizam cada um dos compostos e testam sua eficiência in vitro. O novo candidato emergiu de um banco de dados com cerca de um milhão de concorrentes.

Perfil. "São resultados muito interessantes", afirmou a pesquisadora brasileira Elisabeth Lampe, chefe do Laboratório de Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz), no Rio.
Ela coordena um grupo de pesquisa que investiga o genoma das cepas de vírus da hepatite C que circulam no Brasil.
Um dos principais objetivos de seu laboratório é determinar o perfil da epidemia no País e, no futuro, identificar o surgimento de cepas resistentes aos tratamentos. As informações servirão como subsídio para determinar quais drogas devem ser incluídas no futuro coquetel do programa de combate à doença.
Análises genéticas preliminares já mostraram que cerca de 5% dos vírus do genótipo 1 no Brasil já possuem alguma resistência às drogas em teste que atuam sobre a proteína NS3.

Para entender
1. O que é a hepatite C?
Doença causada por um vírus que ataca as células do fígado. Em 15% dos casos, provoca uma infecção aguda que acaba sendo curada pelo organismo. Mas, em 85% dos infectados, evolui para uma forma crônica que pode levar a doenças hepáticas como cirrose e câncer.
2. Como é transmitida?
A doença é transmitida por sangue contaminado. Em circunstâncias raras ocorre a transmissão por via sexual e a transmissão vertical (da gestante para o filho).

CRONOLOGIA
1989
Pesquisadores descobrem o vírus da hepatite C, o mais novo patógeno com grande impacto na saúde pública. Foi estabelecido seu papel na origem de muitas doenças hepáticas.
1993
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu a obrigatoriedade de testes para verificar a presença do vírus da hepatite C em todos os bancos de sangue do País.
2002
Criação do Programa Nacional de Controle de Hepatites Virais. Na época, o governo estimava que havia de 1 a 2 milhões de pessoas infectadas no País. Apenas 5 mil recebiam tratamento.
2009
Incorporação do Programa Nacional de Controle de Hepatites Virais no Programa Nacional de DST/Aids, que passou a se chamar Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Pe360graus.com

Segunda - 19/04/10 07h39, atualizado em 19/04/10 07h04
Mais de 200 pessoas esperam por transplante de fígado

O recadastramento promovido para quem está na fila para fazer um transplante em Pernambuco começou nesta segunda-feira (19). A medida é necessária porque o Ministério da Saúde iniciou o processo de mudança do sistema de informação responsável pela lista de espera por doador de órgão para transplante. O novo sistema, criado em São Paulo, estará disponível para acesso de profissionais de saúde, pacientes e centrais de transplante via Internet.

O paciente que está em lista deve procurar o médico que o inscreveu, com a cópia do CPF e comprovante de endereço, para que o médico faça uma reavaliação e o recadastramento. O novo sistema traz o benefício da transparência, porque estará disponível na internet. Vai ter recursos de informática para conferir o pós-transplante, e vai otimizar e facilitar muito a rapidez e a garantia da informação. Em, aproximadamente, 30 dias poderemos estar rodando o novo sistema”, falou a coordenadora da Central de Transplantes em Pernambuco, Zilda Cavalcanti .

Para que cada paciente da lista tenha acesso a informações sobre sua posição, basta acessar à página do sistema com o seu número de registro no Sistema Nacional de Transplantes e o número do seu CPF. De acordo com a Central, a nova ferramenta aumenta o controle social sobre os transplantes no País e dá mais credibilidade ao sistema.

Atualmente, mais de 200 pessoas estão na fila do transplante à espera de um fígado em Pernambuco. Nos últimos 10 anos, foram realizados 400 transplantes de fígado no hospital Oswaldo Cruz e no Jayme da Fonte, no Recife, mas o objetivo da equipe médica é aumentar ainda mais o número de cirurgias.

Há um ano e oito meses, Samira Pereira vive com um novo fígado. O transplante foi a única saída para recuperar a saúde abalada por causa de uma hepatite. “Você tem uma qualidade de vida. Agora eu me alimento bem, respiro bem”, disse.

Ela foi uma das pacientes da unidade de transplantes de fígado que funciona há 10 anos no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no bairro de Santo Amaro. No início, eram feitos apenas 10 transplantes por ano.

O médico que coordena a equipe responsável pelo serviço, Cláudio Lacerda, diz que em 2010 a meta é chegar a 100 transplantes. De acordo com ele, o aumento das cirurgias foi possível graças à melhoria do esquema montado para captar os órgãos em vários estados do país. “Com alguma frequência, o governo do Estado tem disponibilizado um avião para a gente ir buscar fígados. Também já há toda uma experiência adquirida”, falou.

A ordem de chamada é feita com base em um índice de gravidade da doença, ou seja: quanto maior o risco de morte mais adiantada se torna a posição na fila. ”Não existe a menor chance de qualquer forma de privilégio na fila”, afirmou Cláudio.

José Divino sofre de hepatite B e está há nove meses a espera de um transplante. Ele tem crises constantes por causa do mau funcionamento do fígado e precisa vir de Maceió para ficar internado no Recife. “Não tem coisa mais ansiosa do que esperar um fígado novo”, contou.

A dificuldade é que, no Brasil, a cada ano, são feitas, em média, oito doações de fígado para cada um milhão de habitantes. Na Espanha, por exemplo, são 35 doadores por milhão de habitantes. Quem precisa ou já precisou da doação sabe a falta que faz esse gesto de solidariedade. “Eu agradeço a Deus, em segundo ao meu doador, e terceiro aos médicos”, concluiu Samira.

De acordo com a Central de Transplantes, 272 pessoas estão aguardando a doação. Também existem os pacientes que precisam de outros órgãos como coração, rins, córneas e medula. E nesta fila de espera, existem 3.277 pessoas, atualmente. O telefone da Central, para outras informações, é o 0800 281 21 85.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ATX-BA


PODE ENTRAR, NOSSO CORAÇÃO ESTÁ ABERTO...

Associação de Pacientes Transplantados da Bahia (ATX-BA) é uma entidade sem fins lucrativos que desenvolve várias atividades para oferecer qualidade de vida aos associados transplantados de coração, rim, fígado, pâncreas, medula óssea, córnea. Para isso oferece assistência social, jurídica, orientação psicológica, noções de higiene e hábitos saudáveis para que possam reintegrar-se socialmente após a cirurgia, doação de medicamentos e alimentos aos transplantados carentes.

A ATX-BA atende mais de quatrocentos transplantados, além de pacientes portadores de hepatites B e C que procuram o apoio da entidade.

A associação orienta os transplantados sobre direitos previdenciários tais como: auxílio doença, aposentadoria, passagens para tratamento fora do domicilio. Orienta os pacientes que necessitam de transplantes no estado da Bahia e quando necessário em outros estados, realiza constantes campanhas para conscientização da sociedade sobre a importância da doação de órgãos e tecidos com o objetivo de salvar vidas.

Você, cidadão, tem um papel muito importante nessa história e pode nos ajudar de diversas maneiras:
• Divulgando, junto à sua comunidade, nossa entidade, nosso ciclo de palestras sobre doação de órgãos e transplantes, de orientação a respeito das hepatites, em especial as virais. Nossas palestras são realizadas em empresas, escolas, igrejas, associações de bairros, etc. E importante, sem ônus algum para a comunidade;
• Participando de nossos projetos. Nosso trabalho é todo voluntário;
• Se você for empresário poderá “nos ajudar a continuar ajudando” sendo um mantenedor da nossa organização ou realizando doações pontuais para dar suporte ao custeio da atividade, já que os dirigentes são todos voluntários, mas há custos mensais como aluguel, telefone, impostos, internet, impressos, material de divulgação, etc.;
• Além de tudo isso, temos à sua disposição no nosso site HTTP://www.atxbahia.com.br uma ficha de sócio contribuinte que você pode preencher com seus dados e nos enviar e a nossa conta bancária n. 100465-4 no BRADESCO, agência n. 0592-4, para que, se de todas as maneiras esta for a mais viável ou prática no momento, você não deixe de nos ajudar.
• Qualquer dúvida entre em contato conosco através do e-mail: atxba@hotmail.com ou pelos telefones (71) 32621334 / 9125-8581.

Como e porque participar?
Seja um cidadão engajado a esta causa.
Quantas vezes reclamamos de muitas coisas, sem nunca avaliarmos o que poderíamos ter feito? Por que, sempre, nos permitimos criticar, nos abstendo de nos sentirmos parte do problema?
Integre-se a causa social, ao terceiro setor, e valorize-se como ser humano e descubra a grandiosidade e satisfação de poder ajudar aos que precisam de ajuda.
Revele seu espírito de cidadania
Por isso, venha! Junte-se a nós.

Seja MANTENEDOR, BENEMÉRITO ou VOLUNTÁRIO
e ajude-nos a ajudar. Entre nessa luta conosco! Salve vidas.



sábado, 17 de abril de 2010

Gazeta online

Células-tronco ajudam a tratar diabetes e esclerose múltipla
16/04/2010 - 22h34 ( - G1)

"Ele não calçava a sandália, não amarrava o tênis, não calçava meia. Mesmo a roupa, ele Não vestia, não tomava banho sozinho. Agora, não. Agora, ele fala: ?não, mãe. Agora, não. Eu já posso fazer sozinho?", conta Maria de Lurdes Marques, mãe de Diego.

O jovem não conseguia mais andar sozinho. Já a estudante de economia Tatiana Acar, quanto mais comia, mais emagrecia. "Eu estava com muita sede. Eu saía no meio da rua, tinha que parar para beber água, tomar um suco. Eu nem reparava, não sabia nada desses sintomas. Só reparava que estava emagrecendo muito."

No caso de Tatiana, era diabetes tipo 1. Diego desenvolveu esclerose múltipla, de uma hora para outra. O que os dois têm em comum é a equipe médica, um grupo de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, pioneiro na pesquisa de células-tronco para o tratamento de doenças auto-imunes.

O hematologista Júlio Voltarelli, da Universidade de São Paulo (USP), comanda vários grupos de pesquisa que os cientistas chamam de protocolos. O de Diego é desenvolvido em parceria com duas universidades fora do país: uma do Canadá e outra dos Estados Unidos.

"O Diego foi sorteado para o transplante, fez o transplante e faz dois meses e ele não está tendo surto. Vejo esse resultado extremamente positivo. É claro que a gente tem que seguir o paciente durante vários anos, mas inicialmente um paciente que está tendo surtos a cada 15 dias, faz o procedimento e para de ter surtos, a gente fica otimista", afirma Júlio Voltarelli.

Depois de muita pesquisa, os médicos já sabem que o efeito das células-tronco é mais promissor, quando a doença ainda está no começo.

"Aqueles outros que já estão na fase progressiva já têm sequelas. E esses pacientes na fase precoce não têm sequelas. Então, o transplante interrompendo o surto, leva o paciente a ter uma vida praticamente normal. Esse é o objetivo desse projeto novo", explica o hematologista.

Diego e Tatiana estão muito contentes com o resultado, mas, nem por isso esquecem como foi difícil aceitar a idéia de se tornar uma ?cobaia? humana. "Eu ficava na dúvida, mas ao mesmo tempo eu falava: ?já não tenho mais injeção, já estou na última, não tive melhora nenhuma. Então, melhor eu fazer o transplante mesmo?", declara Diego.

Para Tatiana também, era arriscar ou passar a vida sofrendo restrições alimentares e tomando altas doses de insulina diariamente. "Minha cabeça ficou fervendo. Eu não conseguia pensar em mais nada. Eu fui à minha médica de novo para saber o que ela achava, mas ninguém podia falar nada, é uma coisa muito séria para você dar uma opinião que pode mudar a sua vida completamente", conta a jovem.

E ainda tinha que escolher entre dois protocolos de pesquisa: o mais usado, com quimioterapia para zerar o sistema imunológico - o que sempre representa um risco para o paciente - e a novíssima experiência com células-tronco mesenquimais, que acabou sendo a opção de Tatiana.

"O protocolo são oito infusões, e eu já fiz essas oito. Então, eu estou em avaliação, mas eles também querem que eu faça mais, porque eles estão vendo que está tendo resultado, porque está baixando a dose. Então, se eu fizer mais, de repente vou poder baixar ainda mais as doses e parar de tomar a insulina", revela a jovem.

As células-tronco mesenquimais existem em vários tecidos como na gordura e na parede dos vasos. Além do poder de regeneração, os médicos também pesquisam a capacidade que elas teriam de regular o sistema imunológico a ponto de evitar a rejeição.

"O que nós fazemos é retirar da medula óssea e pode ser retirada de outros tecidos, mas no nosso projeto é da medula óssea. E a gente injeta a célula no paciente sem a quimioterapia. Essa que é a grande vantagem", explica o hematologista Júlio Voltarelli, USP.

A irmã gêmea de Tatiana, que doou a medula para a irmã, acabou ganhando destaque no grupo de pesquisa, porque a quantidade de células mesenquimais que se reproduziram em laboratório surpreendeu os médicos.

"Geralmente, quem doava era pai. Como eu sou uma pessoa mais nova, a tendência é ela se reproduzir mais. Então, a minha irmã fez oito infusões e, como sobraram bastantes células, eles pediram para eu doar para outro paciente", diz Juliana que aceitou doar mais células

É uma revolução em curso. Para ver o que acontecia no organismo de Tatiana, os médicos fizeram uma cintilografia, e essa imagem rara entrou para a história. A expectativa era ver as células-tronco concentradas no pâncreas, o órgão que mais sofre com o diabetes.

Mas elas aparecem mais nos rins e principalmente nos pulmões. É que Tatiana tem asma e a inflamação provocada pela doença pode ter atraído as células-tronco que tem uma vocação anti-inflamatória.

"É isso o que a gente está fazendo: tentando entender esses mecanismos de como a célula mesenquimal estimula outra célula para ela se diferenciar e ter a capacidade de regenerar o tecido", aponta a bióloga Maristela Orellana, da USP.

"Isso agora vai demandar um estudo muito grande, onde nós vamos comparar células-tronco de diferentes fontes, de cordão umbilical, de tecido adiposo, de polpa dentária, de sangue menstrual, e ver qual é a vocação de cada uma para formar tecido. E isso vai ser um passo importante para a gente poder usar em futuras terapias", declara a geneticista Mayana Zatz, da USP.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Portal Hosp

Atualidades
06/04/2010
Nefrologistas fazem apelo ao Ministério da Saúde para garantir sobrevivência dos doentes renais crônicos

Associações reúnem-se com representante do Governo em prol de soluções para a atual crise no atendimento aos pacientes

Nesta terça-feira, 06 de abril, o presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Dr. Emmanuel A. Burdmann, e o presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Diálise e Transplante (ABCDT), Dr. Paulo Luconi, reúnem-se com o Secretário de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame. O objetivo do encontro é buscar soluções para reverter a crise que compromete o tratamento e a sobrevivência dos pacientes renais crônicos no Brasil.

A doença renal crônica acomete 13 milhões de brasileiros. Considerando-se os dados mundiais, mais de 100 mil pacientes com doença renal crônica deveriam estar em tratamento de diálise no Brasil. No entanto, dados do Censo 2009 da SBN demonstram que, atualmente, apenas 77 mil pacientes fazem diálise, cerca de 10 mil a menos do que em 2008. O levantamento também constatou que os índices de mortalidade vêm aumentando em torno de 1% por ano nos últimos quatro anos, chegando a 17,1%, um índice que preocupa os nefrologistas de todo o país.

Segundo Dr. Burdmann, muitos pacientes provavelmente estão morrendo sem mesmo terem acesso a serviços de diálise. A falta de investimento do Governo no setor não estimula a abertura de novas unidades e leva a deterioração das existentes. "Muitas clínicas estão em estado de pré-falência. Se nada for feito urgentemente pessoas vão morrer por falta de tratamento", ressalta Burdmann.

"Além disso, os dados da SBN sugerem que, em 2009, no mínimo 30 mil brasileiros podem ter morrido sem ao menos ter tido acesso ao tratamento", afirma. Finalmente, o presidente da SBN pondera que "Nos últimos quatro anos não houve modificação significativa no perfil dos pacientes, dos médicos e profissionais que deles cuidam. Este aumento da mortalidade reflete a situação crescente de penúria enfrentada pelas clínicas que atendem aos pacientes pelo SUS".

A situação é tão preocupante que a ABCDT entregou ao Ministério da Saúde uma relação de custos e gastos com diálise que demonstra a escassez de investimentos públicos no setor. Para o Dr. Luconi, a solução do problema está na resolução da asfixia financeira das clínicas, o que permitiria a continuidade do tratamento e a sobrevivência dos pacientes em diálise.

Entre os temas abordados na reunião estão a viabilização econômica dos procedimentos de diálise, incluindo a readequação dos valores de 2009, o aumento dos honorários médicos em Diálise Peritoneal e Hemodiálise e o problema do atraso no repasse dos pagamentos, e a realização de campanha nacional para detecção e tratamento precoce da DRC, para diminuir a necessidade de diálise e transplante renal.

Sobre a doença Renal Crônica: Segundo a SBN - Sociedade Brasileira de Nefrologia, 1 em cada 10 brasileiros apresenta algum grau de doença renal e 90% dos pacientes não sabem que estão doentes, porque os sintomas só aparecem quando o rim já perdeu grande parte da sua função. Nos últimos 8 anos, os casos de pacientes que precisam de diálise no país aumentaram em 84%.


Fonte: Burson-Marsteller



O Tempo online

Cidades

Decisão. Mãe teve a iniciativa assim que soube que o filho levou tiro na cabeça e não sobreviveria

Cabeleireira dá exemplo de solidariedade e doa órgãos
O TEMPO lança hoje, em parceria com o MG Transplantes, a campanha Viver Mais

Andréa Silva
Os projetos e sonhos do operador de máquinas Roger Nascimento Perdigão, 23, foram interrompidos. O rapaz, mais uma vítima da violência, foi baleado na cabeça anteontem e teve o diagnóstico de morte cerebral. Mesmo diante da dor, a mãe dele, a cabeleireira Valéria Correia da Silva, 46, tomou uma importante decisão. Ela vai doar todos os órgãos do filho. Perdigão está internado no Hospital João XXIII.

Essa é a segunda vez que Valéria, moradora do bairro Olaria, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, perde um filho. Em 2008, o caçula, de 19 anos, foi assassinado. O crime, motivado por vingança, ocorreu dentro de um ônibus. Na época, a cabeleireira - que também presta serviço voluntário como comissária de menor em áreas de risco e nos fins de semana em uma creche e um asilo - não pôde optar pela doação.

Agora, com mais informações, ela tomou a decisão que, acredita, irá ajudá-la a diminuir o sofrimento de não ter mais a companhia do filho. "É uma forma de mantê-lo vivo", diz.
Iniciativa como a de Valéria da Silva é o que muitas famílias esperam para mudar o rumo da história de quem está na fila à espera de doação de órgãos.


Com o objetivo de chamar a atenção da sociedade sobre a importância do ato, o jornal O TEMPO e o MG Transplantes lançam, hoje à noite, a campanha "Viver mais". A solenidade terá a presença do ministro da Saúde José Gomes Temporão.

"Essa é uma iniciativa de extrema importância em Minas Gerais, porque existe em nosso Estado uma fila imensa de pessoas que dependem apenas de um doador. Os órgãos que são desperdiçados poderiam dar mais vida e alegria para essas pessoas e suas famílias", destaca Vittorio Medioli, fundador da Sempre Editora. A campanha constará de uma série de reportagens especiais, que serão publicadas semanalmente, a partir do próximo domingo, dia 18.

Ontem, ainda muito abalada com a notícia de que o filho não teria chances de sobreviver, a cabeleireira contou que não teve dúvidas sobre fazer a doação. O resultado dos exames que irão confirmar a transferência dos órgãos será liberado hoje. De acordo com a assessoria da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), o corpo do jovem permanece ligado a um respirador.

"Sei que não terei meu filho de volta, mas com certeza os órgãos dele poderão dar uma vida melhor a outras pessoas. Isso alivia um pouco a minha dor", disse a mulher, que agora só terá a companhia da filha Paula, de 25 anos.

Roger Perdigão participava de uma festa de rua com os amigos quando foi baleado. O evento ocorreu perto de onde ele morava.

Minientrevista

"Doar é uma forma de mantê-lo vivo"
Valéria Correia da Silva Cabeleireira, 46, Mãe de Roger Perdigão

A cabeleireira Valéria Correia da Silva decidiu doar todos os órgãos do filho, logo depois de ter sido informada pelos médicos do HPS da possibilidade de morte encefálica. Na entrevista abaixo, ela conta por que tomou a decisão.

Onde você estava quando seu filho foi baleado? Estava prestando serviço em uma creche em Betim, onde sou voluntária. Me ligaram, dizendo que meu filho havia tomado um tiro na perna.

Quando você recebeu a informação de que ele havia sido atingido na cabeça?
Informei o nome do meu filho na recepção e a funcionária do HPS confirmou que ele estava na unidade, mas que ele havia tomado um tiro na cabeça.

Qual foi a sua reação?
Não conseguia acreditar naquilo. Mas quando vi o estado do meu filho, tive a certeza de que ele não iria sobreviver. Pela segunda vez, perco um filho para a violência.
Foi nesse momento que você decidiu pela doação dos órgãos?
Foi. Mesmo muito abalada, não quis esperar. Procurei a assistente social do hospital e comuniquei minha decisão de doar todos os órgãos.

A senhora acredita que a decisão vai diminuir seu sofrimento?
Muito. Me dá um conforto saber que as pessoas com órgãos doentes poderão ter uma vida melhor por meio do meu filho. É uma forma de mantê-lo vivo também.
A senhora deseja falar algo para outras mães? Quero dizer para elas educarem bem os filhos. Continuarem lutando para eles não se envolverem com a violência e não perderem suas vidas e nem tirar a de outros.

Transplantes
63.866 pessoas estão na fila de espera de transplante de órgão no país
2.077 pacientes em Minas aguardam na fila de transplante de órgão
2.057 cirurgias de transplantes foram realizadas no Estado 2009

Doador passa por exames

Assim como outros doadores de órgãos, Roger Perdigão foi submetido a exames que confirmaram a morte encefálica. O procedimento foi realizado por um o médico intensivista e um neurologista e comunicado à central de transplante.
Se houver condições favoráveis à doação, o que deve se confirmar hoje, outros exames serão feitos para liberação dos órgãos. (AS)

Publicado em: 13/04/2010


Desafios ainda são grandes
Redução da fila foi de apenas 1% no ano passado. 64 mil aguardam por órgão
14/04/2010 00h00
CRISTIANO MARTINS
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Doze anos se passaram desde que Darli Machado, 38, descobriu que tinha doença de Chagas. Durante o período, testemunhou o nascimento de seus dois filhos e conviveu diariamente com o drama de não saber se seu coração o manteria vivo o suficiente para vê-los crescer. Até que, no ano passado, a espera na fila do transplante chegou ao fim. Ele foi um dos 20.253 brasileiros que receberam novos órgãos e tecidos em 2009. "Agora é só felicidade. É outra vida", comemora.

Com o aumento de 5% no número de transplantes realizados em relação a 2008, o Brasil alcançou o melhor resultado de sua história no setor. A taxa de doadores efetivos - cujos órgãos captados são, de fato, transplantados - subiu de 7,2 para 8,7 por milhão da população (pmp), superando a meta da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), que era 8,5. "Se considerarmos que os transplantes são o processo mais complexo do sistema, o aumento é muito expressivo", avalia Rosana Nothen, coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes.

Mas, apesar dos avanços, ainda foram poucos os que puderam comemorar. 63.866 pessoas tiveram que adiar para 2010 o sonho de deixar as listas de espera, que apresentaram redução de apenas 1%. E, infelizmente, para muitos deles esse momento pode não chegar: dois a cada três pacientes na fila por um fígado, por exemplo, morrem antes de conseguir o transplante.

No ano passado, 49,2% das equipes cadastradas no país não realizaram nenhuma operação. A falta de conscientização e a baixa identificação de potenciais doadores continuam sendo os principais desafios. Cerca de 21% das captações não foram concretizadas devido à recusa familiar, e a efetivação das doações foi de 25,5%, taxa ainda distante da meta da ABTO, de 40%.

As discrepâncias regionais representam outro grande problema. Santa Catarina e São Paulo foram os únicos Estados a alcançar níveis próximos aos de países desenvolvidos - 19,8 e 16,9 doadores pmp, respectivamente. Enquanto isso, em toda a região Norte, apenas Acre e Pará efetivaram doações com falecidos, e a taxa média de doadores pmp foi de 1%.

"Somos o segundo país em número absoluto de transplantes, mas, no relativo, estamos atrasados. Há possibilidade de melhorias, mas existem problemas sérios para solucionar", alerta Ben-Hur Ferraz Neto, presidente da ABTO.




terça-feira, 13 de abril de 2010

SAÚDE BUSINESS WEB

Anvisa suspende fabricação de medicamentos por não atender exigências

por Christina Machado (Agência Brasil)

Anvisa decreta suspensão da fabricação, distribuição, comércio e uso dos medicamentos Lifaltracolimus (tracolimo) e Lifalclozapina


Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicada no Diário Oficial da União determinou como medida de interesse sanitário a suspensão da fabricação, distribuição, comércio e uso dos medicamentos Lifaltracolimus (tracolimo) e Lifalclozapina (clozapina). Os produtos fabricados por Lifal Laboratório Farmacêutico de Alagoas S.A. estão sem registro no país.

De acordo com a resolução, o fabricante deve recolher todos os lotes dos produtos. A proibição vale para todo o país, a partir de hoje. O tracolimo é usado para evitar a rejeição de órgãos transplantados, e a clozapina é um antipsicótico, indicado no tratamento de transtornos como a esquizofrenia. Os pacientes que fazem uso dos medicamentos devem procurar seus médicos para efetuar a substituição do tratamento.

Os dois medicamentos foram fabricados legalmente no país até dezembro de 2009, quando a Anvisa indeferiu o pedido de renovação de registro para os dois produtos. A empresa recorreu da decisão, mas a Anvisa optou por manter o indeferimento.

Durante o processo de renovação do registro, a empresa não apresentou documentos suficientes que comprovassem a segurança, eficácia e qualidade dos produtos. Problemas com a validação dos métodos analíticos do medicamento Lifaltacrolimus, por exemplo, resultaram na não aceitação de diversos estudos apresentados pelo laboratório

HCNET

13/04/2010
HE faz ação para detectar hepatite

Desde ontem até o próximo sábado, dia 17, o Hospital Estadual (HE) Bauru promove a “3ª Campanha de Diagnóstico de Hepatite por Vírus B e C”. A ação é realizada das 8h às 17h até sexta-feira e das 8h às 12h no sábado.

Durante toda a semana, médicos especialistas e funcionários do HE estarão no estacionamento da instituição à disposição de pacientes e público em geral para aplicar testes gratuitamente nos interessados após triagem no local.

A triagem é feita por meio de um questionário que ajudará a identificar quem possui fatores de risco. As questões dizem respeito a comportamento e contato com agentes transmissores da hepatite B e C. Quem recebeu transfusão de sangue antes de 1993, trabalhadores da saúde, usuários de drogas e profissionais do sexo, por exemplo, fazem parte desses grupos.

Cerca de 3 mil kits, fornecidos por laboratório especializado, estarão à disposição dos interessados para realização dos testes. A coordenação dos trabalhos é dos médicos Gustavo Kawanami (infectologista), Fernando Gomes Romeiro (gastroenterologista) e Renata Silveira da Rocha (infectologista), integrantes do corpo clínico do HE.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

ESTADÃO.COM.BR

Remédio para paciente com aids está em falta
Documentação falha causa escassez do abacavir há 4 meses;[br]prazo para a resolução do problema foi adiado
07 de abril de 2010 0h 00
Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O abacavir, medicamento usado por cerca de 3,7 mil pacientes com aids, está em falta no Brasil. O problema teve início em dezembro, quando o Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais informou ter havido dificuldade na aquisição do remédio. Naquela época, o programa aconselhou que médicos substituíssem temporariamente a indicação do remédio até que a situação se normalizasse - o que estava previsto para fevereiro.

"Nem todos os médicos e pacientes aceitaram fazer a substituição, por considerá-la inadequada. O problema também não foi resolvido no prazo previsto e agora a situação é esta: em todo o País encontramos casos de pacientes sem remédio", afirmou o presidente do Forum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinheiro.

O fórum recomendou aos pacientes que procurassem a Justiça. Anteontem, a organização divulgou comunicado com críticas à condução do problema. "É inadmissível que um programa até então exemplar no tratamento da aids, que investe cada vez mais recursos na produção nacional, a exemplo do que é destinado a Farmanguinhos para a fabricação de antirretrovirais, nos faça viver com o fantasma do racionamento e do desabastecimento", diz a nota.

A diretora do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariangela Simão, admitiu que a falta do medicamento s é lamentável.
Ela informou que o desabastecimento é fruto de um problema na apresentação de documentos pela empresa fornecedora do genérico, a indiana Aurobindo. A empresa já havia fornecido o medicamento, mas, dessa vez, documentos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária não foram apresentados no tempo correto. A expectativa, disse a diretora, é de que o remédio chegue ao País até dia 20 de abril.

"O acesso universal à terapia antirretroviral é a espinha dorsal do programa de aids. Entendemos o acesso como um direito humano e cabe ao governo fornecer os medicamentos na sua plenitude", afirmou. Mas ela acrescentou que a compra de medicamentos às vezes apresenta variáveis que nem sempre é possível se controlar. "Não quero com isso reduzir o problema. Mas posso garantir que a logística é bastante detalhada e que fazemos todos os esforços necessários para evitar desabastecimento."

Mudança arriscada
Nair Brito, uma das pacientes que sofrem com a falta do abacavir, não quer mudar o tratamento porque ele está funcionando. Nair teme que a troca desperdice a última alternativa de terapia.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Jornal O Dia - RJ

07 DE ABRIL
Dia Mundial da Saúde

Só esqueceram de avisar aos nossos gestores...





Sem transplante, sem remédio

Além de enfrentarem a paralisação de médicos do Hospital de Bonsucesso, que não estão recebendo pagamento, pacientes que precisam de doação de fígado só conseguem medicamento do SUS se entrarem na Justiça


Rio - Não é só a paralisação da equipe de transplantes de fígado do Hospital Geral de Bonsucesso (HGB) que põe em risco a vida de quem está na fila por um órgão. A falta de medicamentos na grade de distribuição gratuita do Sistema Único de Saúde (SUS) também é uma dificuldade para os que estão em tratamento. Quem necessita dos medicamentos para sobreviver deve entrar na Justiça para obtê-los. Mesmo assim, não é garantido que vá realmente receber o produto.

É o caso de Raphael do Amaral, 16, que, desde setembro de 2009, não recebe os remédios para seu tratamento. A mãe do rapaz, Maria da Penha, que é deficiente visual, conta que entrou na Justiça em fevereiro de 2008, pouco depois de receber a notícia de que o filho sofria de colangite esclerosante e teria que aguardar por um transplante de fígado.

Na sentença, foi definido que governos do estado e do município deveriam fornecer os remédios para o tratamento: Ursacol 300mg, Propanolol 10mg, Sulfato Ferroso 109mg, Omeoprazol 20mg e ácido fólico 5mg. Juntos, eles custam cerca de R$ 460 por mês.

“Pior é quando falta o Ursacol, que custa R$ 130 a caixa. Raphael precisa de três por mês. Já gastei R$ 2.730. Não tenho esse dinheiro, peço emprestado. A última vez que fui na central, dia 25, disseram para aguardar um telefonema, e, até hoje, nada”, lamentou.

O desespero de Raphael e de mais 358 pacientes que aguardam por transplante de fígado não para por aí.

Como O DIA noticiou dia 26/03, transplantes de fígado do HGB estão parados: médicos deixaram de fazer as cirurgias fora do horário de expediente por não receberem o Adicional por Plantão Hospitalar (APH) do Ministério da Saúde, previsto por lei em vigor desde fevereiro de 2009. Para a lei funcionar, falta um decreto ser assinado e regulamentado. Até lá, transplantes só serão realizados no horário do expediente.

O Ministério da Saúde informou que o decreto que regulamenta o APH passa por análise do Ministério do Planejamento e será encaminhado à Casa Civil essa semana. Mas o assessor de imprensa do Planejamento, Orestino Amurim, informou ontem, por telefone, que não há prazo para o decreto ser encaminhado à Casa Civil. Ele recusou-se a explicar o assunto a O DIA por nota e disse ser ‘comum’ a demora para assinatura de decretos.

A Secretaria estadual de Saúde informou que os medicamentos estão à disposição do paciente na Central de Mandados. Já a municipal afirmou que a entrega está agendada para quarta-feira.

Sindicância para apurar perda de R$ 15,6 milhões

O estado abriu sindicância ontem para apurar o desperdício de R$ 15,6 milhões em medicamentos, insumos e materiais médico-hospitalares. Conforme O DIA mostrou com exclusividade em 1º de março, o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) constatou que os produtos perderam a validade entre julho e novembro do ano passado na Central Geral de Abastecimento (CGA), em Niterói.

A sindicância deve ser concluída em 30 dias, mas pode ser prorrogada por mais 30 dias, segundo publicação do Diário Oficial que cita as matérias de O DIA.

O desperdício noticiado deixou doentes e parlamentares indignados. O Ministério Pública Federal decidiu dar prosseguimento à ação civil pública contra a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil para que o órgão normalize o fornecimento dos remédios. Há dois anos, a ação havia sido suspensa porque o estado assinara Termo de Ajustamento de Conduta se comprometendo a regularizar o fornecimento e inaugurar farmácia com condições de armazenar remédios. O termo, no entanto, não foi cumprido.

Jornal O Dia - Pâmela Oliveira e Clarissa Mello
Roberto Pereira
Centro de Educação Sexual - CEDUS
Av. General Justo, 275 - bloco 1 - 203/ A - Castelo
20021-130 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Tel: (21) 2544-2866 Telefax: (21) 2517-3293

A Tarde On Line

BRASIL

05/04/2010 às 07:37 ATUALIZADA às 10:10

Doenças crônicas que devem ser observadas para vacinação contra gripe A
A TARDE On Line

Os pacientes idosos portadores de enfermidades crônicas também devem se vacinar durante a campanha do Ministério de Saúde em datas definidas em cronograma. No entanto, devem ter atenção e consultar o médico antes de tomar a vacina contra a gripe A para esclarecer dúvidas e receber orientações. Confira quais são as doenças crônicas listadas pelo Ministério da Saúde.
- Pessoas com grande obesidade (Grau III), incluídas atualmente nos seguintes parâmetros:
crianças com idade igual ou maior que 10 anos com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 25;
criança e adolescente com idade maior de 10 anos e menor de 18 anos com IMC igual ou maior que 35;
adolescentes e adultos com idade igual ou maior que 18 anos, com IMC maior de 40 ;
Indivíduos com doença respiratória crônica desde a infância (ex: fibrose cística, displasia broncopulmonar);
Indivíduos asmáticos (portadores das formas graves, conforme definições do protocolo da Sociedade Brasileira de Pneumologia);
Indivíduos com doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular);
Pessoas com imunodepressão por uso de medicação ou relacionada às doenças crônicas;
Pessoas com diabetes;
Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras doenças respiratórias crônicas com insuficiência respiratória crônica (ex: fibrose pulmonar, sequelas de tuberculose, pneumoconioses);
Pessoas com doença hepática: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral;
Pessoas com doença renal: insuficiência renal crônica, principalmente em doentes em diálise;
Pessoas com doença hematológica: hemoglobinopatias;
Pessoas com terapêutica contínua com salicilatos, especialmente indivíduos com idade igual ou menor que 18 anos (ex: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki);
Pessoas portadoras da síndrome clínica de insuficiência cardíaca;
Pessoas portadoras de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica: Hipertensão arterial pulmonar, Valvulopatia;
Pessoas com cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular (fração de ejeção do ventrículo esquerdo [FEVE] menor do que 0.40);
Pessoa com cardiopatia hipertensiva com disfunção ventricular [FEVE] menor do que 0.40;
Pessoa com cardiopatias congênitas cianóticas;
Pessoas com cardiopatias congênitas acianóticas, não corrigidas cirurgicamente ou por intervenção percutânea;
Pessoas com miocardiopatias
(Dilatada, Hipertrófica ou Restritiva);
Pessoas com pericardiopatias.

CRONOGRAMA DE VACINAÇÃO DOS GRUPOS PRIORITÁRIOS

22/03 a 23/04 - Doentes crônicos (Idosos com doenças crônicas serão vacinados em data diferente, durante a campanha anual de vacinação contra a gripe sazonal)

22/03 a 23/04 - Crianças de seis meses a menores de dois anos

05/04 a 23/04 - População de 20 a 29 anos

CAMPANHA NACIONAL DE VACINAÇÃO DO IDOSO

24/04 a 07/05 - Pessoas com mais de 60 anos vacinam-se contra a gripe comum. Aqueles com doenças crônicas também serão vacinados contra a gripe pandêmica

10/05 a 21/05 - População de 30 a 39 anos




sexta-feira, 2 de abril de 2010

Agência Senado

Comissões
31/03/2010 - 15h14
Projeto que visa inibir tráfico de órgãos passa na CAS

O projeto (PLC 84/04) que visa inibir o tráfico de órgãos foi aprovado com alterações pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) nesta quarta-feira, 31. Essa matéria, agora, terá de passar por votação no Plenário do Senado.

Apresentado em 2002 pelo então deputado federal Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o projeto original acrescentava alguns dispositivos à Lei nº 9.434/97 - que trata, entre outros itens, da autorização judicial para doação de órgãos e tecidos.

O texto aprovado nesta quarta, modificado pelo senador Mão Santa (PSC-PI), determina que, "no caso de doação dependente de provimento judicial, poderá o juiz, convencendo-se da voluntariedade da doação e do atendimento dos requisitos legais, conhecer diretamente do pedido e conceder a autorização, proferindo sentença após a manifestação do Ministério Público".


Também fica determinado que "quando a matéria não lhe parecer suficientemente esclarecida, o juiz poderá nomear perito para examinar o caso, bem assim designar audiência para o esclarecimento da matéria, no prazo máximo de dez dias".

Modificações

Em seu relatório, Mão Santa justifica porque excluiu do projeto alguns itens - como o que previa, em alguns casos, a apresentação de laudo assinado por dois médicos com pós-graduação ou título de especialista reconhecido no Brasil. O senador argumenta que o laudo médico não é suficiente para afastar possíveis ilegalidades na doação de órgãos e tecidos, pois, segundo ele, os médicos se limitam a analisar as questões técnicas do transplante ("se há necessidade do transplante, se há compatibilidade entre doador e receptor, se há riscos elevados no procedimento etc.").

Mão Santa afirmou que "não cabe ao médico avaliar e, principalmente, atestar a ausência de interesses obscuros e ilegais na doação" e que "não se pode transferir a responsabilidade do juiz para o médico". Ele também disse que "o laudo médico de que trata o PLC nº 84, de 2004, não acrescenta salvaguardas ao procedimento judicial, mas poderia constranger médicos a atestar a legalidade de um ato sobre o qual eles não têm controle total".

No Senado, antes de tramitar na CAS, o projeto foi analisado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde teve como relatores o senador Tião Viana (PT-AC) e, em seguida, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).


Koiti Koshimizu / Repórter da Agência Senado

terça-feira, 30 de março de 2010

Jornal Cruzeiro do Sul

vacina - [ 29/03 ]
Confira questionário sobre a gripe causada pelo vírus Influenza A/H1N1
Notícia publicada na edição de 29/03/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 5 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Gestantes, crianças e portadores de doenças crônicas começaram a receber a vacina contra a gripe causada pelo vírus Influenza A/H1N1 na última segunda-feira (dia 22).
Em Sorocaba, todos os 30 Centros de Saúde da cidade estão preparados para este atendimento, que pode ser feito de segunda a sexta-feira no horário normal de funcionamento de cada unidade.
A vacina é gratuita e está sendo disponibilizada de acordo com um cronograma definido pelo Ministério da Saúde, que estabeleceu grupos que possuem indicação para imunização.
As pessoas que possuem doenças crônicas e as crianças com idade entre 6 meses e 1 ano e 11 meses (menores de 2 anos), devem procurar as unidades de saúde até dia 02 de abril.
Já para as gestantes o prazo é estendido até dia 21 de maio. Mulheres que confirmarem a gravidez depois deste período poderão procurar os Centros de Saúde após a campanha.
A seguir, tire dúvidas com algumas perguntas formuladas pela reportagem do Cruzeiro do Sul e respondidas pela Secretaria de Saúde de Sorocaba

1 - Existem informações de que a dose teria componentes que podem causar efeitos (mercúrio e óleo de esqualeno que são tóxicos). A informação procede?
Na composição de algumas existem substâncias como as citadas, que são necessárias para efetividade e conservação das vacinas, porém sempre em quantidades seguras que não levam risco à saúde.
2 - Quais os componentes da vacina?
Fragmentos inativados de vírus propagado em ovos, adjuvantes, excipientes e conservantes.
3 - A vacina é eficaz? Tem algum estudo? Quando foi apresentado?
Sim, em estudos realizados comprovou-se a eficácia acima de 90% de proteção.
4 - Foi registrada alguma morte causada pela vacina? Onde?

Não há comprovação de óbito pela vacina até o momento.
5 - As grávidas devem tomar a vacina em que período da gestação?
Devem tomar a vacina em qualquer período da gestação.
6 - É preciso autorização do médico da gestante?
Não.

7 - Porque é importante que a gestante tome a vacina contra a gripe A?
Porque na primeira onda pandêmica foi um dos grupos mais afetados pela doença na sua forma mais grave, com mais complicações e, inclusive, óbitos.
8 - Ela pode ter alguma reação? Qual (is)? Por quê?
Todo medicamento pode levar a eventos adversos. Isso ocorre porque algumas pessoas podem ter algum tipo de incompatibilidade com algum componente. No caso das vacinas, as possíveis
reações incluem: dor, vermelhidão no local da aplicação, febre, cefaleia, astenia (sensação de fraqueza, prostração) e dor muscular.
9 - A vacina pode provocar alguma reação no bebê? Qual (is)? Por quê?
Idem resposta acima.
10 - O bebê também será imunizado se a gestante tomar a vacina?
Sim, existe a possibilidade de que haja a transferência transplacentária de anticorpos de forma indireta ao recém-nascido.
11 - Quais as doenças crônicas que priorizarão os pacientes nesta etapa da vacinação?
Obesidade grau III (para criança menor ou igual a 10 anos - IMC maior ou igual a 25; de 10 a 18 anos - IMC maior ou igual a 35; acima de 18 anos - IMC acima de 40). Para calcular o IMC deve-se dividir o peso pela altura ao quadrado; Pneumopatias (doenças do pulmão) crônicas (asma grave, DPOC etc.); Cardiopatia: Insuficiência cardíaca, miocardiopatia, cardiopatia congênita; Nefropatias (doença dos rins) crônicas ( insuficiência renal, síndrome nefrótica,etc.); Hepatopatias (doenças do fígado) crônicas (cirrose, hepatite crônica); Hemoglobinopatias (doenças do sangue) crônicas (anemia falciforme, talassemia, etc.); HIV/AIDS; Imunossupressão (sistema imunológico enfraquecido) devido ao câncer ou terapêutica;
Transplantados de órgãos sólidos e medula óssea; Diabetes e Doença neuromuscular com comprometimento da função pulmonar.
12 - O paciente com doença crônica precisa de autorização médica?
Não, mas serão avaliados pelas equipes de vacinação.
13 - Porque a dose será priorizada às crianças de seis meses a um ano e onze meses?
Igualmente às gestantes e aos outros grupos que serão vacinados, esta faixa etária apresentou um grande número de casos graves e de internações pela doença durante a primeira onda pandêmica, ocorrida em 2009.
14 - Elas podem ter alguma reação? Qual (is)?
Idem ao 8 e 9.
15 - Quem tomar a vacina H1N1 não pode doar sangue? Por quê?
De acordo com nota técnica nº 2/2010 da ANVISA, recomenda-se que a pessoa que recebeu a vacina, aguarde 48 horas para poder fazer a sua doação.
16 - Foram apresentadas reações pelos adultos que tomaram a vacina na primeira etapa? Quais?
É previsto que algumas pessoas apresentem eventos adversos. Na primeira etapa, eles aconteceram dentro desta previsão e sem
maior gravidade.
17 - São as mesmas reações da gripe sazonal? Quais são os efeitos da vacina da gripe sazonal?
São os mesmos e já descritos no item nº 12.

18 - A rede pública disponibilizará a vacina contra a gripe sazonal? Quando? Quantas e quem poderá tomar?
Sim, a partir de 24 de abril para as pessoas com idade a partir de 60 anos e alguns grupos de risco (ex: asmáticos, cardiopatas etc.).
Para evitar que o idoso se desloque duas vezes aos postos de vacinação, os maiores de 60 anos que são portadores de doenças crônicas receberão as duas vacinas no mesmo período (vacina da gripe sazonal e a vacina contra Influenza A/H1N1). Os que não possuem doenças crônicas receberão exclusivamente a vacina contra gripe comum, como já ocorre anualmente.
19 - As pessoas que tomarem a vacina da gripe A podem tomar a de gripe sazonal?
Sim.
20 - O que é preciso levar, em termos de documentos, para poder tomar a vacina da gripe A?

Carteira de vacinação (se houver) ou documento oficial de identificação.
21 - Onde a pessoa pode tomar a vacina (postos de saúde, quais)?
Em toda a rede de Unidades Básicas de Saúde de Sorocaba, no seu horário de funcionamento. A cidade tem trinta Centros de Saúde.


Comentário ATX-BA:
Os pacientes transplantados devem consultar seus médicos antes.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Agência Senado

24 de março de 2010
Agência


PLENÁRIO / Pronunciamentos
23/03/2010 - 16h27
Tião Viana encaminha reivindicação da Sociedade Brasileira de Hepatologia .

Em pronunciamento nesta terça-feira (23), o senador Tião Viana (PT-AC) leu carta em que a Sociedade Brasileira de Hepatologia reivindica a expansão e a democratização do acesso dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) àquela especialidade. A entidade de hepatologistas também defende a ampliação do quadro de especialistas do setor, como forma de aprimorar o atendimento a oito milhões de brasileiros que sofrem com a falta de tratamento especializado em doenças do fígado.

Na carta - ser encaminhada a pedido de Tião Viana aos ministros da Saúde, José Gomes Temporão, e da Educação, Fernando Haddad - a entidade também defende o retorno da Hepatologia à condição de especialidade independente da Gastroenterologia, tendo em vista que os hepatologistas são obrigados a realizar atualmente um programa de residência médica com apenas um ano de formação, período considerado insuficiente para a formação de um hepatologista.

No documento, a Sociedade Brasileira de Hepatologia explica ainda que a exigência favorece a escassez de profissionais para o atendimento de portadores de doenças hepáticas no Brasil, onde muitas unidades da Federação não contam sequer com profissionais do setor em seus quadros de saúde.

Atualmente, como área de atuação, o médico hepatologista no Brasil necessita passar dois anos na clínica médica, dois anos na Gastroenterologia e, posteriormente, mais um ano na Hepatologia, esclarece a entidade.

"Trata-se de um longo e tortuoso caminho que também encontra dificuldades nas questões financeiras, visto que o médico residente deverá ficar longo tempo fora do mercado de trabalho para uma especialidade clínica e sem procedimentos", informa o documento.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia assegura que a carência de profissionais do setor pode ser constatada pelo Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/AIDAS) e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, visto que ela é reconhecida como um "ponto negativo" para a implantação das políticas de assistência e prevenção às hepatites virais no Brasil.
Da Redação / Agência Senado

segunda-feira, 22 de março de 2010

Diário do Pará

Domingo, 21/03/2010, 09:14h
Médico critica remédio dado a transplantados

O médico gastroenterologista Sérgio Mies, um dos maiores especialistas em transplante de fígado do mundo, afirma que a Secretaria Estadual de Saúde (Sespa) distribuiu “remédio de fundo de quintal” para centenas de pacientes transplantados de fígado, rim, coração e pâncreas do Estado.

Ele se refere ao medicamento Lifaltacrolimus, fabricado por um laboratório de Alagoas e entregue aos pacientes desde o ano passado. O remédio- sem qualquer explicação da Sespa-, deixou de ser fornecido durante 30 dias aos pacientes, que agora correm risco de rejeição do órgão e até mesmo de morte. Como se isso não bastasse, o Lifaltacrolimus sofre contestação da classe médica de vários estados, para quem não seria eficaz no combate à rejeição de órgãos transplantados.

“Eu nunca ouvi falar do Lifaltacrolimus, distribuído aos transplantados paraenses. Nos hospitais de São Paulo só se usa o Prograph que é o medicamento original”, declarou Mies ao DIÁRIO. Ele é professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e comanda a Unidade de Fígado do Instituto Dante Pazzanese. Mies ficou surpreso com o descaso dispensado pela Sespa aos transplantados do Pará.

Com a autoridade de ser o primeiro cirurgião a realizar transplante de fígado na modalidade intervivos (com doador vivo) no mundo, ele dispara: “O que acontece é que tem empresários que abrem um laboratório de fundo de quintal, pegam um apoio político, conseguem aprovação na Anvisa, colocam o preço mais baixo e saem vendendo por aí colocando a vida dos pacientes em risco”.

O conselho que dá aos transplantados é um só: “fuja disso. Não tome essas medicações de fundo de quintal. Você pode ter uma rejeição. Só tome os medicamentos receitados pelo seu médico”. Mies comanda a equipe que realizou o primeiro transplante de fígado no Brasil com sucesso, há mais de vinte anos. Desde então já fez mais de 1.000 transplantes, incluindo a doação entre pessoas vivas.

REAÇÃO

Mies conta que em São Paulo também houve tentativa do Estado de mudar a medicação dos pacientes. “Tivemos o caso do imunossupressor micofenolato mofetil (ou ácido micofenólico). Quiseram substituir o Myfortic que é o medicamento original, por outro similar mais barato, o Cellcept, mas nós não permitimos. Em outros estados ocorreu a mesma coisa. Acabamos conseguindo que fosse distribuído só o original. Em São Paulo só receitamos e distribuímos o medicamento original. A vida dos nossos pacientes não tem preço”, disse o cirurgião.

Desde 2007 no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, realizando transplantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Mies orienta uma equipe que é também uma das referências em tratamento de hepatite B e hepatite C, câncer de fígado e outros tipos de cirurgias. O jornalista e publicitário Walter Junior do Carmo relatou que em 2004, quando se submeteu ao transplante de fígado na modalidade intervivos-um irmão dele foi o doador-, foi Mies quem comandou a mesma equipe no hospital Albert Einstein.

“Ele se lembrou do fato, ontem, quando conversávamos”, observou Walter Junior. A cirurgia foi coordenada por Ana Olga Mies, uma das maiores especialistas mundiais em transplantes e tratamentos hepáticos.

>> Processo para garantir remédio

O jornalista e publicitário Walter Junior do Carmo, internado desde domingo passado em São Paulo, onde faz avaliações médicas, não consegue descrever a “expressão de espanto” da médica Michelle Harriz, da equipe da doutora Ana Olga Mies, ao contar a ela ter ficado quatro dias em Belém sem tomar o imunossupressor Tacrolimus, usado no combate à rejeição de órgãos transplantados. Junior foi submetido a transplante de fígado há mais de cinco anos e, a cada trimestre, precisa se deslocar para a capital paulista para fazer as avaliações no Instituto Dante Pazzanese.

Ao analisar os exames de Junior, a médica notou que as taxas do fígado estavam bastante alteradas, revelando uma inflamação no órgão. A taxa de Tacrolimus está em 1,4 ng/ml. O normal varia entre 5,0 a 20,0 ng/ml. Ou seja, o índice atual é insuficiente para evitar a rejeição do órgão. O detalhe é que o jornalista ficou “apenas” quatro dias sem tomar a medicação fornecida pela Sespa.

Perguntei para a médica o que aconteceria com uma pessoa transplantada que passasse mais de trinta dias sem tomar o imunossupressor. Ela respondeu que no caso do fígado a rejeição é inevitável”, relatou Junior. No Pará, 54 pessoas são transplantadas de fígado, segundo o presidente da Associação Paraense dos Amigos do Fígado (Apaf), Benedito Ferreira Almeida. A tentativa de recuperar o fígado requer a aplicação de uma medicação muito mais forte que o Tacrolimus para zerar o sistema imunológico.

Se por um lado os médicos conseguem salvar o órgão transplantado, por outro o paciente contrai centenas de infecções, porque o organismo fica completamente sem defesas. “O risco de morte é muito alto. Na maioria das vezes é necessário fazer outro transplante, mas as chances de o paciente resistir à espera pelo novo fígado são quase nulas”, diz Michelle Harriz.

LAUDOS

No caso de Junior, desde a última segunda-feira (15) a medicação foi reestabelecida. Logo após os exames, ele recebeu um lote de Prograph, o medicamento original com o princípio ativo Tacrolimus, que a Sespa se recusa em voltar a distribuir aos transplantados do Estado. A equipe que monitora Junior disse que durante os próximos três meses ele terá de seguir um tratamento específico, com reforço de outras medicações. Se o fígado não responder, terá de fazer uma biópsia e iniciar um tratamento mais intenso para combater a inflamação.

“Estou levando os laudos e vou entrar com duas ações judiciais contra o Estado do Pará: uma para garantir o fornecimento da medicação receitada pelos médicos, obrigação constitucional do poder público. E a outra será indenizatória, para reparar os transtornos que estou passando”, anunciou o jornalista. Ele sugere que todos os transplantados prejudicados pela Sespa tomem a mesma atitude.

ENTENDA O CASO

A Sespa passou todo o mês de fevereiro sem fornecer a substância ativa Tracolimus, que combate a rejeição de órgãos transplantados.

O medicamento Lifaltacrolimus, fabricado por um laboratório de Alagoas, voltou a ser fornecido no dia 12 de março passado aos pacientes, mas eles se recusam a tomá-lo, alegando efeitos colaterais como náuseas, tontura e insônia.

Os transplantados afirmam que o Prograf, remédio que tomavam antes de a Sespa suspender a compra do produto, em maio do ano passado, não causa os efeitos colaterais do Lifaltacrolimus.

Na sexta-feira, 19, a Sespa, depois de uma série de reportagens do DIÁRIO sobre o assunto, recuou e retirou de suas prateleiras o Lifaltacrolimus, adquirindo 40 mil caixas do remédio Prograf. Ela mantém o Litaltacrolimus “em quarentena” até que a Anvisa se manifeste sobre a eficácia do produto.

O promotor dos Direitos Constitucionais, Waldir Macieira, está reunindo provas para processar o Estado. Ele depende de laudos e pareceres médicos de especialistas, mostrando os prejuízos que a ausência do Tracolimus faz ao organismo. O fato dos pacientes terem ficado 30 dias sem o remédio pode ter provocado ao organismo ameaças de rejeição do órgão transplantado e risco de morte, principalmente no caso de pacientes de fígado.

Segundo exames feitos em São Paulo, o jornalista e publicitário Walter Junior do Carmo, transplantado do fígado, está com baixa quantidade de Tracolimus e apresenta inchaço no órgão. Ele ficou quatro dias sem tomar o remédio por culpa da Sespa. Junior promete processar o Estado e sugere que todos os transplantados paraenses façam o mesmo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Jornal A Hora Online

HC é o grande vencedor do Prêmio Destaque em Transplantes
da Secretaria de Estado da Saúde

Secretário da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, elogiou desempenho do hospital,
que conquistou três primeiras colocações

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP foi o grande vencedor do Prêmio Destaque em Transplantes 2009, conquistando três primeiras colocações. O evento, realizado nesta segunda-feira, dia 15, pela Secretaria de Estado da Saúde, contou com a participação do secretário Luiz Roberto Barradas Barata, do superintendente do HC, José Manoel de Camargo Teixeira, do coordenador de Saúde do Estado, Ricardo Tardelli, e do médico Adib Jatene.

O HC garantiu as primeiras posições em transplantes de fígado, coração e pulmão. O hospital assegurou, ainda, as segundas colocações no número de notificações de potenciais doadores e de órgãos colocados à disposição para transplante.

De acordo com o superintendente do Complexo, o bom desempenho é resultado do esforço conjunto entre os profissionais do HC e da Secretaria de Estado da Saúde. “O entrosamento dos médicos com os coordenadores intra-hospitalares garantiu um aumento significativo no número de transplantes, ajudando a salvar centenas de vidas”, observa.

O secretário Luiz Barradas ressaltou que a conscientização da população tem sido fundamental nesta área. “O número de doadores tem aumentado e estamos obtendo resultados cada vez melhores”, aponta. Segundo ele, a premiação dos hospitais é uma homenagem àqueles que se destacaram. “O HC tem sido um importante parceiro, prestando atendimentos de alta complexidade, como transplantes, e formando profissionais qualificados para atender toda a rede de saúde”, aponta.

Balanço divulgado pela Secretaria aponta que o recorde de transplantes em 2009 poderá ser quebrado, pois só nos dois primeiros meses de 2010 houve crescimento de 22% no número de doadores de órgãos, em comparação ao mesmo período do ano passado. “Em 2009, o HC colaborou com 91 notificações de doadores. Este ano, temos como meta superar esse número”, aponta José Manoel.

quinta-feira, 18 de março de 2010

noh!

17/03/2010 16:05
Estado
Vacinação contra Hepatite B é ampliada para novos grupos considerados mais vulneráveis
Agência Minas

A partir deste mês a vacinação contra hepatite B irá abranger novos grupos etários, além dos já existentes, que focam menores de um ano e crianças e adolescentes de um a 19 anos.
O Ministério da Saúde inclui agora novos grupos considerados mais vulneráveis para a doença, gestantes, após o primeiro trimestre de gestação, trabalhadores da saúde, bombeiros, policiais militares, policiais civis e rodoviários, carcereiros de delegacias e penitenciárias, coletadores de lixo hospitalar e domiciliar, pessoas que convivem sexualmente com portadores de hepatite B, doares de sangue, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, pessoas reclusas em presídios, em hospitais psiquiátricos, instituições de menores e forças armadas.

Também foram incluídos manicures, pedicures e podólogos, populações de assentamento e acampamentos e populações indígenas, além de potenciais receptores de múltiplas transfusões de sangue ou politransfundidos, profissionais do sexo, usuários de drogas injetáveis, inaláveis e pipadas, portadores de DSTs e caminhoneiros também deverão receber a vacina.

Conforme indicação médica,
a vacina também estará disponível para pessoas infectadas com HIV, pessoas vivendo com Aids, convívio domiciliar contínuo com pessoas portadores de Hepatite B, doadores de órgãos sólidos ou de medula óssea, imunodeficiência congênita ou adquirida, doenças autoimune, doenças do sangue, fibrose cística (mucoviscidose), hemofílicos, portadores de hepatopatias crônicas e hepatite C, portadores de doenças renais crônicas, diálise, hemodiálise, imunodeprimidos, portadores de neoplasias (câncer) e transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea. Nas situações de abuso sexual e vítimas de exposição sanguínea (acidentes perfuro-cortantes ou exposição de mucosas) e em recém nascidos de mães portadoras de hepatite B, neste caso, além da vacina, é necessária a administração da imunoglobulina humana anti-hepatite B.

Controle da doença

Segundo a coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde(SES/MG), Tânia Brant, o Ministério da Saúde considera que a ampliação da oferta da vacina para estes grupos contribuirá para a prevenção e o controle da doença. “Também são necessárias a adoção de estratégias para a ampliação da cobertura vacinal. Agora cada município terá mais autonomia e poderá montar ações para que o maior número de pessoas sejam vacinadas”, afirma.

A vacina também para estes grupos entra para o calendário vacinal. Cerca de 660 mil doses contra a doença foram disponibilizadas para este ano em todo o Estado. Em Minas 3.700 salas de vacinas foram disponibilizadas nas unidades básicas de saúde.

Formas de transmissão

Em 2009 foram notificados no Estado 992 casos da doença, já em 2010 não houve, até o momento, notificações da doença. A hepatite viral B é transmitida pelo sangue, esperma e secreção vaginal. Pode ocorrer por meio de relação sexual desprotegida ou compartilhamento de objetos contaminados, como lâminas de barbear e de depilar, escovas de dente, equipamentos de manicures e podólogos, materiais para colocação de piercing e confecção de tatuagens. Também há risco de infecção quando usuários de drogas usam instrumentos comuns, tanto no caso das injetáveis (cocaína, anabolizantes e complexos vitamínicos), como das inaláveis (cocaína) e das pipadas (crack). A transmissão também pode ocorrer da mãe infectada para o bebê. Acidentes com exposição a material biológico e procedimentos cirúrgicos, odontológicos e de hemodiálise, em que não se aplicam as normas adequadas de biossegurança, são fatores de exposição à infecção pela hepatite B.



terça-feira, 16 de março de 2010

GRUPO OTIMISMO


GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Telefones: Rio de Janeiro (xx21) 4063.4567 - São Paulo (xx11) 3522.3154 (das 11.00 às 15.00 horas)
e-mail: hepato@hepato.com Internet: www.hepato.com

15/03/2010

Triste futuro para os infectados com as hepatites B e C


As hepatites B e C possuem duas importantes características pelas quais deveriam ser consideradas doenças comuns e aceitas socialmente pela população, tal quais são aceitas sem maior temor de convívio social uma simples gripe, um resfriado, pressão alta ou o diabetes, mas lamentavelmente estamos caminhando aceleradamente para o difícil caminho do estigma em relação às hepatites e, como conseqüência a discriminação, sendo esse, tal vez, o maior efeito adverso que um infectado pode suportar.

Para falar nas características pelas quais as hepatites deveriam ser abertamente aceitas pela população no seu convívio social será necessário separar as hepatites. No caso da hepatite B existe uma vacina altamente efetiva, assim, na atualidade somente se contamina com a hepatite B quem bem quiser, o que deveria colocar a hepatite B como uma doença que não causasse temor em relação a poder ser infectado. Não podemos falar em cura para quem já está infectado com hepatite B, mas os medicamentos atuais oferecem um perfeito controle da doença evitando na grande maioria dos casos desenvolverem cirrose ou câncer no fígado.

Na hepatite C não existe uma vacina para prevenir o contagio, mas por ser uma doença que se transmite pelo sangue ou por instrumentos infectados com sangue, os casos de novos infectados e estatisticamente de significância reduzida quando comparado com o total de infectados existentes, haja visto que todo o sangue utilizado em transfusões passa por testes e que os instrumentos são descartáveis ou corretamente esterilizados. A transmissão ainda acontece, mas em grupos limitados e percentualmente de poucos indivíduos em relação ao total da população infectada. Aproximadamente 60% dos infectados com hepatite C que recebem tratamento curam definitivamente e, em curto espaço de tempo a cura superará os 80%, um panorama alentador.

Mas um dos principais efeitos arrasadores das hepatites B e C que afetam os infectados, tal vez um problema maior que desenvolver cirrose ou câncer no fígado, pode ser o estigma, a discriminação e a segregação no seu circulo familiar, social ou de trabalho causado pela falta de informação ou pela divulgação de informações erradas ou incompletas em relação a quem pode estar infectado e os motivos pelos quais um indivíduo ode ter sido infectado.

Faz já 12 anos que estou empenhado não somente na divulgação das hepatites, mas também para tentar evitar que informações distorcidas ou erradas cheguem à população, aos médios de comunicação, aos nossos governantes, pois devemos evitar que seja criada uma idéia totalmente errada do que realmente são as hepatites, como elas são transmitidas, quem pode ser infectado e quem pode estar infectado. Em saúde não existe pior medicamento que a informação incorreta ou incompleta, principalmente quando a informação afeta a qualidade de vida do infectado.

Tristemente devo reconhecer que a cada dia estamos caminhando no sentido inverso à boa e correta informação. Estimo que até estejamos correndo o risco de chegar ao extremo de considerar os infectados pelas hepatites B e C como parias humanos, culpando-os por um passado libertino, sem regras sociais e, por isso, hoje são os únicos culpados por estarem doentes com uma enfermidade de submundo. Se essa interpretação prevalecer, acabarão os infectados com as hepatites B e C excluídos do convívio social, das oportunidades de trabalho digno ou, até poderão ser segredados em guetos.

Para tentar explicar de maneira mais fácil e compreensível, pois o assunto e complexo, vou colocar alguns exemplos de situações que são vivenciadas atualmente, fazendo ao final o julgamento para tentar encontrar quem e o culpado em cada uma das situações. Uma leitura com calma pode explicar qual poderá ser o resultado desse tipo de ações e atitudes.

1 - Todo infectado com hepatite C é usuário de drogas!
Estamos caminhando para que a população acredite que todos os infectados com hepatite C utilizaram drogas ilícitas e, que durante sua vida se infectaram com múltiplas doenças sexualmente transmissíveis ou realizaram tatuagens despreocupadamente.

O resultado dessa interpretação e fruto de diversas situações. Por um lado pessoas famosas que somente tem hepatite C raramente querem dar um testemunho, em geral não querem falar publicamente que são portadores ou já curaram a hepatite C por achar que isso as pode prejudicar na sua vida social ou de trabalho.

Mas existem pessoas famosas que sim aparecem e dão testemunhos informando que eles estão com hepatite C, contando como aconteceu o contagio. O problema é que a grande maioria desses famosos se contaminou pelo uso de drogas ilícitas. Qualquer jornalista gosta de dar cobertura com amplo destaque quando alguém famoso decide contar sua historia e isso envolve sexo e drogas, como aconteceu com muitas estrelas internacionais como Keith Moon, Jimi Hendrix, Steven Tyler, o baterista Topper Headon do grupo Aerosmith's, Pamela Anderson, Jack Davenport, ator em Piratas do Caribe, Naomi Judd, David Crosby, etc..

Um anuncio publicitário alertando sobre a hepatite C que está sendo veiculado na TV da Inglaterra e pode ser visto em: http://www.healthcarerepublic.com/news/987634/Rock-stars-highlight-hepatitis-C-risks/ mostra claramente que se você foi ou continua sendo usuário de drogas ou fez tatuagens, pode estar infectado com hepatite C, mostrando todo tipo de instrumento para utilização de drogas.

Ao mesmo tempo, também na Inglaterra, a BBC NEWS dá destaque esta semana a uma matéria que leva o nome de "Meu estilo de vida me colocou em risco" onde a entrevistada e uma mulher que admite que foi por culpa de seu estilo de vida de alto risco, utilizando drogas injetáveis e praticando sexo não seguro que resultaram na contaminação com a hepatite C. "Eu gostava de ser muito rebelde, o uso de drogas foi escolha pessoal e sexo foi uma vontade de mulher". "Eu assumi um monte de riscos, de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, colocando-me em situações perigosas".

Matérias desse tipo não faltam nos jornais e nas TVs e isso está acontecendo não somente na Inglaterra e sim em muitos países, praticamente no mundo tudo. O resultado é que está se formando uma opinião errada sobre quem pode ter hepatite C devido a que somente a informação dos infectados pelo uso de drogas estarem sendo divulgadas.

Esse tipo de informação começou a ser divulgada nos últimos quatro ou cinco anos e, curiosamente nos países onde mais se divulga que o contagio aconteceu pelo uso de drogas se observa que o número de diagnósticos e de tratamentos está diminuindo. A causa dessa diminuição ainda não foi estabelecida, mas não podemos descartar que se uma pessoa se guia pelas informações mais divulgadas ela vai se questionar sobre a necessidade de realizar o teste, pois se nunca utilizou drogas ilícitas ou se teve uma vida sexual considerada normal, será praticamente certo que não apresenta possibilidades de ter contraído a hepatite C. Então, para que fazer o teste?

Podemos então culpar os famosos que pelo uso de drogas ilícitas contraíram hepatite C por divulgar informações que aumentam o estigma da população em relação a todos os infectados com hepatite C? A minha resposta é um categórico NÃO. Os culpados são os anônimos e famosos infectados somente com a hepatite C que preferem ficar calados e que por medo não assumem a sua condição.

2 - Somente pessoas com HIV/AIDS têm hepatite C!
No mundo todo o movimento social da AIDS e mais antigo e muito mais bem estruturado e capacitado que o movimento social das hepatites. Diversos motivos resultam nessa constatação por ter sido a descoberta da AIDS anterior a hepatite C e, ainda, porque a AIDS vinte anos atrás matava, o que levou os infectados a dar a cara e lutar por atenção por parte dos governos. Aconteceu uma mobilização geral, os governos estabeleceram programas, os infectados formaram ONGs e então passa a acontecer uma parceria onde os lideres do movimento passam a coordenar os programas de HIV/AIDS dos governos.

A contratação dos antigos lideres do movimento social para coordenar os programas governamentais tem seus prós e contras. Na ocasião se divulgava que a AIDS era uma epidemia que atingia somente homens, assim os programas objetivavam evitar a transmissão homossexual, pouco se alertando às mulheres sobre a possibilidade do contagio. As mulheres foram praticamente ignoradas e o resultado e que atualmente em alguns países o número de mulheres com AIDS e superior ao de homens.

Não somente aconteceu o erro estratégico de não discutir o assunto fora dos grupos homossexuais, como também os programas se concentraram na AIDS dando menor atenção a outras doenças sexualmente transmissíveis ou de contaminação pelo sangue, resultando em um efetivo controle da transmissão da AIDS, mas não conseguindo resultados nas outras doenças, até algumas delas tiveram aumento no número de casos.

A falta de dialogo com outros envolvidos fez que a transmissão de doenças entre usuários de drogas injetáveis fosse um sucesso em relação a AIDS. Estudos mostram que nos grupos de usuários de drogas injetáveis a contaminação pelo HIV/AIDS e de somente 3,4%, já nos mesmos grupos a infecção com a hepatite C chega aos 41,8%. (British Medical Journal, doi:10.1136/bmj.38286.841227.7C -published 12 November 2004).

Ao não consultar especialistas em outras doenças foi ignorado que o vírus da hepatite C permanece ativo por até 72 horas numa amostra de sangue com alta carga viral. O vírus da AIDS morre em minutos. Ao não discutir de forma ampla o assunto, o resultado foi o controle da transmissão do HIV/AIDS entre os usuários de drogas, mas a maioria acabou infectada com hepatite C.

Esses erros são coisa do passado e não adianta procurar os culpados, o importante e que não se repitam e devemos pensar no que fazer daqui para frente. Lamentavelmente não é o que podemos observar.

ONGs americanas denunciam que nos Estados Unidos a verba federal para cuidar da hepatite C representa somente 2% da verba destinada aos programas de HIV/AIDS é que a culpa disso e que os programas de hepatites são coordenados por pessoas com HIV/AIDS co-infectadas com hepatite C, assim, todos os esforços estão direcionados para os co-infectados e muito pouco e realizado para os que estão infectados somente com hepatite C.

No Brasil a situação não é muito diferente. As diretrizes de tratamento e os números demonstram isso de maneira fiel e contundente, de forma inquestionável. Por exemplo, um co-infectado HIV/HCV tem direito a tudo dentro da Portaria 34/2007 que regulamentou o tratamento pelo SUS, sem importar o genótipo nem o grau de fibrose. Já quem tem somente hepatite C deverá aguardar piorar seu estado de saúde até chegar a uma fibrose F2 para receber tratamento e, se estiverem infectados com os genótipos 2 e 3 estarão condenados a serem tratados com o ultrapassado interferon convencional.

Em relação aos números e só citar que dos 600.000 infectados com HIV/AIDS, 200.000 recebem tratamento pelo SUS, assim, 1 de cada 3 infectados está recebendo tratamento. Já na hepatite C existem entre 3 e 4 milhões de infectados dos quais aproximadamente 10.000 recebem tratamento a cada ano, a relação resulta em que aproximadamente 1 de cada 350 infectados recebe tratamento pelo SUS.

É necessário se repensar e discutir como os governos estão realizando as estratégias em relação à hepatite C antes que o problema chegue a um ponto irreversível.

Podemos então culpar os co-infectados com HIV/AIDS e hepatite C por terem tomado conta dos programas de hepatites? A minha resposta é um categórico NÃO, inclusive devemos bater palmas para eles, pois primeiro deram a cara assumindo a luta social sem medo de aparecer, depois estudaram como funciona o sistema público de saúde e como fazer o controle social dos governantes, passando então a reivindicar recursos e políticas públicas. Isso resultou em serem convidados para assumir programas de AIDS e agora de hepatites. Se o convite foi realizado para aproveitar o conhecimento ou para os "cooptar" já que eram responsáveis por denuncias, ações judiciais e exposição do problema na mídia não vêm ao caso de ser discutido neste momento. Fica obvio que se eles estão cuidando mais da co-infecção HIV/HCV em detrimento dos mono infectados com hepatite C isso e resultado de que cada um deve cuidar de seu jardim, dos problemas que atingem seu grupo em primeiro lugar, pois e ali que aperta o sapato.

Se os programas de hepatites não estão sendo conduzidos por infectados somente com hepatite a culpa e a falta de interes e de capacitação dos grupos de pacientes, os quais são tímidos nas reivindicações, poucos capacitados e preferem ser "amigos" do governante de plantão que ficar denunciando a falta de resultados.

3 - Pessoas com hepatite B ou C são altamente perigosas!
É só fazer uma leitura de qualquer edital de concurso público para admissão em qualquer repartição, inclusive no próprio ministério da saúde. Entre os exames solicitados se encontram os das hepatites B e C, mas não são exigidos exames para saber se o candidato tem HIV/AIDS, sífilis, clamídia, gonorréia, HTLV, etc..

Qualquer individuo que tomar conhecimento do exigido no edital vai interpretar que as hepatites B e C são as duas doenças mais perigosas do planeta, muito mais que o HIV/AIDS, sífilis, clamídia, gonorréia, HTLV, pois somente os testes das hepatites B e C são solicitados.

Se o próprio ministério da saúde faz essa exigência, podemos então avaliar o tamanho do descaso que os gestores estão tendo com as hepatites.

Podemos então culpar o governo e em especial o ministério da saúde por isso? A minha resposta, sem medo de estar fazendo novos inimigos é um rotundo e sonoro SIM.

4 - A hepatite B não é um problema!
Pelo menos, pelos critérios de vacinação estabelecidos pelo ministério da saúde do Brasil não parece ser um problema que possa atingir toda a população. Critérios esses incompressíveis já que a vacina custa muito pouco e, ainda, é fabricada pelos laboratórios oficiais, motivos pelos quais ampliar a vacinação não seria uma despesa muito alta.

Não deveriam existir doenças que possuem vacinas efetivas, pois vacinando a população a doença desaparece ou se transforma em um assunto de muitos poucos casos, fáceis de controlar, tal qual acontece com as bem sucedidas campanhas de vacinação na paralisia, febre amarela, rubéola, coqueluche, difteria, sarampo e caxumba.

Países vizinhos como o Peru e a Venezuela, bem mais pobres e com menor estrutura sanitária, já em 2009 e 2010 estão vacinando 80% da população para prevenir a hepatite B. Com certeza a hepatite B será controlada e em alguns anos estará eliminada. Cuba vacinou toda a população e acabou com novos casos de hepatite B. Porque não seguir esses exemplos de nossos vizinhos?

Não devemos esquecer que existem dois milhões de infectados cronicamente com hepatite B no Brasil, sendo por isso a hepatite B a maior DST e a que infecta um maior número de brasileiros. Pior ainda, a transmissão sexual da hepatite B acontece com uma facilidade até 100 vezes maior que a AIDS. Toda pessoa em idade sexual ativa está sujeita a ser infectada com hepatite B, por tanto, o problema de atingir toda a população existe e assim deveria ser interpretado.

A vacina para hepatite B é aplicada gratuitamente em postos de saúde em crianças e adolescentes de até 19 anos de idade e para alguns grupos especiais, como vítimas de abuso sexual, vítimas de acidentes com material biológico positivo ou fortemente suspeito de infecção por hepatite B (VHB), comunicadores sexuais de portadores do VHB, profissionais de saúde, hepatopatias crônicas e portadores de hepatite C, doadores de sangue, transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea, doadores de órgãos sólidos ou de medula óssea, potenciais receptores de múltiplas transfusões de sangue ou politransfundidos, nefropatias crônicas/dialisados/síndrome nefrótica, convívio domiciliar contínuo com pessoas portadoras de VHB, asplenia anatômica ou funcional e doenças relacionadas, fibrose cística (mucoviscidose), doença autoimune, imunodeprimidos, populações indígenas, usuários de drogas injetáveis, inaláveis ou pipadas, pessoas reclusas (presídios, hospitais psiquiátricos, instituições de menores, forças armadas etc.), carcereiros de delegacias e penitenciárias, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, coletadores de lixo hospitalar e domiciliar, bombeiros, policiais militares, civis e rodoviários, profissionais envolvidos em atividade de resgate.

Neste momento a vacinação gratuita está sendo ampliada, passando a incluir gestantes, após o primeiro trimestre de gestação, lésbicas, bissexuais e transgêneros, manicures, pedicures e podólogos, populações de assentamentos e acampamentos, portadores de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), caminhoneiros, doenças do sangue e hemofílicos

Aplaudo a atitude da ampliação dos grupos de risco, evidentemente um resultado da incorporação da hepatite B no programa DST/AIDS, mas estão esquecendo que se adultos estão se infectando por via sexual com AIDS, também adultos com vida sexual ativa estão se infectando com hepatite B. Chegou a hora de avaliar a ampliação da faixa etária, fabricar mais vacinas e fazer uma campanha abrangente, pois insisto que a hepatite B é sim um grave problema, já que uma vez infectado não existe ainda a cura.

Em relação a programas do governo continuo a insistir para visitar a página com informações sobre doenças sexualmente transmissíveis do Programa DST/AIDS/Hepatites que se encontra em www.aids.gov.br/data/Pages/LUMIS8B526207PTBRIE.htm onde poderão verificar que absurdamente a hepatite B não está sequer relacionada como uma doença sexualmente transmissível e nenhuma informação e colocada sobre cuidados ou formas de prevenção.

Em palestras, pessoas acima dos 19 anos sem dinheiro para aplicar a vacina em clinicas particulares me perguntam se é possível receber a vacina gratuitamente, pois estão com medo de um possível contagio. Respondo perguntando se sabem se seu parceiro(a) está infectado com hepatite B, o que evidentemente desconhecem, então lembro a eles que a vacina e aplicada gratuitamente a pessoas de qualquer idade que sejam "comunicadores sexuais de portadores de hepatite B". Em resumo, se você suspeitar que esteja saindo com alguém suspeito de estar infectado com hepatite B, o melhor e informar isso no posto e assim receber a vacina gratuitamente.

Uma situação muito mais ética e benéfica para toda a sociedade e a pessoa tornar-se um doador de sangue, para o qual antes de doar é necessário que a pessoa tome a vacina. Nesta condição também a vacina e aplicada gratuitamente nos postos de saúde já que os doadores de sangue de qualquer idade estão incluídos nos grupos beneficiados.

Podemos então culpar o ministério da saúde por isso? A minha resposta é SIM.

FINALIZANDO:

Sei que a visão de um gestor público e muito diferente da que vê ou sente um individuo ou a família de um infectado com hepatite B ou C, com tempos, ansiedades e panoramas diferentes, mas os pontos acima colocados relatam situações reais, nada disso e ficção ou crônica de um romance.

A minha interpretação não é uma teoria conspiratória nem fruto de uma mente paranóica. Podem existir interpretações diferentes, as quais democraticamente respeito e me coloco a disposição para escutar e discutir. A minha interpretação não é uma verdade absoluta.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo


A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!

domingo, 14 de março de 2010

Escolher e Viver

Escolher e Viver
André François


Escolher e viver – Tratamento e qualidade de vida dos pacientes renais crônicos



Em quatro anos de pesquisas e registros na área da saúde, André François encontrou diversos pacientes renais crônicos, acompanhou seu tratamento e seus desafios para fazê-lo. Ao descobrir a diálise peritoneal, uma alternativa à hemodiálise, André decidiu registrar a história de pacientes de diferentes cidades brasileiras que utilizam esse método. A missão desse livro é divulgar essas histórias para contribuir com a divulgação desse tratamento pouco conhecido e incentivar a doação de órgãos.
www.imagemagica.com.br/viver

Para realizar seus dois livros anteriores, Cuidar – Um documentário sobre a medicina humanizada no Brasil, lançado em 2006, e A curva e o caminho – Acesso à saúde no Brasil, 2008, percorreu o país durante dois anos registrando a humanização da medicina e o acesso à saúde.
Ao longo desses projetos, sua atenção se voltou para os pacientes renais crônicos. Enquanto aguardam o transplante – tratamento adequado, mas ainda de difícil acesso –, eles dependem de meios artificiais para sobreviver. Ao observar que a diálise peritoneal é um tratamento acessível e que oferece uma boa qualidade de vida, André decidiu documentar as experiências dos pacientes a ela submetidos.
Essas vivências, narradas por meio de imagens e palavras dos próprios pacientes, de seus cuidadores e de familiares, encontram-se em Escolher e viverTratamento e qualidade de vida dos pacientes renais crônicos, que se insere no trabalho incansável de André de informar, divulgar, ampliar e criar conhecimentos que modifiquem olhares, pensamentos e atitudes com relação à saúde.